Muitas imagens da arquitectura foram «iconoteologia». Many images of ancient and traditional architecture were «iconotheological». This blog is to explain its origin.
12.2.19

AINDA SOBRE A QUESTÃO DO FILIOQUE e as imagens (abstractas) que traduziram o que foi um dogma cristão:


No nosso post anterior a imagem escolhida pela Wiki é já bastante eloquente relativamente às representações visuais da Trindade Cristã. Mas, é ao mesmo tempo narrativa e icónica.


Ou seja, adopta representações comuns (humanas, naturalistas ou icónicas) para Deus Pai - um idoso; para Deus Filho-Cristo - um jovem; e para o Espírito Santo (mais) normalmente representado, também de modo naturalista, pela Pomba.


Porém, adopta também - e assim reforçando visualmente a narrativa que se quer fazer sobre o Deus Cristão, Uno e Trino - aquela que foi uma imagem abstracta (criada talvez no século IV, ou ainda antes?) para envolver a imagem do jovem que corresponde à representação de Cristo.


Essa imagem abstracta, a que envolve Cristo, e é chamada "mandorla mística", vinda do italiano em que mandorla significa amêndoa; e esteve - como se vê nas próprias obras arquitectónicas, na origem do Arco Quebrado do Estilo Gótico. Na origem ela significou e substituiu a Pomba do Espírito Santo, que vemos normalmente como a única forma de representar a 3ª Pessoa da Trindade*.


Por seu lado, essa mandorla (vejam algumas informaçõess em dicionários de símbolos) é a resultante da intersecção de dois círculos, que numa tradução visual do Filioque, exprimiram a simultânea e dupla procedência do  Santo do Pai e do Filho.


Claro que esta constatação (que talvez seja ainda só nossa, e explicada assim, tão directamente, como o fazemos?) não faz parte da micro-história da arte.

Mas sim de uma Macro-História, ou a História Geral que interessa, cada vez mais, aprofundar e divulgar - ao mundo todo - que ainda hoje, sobretudo nas melhores Universidades, quer compreender o seu passado e as suas obras.


Os dois círculos foram depois entrelaçados das mais variadas maneiras como mostrámos no post anterior na belíssima interpretação de Eduardo Nery, em pleno século XX.


A imagem seguinte (uma intervenção nossa, sobre a base da Wiki, que se coloca primeiro) pretende mostrar aos leitores esta questão que consideramos interessantíssima: uma verdadeira ICONOTEOLOGIA, mas que a FLUL mantém silenciada (como os seus responsáveis têm entendido) ser mais benéfico...**

Paris-Saint-Merry702-wiki-FILIOQUE.JPGParis-Saint-Merry702-wiki-FILIOQUE-5.jpg

*Assunto que já abordámos nos nossos estudos (Monserrate uma nova História), com o apoio de vários materiais e informações vindas de André Grabar. 

 

**Benéfico, mas apenas para os próprios: só pode ser (?), na medida em que estão a prejudicar, pessoalmente alguns, e genericamente todos... O paÍs

 

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9.2.19

Penso num post escrito em 2014, bastante visitado e actualizado hoje (numa nota), que acabou de ir para o Facebook.

É sobre a geração de Lima de Freitas, António Quadros, e outros...*

Precedida ainda, por exemplo, também por Almada Negreiros: autores que tudo fizeram para compreender as obras dos seus antepassados.

Foram uma "geração angustiada" em torno do Simbolismo, como se lhes referiu Alain Besançon?

Estamos de acordo que sim, absolutamente!

Como estamos de acordo que há um imenso manancial de materiais que a Historiografia da Arte, em Portugal - constituída por estudiosos (muitos ou alguns que nos conhecem e as ideias que defendemos, e que eles próprios contribuíram para que as adquiríssemos...), poderiam, com o objectivo de elevar essa mesma historiografia, ajudar a investigar e a aprofundar.

No nosso caso, não foi uma fácil,e simples «pedrada no charco». Pois vem a ser, desde 2001, a reunião de muito material, de forma persistente, e paulatinamente.

E se agora há movimentos neste «charco», eles vêm de baixo: do fundo da água, pois à superficie, a ver-se, não se passa nada...

Mas, aos que poderiam (e deveriam) ajudar a enriquecer a Historiografia da Arte, a esses sim, com os materiais e as provas já existentes, bastava-lhes pegar na pedra e atirá-la.

Se quisessem, pois andam por aqui e lêem os nossos escritos. Pelo menos, pode-se dizer: curiosidade não lhes falta!

Porque há/houve uma ICONOTEOLOGIA, que plasmou nas obras (nas arquitectónicas sobretudo!) a visão do platonismo e o conhecimento que os medievais tinham, sobre Deus.

Assim como mais tarde, seguindo sempre o mesmo processo, e sobretudo depois dos autores da Universidade de Paris, e de S. Alberto Magno - com S. Tomás de Aquino -, Aristóteles, foi «baptizado e cristianizado».

Como G.K. Chesterton escreveu no principio do século XX...

Foi um imenso passado que também em Portugal, alguém que conheci bem - António Quadros, fundador do IADE, e alguns amigos seus - procuraram, quase angustiadamente.

