Muitas imagens da arquitectura foram «iconoteologia». Many images of ancient and traditional architecture were «iconotheological». This blog is to explain its origin.
20.8.15

Sabemos que funcionavam como Ideogramas. Isto é, não exactamente como Símbolos, nem como insígnias (deixemos estas mais para as áreas militares*), mas como hoje dizemos numa só palavra ------» para contextualizar.

Isto é especificar aquele contexto que alguém num determinado enquadramento, «moldura» (ou até portal) recebe, ou «vive inserido» nele; imagem que o marca, ou se traduz - mentalmente para o leitor da imagem - numa integração no ambiente, e no cenário visual típico de uma época (em que foi ou está incluído).

Poderão constatar que são quase tudo sinónimos as palavras que estamos a empregar, só que era assim que o pensamento se articulava**. E assim se foi desenvolvendo e complexificando, a partir dos artigos-base, em inúmeras direcções. Chegando à actualidade com muitos a ficarem «altamente baralhados», sem saberem das evoluções que as palavras fizeram...

Mas para o post de hoje - que pretende elucidar melhor o anterior (e materiais que registámos em 2004) - interessa-nos a ideia de Símbolo, porque se encontra em Alain Besançon, quando nos parece, muito francamente, que lá não devia estar...?

Des symboles.jpg

(clic para legenda)

 

Está na imagem acima, que é a de um texto, e assinalado por nos parecer chocante - considerando o autor que é (!) - o facto de Besançon usar uma palavra que talvez nos séculos II-III ainda não tivesse o uso que veio a ter (muito) mais tarde.

E este muito mais tarde, remete principalmente para o século XIX e principio do século XX, quando houve uma procura quiçá excessiva, mas propositada..., de «simbolismos».

Claro que a palavra grega e a forma característica da «construção das palavras» nessa língua - a partir de "bolo" construiu-se o símbolo e diábolo,simbólico e o diabólico.... Ora essas regras, aparentemente inatas de feitura das palavras, e muito parecidas com as regras de feitura das imagens, talvez hoje não permitam descobrir a data em que se tornou mais comum o uso do termo Símbolo?

Porém, o Símbolo dos Apóstolos - e mais tarde, em 325 (com acertos posteriores como se sabe) houve relativamente a este primeiro símbolo cristão, um imenso desejo de o actualizar. Assim como depois do séc. IV - dadas as inúmeras contribuições da Patrologia (em especial as de Santo Agostinho) - de continuar a manter constantemente actualizada, a redacção e todas as premissas que inclui, desse mesmo Símbolo: o de uma Fé que, por essa data, ainda estava «em construção»: 

Não vamos entrar aqui com tudo o que sabemos existir relativamente à Hispânia, e as querelas ocorridas, sobretudo em Toledo depois do ano 400 (na Basílica de Santa Leocádia), em torno da redacção de Símbolos da Fé***. 

E claro que vamos progredir nas nossas leituras, continuando a pesquisar em Alain Besançon, na medida em que a seriedade e a qualidade dos seus estudos, num tempo em que estão acessíveis vários outros conhecimentos - Antropologia, Psicologia, Neurociências - nos permite colocar outras questões bastante pertinentes, sobre o modo como as formas (de Platão - as geométricas) terão sido empregues; em vez dos sinais icónicos, mais facilmente reconhecíveis e identificáveis, a que Besançon se refere: como foram a Vinha, o Pavão, o Jardim, a Concha, o Peixe, o Barco...    Apesar de o Pavão, a Concha, e por exemplo o Peixe, terem sido substituídos, alternativamente, por imagens «muito reduzidas» que qualquer um encaixa, exclusivamente, na área da caligrafia, não as classificando como icónicas. Pois não consegue estabelecer a analogia directa (de uma semelhança indiscutível) com configurações típicas das formas da natureza.

Assim, essas «imagens reduzidas» estão como que num limbo, entre o abstracto e o icónico: e fazem lembrar o grego antigo que (como ponte) ajudou Jean-François Champollion a decifrar a Pedra de Roseta.

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*O que também não é muito fácil distinguir, pois eram sinais com que os reis e os príncipes se marcavam, não apenas em tempo de guerra, mas também em épocas de paz.

**Não enunciando, forçosamente, no discurso oral ou no escrito, todas as alternativas que ocorreram na mente... 

***Redacção que era também transponível para linguagens visuais, através da associação de várias figuras geométricas (que hoje são consideradas abstractas, como o Quadrifólio de que se partiu). E que, se forem ver, no nosso trabalho feito "a propósito do Palácio de Monserrate" em Sintra, lá encontrarão a ideia (que se deixou registada, ver na p. 157, e depois as figuras nº 111, da p. 271) de que o Amor à Virgem - que Bernardo de Claraval, como Maria João Baptista Neto nos explicou, incluindo os detalhes de uma imagem (que nunca vi), esse Amor era imenso.

Segundo nós cremos, o referido Amor - relembre-se que o Catolicismo o elevou ainda mais com a definição no século XIX do Dogma da Imaculada Conceição -; a adoração e a veneração que muitos outros passaram a dedicar à figura da Mãe de Deus, desde muito cedo, mas marcante durante a Idade Média. Em nossa opinião, essa adoração levou a que as Catedrais da Idade Média transitassem de um modelo Ternário inicial, para um Quaternário (posterior)

 

FigsGeométricas-básicas-para-historiadores.png

QUADRIFÓLIOS-que lembram a PERICORESE.jpg

É um tema de que já escrevemos (noutras ocasiões) e continuaremos a escrever:

Porque a Catedral de Milão e os estudos de James Ackerman dedicados às Actas (antigas) - que reflectem as indecisões que estiveram por detrás das sucessivas campanhas de obras, realizadas ao longo de séculos; esses estudos permitem deduzir como a percepção de uma "estrutura divina", de que já escreveu Mark Gelernter «trabalhou» na mente dos projectistas (ou na dos que terão sido chamados Architectores?). 

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Primaluce: Uma Nova História da Arquitectura
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