Muitas imagens da arquitectura foram «iconoteologia». Many images of ancient and traditional architecture were «iconotheological». This blog is to explain its origin.
30.7.19

Como parece poder concluir-se de um livro que nos chegou às mãos. Ou, sobretudo do Programa Visita Guiada da RTP2, como aqui podem ver. 

 

Sabemos que não são muitos os que aqui vêm, e embora tenhamos criado este blogue para divulgar a noção de que muitas imagens da Arte são de origem religiosa cristã - e por isso adoptámos esta designação (ICONOTEOLOGIA) inventada pelo Pe. Eugenio Marino. No entanto, o nosso primeiro blog que foi PRIMALUCE, esse continua a ser mais conhecido e mais visitado.

 

De qualquer forma este blog já existe desde 2012, com o propósito de divulgar Iconografia que é empregue na Arte, e cuja génese temos vindo a encontrar, directamente relacionada com textos da Teologia Cristã.

 

Podem ser textos bíblicos, ou excertos da Patrologia (ver este exemplo do século V-VIº), mas também orações  (o Pai Nosso, o Credo) cujas palavras desenharam não apenas o imaginário mental  - dentro da "caixa negra" que é o cérebro de cada um -, mas que também foram adaptados, e se podem ver em inúmeras obras realizadas. Pois foram transpostos para as mais variadas matérias e suportes, e nalguns casos com essas imagens a funcionarem como verdadeiras legendas.

 

Assim hoje temos centenas de imagens (algumas postas on line, várias fotografias, mas também muitas que as desenhámos); em resumo, inúmeras imagens difíceis de organizar por categorias.

 

Isto é, difíceis de separar segundo as categorias, hiper-delimitadas e a corresponderem às áreas cientificas que estão definidas pela Agência A3ES. Ou, como também pretendia, muito «metodologicamente», o nosso orientador do doutoramento!

 

Deste modo temos que dizer que a palavra Heráldica podendo parecer uma solução simples, para designar/nomear essas mesmas categorias, é em simultâneo demasiado redutora. Porque irá afastar (atirando para o lixo, ou para que outra área?) muitos materiais iconográficos que continuam livres. E que continuarão a circular e a serem aplicados, nas mais variadas áreas da «comunicação visual» (sem limites, e sendo ao mesmo tempo muitíssimo polissémicos...).

 

Isto é, da comunicação visual que se vai fazendo através de sinais que não correspondem a sons ou a fonemas.

 

Como lhes chamamos desde 2002, muitos desses sinais postos na Arte - e principalmente na Arquitectura, em que este tema nos interessa (sublinhe-se) - esses sinais eram como IDEOGRAMAS. Ou seja, tinham alguma correspondência a ideias - e não a sons - como acontece com as palavras.

 

E já agora, acrescente-se, mesmo que esses ideogramas estivessem em obras gráficas, com dimensões da ordem dos 2-3 milímetros, ou até menos, desde que fossem visíveis; mas podendo, em alternativa, ir até aos mais de 60 metros, como têm os arcos quebrados do Aqueduto das Águas Livres, no Vale de Alcântara. 

 

Assim no fim deste post poderão perguntar-nos - e é possível, pois talvez já se tenha dito assim...? - se os Arcos do Aqueduto verdadeiramente, são mais "estruturais" ou mais "heráldicos" ? E na verdade (para mim) essa resposta fica dificílima...

 

Porque D. João V fez o Aqueduto*, numa época em que já se conhecia o sistema de vasos comunicantes. Será que o fez sobretudo por uma questão de visibilidade, que quis dar, ao Arco Quebrado, e às formas da arquitectura gótica? Formas que passaram a empregar-se, com enorme frequência, na Inglaterra protestante (e é chamado Revivalismo do Gótico).

O que, como supomos, não aconteceu por uma razão de moda, e à semelhança dos fenómenos da actualidade  - qual cansaço em relação aos estilos anteriores... -, mas sim por razões de identificação religiosa** (separando os países que seguiram as ideias de Lutero, para a necessidade de Igreja se "reformar", dos países que seguiram Roma na designada Contra-Reforma).  