{https://iconoteologia.blogs.sapo.pt/a-geracao-angustiada-lima-de-freitas-a-65925}

 

E como se escreveu, para actualizar este post, mais algumas informações, outra vez inesperadas, logo apareceram:

O Infinito, por Eduardo Nery, actuaizando a iconografia medieval 

Mandorla-EduardoNery.jpg

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*Mircea Eliade, Gilbert Durand... Na pintura o portugês Eduardo Nery cujas obras se podem ver em Portalegre no Museu das Tapeçarias (ou em Lisboa) também lembram trabalhos de M. C. Escher e as suas osessões para representar o INFINITO

 

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26.1.19

Etimologicamente (falando), significa a Construção Principal.

Porque Arqui ou Arche é principal, e Tectura, tal como Tectónica é construção.

E aqui podemos perguntarmo-nos: "Porque é que havendo tantas construções, há umas que são principais? O que será que as torna, ou as tornou principais?" Qual a diferença?

 

Há uns anos, se fosse dentro das aulas, perguntaria aos alunos, porque é que determinados objectos os fascinavam mais do que outros, a ponto de dizerem (e se expressarem até com alguma emoção): Professora, veja a categoria! Isto é dezaaaiiinn. Vê-se mesmo..., ... à distância! Não 'tá a vêêêrr, professora?

 

Perguntávamos-lhes: Porquê?  Insistentemente, tentando que se expressassem e que verbalizassem, com a maior clareza que conseguissem - Porquê o atributo? Porque é/era Design (o que lhes aparecia como tendo mais qualidade)?

 

Insistíamos para que chegassem às palavras, racionalizando o que estavam a ser (apenas) emoções. Pois por muito que sentissem, e ainda bem que sentiam - pois já havia essa base comum para se poder trabalhar -, era essencial, portanto, pôr o tema/assunto ao nível da razão. Isto é do RACIONAL e do INTELECTUAL, encontrando o porquê de tanto fascínio?

 

E assim, aqui neste texto, passamos agora outra vez à palavra Arquitectura, que ficou acima em título:

Não sei se foi deste modo que se chamou escultor ao que sabia esculpir os materiais? Insuflando-lhes a capacidade de darem alma e sentimento a esse material, tornando-o capaz de ser muito mais do que uma simples imagem em volume?

 

Acredito que possa ter sido, assim como ao verdadeiro pintor,  chamado desse modo, por ser capaz de animar (dar alma) às formas que desenhava e pintava...? Como acredito que, do mesmo modo, se possa ter chamado architectore, ao que «arquitectava».

 

Embora esta designação - e ao vivo -, eu só tenha tido a imensa sorte de a ter encontrado, em Portalegre (no chamado PALÁCIO AMARELO), inscrita numa placa de pedra.

civitatesArchitectore.jpg

CIVITATES ARCHITECTORE

ANNO DOMINI 

1803

18806114_zM11H.jpg

Terão aqui chamado architectore ao civitates (cidadão, portanto não militar) Inácio Caldeira-  pergunto eu - por lhe reconhecerem uma habilidade maior, e a capacidade de fazer construção, digna de ser chamada Arquitectura?

 

Ou seja, por ter posto a falar  as formas e os elementos construtivos, como as simples superfícies de tectos, de paredes e de pavimentos; mas também com esses todos os outros elementos que são necessários, porque suportam essas mesmas construções?

Já que em geral, e em cada obra, o Architectore pôs o seu trabalho a falar pelos donos das casas. Que é como quem diz, a engrandecê-los a eles, aos donos, e ainda às casas?

 

Isto é, a falar pelos que tinham pago ao referido Architectore , o seu trabalho. Cujo objectivo e tarefa principal, seria a de lhes enobrecer a Casa (de família), o Solar, a Mansão. Ou se quiserem, numa outra palavra/expressão - o Espaço Palatino de que eram proprietários, e onde viviam*.

 

Mas, estamos ainda interessados em dar mais informações aos leitores: Neste caso, como uma peça tão pequena - que é geralmente designada Edícula (como um Nicho) - pode ser considerada, se quiserem, a base de toda a Arquitectura (note-se, no sentido falante que estamos a defender e justificar).

Image0047-b.jpg

Image0048-b.jpg

Em suma, neste sentido falante** que a minha profissão (e vivi assim, sem saber até aos 50 anos...!) - é uma Disciplina, ou uma Ciência muito especifica, e cujo carácter, que é eminentemente prático -, sempre existiu.

 

Mais, reparem no excerto acima que se foi buscar ao Dicionário de Termos de Arte e Arquitectura***, onde o Nicho é valorizado, mas ficando a faltar-lhe talvez o essencial? Neste caso, concretamente falta dizer que um nicho é a palavra latina para concha. Acrescentando-se que se punha e pôs uma concha, na Arquitectura Paleocristã, para significar que alguém era baptizado. Portanto, que esse alguém era Cristão.

 

E se vivemos até às «nossas cinco décadas» com tantas ignorâncias, percebe-se assim, talvez, que ambicionemos que muito mais se diga e explique, para que todos nós, aos poucos, possamos ir entendendo melhor esta disciplina que é a Arquitectura. Já que no passado se baseou, na maioria dos casos na Teologia.

 

Mais:

Sempre que as ideias Teológicas evoluíssem - o que nunca deixou de acontecer -, então também a Arquitectura tinha que evoluir sob pena de ficar (ao nível dos mais antigos conteúdos teológicos, e seus significados) e portanto também ela, a Arquitectura, desactualizada.

