Muitas imagens da arquitectura foram «iconoteologia». Many images of ancient and traditional architecture were «iconotheological». This blog is to explain its origin.
20.5.21

Porque será que Saúl António Gomes fez um artigo tão interessante quanto extenso, este - (PDF) Littera Pythagorae | Saul António Gomes - Academia.edu - quando o "Y" aparece na Arte, em tantas imagens, e é tão frequente? Mas não se vê logo? É preciso prová-lo, e com a máxima veemência?

Perguntamos, mas percebemo-lo bem, pois passámos, em parte, pelo mesmo...*

No caso já a seguir, é notório, pois está no centro da imagem, a qual é aliás estruturada pelo desenho do "Y". Mas, voltando a perguntar, será que em geral os investigadores da História da Arte, demasiado presos aos conteúdos dos textos, daquilo que lêem, e do que escrevem, por isso não se apercebem - quando passam para as superfícies das obras (incluindo as obras de arte) - que as letras têm sempre uma configuração? Ou seja, que as ditas letras - a"Littera"  que consta no titulo - têm um  desenho?

Não é agora a primeira vez que escrevemos sobre este esquema, e provavelmente não será a última; tal a riqueza que a imagem acima traduz. Está mal fotografada, é verdade, como já se explicou, mas isso não nos bloqueia ou impede de pensar sobre ela.

Menos ainda impede de lembrar, que há bem poucos dias se mostrou (neste post) como o mesmo esquema esteve na base de um arco que prolifera na arquitectura medieval. Arco esse que não é um mero detalhe ou vocábulo formal do primeiro gótico, mas o de uma fase mais decorativa: em geral por volta do século XIV, tendo depois permanecido...

Uma  análise ao artigo de Saúl António Gomes será feita noutra data (pois já se começou), e agora passa-se ao Credo de Atanásio, que, como é dito por vários autores, a imagem acima pretendeu traduzir.

Na Catholic Encyclopedia encontra-se (ver aqui) , numa versão que segundo é explicado foi transposta do latim original para a língua inglesa, no século XIX, pelo Marquês de Bute: 

"The following is the Marquess of Bute's English translation of the text of the Creed:

Whosoever will be saved, before all things it is necessary that he hold the Catholic Faith. Which Faith except everyone do keep whole and undefiled, without doubt he shall perish everlastingly. And the Catholic Faith is this, that we worship one God in Trinity and Trinity in Unity. Neither confounding the Persons, nor dividing the Substance. For there is one Person of the Father, another of the Son, and another of the Holy Ghost. But the Godhead of the Father, of the Son and of the Holy Ghost is all One, the Glory Equal, the Majesty Co-Eternal. Such as the Father is, such is the Son, and such is the Holy Ghost. The Father Uncreate, the Son Uncreate, and the Holy Ghost Uncreate. The Father Incomprehensible, the Son Incomprehensible, and the Holy Ghost Incomprehensible. The Father Eternal, the Son Eternal, and the Holy Ghost Eternal and yet they are not Three Eternals but One Eternal. As also there are not Three Uncreated, nor Three Incomprehensibles, but One Uncreated, and One Incomprehensible. So likewise the Father is Almighty, the Son Almighty, and the Holy Ghost Almighty. And yet they are not Three Almighties but One Almighty."

No entanto, por este outro link, podem aceder a uma versão diferente, já que é apresentada em latim e inglês (em simultâneo).

Na verdade, a leitura deste Credo, tanto ou mais conhecido como Quicunque Vult, mostra todo o cuidado que foi posto na sua redacção. O que nos lembra de imediato uma expressão de Umberto Eco, ao referir-se, num dos seus livros, às "subtilezas dos Teólogos Medievais"... Pois como se lê, e é impossível não o notar, trata-se de um texto que é todo ele cuidados e subtilezas.

E, francamente, é neste ponto que não me lembro, se foi ele - Umberto Eco? - que escreveu, ou depois nós que o deduzimos (ou até se é de algum outro autor... -, sobre a vantagem, e as possibilidades da geometria (e das imagens), para se conseguir, com a máxima eficácia, tornar mais claro o conhecimento de Deus **.

Imagens que, tem-se escrito repetidamente, em geral estão plasmadas, e constituem, os trabalhos a que hoje chamamos ARTE.

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* Como está escrito desde 2004, e portanto publicado em 2008, em Monserrate - uma Nova História, Livros Horizonte, Lisboa 2008, ver na p.38. Na p. 40 é ainda feita uma longa citação de André Grabar, em que este autor questiona as possibilidade de representação da Trindade, que ao mesmo tempo fosse também uma tradução visual do conceito do Filioque. Esse questionamento é muito interessante, e por isso ajudou-nos a encontrar o que de facto foi feito, já que existe, e é o "Y". Ou, de uma maneira mais especulativa, e exaustiva, é a imagem acima. Depoisnos nossos materiais recolhidos para a tese de doutoramento há bastante mais, de outras letras gregas, que não apenas o "Y"...   

** Mas acontece, sempre que escrevo esta expressão - "o conhecimento de Deus" - que também me divirto com todos os que vêm argumentar, sobre o desconhecimento de provas, ou de certezas, relativamente à existência de Deus. Estão todos certíssimos, sem dúvida, e (agora) não tencionamos ir por aí! Só que, todos esses se esquecem da enorme quantidade de materiais que existem - que não são poucos mas aos milhares - e que existem ainda, desde há milhares de anos. Materiais que foram produzidos exactamente em torno da procura de provas, de discussões, de querelas, ou obras feitas para catequizar. Incluindo a própria Arte, que era feita com esse objectivo: servir para aludir, mencionar, ou lembrar aos homens, o Deus Cristão...  

link do postPor primaluce, às 12:00  comentar

 
Primaluce: Uma Nova História da Arquitectura
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