 

Voltamos à pergunta do título:

Será tudo Heráldica? Ou estamos perante Sistemas de Sinais que devem ser mais estudados e  conhecidos, já que existem em diferentes contextos, ou «linguagens»?

Depois de estudados, e se for necessário (?), podem então ser arrumados em classes e categorias...

 

SISTEMAdeSINAIS-170ppp.jpg

*Só que os referidos Arcos, e pela menor agressividade (sísmica) que o terramoto de 1755 teve no Vale de Alcântara; o Aqueduto por ter ficado quase incólume, veio assim a contribuir para se reforçar, ainda mais, a noção da capacidade de resistência estrutural do arco quebrado.

 

**Mas tornando-se, nalguns casos, posteriormente, num fenómeno de moda. E de tal modo, que ainda agora a Historiografia da Arte considera (e referimo-nos em especial ao Revivalismo Gótico), um típico fenómeno de moda. Não tendo (ainda) colocado a questão, ou a hipótese, de alguns revivalismos se relacionarem com "expressões nacionais"...

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24.7.19

... uma nova arquitectura.

 

De que já escrevemos várias vezes, como podem ler:

 

Esta última no FB, mas também em Primaluce em 26 de Fevereiro de 2011

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16.7.19

Depois de duas, lembrámo-nos de uma outra, terceira razão, para pensar hoje na lua

 

Acontece que sobre INFRA-LUNARES e SUPRA-LUNARES já escrevemos várias vezes como podem confirmar*.

 

E escrevemos não apenas por ser um assunto antiquíssimo, que vem desde o tempo de Aristóteles (pelo menos!); mas, sobretudo porque nos diverte esta persistência muito humana: Uma imensa curiosidade, que levou os antigos, face aos gaps de conhecimento e de informação, a ficcionarem, em doses razoáveis «de invenção»!

Assim sendo, temos agora que acrescentar um pouco mais ao que já apresentámos sobre este tema que achamos tão curioso, e que - também ele - se articula com a nossa profissão:

 

O que desde lá atrás, de há milhares e centenas de anos, fez com que os círculos  e todo um formulário visual fosse considerado celeste, e passasse depois às Artes e à Arquitectura, em especial na Idade Média.

 

Porque foram desenhados, a partir «dele» - desse formulário visual - arcos e mais arcos, ou a três dimensões - abóbadas umas sobre as outras, com superfícies esféricas ou cilíndricas. Elementos que primeiro foram gráficos e depois tridimensionais, e também serviram para, por vezes, e em função das diferentes localizações na construção, serem os mais variados suportes. Inclusive, sendo alguns mais importantes (ou mais valorizados) do que outros.

 

Elementos que agora constituem "detalhes visuais", e também "peças técnicas", que foram suportes.

Sempre eficientes, mas também sempre falantes! Por isso muitos lhes chamam (e os consideram) - simbólicos.

Começamos então por referir o Saber, e os conhecimentos - que, forçosamente, sempre foram a base de todas as Artes**.

Image0041-c.jpg

E, de acordo com Michel Lemoine, optando pelo Didascalicon de Hugo de S. Victor como primeira enciclopédia moderna (mas não das Artes); porque no século XII essa palavra tinha outro sentido, diferente do actual.

 

Significava Saber/Arte/Técnica - tudo unido -, já que foi num contexto de Artes Liberais*** que Hugo de S. Victor escreveu o Didascalicon.

Vejamos portanto o desenvolvimento que veio a imprimir a este seu trabalho.

Image0042-c.jpgComo é legível, está-se perante o que é agora um índice, ou um plano de trabalho, onde, aparentemente, o que pode ser a Psicologia (Sagesse), a Filosofia (Lógica), e os saberes práticos  (como as mecânicas), tudo isso, parece ter sido misturado.

É pois por aqui que os Cientistas (de hoje), altaneiramente, olham para o passado e acham que se confundia tudo!

 

E se o que está acima é razão para a sua presunção e soberba (?), também são capazes de dizer a alguns - por exemplo aos pobres dos estudantes de doutoramento... -, que "não se aceitam as suas metodologias de investigação e de trabalho..."