 

Só que hoje, tentar explicar isto, torna-se dificílimo. Sobretudo pelo preconceito, fazendo com que logo, alguém - altamente (in)feliz - venha mencionar supostos secretismos, escondidos. E a obrigarem a que se fale de Maçonaria...? Só que, dizêmo-lo, e é a nossa opinião: Não, não é forçoso!

 

Para nós thanks God, e a George Hersey - pois foi num extracto do Dictionniare Critique  D'Iconographie  Occidentale,  e a propósito de Ornement, que pudemos perceber (com muito mais clareza) como a Arquitectura, na sua raiz, era falante.

Podendo agora, e a terminar, acrescentar que vários arquitectos de uma família de Colónia, ficaram para a História como os Parler. Sendo o mais conhecido Peter Parler (1330-1399), autor de várias obras da Europa Central, incluindo a Catedral de S. Vito em Praga. Com o link acima, podem ler...

 

Pois, indubitavelmente, na arquitectura Gótica (tardia) que fizeram, uma das suas principais características, sempre apontada, era a eloquência...

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*Tenho a certeza, o leitor não imagina como cada palavra escrita, e antes cuidadosamente escolhida; como para cada uma dessas palavras existe, mentalmente, uma imagem associada, ou mnemónica, que apetecia inserir neste texto. O que, claramente, não é possível. Mas agora e a título de exemplo, fica aqui o que tenho em mente, quando uso a palavra/adjectivo palatino (que vem de palatium).

 

Pala-Tium.jpg

E isto porque a palavra Palatino, antes de ser relativo a palácio significava Céu da boca. Ou seja, lembremo-nos que as palavras e os discursos que hoje usamos (e fazemos) - alguns muito baseados naquilo que os povos foram absorvendo do mundo: Já que no passado essas imagens (e as palavras que as designavam) foram referentes, ou, melhor dizendo, a base para a construção de outras realidades. Que surgiriam por associação e por analogias sucessivas; passando depois, eventualmente, a metáforas que se aplicavam a outras realidades.

 

Acontece que a Arquitectura - desde tempos antigos à actualidade - está repleta destes exemplos como Georges Hersey tão bem explicou: a transição de elementos arquitectónicos (que foram retirados da Arquitectura) para a Filologia - uma ciência da linguística.

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20.1.19

Ou seja, referimo-nos à fusão da Concha com a Pomba.

Ambos os elementos (naturais) tornados Sinais ou Símbolos do Baptismo, e do Espírito Santo, que o novo Cristão recebe ao ser baptizado.

No caso desta imagem - tal como a do post anterior proveniente de Ravenna, mas esta do Mausoléu de Galla Placídia.

Para nós é especialmente curioso que a composição inclua ainda os 3 círculos entrelaçados que vieram a ser empregues, vários séculos mais tarde, por Joaquim de Flora.

Na sua explicação (e como ele interpretou, no tempo, PAI, FILHO e ESPÍRITO SANTO...) sobre a Trindade*.

Concha-Pomba.jpg

Se na composição do post anterior a pomba transporta suspensa uma coroa (votiva, embora também possam ser as penas da cauda...?), neste caso a cabeça da pomba pende, e vê-se bem.

Além disso as asas abrem-se - paralelas ao arco (conformam-se, por dentro) - e depois, de uma maneira «tendencialmente abstracizante» as penas da cauda** parecem multiplicar-se. Sendo em simultâneo, como raios, não só as penas da Pomba, mas também como as nervuras que uma Concha normalmente (também) apresenta.

Imagem vinda de Ravenna Capital of Mosaic (ver p. 17). Salbaroli Publications, Ravenna, 1988.

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*Assunto de que já escrevemos, mas que estará sempre incompleto, tal é a sua dimensão.

**Estas Penas - que são chamadas Remígios, lembram-nos que Rémy - o Bispo de Reims que baptizou Clóvis - talvez não por acaso, o seu nome latino, Remígio, fosse desde logo uma forma de invocar o Espírito Santo?

Faz-se esta pergunta, por não deixar de ser curiosíssimo o facto do Bispo que baptizou o primeiro rei católico francês (com a lenda que está associada ao seu baptismo, a pomba que trouxe a ampola com os óleos, etc., etc., e ainda antes a sua conversão do arianismo para o catolicismo...); em toda esta estória é mesmo muito curioso que bispo se chamasse Remígio (?!)

Poderá ser só uma coincidência, mas esta é tão forte (ou tão enfática?), que dificilmente se esquece ou deixa passar em claro...

