Muitas imagens da arquitectura foram «iconoteologia». Many images of ancient and traditional architecture were «iconotheological». This blog is to explain its origin.
11.1.15

Quem vir a designação em inglês encontra Lozenge. Palavra que deve ter dado origem à designação «lisonja». E deve, dizemos, por ser uma fortíssima suposição...
Acontece que esta forma - é explicado assim por alguns autores de Dicionários de Símbolos - corresponde à mandorla rectificada. É o caso de Cirlot, como deixámos em Monserrate uma nova história.
Mas, por outro lado, geometricamente é enorme a proximidade entre o losango e o quadrado; porque ambos têm os 4 lados iguais, embora no quadrado sejam ângulos rectos e no losango, não há, previamente ângulos definidos. Claro que se for uma figura regular (também designada rombo) esses ângulos são iguais 2 a 2.

Depois ainda, se for o losango que corresponde à junção de 2 triângulos equiláteros, então esses ângulos são de 60 e 120 graus.
E tal como acontece em todos os quadriláteros, a soma dos ângulos internos totaliza 360º.
É fácil admitir que muitos se perguntem porquê e para quê tantas explicações em torno desta figura geométrica. Temos as nossas razões que se podem resumir no facto de a Geometria ser o equivalente à Gramática de uma língua escrita e falada. Isto é, para o caso de uma língua ou linguagem visual que a arquitectura constitui*, o modo de definição, adopção, ou constituição das formas integrantes dessa língua, as regras para as escolher (e desenhar ou constituir como se escreveu) são regras e lógicas provenientes da Geometria.

Claro que alguns podem dizer que se observam inúmeros losangos na arte egípcia. Para quem for observador, outros poderão verificar que está na Arte Paleocristã, também na Arte da Idade Média: concretamente no Românico e no Gótico, tendo sido uma opção fortíssima de Citeaux o emprego do losango em vitrais, como forma** de Deus, de um Deus que é Luz como se diz no Credo (o credo cristão, ou Símbolo de Niceia-Constantinopla).

E continuando, tempo fora, o Losango continuou a ser empregue no Renascimento e no Maneirismo. Em nossa opinião, a substituir a Mandorla e o Arco Quebrado, por serem sinónimos. Mas também, porque sempre foi visto como obra criada pelos povos germânicos (os designados bárbaros - invasores do Império Romano). Foi G. Vasari quem deixou esse registo - que o Arco Quebrado ou Apontado era visto como tedesco, ou germânico - e, lembre-se a Itália da Contra-Reforma, sem dúvida, queria distanciar-se da Europa Reformada, de M. Lutero e dos Protestantes***).

Uma região da Europa que ainda há dias (1200 anos depois...) ouvimos alguém designar Europa Carolíngia.

Mas, iniciado um novo tempo - ou dito de outro modo, chegados a um tempo em que já ninguém sabe de Geometria, nem quer admitir que tenham existido "Formas de Deus", em pleno século XX, e já no XXI, as formas, por reminiscências que ninguém sabe explicar, aparecem proliferantes nalgumas obras arquitectónicas como por exemplo em Estações de Caminhos de Ferro.

No nosso presépio iconoteológico quisemos fazer um híbrido pagão-cristão, e numa coluna aparentemente o capitel enrola-se, como se fosse Jónico, e na sua base, na almofada colocámos um losango, como se vê com enorme frequência, não apenas na arquitectura religiosa.

Presépio-25.12.2014-A LISONJA-LOZENGE

 

Presépio-25.12.2014-CAPITEL JÓNICO

 

*E note-se que é essencial fazer a distinção entre formas arquitectónicas e formas construtivas, no sentido em que as formas arquitectónicas estão em geral imbuídas de algum extra (podemos chamar-lhe artificio, ou moldagem para serem significantes) que, estritamente, não seria necessário, pois poderiam ser formas construtivas, meramente, - para responderem apenas às funções de suporte...

**Note-se que Forma de Deus, pode andar perto de Fórmula de Deus, mas esse é o título de um romance (os tais best-sellers que alguns compram quiçá por impulso, na tentativa de irem mais longe nos seus conhecimentos e tentativas de satisfazer à curiosidade natural?) de José Rodrigues dos Santos. Ler notas em

***O que terá levado ao Maneirismo de Miguel Ângelo (principalmente deste, supomos, questionamo-nos?) - e é portanto uma explicação nossa... Porque Miguel Ângelo, como contam os historiadores, seria extremamente criativo, e quis manter lógicas anteriores, usando quase as mesmas formas, ou suas sinónimas, sem usar o Arco Quebrado (que no seu tempo esteve muito mal visto).

Por nós, como podem confirmar, ainda não nos cansámos de escrever e reunir o que Kubler chamou Invariantes, ou seja formas/vocábulos que têm atravessado todos os estilos:

http://iconoteologia.blogs.sapo.pt/12826.html;http://iconoteologia.blogs.sapo.pt/27905.html; http://iconoteologia.blogs.sapo.pt/20983.html; http://iconoteologia.blogs.sapo.pt/19279.html; http://iconoteologia.blogs.sapo.pt/15991.html; http://iconoteologia.blogs.sapo.pt/15375.html; http://iconoteologia.blogs.sapo.pt/15160.html; http://primaluce.blogs.sapo.pt/

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Primaluce: Uma Nova História da Arquitectura
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