 

Isto é, eles não aceitam o «bolo interdisciplinar» sobre o qual os seus alunos têm que trabalhar, porque (e desconhecem-no!!!) é constituído por várias disciplinas diferentes das actuais; como, por exemplo, era/foi no tempo de Hugo de S. Victor.

Disciplinas diferentes, e diferentemente relacionadas entre elas, as quais, para as cabeças dos orientadores  dos estudos pós-graduados - os sapientíssimos que habitam as nossas universidades (e estacionaram sobre as hiper-especializadas disciplinas dos séculos XX e do XXI), eles não conseguem vislumbrar de outro modo, diferente do que aprenderam!

 

Mostrando-se assim completamente incapazes de retrocederem; ou totalmente «des-imaginativos», não conseguindo viajar mentalmente até (i. e.,  imaginar) ao passado.

 

Por isto - e no desenvolvimento do plano de intenções que Hugo de S. Victor elaborou para o Didascalicon -, é verdadeiramente curioso o que escreveu e nos apresenta à volta da Lua:

Como o satélite da Terra lhe serviu - mas isso já vinha de trás (não esquecer) -, para estabelecer níveis diferentes, aplicáveis ao mundo (agora diríamos universo), e às suas criaturas, obra de Deus.

Image0043-c.jpg

E ao ler vemos que o mundo supra-lunar - que é a Natureza  (como está a seguir) -,  é também chamada Tempo.

 

Mas é ainda, em simultâneo, o Céu. Sendo este oposto ao mundo inferior, que é o Inferno. Visto como (ou sinónimo de) mundo da instabilidade e da confusão. Pelo que aqui se aproveita para lembrar, que na origem etimológica, a palavra diabólico é o oposto de simbólico.

Image0044-c.jpg

Por fim, e acabada esta escrita difícil que se quer resumir (mas é impossível...), vamos ver a LUA:

A do eclipse, e aquela a que os homens chegaram há 50 anos; depois de milhares de anos de  suposições, de ficções e de invenções, que apetece perguntar, se já terão estabilizado? Ou se, a Ciência ainda um dia terá bastante mais para acrescentar, àquilo que agora se sabe?

 

Ou será que, ainda um dia, se vai confirmar que todos temos os tais "orifícios invisíveis", como "poros para a infusão", por onde cada um recebe o "espírito vital" ? Espírito que nos alimenta desde a nascença, mas que depois se amplia para subsistirmos enquanto crescemos? 

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* VER EM:

1ª- https://primaluce.blogs.sapo.pt/2013/09/14/;

2ª- https://primaluce.blogs.sapo.pt/2015/01/;

3ª - https://iconoteologia.blogs.sapo.pt/2014/03/

**Neste caso não excluindo a Arquitectura, ainda agora vista como sendo uma Arte, completamente, transdisciplinar

***As Artes Liberais eram um conjunto de saberes, o correspondente ao que hoje se chamam disciplinas

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30.6.19

No ultimo post que aqui escrevi, na capa de um livro de Mark Gelernter são notórios os Losangos nas faces da Pirâmide do Louvre.

 

Obra que é da autoria de Pei, na qual não vislumbramos alguma razão. relevante, para esse emprego... A não ser a resultante de alguma tradição europeia, principalmente a inglesa (?), em que, frequentemente, os losangos são empregues, talvez por razões visuais/estruturais; ou só pelo hábito e pela tradição? Sem que os respectivos autores tenham algum dia aprofundado os seus "motivos". Isto é as razões originais, que depois levaram a um uso repetido*? (perguntamos) 

 

Um emprego, quiçá, ao nível «das reminiscências» como se lhe referiu no século XVIII William Kent. pressentindo um sentido antigo que teria existido, mas que ele não saberia concretizar.

 

E escrevemos isto no condicional, admitindo ter razão, mas sem certezas. Já que não conversámos com William Kent - o sábio e versátil arquitecto inglês que (à distancia) muito admiramos!