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18.1.19

Nunca tive um grande gosto por mosaicos, mas quando percebi que estas obras paleocristãs estão repletas de elementos iconográficos não apenas naturalistas (icónicos), mas também a incluírem sinais e imagens, crescentemente simbólicas (i. e., à medida que o tempo foi avançando, e o cristianismo se instalou como religião oficial). Então, ao compreender este fenómeno, que M. J. Maciel tão bem explica, depois disto os mosaicos passaram a ser para mim do maior interesse.
Neste caso, na legenda da imagem está: "motif with shells". Mas consideramos ser mais do que isso.Concretamente uma fantástica «fusão visual» entre a forma de uma Concha, e a da Pomba, ambos sinais/símbolos do baptismo, e na teologia cristã alusões ao Espírito Santo.
Claro que se vêem, bem, as 2 pombas de perfil no cimo do nicho que tem ao centro a cruz. Mas a Pomba que é menos fácil de ver,  é desenhada pelos traços brancos, que a desenham de asas abertas, e cuja forma assim se «somou» à imagem da concha. Tem no bico, suspensa uma coroa.
Se pensarmos que pelo baptismo cada um dos baptisados, para a Igreja, passa a ser Sacerdote, Profeta e Rei, então compreeende-se como esta iconografia está longe de ser abstracta,
Já que traduz uma série de ideias que se podem ler, relativas ao baptismo.
Por fim resta-nos acrescentar que estes «Nichos gráficos» - bidimensionais - em geral são anteriores aos nichos tridimensionais e a todas arcarias, ou edículas da arquitectura. As quais, em cada época (por isso os diferentes estilos) - e porque a Arquitectura é na sua essencia uma linguagem -, serviram para fazer a apologia das figuras que fossem representadas no interior dessas mesmas edículas.

Nichos-S. ApolinareNuovo.jpg

A imagem é da Basílica de S. Apolinare Nuovo, de Ravenna, extraída de Ravenna Capital of Mosaic (ver p. 108). Salbaroli Publications, Ravenna, 1988.

 

 

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5.12.18

Será possível viver num tempo em que, se a inovação tecnológica não é pequena, também a inovação científica pode ser muito maior. 

Será possível viver num tempo em que, conhecermo-nos a nós próprios, na nossa História e enquanto sociedade, não é uma limitação? Definitiva?

Num tempo de enorme privilégio, em que - e esta é a nossa opinião -, não só é possível desde que o queiramos, como também é altamente desejável: para nos compreendermos e não termos que viver escondidos, cada um de si mesmo...

Ou, talvez deixando de estar ensombrados por um Inconsciente Colectivo não entendido, e ainda por Mitos. Os que agora alguns chamam «mitos urbanos», estando estes cada vez mais ampliados, ou cheios de força, de tal modo que poucos se atrevem a questioná-los:

Porque andamos todos a não querer ver?

Sobretudo quando se pode?, perguntamos nós.

Sim, a não querer ver bem. Ou seja com as imagens colocadas mesmo no centro da retina que se chama fóvea, e usando o melhor da nossa percepção e das nossas inteligências*. Porque não?

Para que cruzando dados  e informações que frequentemente não estamos habituados a reunir, possamos depois perceber melhor, e de modo bem mais inteiro, muitas das histórias antigas que tendemos a não conseguir perceber?

Fazendo talvez como Hans Belting (?), de quem o Expresso há anos publicou um artigo, e do qual ficámos com alguns registos**.  

Como eram, neste caso o título do artigo e depois ainda um extracto com fotografia do autor

SobreHansBelting.ArtigoExpresso.jpg

HansBelting-NovaDisciplina.jpg

E esta acrescida ainda de uma nota (nada despiciente):

"Hans Belting é um daqueles estudiosos que abrem um campo de investigação tão próprio e complexo que criam uma nova disciplina"

O que nos leva a perguntar: Será só de Hans Belting o conhecimento inovador que põe a Teologia a ser complementar da "Arte Antiga", tradicional e religiosa, do Ocidente?

RE: Achamos que não, tanto mais que a designação deste nosso blog - ICONOTEOLOGIA - é devedora ao Pe. Eugenio Marino da palavra que inventou

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* No plural, por ser a inteligência de todos

**Terá sido em 2011?

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Por fim, e com parabéns para a Ana Serra (na parte que lhe toca), desde ontem mais um

link que nos liga e lembra, uma parte fundamental do passado

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31.10.18

Há dias alguém chamou-nos a atenção para este programa da RTP2

 

Para a amiga que tinha visto a Visita Guiada em directo, no dia 8 de Outubro (2018), era interessantíssimo o que tinha ouvido. Para ela, que Cláudio Torres tivesse falado de questões religiosas, quase as mesmas, como já nos ouviu referir, várias dezenas ou centenas de vezes.

Acontece que, de facto, não vou a Mértola, como não vou a muitos outros locais de enorme interesse histórico, há muitos anos. Simplesmente por não poder ir...

 

Foi desde 2001 o progredir na Carreira Docente*, no IADE: o que, como se tem visto, algo que parece ser um blablabla meu..., super enjoativo! E de que já terão lido em vários posts, visto que essas actividades (estudos, investigação escrita), nos iam permanentemente roubando todo o tempo que houvesse.

E, naturalmente, todo o mais que viesse...

Só que, também tudo pode ter o seu contrabalanço, como nos tem sucedido. Se, por esses lados (SANTOS, 24 DE JULHO, IADE) não progredi nada, na minha cabeça, nos meus entusiasmos, ainda não parei de progredir. E de o referir: nas conversas que tenho, constantemente!

Se há pais e mães que falam entusiasmados dos seus filhos, ou também, quase enjoativamente de todos os pormenores, que chegam às fraldas, às horas de os alimentarem, etc., como é normal nas rotinas dessas suas vidas. Aqui, e para nós, estes Themas da Arquitectura, da História, e numa palavra da Iconoteologia; por aqui, o que passámos a entender (e assim a descobrir) passaram a ser também «nossos filhos». 

