Muitas imagens da arquitectura foram «iconoteologia». Many images of ancient and traditional architecture were «iconotheological». This blog is to explain its origin.
24.3.20

Já escrevemos sobre eles, e é tanto, muitíssimo mais, que um dia poderemos dizer, relativamente a esses Tratados da Arca:

 

Que haja condições para isso, uma equipa, ou um qualquer outro «milagre», que amplie as nossas capacidades de trabalho;  e ainda que multiplique as horas em que podemos ficar sentados...!*

 

Assim hoje lembra-se um post nosso que tem oito anos , e em que DLA com o seu endofarchitecture também colaborou**. Mostrando-se aquilo que Philibert De L'Orme sabia, relativamente à iconografia de uma casa nobre: como o Chateau francês - e não esquecer que estudámos Monserrate, le petit chateau de Monsieur De Visme à Sintra... - devia ainda seguir, tal como as igrejas, algumas das prescrições dadas a Deus por Noé, para construir a sua (Arca-)Barca.

 

Mas também se lembra e mostra, um post de hoje, que nos lembra que os dias difíceis, e os de vida confinada, muitos ficaram para a História: há que não o esquecer! ***

 

Fluerus-Livros&LIvros.jpg

Claro que a imagem acima é uma adaptação que fizemos da capa do Dicionário por Imagens da Bíblia. Éditions Fleurus, Paris 1998. Título original: L'Imagerie de la Bible. Versão Portuguesa de Março de 2000.

 

Mas, o mais importante, e aquilo que nos fez trazer para aqui esta imagem, é o facto de sabermos da existência dos Tratados de Hugues de Saint-Victor que, em geral se pensa serem de Teologia, mas que (e como defendemos) deram origem à Arquitectura da igreja românico-gótica:

 

Porque esta quis ser a Arca de Noé, que se supunha ser uma Arca-Barca salvífica. Como está registado numa parede da igreja de Fátima em Lisboa, obra de Almada Negreiros. Um autor que a este propósito se cita, por sabermos que não entregava a outros, nem deixava por mãos alheias, o que devia ser o mais significante - ou o mais impactante - nos seus trabalhos e obras. 

 

Como mostra a imagem acima, sempre gostámos da expressividade e da simplicidade do que vem das crianças, ou é para as crianças. Porém, quem quiser abordar cientificamente este assunto, que nada tem de simples, e pode até ser muitíssimo árduo, então que não deixe de consultar a Patrologia Latina de Migne, o que pode ser feito indo pelo link.

Sobretudo, que não falhe os trabalhos de Patrice Sicard - que foi cónego de Notre Dame (Paris). Um autor cujas investigações dedicadas a este tema, primeiro nos surpreendem imenso; e que depois nos obrigam a admirá-lo pelo trabalho, vastíssimo e extraordinário, a que se entregou.

 

Depois, no fim estão os títulos em latim, os que Hugues de Saint-Victor (autor do século XII com uma obra vastíssima) lhes deu. Concretamente:

DE ARCHA NOE PRO ARCHA SAPIENTIE CVM ARCHA ECCLESIE ET ARCHA MATRIS GRATIE

LIBELLUS DE FORMATIONE ARCHE

Sendo que o primeiro, como gosto de dizer, é toda a construção da alegoria em torno da Igreja , como Arca-Barca que há-de salvar a Humanidade. Acrescentando sempre, que é algo equivalente, ao que hoje é a Memória Justificativa de um projecto de arquitectura.

E o segundo livro - LIBELLUS DE FORMATIONE ARCHE - é o livrinho, cujo titulo nasce do facto de ser de muito menor dimensão; sendo neste que se ensina a construir a referida Arca.

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*E horas em que não estejam professores «verdadeiros patetas-desorientadores» a impedir os nossos trabalhos...

**Embora o mesmo esteja agora inacessível

*** Admitindo que não sabemos se a história de Noé, do primeiro livro da Bíblia, é verdadeira ou lenda...? Certo mesmo é que o Arco - considerado sinal de Deus - a partir de determinada data, foi inserido no que era a Verga Recta (sinal de rectidão, na antiga arquitectura grega). E também, porque ficou escrito assim:

"Disse Deus: (...) Quando eu reunir as nuvens sobre a terra e o arco aparecer na nuvem, eu me lembrarei da aliança que há entre mim e vós e todos os seres vivos..." (Génesis 9 , 12-16)

 

E este é o início de uma outra história, a que a tradução da Bíblia (judaica) para a língua grega - no século IIIº a. C. - veio a dar um muito maior relevo...

