Muitas imagens da arquitectura foram «iconoteologia». Many images of ancient and traditional architecture were «iconotheological». This blog is to explain its origin.
29.10.18

ESTUDEI o melhor que pude esta questão teológica que esteve na origem do Estilo Gótico.

Comecei, praticamente, por um livro de António Quadros; passei depois a João Pinharanda Gomes e à Enciclopédia Verbo Luso-Brasileira de Cultura. Li muitíssimo mais sobre este assunto, até ter percebido que já não iria adiantar nada, se continuasse a le.... Pois seria sempre impossível abarcar tudo o que existe sobre este imenso assunto.

Mas uma das (minhas) melhores definições está num artigo da Enciclopédia Católica, conhecida como New Advent Encyclopedia.

Quase no fim do artigo consta um comentário que já não é Teologia, mas que é da ordem da HISTÓRIA, e relativo ao que, supomos (pois completamente aplicável), se passou na Península ibérica:

"It is a matter for surprise that so abstract a subject as the doctrine of the double Procession of the Holy Ghost should have appealed to the imagination of the multitude. But their national feelings had been aroused by the desire of liberation from the rule of the ancient rival of Constantinople; the occasion of lawfully obtaining their desire appeared to present itself in the addition of Filioque to the Creed of Constantinople. Had not Rome overstepped her rights by disobeying the injunction of the Third Council, of Ephesus (431), and of the Fourth, of Chalcedon (451)? (...)"

É verdade que não se diz acima que a "multitude" cuja imaginação foi «interpelada» pelas querelas era, exclusivamente, a de Toledo...

De facto, isso já somos nós que dizemos, quando sabemos o que se passou em Toledo, e o que significa a palavra imaginação.

Isto é, referimo-nos a "the imagination" exactamente aquela que acima está citada*; assim como, também o sabemos, aquilo que André Grabar escreveu sobre este assunto.

Ou seja, o "atrevimento" (hardiesse) que esse autor sentiu no comportamento dos Godos.

E aqui, com toda a franqueza, acredito que os leitores não tenham alguma noção - a mínima - do imenso prazer que este tema nos traz?

Por vermos como André Grabar esteve tão perto, tão perto - mas tão perto mesmo! - e não vislumbrou a solução do enigma (sobre as Origens do Gótico), que, mais do que todos, foi ele que o teve nas mãos e o deixou escapar...

Talvez antes dele, apenas o polimath que foi Caramuel Lobkowitz? O autor que no século XVII explicou a origem do Arco Quebrado, característico do estilo Gótico?  

Mas no texto acima, ainda a frase  "...so abstract a subject as the doctrine of the double Procession..." foi-nos (absolutamente) fundamental. Por ter lembrado que sempre que um assunto é abstracto, normalmente fazemos algum, ou alguns, esquema(s). Para nos ajudarem a exprimir ou a fazer fluir (como faz um dataflow diagram) o pensamento e as ideias.

Para terminar, ainda da New Advent Encyclopedia, aqui fica o último parágrafo:

"It is true that these councils had forbidden to introduce another faith or another Creed, and had imposed the penalty of deposition on bishops and clerics, and of excommunication on monks and laymen for transgressing this law; but the councils had not forbidden to explain the same faith or to propose the same Creed in a clearer way. Besides, the conciliar decrees affected individual transgressors, as is plain from the sanction added; they did not bind the Church as a body. Finally, the Councils of Lyons and Florence did not require the Greeks to insert the Filioque into the Creed, but only to accept the Catholic doctrine of the double Procession of the Holy Ghost."

Que o digam os leitores? Que o traduzam com rigor...

Porque para nós estes dois últimos parágrafos também levam a pensar que, quem escreveu este artigo da New Advent Encyclopedia, provavelmente sabe aquilo que, em teimosia e persistência, quase sem fim, nós tentámos confirmar nalgum autor.

Porque queríamos encontrar a frase escrita por alguém, em vez de - face ao método actual de investigar e de produzir conhecimento  - chegar lá por dedução.

circulos-ladoAlado.jpg

Só que, acontece que as imagens proliferam, com mais secura, ou, geralmente, mais «decoradas»: acima a fotografia de um pavimento de Conímbriga, em baixo esquemas nossos.

dOIScÍRCULOS-EM LINHA.jpgdOIScÍRCULOS-mANDORLA.jpg

Sendo que o primeiro esquema é o que está no meio do tapete de mosaicos de Conímbriga (ver acima), e o segundo correspondeu à evolução desse mesmo esquema. Feito para traduzir - o melhor possível - o significado de "dupla procedência do Espírito Santo".