Porque, mais do que uma analogia, trata-se de uma equivalência. Pois se as pessoas - os filhos merecem amor dos pais, também os estudos a que nos dedicamos, tendo valor, merecem energias em que não se regateia, nem o tempo, nem o gosto. Claro que nunca será tanto como o amor (parental), mas há equivalências...

 

Enfim, destas explicações - ora longas ora demasiado breves - passamos ao assunto de hoje. Mas com aviso prévio: esperando que vejam as imagens da RTP, e sobretudo que oiçam as explicações de Cláudio Torres.

 

Claro que, e muitas são as razões**, para que as nossas, as respectivas e diferentes explicações, a de cada um de nós sobre este assunto, não sejam coincidentes.

 

Ao ouvi-lo, claro que concordamos que a sociedade agrária é politeísta; claro que houve sempre (e haverá) uma luta entre rurais e urbanos.

 

Porém, neste ponto - e lembrem-se agora dos viajantes - aqueles de que Cláudio Torres fala, descrevendo-os a percorrerem o mar mediterrâneo, e já no fim deste, 66 Km acima da foz do Odiana (e Odos é rio em grego) a aportarem a Mértola. Esses viajantes que chegavam a Mértola, vindos talvez da Fenícia e de muitos outros portos, alguns de mais longe, outros de muito mais perto; esses viajantes tinham uma mentalidade rural ou urbana...? Eram politeístas ou monoteístas?

 

Mas, será que as melhores perguntas que se devem colocar não são outras? Será que não se deve antes questionar se eram Judeus, Bizantinos, Visigodos...?

 

De qualquer modo ficam estas nossas perguntas (embora algumas outras fossem possíveis...) e vamos avançando.

 

Lembrando apenas, mas é bastante importante, o que Jean-Marie Mayeur escreveu em Histoire du Cristianisme. Ora, citando de memória, como explicou, para muitos, os simples rurais e urbanos - não estamos aqui a incluir o clero que tinha outro nível cultural -, aqui na península Ibérica, muitos poderiam desconhecer o seu próprio Credo e as respectivas especificidades. Desconheciam, como diz J.-M. Mayeur, o que era de facto diferenciador face aos outros monoteísmos...

 

Sabendo-se que precisavam uns dos outros, e que em tempo de paz todos conviviam, acrescentamos nós. Numa palavra, eram verdadeiramente ecuménicos, no seu 'religare'  - já que, note-se, é este o sentido etimológico da palavra Religião.

 

Ou ainda - para os raciocínios e as lógicas registadas acima -, porque na base dos monoteísmos, o Cristão incluído, o Islão, e o Judaísmo, como nos é dado compreender, terá existido uma base comum que era o pensamento platónico ?***

 

Mais, a razão de terem criado diferentes sinais (visuais) como os que apresentámos no post anterior, e passaram à arquitectura; essa necessidade vinha exactamente da dificuldade de entenderem as ideias mais especificas de cada uma dessas religiões (diferentes), pois apesar das diferenças essenciais, eram também, cumulativamente, parecidas e muito próximas. Assim resumiram-nas em esquemas (desenhados e por isso visuais), como nós defendemos.

 

Em nossa opinião, os moçárabes, também designados cristão arabizados; ou dito de outro modo, os visigodos que permaneceram fiéis às ideias de Ário - e que não se converteram com o seu chefe Recaredo, no IIIº Concílio de Toledo em 589 - podem ter-se refugiado junto dos árabes, depois de 711...

 

E levaram consigo o sinal que os caracterizava, e é este:    

Image0001-mandorlamoçárabe.jpg

Mas só o contorno exterior, que designo "mandorla moçárabe", visto que no interior está a Cruz da Ordem de Santiago. Ordem a quem «pertenceu» a actual Igreja Matriz de Mértola.

O referido sinal vê-se em Mértola, sobre a rosácea da porta principal da igreja.

Image0001-mandorlamoçárabe-portaMatrzDeMértola.

A qual é parte integrante do Alçado principal da igreja

Alçado-MatrzDeMértola.jpg

(Imagens vêm do Boletim nº 71 da DGEMN, Março de 1953)

 

Igreja que, de lado, tem ainda um arco em ferradura, pouco ultrapassado, como Vergílio Correia explicou ser a maior diferença entre os Arcos Moçárabes e os Arcos Árabes.

Claro que (depois de tudo isto que escrevi):

 

1. penso que muitas destas informações seriam úteis a Cláudio Torres e aos estudos arqueológicos que vem a desenvolver em Mértola...

 

2. como podem ser úteis a todos nós, que precisamos saber mais de religiões e das especificidades de cada uma, ou o que têm em comum, num mundo em que um dos maiores países (Brasil) acaba de escolher um chefe com fortes ligações a uma Igreja.

 

3. por isso hoje, i. e., num tempo em que alguns acham que 400 caracteres servem para exprimir as suas opiniões (por vezes incrivelmente radicais), é fácil recordarmo-nos de que os monoteísmos do Iº milénio, aqui na península ibérica - cada um mais subtil e com mais especificidades do que o outro...! - tiveram que usar imagens (emblemas) para, de uma maneira prática e rápida se poderem diferenciar (quando isso era preciso)

 

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*«Coisa» que até tem um Estatuto legal, e se chama ECDU

 

**A minha formação de base é a arquitectura. Claro que depois chego à História, como tenho lido e estudado, muito de TEOLOGIA. A minha arqueologia, se posso dizer assim (?) não é debaixo da terra, é acima do solo. Está em tudo quanto é sitio, nas construções e nas urbes antigas.