 

Mas enfim, voltando ao título, temos que explicar ter encontrado uma fotografia muito bonita (de 2016, pertencente a Jorge Maio) do Palácio dos Condes de Basto em Évora. Imagem que nos levou a escrever o texto que agora se transcreve:

 

"É verdade acabei de (re)publicar agora mesmo um post que é de alguém certamente inspirado e sensível, mas desconhecedor de informações a que cheguei nas minhas investigações, primeiro de um mestrado e depois daquilo que seria um doutoramento...
Seria mas não é, porque encontrei informações boas (de mais) para um Ensino Superior que se despromove em cada dia que passa.
Enfim, nunca fui ao palácio dos Condes de Basto, em Évora, mas sempre que encontro fotografias deste tecto fico, verdadeiramente, fascinada:
Porque é uma das óptimas provas de que as ogivas foram/eram sinal de Deus e depois sinal nobreza; i. e., «a história» do direito divino, de uma categoria social ou de uma classe que se sentia sagrada... Prosaicamente, aquilo que veio a ser dito, já nos nossos tempos, como característica das «pessoas de sangue azul».
Claro que a sociedade evoluiu imenso, e hoje estas categorias perderam-se/esqueceram-se e já não têm o valor que outrora tiveram.
No entanto, só sabendo da sua existência, no passado, e como há séculos foram muito relevantes, podemos agora compreender aquilo que foi - aprendi com o Vitor S. esta designação - um PROGRAMA ESTÉTICO:
Claramente diferente do que é um programa funcional, esse programa estético geralmente estava na base e presidia à feitura de composições como esta (1).
No ínicio do século XX o engenheiro-arquitecto italiano Pier Luigi Nervi reutilizou esta iconografia (porque na base é disso que se trata) criando estruturas de betão-armado de enorme interesse visual.
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(1) Como é também exemplo o tecto da igreja do Senhor Jesus de Barcelos de João Antunes, que domina toda a geometria dessa composição arquitectónica."

 

Tudo isto podem encontrar aqui,  mas também podem procurar com as tags losango. primaluce, iconoteologia. Ou indo directos a este exemplo.  As escolhas são várias, visto que o losango e o quadrado, por razões diferentes, não deixaram de ser empregues

 

* "Motivos" como lhes chamava Robert Smith, e não ornamentos como a maioria escreve, ou ainda elementos decorativos; sendo que ideogramas é como nós preferimos designar. Constatando que Kubler - segundo Horta Correia - designava estes elementos que se vêem com tanta frequência como invariantes. Palavra que faz bastante sentido (pensamos nós), por conter a ideia de que o estilo poderia variar, mas que algumas formas se mantinham sem mudanças.

 

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20.5.19

Este livro, da autoria de Mark Gelernter - Arquitecto, Professor da Universidade do Colorado (Denver USA) - é talvez o melhor que conheço dedicado à História da Arquitectura *.

 

Mas, pergunto-me:

 

Quem o lê não ficará convencido que se trata de uma História da Filosofia, muito resumida?

 

Não, não é piada! Compreenderá como em cada época, as principais ideias - traduzidas em Ideogramas de base geométrica - influenciaram as obras?

 

A razão para termos percebido e adoptado a palavra, já que, frequentemente, a Arte (e também a Arquitectura), foi uma verdadeira ICONOTEOLOGIA**? 

 

E apesar de não ter lido o livro todo, ou de nem sempre estar de acordo com o seu autor, é no entanto forçoso reconhecermos a sua imensa qualidade. Razão porque o citámos, e nos apoiámos, nas suas explicações***:

 

Para abrir, desenvolver - e depois passar a defender -, as novas ideias que formámos sobre Monserrate. Assim como relativamente a outras obras, muitíssimo mais recentes...

 M.Gelertner.jpg

 

*Ver  https://www.architectmagazine.com/aia-architect/aiavoices/denvers-dean_o:

Onde Mark Gelernter exemplifica alguns dos desafios que serão colocados aos futuros profissionais:  "(...) area, which I’m really excited about, is “enduring places.” It’s the logical extension of sustainability, in encouraging the adaptive reuse of existing buildings. This brings together our historic preservation programs with our sustainability initiatives, and it encourages a renewed look at traditional languages of design. We now partner with the Institute of Classical Architecture and Art to provide a certificate in classical architecture."

