Muitas imagens da arquitectura foram «iconoteologia». Many images of ancient and traditional architecture were «iconotheological». This blog is to explain its origin.
17.2.19

... num doutoramento, relativo ao emprego de vocabulário visual (abstracto) de origem geométrica, nas  obras do culto e da liturgia - ou da Arte Religiosa, Cristã.

 

Esse alguém teria de ter, com certeza! - para no final poder deduzir conclusões relativas à investigação e ao trabalho feito -, um enorme manancial de imagens.

 

É o que se passa com a imagem seguinte (uma dessas muitas): a fotografia de uma patena francesa do século VI, onde, no centro da cruz foram dispostos vários "8" deitados, ou ao alto, significando o Infinito-Deus.

PatenaSimboInfinito.jpg

Há portanto nesta imagem* - ou é assim que a interpretamos - várias leituras simultâneas, como se fossem em camadas, i. e., "...des couches de signification ou des détails d'aspect sensible..." como escreveu Jean-Paul Sartre em L'imagination**.

 

E vêmo-las:

A do belo efeito visual, sem mais; certamente o fascínio pelo brilho do ouro. Os corações, nos 4 cantos que um dia merecem outra explicação. E todo o trabalho ornamental, na bordadura, em que a imperfeição da obra artesanal, nos remete para o esforço de perfeição, que sempre houve, no que foi uma imensa vontade de criar beleza: Alguns autores referem "a volição artística" . A que Aloïs Riegl estudou meticulosamente (em El Arte Industrial Tardorromano, edição Visor, Madrid, 1992), e que Siegfried Giedion, e também Otto Pächt sublinharam.

 

Claro que a cruz onde se dispõem oito "8" é o centro da composição, e também nela se fazem várias leituras. Não é uma cruz grega (de 4 braços iguais), e por isso é dita cruz latina.

 

E por outro lado, não sendo uma cruz pátea  - ver o que é nos dicionários de símbolos, mas ver também o que esses não dizem, que é o modo como a cruz pátea se associa formalmente ao que os franceses chamam, e vêem, como culots (cistercienses).

 

Mas assim, e embora não exista um alargar significativo dos braços da cruz, como é tipico da cruz pátea, a cruz desta patena, consegue ser um compromisso visual. Pois lembra algo que não estando, totalmente na imagem, está em parte.

Ou seja, alguns, os que estão alertados para os significados teológicos mais especificos de algumas das formas (e suas correspondências, que não eram codificadas mas hoje é como se o fossem...); esses mais habilitados, farão, como supomos leituras mais completas e ricas.

 

Por nós consideramos esta patena absolutamente fascinante (pelo que sintetiza e reúne), e ainda não nos esquecemos que seria um dos óptimos e claríssimos exemplos, do emprego do "8" como imagem de Deus.

 

Associada a ela vêm outras questões: que nos lembram toda a formação que os ourives tinham de ter para produzirem obras essenciais ao Culto e à Liturgia. 

 

E vem no fim, para acabar este post, a ideia tão simples - mas que para muitos é ainda estranhíssima (embora possa ter toda a lógica!?) - de D. João V ter ido buscar o alemão Johann Friedrich Ludwig. O que ficou depois conhecido, em italiano, como João Frederico Ludovice: um Ourives para projectar a Basilica de Mafra.