Por exemplo, e como venho a dizer, as varandas - de ferro fundido e de ferro forjado - de Lisboa, estão repletas de imagens que estão nas artes tradicionais, e em obras antiquíssimas. Estão nos sinais dos reis e dos nobres, sinais que associavam às suas assinaturas, como é o caso dos entrelaçados que deixavam abaixo dessas assinaturas. Isto é, na imagem de oitos deitados e encadeados (como sucessivos símbolos do infinito) ficavam louvores a Deus.

Era esta a forma de «lembrarem» a origem divina do Poder que esses reis (e os nobres nos seus feudos) exerciam. Neste caso, o Direito Divino que recebiam por emanação, que é/foi de origem cristã: claramente, no Portugal nascido no século XII.

 

Mas que vinha de trás pois, por exemplo Constance Chlore - o pai de Constantino I, o Grande, o imperador romano que é considerado aquele que tornou o Cristianismo a religião oficial do Império Romano; repetimos, na Gália, Constance Chlore - como explica Michel Rouche -, recusou-se a obedecer às ordens de Diocleciano, para perseguir os cristãos. Com o pretexto de que esta religião estava já amplamente disseminada...

 

Assim, e continuando, a minha arqueologia é talvez (?) a compreensão daquilo que tem sido considerado e designado o Inconsciente Colectivo. Só que isso não são ideias vagas! É muito material, real e concreto, que existe, e é tangível.  O qual pode dizer-se constitui a Cultura Material, que foi sempre um produto da realização da Cultura (e do Património) Imaterial de cada povo.

 

***Veja-se em Politeia, o que Platão escreveu sobre o Demiurgo. Claro que o que deixámos acima somo nós a dizê-lo. Pois, como (nos) parece, isto já não é hoje uma querela (ou controvérsia). Mas, simplesmente, uma dialéctica (que produziu avanços), entre tese e antítese. E aqui estou a lembrar-me do que aprendi no liceu (foi há muito tempo, é verdade), sobre Hegel...

 

Por fim, e para acabar este post: Entre platonismo e aristotelismo, alguém hoje, quando olha para o passado, prende (exclusivamente) os rurais ao aristotelismo? Ou associa, como regra (sem falhas, nem excepções), os platónicos ao mundo urbano?

 

Nota: reparem que estas nossas perguntas também estão a subentender que de um modo muito directo  o aristotelismo ficou associado ao politeísmo, e o platonismo ao monoteísmo. Mas será assim? Foi assim?

 

RE: Aqui parece-nos (i. e., a mim parece) que alguma coisa aprendemos com a História. E aprendemos quer como civilização, quer como cultura (que naturalmente tem raízes...):

 

Mais: lembre-se que de S.Tomás de Aquino, se diz que «cristianizou» Aristóteles...

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29.10.18

ESTUDEI o melhor que pude esta questão teológica que esteve na origem do Estilo Gótico.

Comecei, praticamente, por um livro de António Quadros; passei depois a João Pinharanda Gomes e à Enciclopédia Verbo Luso-Brasileira de Cultura. Li muitíssimo mais sobre este assunto, até ter percebido que já não iria adiantar nada, se continuasse a le.... Pois seria sempre impossível abarcar tudo o que existe sobre este imenso assunto.

Mas uma das (minhas) melhores definições está num artigo da Enciclopédia Católica, conhecida como New Advent Encyclopedia.

Quase no fim do artigo consta um comentário que já não é Teologia, mas que é da ordem da HISTÓRIA, e relativo ao que, supomos (pois completamente aplicável), se passou na Península ibérica:

"It is a matter for surprise that so abstract a subject as the doctrine of the double Procession of the Holy Ghost should have appealed to the imagination of the multitude. But their national feelings had been aroused by the desire of liberation from the rule of the ancient rival of Constantinople; the occasion of lawfully obtaining their desire appeared to present itself in the addition of Filioque to the Creed of Constantinople. Had not Rome overstepped her rights by disobeying the injunction of the Third Council, of Ephesus (431), and of the Fourth, of Chalcedon (451)? (...)"

É verdade que não se diz acima que a "multitude" cuja imaginação foi «interpelada» pelas querelas era, exclusivamente, a de Toledo...

De facto, isso já somos nós que dizemos, quando sabemos o que se passou em Toledo, e o que significa a palavra imaginação.

Isto é, referimo-nos a "the imagination" exactamente aquela que acima está citada*; assim como, também o sabemos, aquilo que André Grabar escreveu sobre este assunto.

Ou seja, o "atrevimento" (hardiesse) que esse autor sentiu no comportamento dos Godos.

E aqui, com toda a franqueza, acredito que os leitores não tenham alguma noção - a mínima - do imenso prazer que este tema nos traz?

Por vermos como André Grabar esteve tão perto, tão perto - mas tão perto mesmo! - e não vislumbrou a solução do enigma (sobre as Origens do Gótico), que, mais do que todos, foi ele que o teve nas mãos e o deixou escapar...

Talvez antes dele, apenas o polimath que foi Caramuel Lobkowitz? O autor que no século XVII explicou a origem do Arco Quebrado, característico do estilo Gótico?  