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11.3.20

... num quadro de Álvaro Pires de Évora.

 

Claro que logo que os vimos (os arcos entrelaçados) ficámos fascinados. Por se perceber a preocupação do autor em comunicar algo mais; concretamente o contexto teológico. Se quisermos, foi como uma adjectivação que se entendeu dever fazer, relativamente à sua própria fé. Ou, concretamente, ao contexto da Fé Cristã*, em que esta obra se posicionava.

 

Depois, pelo nosso método experimental, desenhámos por cima de uma cópia que se tinha impresso. Mas, claro, não é a mesma coisa... (e era só experiência como nalguns escritos/desenhos exploratórios de Leonardo da Vinci)

AURA-VirgemAPdeÉVORA-sobreposição.jpg

Já que no desenho descoberto (abaixo) - i. e., sem o papel vegetal (como acontece acima) - os arcos quebrados, menores e resultantes das intersecções dos círculos, ainda esses têm mais detalhes, que eram igualmente, falantes**.

APdeÉVORA-FilmeMNAA.jpg

Dentro de cada «meia mandorla», que rectificada seria um triângulo equilátero, ainda estão desenhados, aquilo que - para os referidos triângulos - os geómetras chamam apótemas.

 

E desse modo, ao encontrarem-se no centro do dito triângulo, desenham um Y, que também foi representativo da Trindade, e de Cristo.

 

Pode parecer árido, ao ser explicado desta maneira, mas em desenho tratam-se de formas que enriquecem imenso as composições, e que, por seguirem regras da geometria,  acrescentam sempre um rigor visual que é também harmonia formal. Ou - aquilo que verdadeiramente são - concordâncias geométricas.

 

Estas imagens são materiais, ou se quiserem «ingredientes visuais», também altamente polissémicos. Que, para os antigos (e disto não temos dúvidas, referimo-nos ao clero) seriam certamente falantes.

Já que os saberes ou as ciências, desde Martianus Capella, Alcuíno (de York) e depois ainda desde Hugo de S. Victor, funcionavam muito mais unidos do que hoje; isto é, não eram disciplinas avulsas

E mais ainda: não é por acaso, de todo, que a Enciclopédia Verbo Luso-Brasileira de Cultura, no volume 2, sobre as Artes Liberais, a dada altura especifica (algo que desde 2002 nunca mais esquecemos):

"Durante a escolástica, as artes, o septívio, não foram estudadas por si  mesmas: eram vias de acesso à Sagrada Escritura"***

Para concluir, como no Credo, onde Carlos Magno obrigou à inserção da partícula FILIOQUE, é isso que se pode ler nesta Aura de Nossa Senhora, atribuída a Álvaro Pirez

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*Que Cristianismo, que religião, ou, em que região da Europa, o encomendador se posicionava.

**Quem saiba geometria, ou tenha uma boa memória visual, pode reconhecer nestes arcos a mesma organização, ou a mesma estrutural visual, igual ao que se passa na fachada do Palácio dos Doges de Veneza: ou até noutros edifícios desta mesma cidade.

*** A frase acima é uma afirmação essencial, impossível de esquecer. E que por isso obriga a rever, várias ideias, demasiado feitas, da historiografia da arte. Ver op. cit., coluna 1417.

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22.2.20

Where is the original, painted by Hans Holbein?

 

What happened to «my circles», with its iconotheological meaning?

 

Que s’est-il passé : Où est l’original, peint par Hans Holbein ? Qu’est-il arrivé à « mes cercles », avec son sens iconothéologique ?

ONDE-está-o ORIGINAL.png

detalheTapete HansHolbein-qualAVerdadeira-3.jpg

Bem podemos perguntar - "urbi et orbi" - pois parece que sim, que os círculos são só nossos...

 

Se a National Gallery não sabe de nada!? Pode-se dizer que pelo menos foram nossos, talvez só em Setembro de 2007? E que entretanto desapareceram...

 

Embora, garantimos, deixaram vários rastos da sua existência.

Alguns, escritos entre 2 e 14 de Fevereiro estão aqui, mas temos mais

(thanks God !)