 

**Palavra que foi inventada por Eugenio Marino, OP. Ler também sobre a existência de uma Histiconologia , seguindo uma concepção de Laurent Gervereau.

 

***Concretamente a sua ideia de uma "estrutura divina" (ou Deus) que em geral deveria ficar plasmada nas edificações.

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9.5.19

...e  se não estou a ensinar é porque não querem!

 

Ou será que alguém na nossa situação – com mais de 40 anos como docente de uma escola de Design - ainda um dia vai ter que explicar tudo isto, «tintim-por-tintim»? (qual tribunal da inquisição?, e nele provar, diferentemente do que «se aceita» em História da Arte, na FLUL, que as imagens têm a capacidade de falar...)

 

Como as imagens - e os esquemas desenhados, como aprendido na ESBAL - que as pomos ao serviço da Arquitectura (bem como do seu desenho e concepção), podem reflectir e traduzir o Pensamento?

 

Como num projecto as imagens justificam, bem antes de se fazerem os cadernos de encargos, ou de existirem as medições e os orçamentos; como elas justificam e dão todo o fundamento aos milhares ou milhões de euros que se hão-de gastar, numa qualquer edificação? Ou numa obra de urbanismo?

 

Se as imagens têm esta capacidade decisória para construir o futuro (*) -  em projectos, em planos territoriais e de ordenamento -, porque não podem essas mesmas imagens ter a capacidade para explicar/relatar, historicamente, as diferentes mentalidades (no plural, porque houve várias) que existiram no passado?

 

Será que ainda vou ter que traduzir este texto fantástico de Rudolph Arnheim (ver imagem abaixo**)?  

 

Texto onde explica, no fim, na frase que sublinhámos, que quando há desenhos que são IMAGENS MENTAIS (ou relatos de processos de pensamento apoiados nas imagens), que esses materiais são bem-vindos. E mais, que se deseja (altamente) que não sejam nem perdidos nem desprezados, dada a sua «fragilidade»...

Será que teremos ainda um dia, de provar tudo isto?    

 

Será que ainda vamos ter de explicar que em geral – numa língua com base na geometria (língua que existiu, mesmo que informalmente) – que o triângulo foi usado para designar a Trindade Cristã, e que o quadrado (numa «lógica muito inesperada», por ser três mais um), significou a Virgem, a Mãe de Deus, que frequentemente era designada por Théotokos? (***)

 

Será que ainda vou ter que explicar/fundamentar toda a produção, «produzida» a propósito do Palácio de Monserrate? Fabricada/produzida» então (entre 2001 e 2004) com imenso estudo é verdade. Mas sobretudo com a liberdade e a espontaneidade, de quem já tinha mais de 25 anos de vida profissional? E, em que cada projecto (note-se, porque isto acontece na vida de todos os arquitectos projectistas...) acaba no fim com a assinatura do autor,  aposta num Termo de Responsabilidade?

 

Terei que provar toda a (minha) honestidade posta nos estudos feitos a propósito de Monserrate?  

 

Enfim,  perante tanta justificação (quiçá necessária?), aqui tenho mesmo que me lembrar de Rogério Mendes de Moura, o meu Editor (Livros Horizonte), que, pediu-me para retirar do livro a maioria das chamadas notas de rodapé. Porém, na sua opinião, essa teria que ser uma tarefa bastante cuidadosa, pois para si - como me fez ver - algumas dessas notas eram, não a essência, mas, considerava-o, um dos aspectos positivos e originais do trabalho que foi realizado.

RUDOLPH-ARNHEIM-def..jpg

(*) Pessoalmente reconheço-a - e acho que essa capacidade de desenhar/designar o futuro, julgo, é uma característica da maioria dos Arquitectos e dos Designers? Mas, pode ser que muitos outros, sobretudo nos Institutos de História da Arte, não a reconheçam? O que naturalmente nos leva a outra pergunta, e esta boa para Reitores:

"Para que existem cursos e até mesmo departamentos de Arte, em Escolas Superiores e em Universidades se o Estatuto que conferem à imagem é de absoluta menoridade? Como se as imagens nunca fossem falantes... Até mesmo as Imagens (ditas) abstractas, como é para a maioria de nós todos o alfabeto e os caracteres do chinês, do japonês, do coreano...?"