Mas no texto acima, ainda a frase  "...so abstract a subject as the doctrine of the double Procession..." foi-nos (absolutamente) fundamental. Por ter lembrado que sempre que um assunto é abstracto, normalmente fazemos algum, ou alguns, esquema(s). Para nos ajudarem a exprimir ou a fazer fluir (como faz um dataflow diagram) o pensamento e as ideias.

Para terminar, ainda da New Advent Encyclopedia, aqui fica o último parágrafo:

"It is true that these councils had forbidden to introduce another faith or another Creed, and had imposed the penalty of deposition on bishops and clerics, and of excommunication on monks and laymen for transgressing this law; but the councils had not forbidden to explain the same faith or to propose the same Creed in a clearer way. Besides, the conciliar decrees affected individual transgressors, as is plain from the sanction added; they did not bind the Church as a body. Finally, the Councils of Lyons and Florence did not require the Greeks to insert the Filioque into the Creed, but only to accept the Catholic doctrine of the double Procession of the Holy Ghost."

Que o digam os leitores? Que o traduzam com rigor...

Porque para nós estes dois últimos parágrafos também levam a pensar que, quem escreveu este artigo da New Advent Encyclopedia, provavelmente sabe aquilo que, em teimosia e persistência, quase sem fim, nós tentámos confirmar nalgum autor.

Porque queríamos encontrar a frase escrita por alguém, em vez de - face ao método actual de investigar e de produzir conhecimento  - chegar lá por dedução.

circulos-ladoAlado.jpg

Só que, acontece que as imagens proliferam, com mais secura, ou, geralmente, mais «decoradas»: acima a fotografia de um pavimento de Conímbriga, em baixo esquemas nossos.

dOIScÍRCULOS-EM LINHA.jpgdOIScÍRCULOS-mANDORLA.jpg

Sendo que o primeiro esquema é o que está no meio do tapete de mosaicos de Conímbriga (ver acima), e o segundo correspondeu à evolução desse mesmo esquema. Feito para traduzir - o melhor possível - o significado de "dupla procedência do Espírito Santo". Uma "dupla procedência do Espírito Santo" (acrescentamos hoje - 16.01.2019) que é enfaticamente simultânea e que por isso obriga a que os dois círculos não possam manter-se separados e individualizados, devendo ser sobrepostos**. Ou ainda, por exemplo representados por um Y - como há dias (e mais uma vez) mostrámos

Já agora..., aproveitem e vejam também o post anterior.

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*Uma definição - a de Imaginação - que devia ser bem explicada nas escolas de Design. Porque Imaginação não é, por exemplo, um fantasiar gratuito, mas sim um desenhar mentalmente (em acto que pode ser voluntário, ou não) aquilo em que se pensa. Por exemplo, muitas palavras, mas também frases, «apelam» de imediato à imaginação, quando logo que são ouvidas, automático e «mentalmente» pensamos numa imagem.

** Esta é a nossa visão e explicação, mas talvez todos os que se exprimem usando esquemas e doodles, estejam também de acordo com ela?

link do postPor primaluce, às 16:00  comentar

25.10.18

Podem não acreditar mas é a verdade.

 

Para que se saiba, o título dos estudos do mestrado (anterior a Bolonha) em que fiz várias e importantes descobertas, e o qual deu origem ao (meu) livro sobre Monserrate* é: A Propósito do Palácio de Monserrate em Sintra - Obra Inglesa do Século XIX - Perspectivas sobre a Historiografia da Arquitectura Gótica (escrito entre meados de 2003 e a data limite - 30.9.2004).

 

Tudo começou, como já tenho explicado, com a Prof. Maria João Neto a relançar o tema que era seu (As Origens do Gótico) e no qual acharia que eu tinha que fazer algumas divagações (mas que para ela, digo eu, pensou... nunca seriam conclusivas?).

 

Assim a ideia da sra orientador está aqui registada graficamente.

O que MJN viu.bmp

Só que, aconteceu que, dado o meu pragmatismo, fui direita a uma enciclopédia saber qual era a característica essencial dos Godos para terem dado o nome a um estilo?

 

Foi nas páginas abaixo, assim nascido «da estupidez» de uma pergunta (minha) tão simples que tudo não mais parou de crescer. 

Godos-velbc.jpg

Godos-velbc-2.jpg

O que fiquei a saber dos Godos tornou-se logo depois num turbilhão de informação. Porque depois de assimilada, digerida, compaginada, sistematizada - já que de informação ao Saber a viagem tem que ser enorme - depois houve que consolidar todo esse (para mim) novo Saber... 

 

Um Saber que são as raízes da Europa e da sua cultura

 

Se quiserem fazer, mais ou menos essa viagem, depois de lido o texto chegam ao Arianismo que foi uma característica dos Godos. Vão à procura dessa definição, encontram o Filioque..., etc., etc., etc.

 

Começarão a interessar-se pela sua história religiosa, depois a saber como Clóvis fez de França o primeiro país Católico (da Europa), ao abdicar do Arianismo...

 

Em suma uma longuíssima história que para mim é um fascínio, já que, na discussão entre 2 concepções teológicas, ficaram criados 2 esquemas (visuais): um a traduzir o Perfilium - que era a visão arianista. Outro a traduzir o Filioque**. 

 

E esta é a que veio a ser a visão católica, quando, como dizemos, Carlos Magno decidiu "ser mais papista que o papa..."