Já agora..., aproveitem e vejam também o post anterior.

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*Uma definição - a de Imaginação - que devia ser bem explicada nas escolas de Design. Porque Imaginação não é, por exemplo, um fantasiar gratuito, mas sim um desenhar mentalmente (em acto que pode ser voluntário, ou não) aquilo em que se pensa. Por exemplo, muitas palavras, mas também frases, «apelam» de imediato à imaginação, quando logo que são ouvidas, automático e «mentalmente» pensamos numa imagem..

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25.10.18

Podem não acreditar mas é a verdade.

 

Para que se saiba, o título dos estudos do mestrado (anterior a Bolonha) em que fiz várias e importantes descobertas, e o qual deu origem ao (meu) livro sobre Monserrate* é: A Propósito do Palácio de Monserrate em Sintra - Obra Inglesa do Século XIX - Perspectivas sobre a Historiografia da Arquitectura Gótica (escrito entre meados de 2003 e a data limite - 30.9.2004).

 

Tudo começou, como já tenho explicado, com a Prof. Maria João Neto a relançar o tema que era seu (As Origens do Gótico) e no qual acharia que eu tinha que fazer algumas divagações (mas que para ela, digo eu, pensou... nunca seriam conclusivas?).

 

Assim a ideia da sra orientador está aqui registada graficamente.

O que MJN viu.bmp

Só que, aconteceu que, dado o meu pragmatismo, fui direita a uma enciclopédia saber qual era a característica essencial dos Godos para terem dado o nome a um estilo?

 

Foi nas páginas abaixo, assim nascido «da estupidez» de uma pergunta (minha) tão simples que tudo não mais parou de crescer. 

Godos-velbc.jpg

Godos-velbc-2.jpg

O que fiquei a saber dos Godos tornou-se logo depois num turbilhão de informação. Porque depois de assimilada, digerida, compaginada, sistematizada - já que de informação ao Saber a viagem tem que ser enorme - depois houve que consolidar todo esse (para mim) novo Saber... 

 

Um Saber que são as raízes da Europa e da sua cultura

 

Se quiserem fazer, mais ou menos essa viagem, depois de lido o texto chegam ao Arianismo que foi uma característica dos Godos. Vão à procura dessa definição, encontram o Filioque..., etc., etc., etc.

 

Começarão a interessar-se pela sua história religiosa, depois a saber como Clóvis fez de França o primeiro país Católico (da Europa), ao abdicar do Arianismo...

 

Em suma uma longuíssima história que para mim é um fascínio, já que, na discussão entre 2 concepções teológicas, ficaram criados 2 esquemas (visuais): um a traduzir o Perfilium - que era a visão arianista. Outro a traduzir o Filioque**. 

 

E esta é a que veio a ser a visão católica, quando, como dizemos, Carlos Magno decidiu "ser mais papista que o papa..."

 

Por nós, além de termos ficado com Históriaestórias para o resto da vida, ficámos também com gravíssimos problemas que, o tempo se tem encarregue de tornar cada vez mais claros, e quem sabe?, mais fáceis de terem solução.

 

Eram estudos para progredir na carreira docente de uma escola, mas, deu «no encalhar». Como um barco que se aproxima demais da costa, e, as rochas do fundo furam-no todo!

 

Mas, e porque, ainda estou viva! Também, thanks God a gozar uma boa parte do que a maldade alheia - na sua imensa mesquinhez - consegue ter de muito ridículo!

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* O livro está publicado pela Livros Horizonte como: Monserrate - uma Nova História.

 

** Leiam se quiserem, tudo isto, que está na Verbo Enciclopédia Luso-Brasileira de Cultura. Onde aliás a definição do Filioque foi altamente valorizada com uma explicação que fala em: «dinamismo» e em «estaticismo». Como se Deus - a Trindade, fosse mais facilmente explicada (e compreendida) pelo seu movimento.

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15.2.18

É isto, o que se vê a seguir, na procura de informações sobre Círculos, Ovais e Elipses, nas imagens da Arquitectura e da Arte do Ocidente (Europa e EUA) de raiz cristã.