 

~~~~~~~~~~~~~~~~~~

*Ver em 20 Siècles en Cathédrales, Éditions du patrimoine, Paris 2001.  

 

**Edição QUADRIGE-PUF, Paris 2003, p. 88. 

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12.2.19

AINDA SOBRE A QUESTÃO DO FILIOQUE e as imagens (abstractas) que traduziram o que foi um dogma cristão:


No nosso post anterior a imagem escolhida pela Wiki é já bastante eloquente relativamente às representações visuais da Trindade Cristã. Mas, é ao mesmo tempo narrativa e icónica.


Ou seja, adopta representações comuns (humanas, naturalistas ou icónicas) para Deus Pai - um idoso; para Deus Filho-Cristo - um jovem; e para o Espírito Santo (mais) normalmente representado, também de modo naturalista, pela Pomba.


Porém, adopta também - e assim reforçando visualmente a narrativa que se quer fazer sobre o Deus Cristão, Uno e Trino - aquela que foi uma imagem abstracta (criada talvez no século IV, ou ainda antes?) para envolver a imagem do jovem que corresponde à representação de Cristo.


Essa imagem abstracta, a que envolve Cristo, e é chamada "mandorla mística", vinda do italiano em que mandorla significa amêndoa; e esteve - como se vê nas próprias obras arquitectónicas, na origem do Arco Quebrado do Estilo Gótico. Na origem ela significou e substituiu a Pomba do Espírito Santo, que vemos normalmente como a única forma de representar a 3ª Pessoa da Trindade*.


Por seu lado, essa mandorla (vejam algumas informaçõess em dicionários de símbolos) é a resultante da intersecção de dois círculos, que numa tradução visual do Filioque, exprimiram a simultânea e dupla procedência do  Santo do Pai e do Filho.


Claro que esta constatação (que talvez seja ainda só nossa, e explicada assim, tão directamente, como o fazemos?) não faz parte da micro-história da arte.

Mas sim de uma Macro-História, ou a História Geral que interessa, cada vez mais, aprofundar e divulgar - ao mundo todo - que ainda hoje, sobretudo nas melhores Universidades, quer compreender o seu passado e as suas obras.


Os dois círculos foram depois entrelaçados das mais variadas maneiras como mostrámos no post anterior na belíssima interpretação de Eduardo Nery, em pleno século XX.


A imagem seguinte (uma intervenção nossa, sobre a base da Wiki, que se coloca primeiro) pretende mostrar aos leitores esta questão que consideramos interessantíssima: uma verdadeira ICONOTEOLOGIA, mas que a FLUL mantém silenciada (como os seus responsáveis têm entendido) ser mais benéfico...**

Paris-Saint-Merry702-wiki-FILIOQUE.JPGParis-Saint-Merry702-wiki-FILIOQUE-5.jpg

*Assunto que já abordámos nos nossos estudos (Monserrate uma nova História), com o apoio de vários materiais e informações vindas de André Grabar. 

 

**Benéfico, mas apenas para os próprios: só pode ser (?), na medida em que estão a prejudicar, pessoalmente alguns, e genericamente todos... O paÍs

 

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9.2.19

Penso num post escrito em 2014, bastante visitado e actualizado hoje (numa nota), que acabou de ir para o Facebook.

É sobre a geração de Lima de Freitas, António Quadros, e outros...*

Precedida ainda, por exemplo, também por Almada Negreiros: autores que tudo fizeram para compreender as obras dos seus antepassados.

Foram uma "geração angustiada" em torno do Simbolismo, como se lhes referiu Alain Besançon?

Estamos de acordo que sim, absolutamente!

Como estamos de acordo que há um imenso manancial de materiais que a Historiografia da Arte, em Portugal - constituída por estudiosos (muitos ou alguns que nos conhecem e as ideias que defendemos, e que eles próprios contribuíram para que as adquiríssemos...), poderiam, com o objectivo de elevar essa mesma historiografia, ajudar a investigar e a aprofundar.

No nosso caso, não foi uma fácil,e simples «pedrada no charco». Pois vem a ser, desde 2001, a reunião de muito material, de forma persistente, e paulatinamente.

E se agora há movimentos neste «charco», eles vêm de baixo: do fundo da água, pois à superficie, a ver-se, não se passa nada...

Mas, aos que poderiam (e deveriam) ajudar a enriquecer a Historiografia da Arte, a esses sim, com os materiais e as provas já existentes, bastava-lhes pegar na pedra e atirá-la.

Se quisessem, pois andam por aqui e lêem os nossos escritos. Pelo menos, pode-se dizer: curiosidade não lhes falta!

Porque há/houve uma ICONOTEOLOGIA, que plasmou nas obras (nas arquitectónicas sobretudo!) a visão do platonismo e o conhecimento que os medievais tinham, sobre Deus.

Assim como mais tarde, seguindo sempre o mesmo processo, e sobretudo depois dos autores da Universidade de Paris, e de S. Alberto Magno - com S. Tomás de Aquino -, Aristóteles, foi «baptizado e cristianizado».

Como G.K. Chesterton escreveu no principio do século XX...

Foi um imenso passado que também em Portugal, alguém que conheci bem - António Quadros, fundador do IADE, e alguns amigos seus - procuraram, quase angustiadamente.

{https://iconoteologia.blogs.sapo.pt/a-geracao-angustiada-lima-de-freitas-a-65925}

 

E como se escreveu, para actualizar este post, mais algumas informações, outra vez inesperadas, logo apareceram:

O Infinito, por Eduardo Nery, actuaizando a iconografia medieval 

Mandorla-EduardoNery.jpg

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*Mircea Eliade, Gilbert Durand... Na pintura o portugês Eduardo Nery cujas obras se podem ver em Portalegre no Museu das Tapeçarias (ou em Lisboa) também lembram trabalhos de M. C. Escher e as suas osessões para representar o INFINITO

 

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Primaluce: Uma Nova História da Arquitectura
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