 

Por nós, além de termos ficado com Históriaestórias para o resto da vida, ficámos também com gravíssimos problemas que, o tempo se tem encarregue de tornar cada vez mais claros, e quem sabe?, mais fáceis de terem solução.

 

Eram estudos para progredir na carreira docente de uma escola, mas, deu «no encalhar». Como um barco que se aproxima demais da costa, e, as rochas do fundo furam-no todo!

 

Mas, e porque, ainda estou viva! Também, thanks God a gozar uma boa parte do que a maldade alheia - na sua imensa mesquinhez - consegue ter de muito ridículo!

~~~~~~~~~~~~~~

* O livro está publicado pela Livros Horizonte como: Monserrate - uma Nova História.

 

** Leiam se quiserem, tudo isto, que está na Verbo Enciclopédia Luso-Brasileira de Cultura. Onde aliás a definição do Filioque foi altamente valorizada com uma explicação que fala em: «dinamismo» e em «estaticismo». Como se Deus - a Trindade, fosse mais facilmente explicada (e compreendida) pelo seu movimento.

link do postPor primaluce, às 10:00  comentar

27.9.18

Em geral os cristãos/católicos sabem que a Igreja considera que o seu «nascimento» aconteceu no Cenáculo quando os Apóstolos estavam reunidos com a Virgem para celebrarem o Pentecostes (judaico).

 

Entre nós portugueses, primeiro no Continente e depois com projecção para as Ilhas, e para todo o mundo, a celebração das Festas do Espírito Santo continua a fazer-se com as mais diferentes variantes. Pensemos nas Festas dos Tabuleios de Tomar, nas de Almoçageme, ou até, ainda naquelas que se fizeram em Alcabideche nas primeiras décadas do século XX e que Ferreira de Andrade descreveu em Cascais Vila da Corte, Oito Séculos de História.

 

Trabalho cuja primeira publicação é de 1964, pela Câmara Municipal de Cascais.

 

Quando estudámos Monserrate, consequência do «exigentíssimo» briefing da nossa orientadora percebemos que o Gótico é o estilo mais directamente ligado à Igreja como (tradução da ideia) Templo do Espírito Santo;  porque não só o edifício deveria ser e concretizar essa ideia, mas depois, também os Cristãos, cada um, deveria ser "Templo do Espírito Santo".

 

Assim, sempre que abordamos estes temas temos que lembrar como esta temática é imensa, e merecedora de estudos que permitam abri-la: não só o que se tem pensado serem conhecimentos secretos, esotéricos e herméticos, mas também, e porque se passou connosco, libertá-la (agora) de toda a censura que algumas faculdades e instituições de ensino superior entenderam impor-nos e aos nossos estudos.

 

Como não poderia deixar de ser, e foi particularmente desenvolvido no nosso trabalho sobre Monserrate*, as idealizações e as representações do Espírito Santo (por isso também de Deus e da Trindade)  tomaram muito do nosso tempo e energias: para podermos chegar a compreender como essas mesmas idealizações geraram formas arquitectónicas.

 

Sabemos portanto quais os caminhos a percorrer - podendo indicar por onde se deve começar - para todos os que queiram compreender este assunto tão fascinante da História da Europa e do Mundo, e que em Portugal - da Arquitectura à Pintura - produziu, sem qualquer dúvida algumas das melhores obras.

 

Na imagem seguinte vinda do Dicionário de Símbolos de Jean Chevalier e Alain Gheerbrant (ed. Teorema, Lisboa 1982) um excerto da página 680.

 

Notem que escolhemos apenas o texto inicial, tendo sublinhado algumas associações que facilmente se traduziram em formas e em vocabulário geométrico. O qual, das mais diferentes maneiras - um dos bons exemplos é o caso do octógono - frequentemente ficou inscrito (ou built-in) nas edificações.

Vento.Dic. de Símbolos-C.jpg

 

Não esquecemos que António Quadros (e alguns do seu círculo de amigos) também ele dedicou horas e energia a este tema, como já várias vezes escrevemos.

 

Razão para considerarmos que as censuras sobre os nossos estudos são ainda mais absurdas: um sinal verdadeiramente extraordinário dos tempos, e da pobreza intelectual/científica que está a ser imposta aos que tem curiosidade verdadeira, e querem satisfazê-la. E NESTE CASO dentro da própria escola/universidade onde esses indícios foram surgindo.

Ou seja, por mais estranho que até a nós nos pareça (!?) e aqui lembramo-nos de uma entrevista que lemos há anos de José Hartvig Freitas - filho de Lima de Freitas -, quem sabe, alguma proximidade que tivemos com Lima de Freitas, mas sobretudo com António Quadros, não terá sido indiferente...?

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* Ver em Monserrate - Uma Nova História, Livro Horizonte 2008, pp. 38 a 41, em especial na p. 40 a longa citação que fizemos de André Grabar, a qual começa assim: (...) Le cas de la troisième personne de La Trinité est intéressant. Pois ao contrário do que informa o autor a Pomba não foi a única representação,  nem a única imagem que prevaleceu para lembrar (alegoria) o Espírito Santo.

Porque o prometido é devido

 

Um Império do Espírito Santo

 

E ainda um outro dos vários posts que já dedicámos aos estudos de A. Quadros

link do postPor primaluce, às 17:15  comentar


 
Primaluce: Uma Nova História da Arquitectura
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