 

  1. ICONOTEOLOGIA; ICONOTHEOLOGY - 304
  2. Círculos, Ovais e Elipses (2) - 102
  3. Saber Matemática para compreender as Obras de Arte: a Fita de Moebius um Símbolo do Infinito? Ou de como a Ignorância não leva a lado nenhum? - 86
  4. Pesquisa - ICONOTEOLOGIA; ICONOTHEOLOGY - 81
  5. Cultura Livresca - 45
  6. Os Diagramas de Villard de Honnecourt - 39
  7. Design e Teologia - 29
  8. Faz hoje 445 anos: uma história horrivel de que a HISTÓRIA também se faz. - 29
  9. "Igreja Barroca de Planta Elíptica" - 24
  10. Será isto importante numa escola de Design? - 20
  11. Ainda em torno da obra de Hugo de S. Victor... - 19
  12. Síntese comparativa - 17
  13. Esconder os materiais encontrados, em sucessivas deduções, e depois designar (ou insultar?) esses materiais como sendo «Esoterismos»: grandes investigadores! - 16
  14. A Questão de Deus: uma só ou várias? - 15
  15. Uma inteligência perspicaz não ficaria embaraçada por fazer corresponder sinais visíveis às realidades invisíveis - 15
  16. A Arca de Noé ou o tema de 'La Grande Arche': um tema de sempre, que o século XX também retomou*? - 14
  17. Correspondências entre imagem e significado: será isso importante numa escola de Design? Ensinar a observar, a ler e compreender imagens (para depois compôr novas obras) - 13
  18. A, W. N. Pugin (1812-1852): as formas arquitectónicas e os ornamentos mais adequados. Num post de Rui'narte - 13
  19. Ontem recebemos: HOMENAGEM A ANTÓNIO QUADROS (NEWSLETTER 067) - 11
  20. Se... - 11

É nossa a culpa, claramente e sem dúvida, pois não temos tido tempo para escrever o que nos vai na mente, e a muita informação que, crescentemente, já passou a estar recolhida.

 

Ou, talvez a culpa seja mais das estruturas do Ensino Superior deste país, em que se escondem temáticas fascinantes, mas sobretudo as que verdadeiramente são essenciais para «nos entendermos».

 

Culpados por não terem criado as equipas de investigação necessárias - e serão muitas (e terão que ser enormes...) - para a reunião de todos os novos conhecimentos que, em cada dia (nós) continuamos a descobrir.

 

Depois, tendo em consideração a língua, claro que é do Brasil que vem um grande número dos nossos visitantes: o que muito nos honra.

Já que, é sabido, e como escreveu Miguel Real, por aqui se tem que assistir (e engolir e aceitar...), de um modo como se fosse óbvio A Morte de Portugal.

É triste. Triste de mais! Mas é este o nível da irresponsabilidade, como se tem mostrado nos tags do nosso blog principal - com destaque para os orientadores e supervisores dos estudos que fizemos. E que agora, ainda mais impunemente, passaram também a plagiar o trabalho!

 

Ora, face à curiosidade dos visitantes, e dada a nossa falta de tempo, decidimos alertar-vos para o facto de que as combinações de círculos, essas imagens muitas vezes foram sendo rectificadas, dando depois origem a iconografia (que consideramos) sinónima da anterior, mas menos trabalhosa de materializar. Por exemplo no vidro, na pedra, ou na madeira

Assim, e da mesma forma que esses desenhos estão na Planta (i. e., na implantação) de muitas igrejas, sobretudo em obras do estilo Barroco; também a referida iconografia cristã aparece igualmente nos desenhos associados às janelas e aos cortes dos (pequenos) vidros. 

Sempre para aludir a Deus, e nos vidros das janelas (ou nos vitrais), para a passagem da Luz. Porque, como se diz no Símbolo de Niceia-Constantinopla (ou seja no Credo dos cristãos) - Deus é Luz

E porque já várias vezes se abordou esta questão aqui ficam vários links:

http://iconoteologia.blogs.sapo.pt/33587.html

http://iconoteologia.blogs.sapo.pt/35157.html

http://iconoteologia.blogs.sapo.pt/35616.html

http://iconoteologia.blogs.sapo.pt/35412.html

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Primaluce: Uma Nova História da Arquitectura
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