 

(**) Extracto obtido em google books 

 

(***) Como deixámos no nosso trabalho. No que foi uma via em direcção ao que muito mais tarde (século XIX) veio a ser a sua definição/consagração (dogmática) como Virgem Imaculada.

Ver ainda aqui uma selecção Google

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24.4.19

 

Como o nosso post no facebook (14.04.2019 - com fotografias da fachada da nova Biblioteca de Birmingham*) nos inspirou para muito mais:

 

A ir mais longe, ligando algumas ideias que até agora, explicitamente, aqui nas redes sociais ainda não se tinham associado.

 

Mais do que nunca lembrámo-nos da ideia de “UMA ESTRUTURA DIVINA” (destacada em maiúsculas) de que Mark Gelernter escreveu. Na frase:

This medieval preocupation with divine structure held equally true for architectural design

que deixámos já em Monserrate uma nova História (escrito em 2004). E dez anos depois (2014) retomámos, em https://iconoteologia.blogs.sapo.pt/sources-of-architectural-form-e-de-como-73803

 

Mas ainda, sobre ESTRUTURA DIVINA e o UNIVERSO, com o qual Deus se fundia (e confundia - por ser a sua obra), somos levados a pensar em James Ackerman e o que escreveu a propósito das discussões em torno das diferentes campanhas de obras da Catedral de Milão.


Também sobre este assunto, e sem ter desenvolvido demasiado, claro (guardando para outras ocasiões), já deixámos alguma reflexão em https://iconoteologia.blogs.sapo.pt/ars-sine-scientia-nihil-est-79389.

 

Por fim, ligando aos quadrifolios ou culots, veja-se como a leitura da forma, ou, alternativamente, a leitura do fundo nos dá imagens diferentes:

yo4.jpg
Odrinhas.jpgA 1ª imagem é um desenho nosso, e acima v
ejam-se, as designadas "estelas discoideias" , que foram empregues como cabeceiras de túmulos. Podem-se ver, como é este caso, no Museu de Odrinhas (mas também em Beja, por exemplo...) 

outroquadrifoil.jpg 

* Nova Biblioteca de Birmingham que já foi considerada  (ver aqui) "the largest public cultural space in Europe"

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16.4.19

Prevendo já o lado mais positivo (que há-de existir, mas também realista) sobre o que ontem aconteceu em Paris, lembre-se numa visão actual, o que hoje são as catedrais:

 

«Les cathédrales se dressent au milieu du vain bruit de nos cités et sont comme des voix qui crient dans le désert» *

 

Como sabemos Notre-Dame  de Paris tem sido uma das mais emblemáticas catedrais de França, e portanto, apesar do «esquecimento geral» que se constata, tem sido até um dos monumentos mais visitados em todo o mundo.


Como mostra o mapa abaixo, em França são imensas as igrejas e catedrais, todas elas matéria ou materialização de uma Cultura (não estamos a referir uma religião) , que praticamente já ardeu, numa combustão lenta...

E muito poucos têm querido saber das cinzas, ou dessas obras, deixando-as manterem-se como verdadeiras vozes "a gritar no deserto..." 


De entre esses poucos sabemos da existência (e portanto para nós destaca-se) do Pe. Patrice Sicard - cónego e capelão de Notre-Dame – que é o autor de várias obras de divulgação de Arte e Arquitectura.

Com maior relevo, principalmente, para os estudos aprofundadíssimos que fez e onde explica como dois documentos escritos De Archa Noe  e Libellus de Formatione Arche ** estiveram relacionados com a edificação e concretização das maiores igrejas e catedrais, não só de França, mas também de toda a Europa. 


