Muitas imagens da arquitectura foram «iconoteologia». Many images of ancient and traditional architecture were «iconotheological». This blog is to explain its origin.
24.10.21

Mas também, como segundo título podem estar primeiro uma imagem, e depois uma nova pergunta:

Será possível reconhecer-se a parte de neurociências (e linguística*) que está subjacente na Arte?

Partimos desta ideia, praticamente incontestada:

Todos nós usamos as palavras para pensar.

Mas, geralmente enquanto estamos a pensar num determinado assunto, mentalmente estamos ocupados só com esse assunto. E, inclusivamente, se for assunto importante ou difícil, não queremos que nos distraiam...

Por isso, simultaneamente não estamos a pensar no próprio processo, que é o acto de pensar, ou seja no caminho que o pensamento vai fazer. Tão pouco ainda teremos consciência dos meios que estamos a usar, porque o objectivo é chegar: atingir a ideia, ou a meta, do que é uma caminhada por vezes (muito) dura, mas que se faz com vivacidade e entusiasmo.    

Assim como também não pensamos como terão surgido - etimologicamente - as palavras com que estamos a pensar. Isto é as que usamos (chamadas referentes), e que são aquelas em que nos estamos a apoiar, no processo mental que é pensar.

Ou seja, ou nós nos ocupamos com um nível da questão, ou com o outro (nível). Repete-se, em geral não (ou quase nunca isso acontece) estarmos conscientes dois níveis ao mesmo tempo. 

Porém, embora parecendo que se está a escrever sobre um assunto exclusivo da literatura, este tema interessa-nos porque o que se passa com as palavras, é normalmente também o que se passa com as imagens.

E de facto são muitas as imagens que nos ajudam a pensar. Muitas dessas são conhecidas como diagramas, por exemplo os designados dataflow diagrams** feitos propositadamente para esse efeito.

Ou. dito de outra maneira, se o pensamento decorre num «canal», como se fosse uma auto-estrada onde a circulação propositadamente foi facilitada, então, nessa primeira vez em que pensamos determinada ideia, ou conceito, as ajudas que tivemos para pensar (i. e., a auto-estrada alisada para esse primeiro percurso), mais tarde já as poderemos dispensar.

Concretamente, quando voltarmos a fazer o mesmo circuito - e voltarmos a pensar a mesma questão - provavelmente já o fazemos bem mais à-vontade. Estaremos mais habituados ao processo, e como que a fazer o caminho, nem pensando sequer na «bengala» (que se chegou a usar da primeira vez, e foi da maior utilidade!).

É aqui que alguns explicam que a mente opera a níveis diferentes, quando para o processo de pensar utiliza apoios (que são por exemplo as imagens) para ajudar a fluir o pensamento.  Na passagem seguinte de Rudolph Arnheim, vinda de Visual Thinking o autor escreveu.

Rudolph Arnheim-shapes-3.jpg

Não é a primeira vez que citamos este excerto, e, sabe-se lá, talvez ainda não seja a última? Porque é fantástico. Nele está claríssima a hipótese de o pensamento ter que ser ajudado a pensar. Assim (traduzindo parcialmente) o autor afirma:

"Se o pensamento tem lugar no reino das imagens, muitas dessas-imagens deverão ser altamente abstractas, pois a mente opera muitas vezes a altos níveis de abstracção  (...) Na melhor das hipóteses as imagens mentais são difíceis de descrever, e facilmente perturbadas. Consequentemente, os desenhos que se podem esperar relatando (e relativos - dizemos nós) as essas imagens são material bem-vindo."

E mais uma vez, citando o autor quando se refere aos desenhos feitos durante o processo mental - "essas imagens são material bem-vindo" - temos que concordar.  

Porque, acontece-nos ver nas obras de Arte, especialmente nas da Arquitectura, muitas imagens que foram o resultado de desenhos/esquemas feitos para ajudar a mente a pensar. Como se passa com os ideogramas***, em que um dos melhores exemplos é o que ficou como sub-título (já deixado em vários posts, concretamente desde Março de 2014)

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*Também a Psicologia... Embora se possa a tudo isto preferir chamar Antropologia. E assim se mantém o «bolo» dos vários saberes unidos, porque (oficialmente) ainda a Ciência não os conseguiu destrinçar...

** Em tradução dir-se-ia que são diagramas de dados para fazer fluir o pensamento (ou a corrente da consciência). 

***Ou Diagramas Medievais

link do postPor primaluce, às 15:30 

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Primaluce: Uma Nova História da Arquitectura
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