Muitas imagens da arquitectura foram «iconoteologia». Many images of ancient and traditional architecture were «iconotheological». This blog is to explain its origin.
16.7.19

Depois de duas, lembrámo-nos de uma outra, terceira razão, para pensar hoje na lua

 

Acontece que sobre INFRA-LUNARES e SUPRA-LUNARES já escrevemos várias vezes como podem confirmar*.

 

E escrevemos não apenas por ser um assunto antiquíssimo, que vem desde o tempo de Aristóteles (pelo menos!); mas, sobretudo porque nos diverte esta persistência muito humana: Uma imensa curiosidade, que levou os antigos, face aos gaps de conhecimento e de informação, a ficcionarem, em doses razoáveis «de invenção»!

Assim sendo, temos agora que acrescentar um pouco mais ao que já apresentámos sobre este tema que achamos tão curioso, e que - também ele - se articula com a nossa profissão:

 

O que desde lá atrás, de há milhares e centenas de anos, fez com que os círculos  e todo um formulário visual fosse considerado celeste, e passasse depois às Artes e à Arquitectura, em especial na Idade Média.

 

Porque foram desenhados, a partir «dele» - desse formulário visual - arcos e mais arcos, ou a três dimensões - abóbadas umas sobre as outras, com superfícies esféricas ou cilíndricas. Elementos que primeiro foram gráficos e depois tridimensionais, e também serviram para, por vezes, e em função das diferentes localizações na construção, serem os mais variados suportes. Inclusive, sendo alguns mais importantes (ou mais valorizados) do que outros.

 

Elementos que agora constituem "detalhes visuais", e também "peças técnicas", que foram suportes.

Sempre eficientes, mas também sempre falantes! Por isso muitos lhes chamam (e os consideram) - simbólicos.

Começamos então por referir o Saber, e os conhecimentos - que, forçosamente, sempre foram a base de todas as Artes**.

Image0041-c.jpg

E, de acordo com Michel Lemoine, optando pelo Didascalicon de Hugo de S. Victor como primeira enciclopédia moderna (mas não das Artes); porque no século XII essa palavra tinha outro sentido, diferente do actual.

 

Significava Saber/Arte/Técnica - tudo unido -, já que foi num contexto de Artes Liberais*** que Hugo de S. Victor escreveu o Didascalicon.

Vejamos portanto o desenvolvimento que veio a imprimir a este seu trabalho.

Image0042-c.jpgComo é legível, está-se perante o que é agora um índice, ou um plano de trabalho, onde, aparentemente, o que pode ser a Psicologia (Sagesse), a Filosofia (Lógica), e os saberes práticos  (como as mecânicas), tudo isso, parece ter sido misturado.

É pois por aqui que os Cientistas (de hoje), altaneiramente, olham para o passado e acham que se confundia tudo!

 

E se o que está acima é razão para a sua presunção e soberba (?), também são capazes de dizer a alguns - por exemplo aos pobres dos estudantes de doutoramento... -, que "não se aceitam as suas metodologias de investigação e de trabalho..."

 

Isto é, eles não aceitam o «bolo interdisciplinar» sobre o qual os seus alunos têm que trabalhar, porque (e desconhecem-no!!!) é constituído por várias disciplinas diferentes das actuais; como, por exemplo, era/foi no tempo de Hugo de S. Victor.

Disciplinas diferentes, e diferentemente relacionadas entre elas, as quais, para as cabeças dos orientadores  dos estudos pós-graduados - os sapientíssimos que habitam as nossas universidades (e estacionaram sobre as hiper-especializadas disciplinas dos séculos XX e do XXI), eles não conseguem vislumbrar de outro modo, diferente do que aprenderam!

 

Mostrando-se assim completamente incapazes de retrocederem; ou totalmente «des-imaginativos», não conseguindo viajar mentalmente até (i. e.,  imaginar) ao passado.

 

Por isto - e no desenvolvimento do plano de intenções que Hugo de S. Victor elaborou para o Didascalicon -, é verdadeiramente curioso o que escreveu e nos apresenta à volta da Lua:

Como o satélite da Terra lhe serviu - mas isso já vinha de trás (não esquecer) -, para estabelecer níveis diferentes, aplicáveis ao mundo (agora diríamos universo), e às suas criaturas, obra de Deus.

Image0043-c.jpg

E ao ler vemos que o mundo supra-lunar - que é a Natureza  (como está a seguir) -,  é também chamada Tempo.

 

Mas é ainda, em simultâneo, o Céu. Sendo este oposto ao mundo inferior, que é o Inferno. Visto como (ou sinónimo de) mundo da instabilidade e da confusão. Pelo que aqui se aproveita para lembrar, que na origem etimológica, a palavra diabólico é o oposto de simbólico.

Image0044-c.jpg

Por fim, e acabada esta escrita difícil que se quer resumir (mas é impossível...), vamos ver a LUA:

A do eclipse, e aquela a que os homens chegaram há 50 anos; depois de milhares de anos de  suposições, de ficções e de invenções, que apetece perguntar, se já terão estabilizado? Ou se, a Ciência ainda um dia terá bastante mais para acrescentar, àquilo que agora se sabe?

 

Ou será que, ainda um dia, se vai confirmar que todos temos os tais "orifícios invisíveis", como "poros para a infusão", por onde cada um recebe o "espírito vital" ? Espírito que nos alimenta desde a nascença, mas que depois se amplia para subsistirmos enquanto crescemos? 

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* VER EM:

1ª- https://primaluce.blogs.sapo.pt/2013/09/14/;

2ª- https://primaluce.blogs.sapo.pt/2015/01/;

3ª - https://iconoteologia.blogs.sapo.pt/2014/03/

**Neste caso não excluindo a Arquitectura, ainda agora vista como sendo uma Arte, completamente, transdisciplinar

***As Artes Liberais eram um conjunto de saberes, o correspondente ao que hoje se chamam disciplinas

link do postPor primaluce, às 18:00  comentar

 
Primaluce: Uma Nova História da Arquitectura
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