Igrejas e Catedrais, que, como ficou registado no século XII - primeiro por escrito e só depois foram edificadas (isto é materializando esses escritos - como acontece hoje num normal projecto de arquitectos) - , elas foram concebidas/pensadas por Hugo de S. Victor (da abadia de Saint-Victor e autor desses escritos) como Arcas da Sabedoria ***.

EDitions-FRAGILE-.jpg

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o-SABER-seg.HSV.jpg

As duas páginas acima vêm de Hugues de Saint-Victor et son École, por Patrice Sicard, ed. Brepols, 1991, ver pp. 290 e 291. Em que a última página é um mapa que a FCT e os decisores dos seus «painéis científicos» deveriam conhecer. 

Para não atropelarem ou desconhecerem os saberes do passado, e as suas correspondências para a actualidade. Já que os saberes de hoje, se filiam nos antigos (embora muitos não saibam como):

 

Ou, nem sequer o papel que tiveram as Escolas Catedrais na sua ampliação e divulgação

 

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* Ver aqui


** Esses escritos foram um Tratado de Arquitectura, um Tratado de Teologia, um Tratado de Teologia e de Arquitectura (simultâneo)? Ou são duas obras separadas (embora articuladas entre si)? Ver também estes post já com alguns anos: https://iconoteologia.blogs.sapo.pt/os-tratados-da-arca-de-noe-de-hugo-de-87506

e https://iconoteologia.blogs.sapo.pt/ainda-em-torno-da-obra-de-hugo-de-s-44496

 

*** Como consta no título (em latim):

 

DE ARCHA NOE PRO ARCHA SAPIENTIE
CVM ARCHA ECCLESIE ET ARCHA MATRIS GRATIE 

 

Sendo o respectivo autor (também designado em latim) HVGONIS DE SANCTO VICTORE

Hoje os espaços do Saber e da Cultura são outros:

 

Embora ainda se sirvam, e como já mostrámos, da iconografia medieval

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17.2.19

... num doutoramento, relativo ao emprego de vocabulário visual (abstracto) de origem geométrica, nas  obras do culto e da liturgia - ou da Arte Religiosa, Cristã.

 

Esse alguém teria de ter, com certeza! - para no final poder deduzir conclusões relativas à investigação e ao trabalho feito -, um enorme manancial de imagens.

 

É o que se passa com a imagem seguinte (uma dessas muitas): a fotografia de uma patena francesa do século VI, onde, no centro da cruz foram dispostos vários "8" deitados, ou ao alto, significando o Infinito-Deus.

PatenaSimboInfinito.jpg

Há portanto nesta imagem* - ou é assim que a interpretamos - várias leituras simultâneas, como se fossem em camadas, i. e., "...des couches de signification ou des détails d'aspect sensible..." como escreveu Jean-Paul Sartre em L'imagination**.

 

E vêmo-las:

A do belo efeito visual, sem mais; certamente o fascínio pelo brilho do ouro. Os corações, nos 4 cantos que um dia merecem outra explicação. E todo o trabalho ornamental, na bordadura, em que a imperfeição da obra artesanal, nos remete para o esforço de perfeição, que sempre houve, no que foi uma imensa vontade de criar beleza: Alguns autores referem "a volição artística" . A que Aloïs Riegl estudou meticulosamente (em El Arte Industrial Tardorromano, edição Visor, Madrid, 1992), e que Siegfried Giedion, e também Otto Pächt sublinharam.

 

Claro que a cruz onde se dispõem oito "8" é o centro da composição, e também nela se fazem várias leituras. Não é uma cruz grega (de 4 braços iguais), e por isso é dita cruz latina.

 

E por outro lado, não sendo uma cruz pátea  - ver o que é nos dicionários de símbolos, mas ver também o que esses não dizem, que é o modo como a cruz pátea se associa formalmente ao que os franceses chamam, e vêem, como culots (cistercienses).

 

Mas assim, e embora não exista um alargar significativo dos braços da cruz, como é tipico da cruz pátea, a cruz desta patena, consegue ser um compromisso visual. Pois lembra algo que não estando, totalmente na imagem, está em parte.

Ou seja, alguns, os que estão alertados para os significados teológicos mais especificos de algumas das formas (e suas correspondências, que não eram codificadas mas hoje é como se o fossem...); esses mais habilitados, farão, como supomos leituras mais completas e ricas.

 

Por nós consideramos esta patena absolutamente fascinante (pelo que sintetiza e reúne), e ainda não nos esquecemos que seria um dos óptimos e claríssimos exemplos, do emprego do "8" como imagem de Deus.

 

Associada a ela vêm outras questões: que nos lembram toda a formação que os ourives tinham de ter para produzirem obras essenciais ao Culto e à Liturgia. 

 

E vem no fim, para acabar este post, a ideia tão simples - mas que para muitos é ainda estranhíssima (embora possa ter toda a lógica!?) - de D. João V ter ido buscar o alemão Johann Friedrich Ludwig. O que ficou depois conhecido, em italiano, como João Frederico Ludovice: um Ourives para projectar a Basilica de Mafra.

 

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*Ver em 20 Siècles en Cathédrales, Éditions du patrimoine, Paris 2001.  

 

**Edição QUADRIGE-PUF, Paris 2003, p. 88. 

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12.2.19

AINDA SOBRE A QUESTÃO DO FILIOQUE e as imagens (abstractas) que traduziram o que foi um dogma cristão:


No nosso post anterior a imagem escolhida pela Wiki é já bastante eloquente relativamente às representações visuais da Trindade Cristã. Mas, é ao mesmo tempo narrativa e icónica.


Ou seja, adopta representações comuns (humanas, naturalistas ou icónicas) para Deus Pai - um idoso; para Deus Filho-Cristo - um jovem; e para o Espírito Santo (mais) normalmente representado, também de modo naturalista, pela Pomba.


Porém, adopta também - e assim reforçando visualmente a narrativa que se quer fazer sobre o Deus Cristão, Uno e Trino - aquela que foi uma imagem abstracta (criada talvez no século IV, ou ainda antes?) para envolver a imagem do jovem que corresponde à representação de Cristo.


Essa imagem abstracta, a que envolve Cristo, e é chamada "mandorla mística", vinda do italiano em que mandorla significa amêndoa; e esteve - como se vê nas próprias obras arquitectónicas, na origem do Arco Quebrado do Estilo Gótico. Na origem ela significou e substituiu a Pomba do Espírito Santo, que vemos normalmente como a única forma de representar a 3ª Pessoa da Trindade*.


Por seu lado, essa mandorla (vejam algumas informaçõess em dicionários de símbolos) é a resultante da intersecção de dois círculos, que numa tradução visual do Filioque, exprimiram a simultânea e dupla procedência do  Santo do Pai e do Filho.


Claro que esta constatação (que talvez seja ainda só nossa, e explicada assim, tão directamente, como o fazemos?) não faz parte da micro-história da arte.

Mas sim de uma Macro-História, ou a História Geral que interessa, cada vez mais, aprofundar e divulgar - ao mundo todo - que ainda hoje, sobretudo nas melhores Universidades, quer compreender o seu passado e as suas obras.


Os dois círculos foram depois entrelaçados das mais variadas maneiras como mostrámos no post anterior na belíssima interpretação de Eduardo Nery, em pleno século XX.


A imagem seguinte (uma intervenção nossa, sobre a base da Wiki, que se coloca primeiro) pretende mostrar aos leitores esta questão que consideramos interessantíssima: uma verdadeira ICONOTEOLOGIA, mas que a FLUL mantém silenciada (como os seus responsáveis têm entendido) ser mais benéfico...**

Paris-Saint-Merry702-wiki-FILIOQUE.JPGParis-Saint-Merry702-wiki-FILIOQUE-5.jpg

*Assunto que já abordámos nos nossos estudos (Monserrate uma nova História), com o apoio de vários materiais e informações vindas de André Grabar. 

 

**Benéfico, mas apenas para os próprios: só pode ser (?), na medida em que estão a prejudicar, pessoalmente alguns, e genericamente todos... O paÍs

 

link do postPor primaluce, às 16:00  comentar


 
Primaluce: Uma Nova História da Arquitectura
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