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7.2.20

 

Foi feita há anos para explicar como os Ideogramas desenharam alguns dos Arcos da Arquitectura Cristã, e assim substituindo o que eram VERGAS e LINTÉIS

Vergas-Ideogramáticas.jpg

 

E se há dias a pusemos aqui,  é porque faz sentido ensinar alguma coisinha,

mesmo que pouca...

 

Aproveitando agora para lembrar um post nosso, mais antigo, que foi dedicado aos Vãos e às Vergas, e ao que delas  escreveu, no século V, o Pseudo Dionísio, dito o Areopagita :

 

§ 5. – [333 B] “Les verges indiquent le pouvoir royal, la souveraineté, la rectitude avec laquelle elles mènent toutes choses à leur achèvement (…) les équipements de géomètres et d’architectes, leur pouvoir de fonder, d’édifier et d’achever et, en général tout ce qui concerne l’élévation spirituelle et la conversion providentielle de leurs subordonnées. Il arrive aussi parfois  que les instruments avec lesquels on les représente symbolise [333 C] les jugements de Dieu à l’égard des hommes, les uns représentant les corrections disciplinaires ou les châtiments mérités, les autres le secours divin dans les circonstances difficiles, la fin de la discipline ou le retour à l’ancien bonheur, ou encore le don de nouveaux bienfaits, petits ou grands, sensibles ou intellectuelles. En somme une intelligence perspicace ne saurait être embarrassé pour faire correspondre les signes visibles aux réalités invisibles.”      

 

Excerto proveniente de Oeuvres Complètes du Pseudo-Denys L’Aréopagite. Trad. Maurice de Gandillac, Éditions Montaigne, Paris 1943, p. 240.

 

Sobre este asasunto temos mais posts, que podem procurar ler, começando por este.

Igualmente muito interessante, sem dúvida - e ainda sobre a imagem acima - o facto de em Aix-la-Chapelle, na Capela Palatina de Carlos Magno, existirem alguns destes  Arcos ;

Ou vãos, com o mesmo desenho tripartido.

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1.2.20

"... Não venero a matéria, mas o criador da matéria, que por mim se fez matéria."

JoãoMansur.png

(imagem vinda daqui)

A ler ,  com passagens pelos 500 anos de Leonardo e como essa efeméride (à semelhança de outras anteriores) trouxe à luz trabalhos que fez e documentos pouco conhecidos. Sobre este (primeiro) defensor das imagens ler também:

www.newadvent.org/cathen/08459b.htm

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13.1.20

Em nossa opinião estas arcarias são «altamente falantes», e portanto ICONOTEOLÓGICAS.

E se por uns são atribuídas à Cultura Islâmica, outros referem tratar-se de uma obra românica.

Para nós faz mais sentido, já que este tipo de arcos entrecruzados em geral é associado ao Romanesque; que é o equivalente do nosso estilo Românico, embora em Portugal não tenhamos conhecimento da existência de arcarias com este desenho/configuração.

 

Como defendemos, desde 2001 - e perante as informações que o estudo do Palácio de Monserrate nos «deu» -, alguns povos, em geral os designados bárbaros, que quiseram entrar e fixarem-se no antigo Império Romano; esses povos serviram-se de sinais visuais, tradutores das ideias teológicas em que acreditavam, tendo originado assim iconografias muito próprias*, que usavam para marcarem as suas obras.

 

Tratavam-se de sinais que os identificavam enquanto povo(s), com um património cultural próprio, mas simultaneamente na sua vontade, que é notória, de pertença e integração numa região geográfica.

 

A região que, depois das decisões dos chefes políticos (o Imperador Constantino), se estava a cristianizar, cada vez mais (como se sabe, e veio a acontecer).

 

Todas as fotografias seguintes vêm da wikimedia commons, pertencem a Diego Delso**, e foram extraídas da primeira sendo todas adaptadas para este post:

SanJUanDeDuero-0.jpg

License CC-BY-SA

SanJUanDeDuero-1.jpgSanJUanDeDuero-3.jpgSanJUanDeDuero-4.jpg

Acima, no rectângulo assinalado é claríssima a vontade de leitura de uma sobreposição. Para fazer passar (e portanto para se ler) - sublinhadíssima pela incisão de um sulco na pedra - a ideia do cruzamento de círculos. 

 

Cruzamento que numa escrita ideográfica, permitia traduzir a ideia da proveniência do Espírito Santo, em simultâneo, do Pai e do Filho. Ideia que ficou registada para a História como FILIOQUE***.

 

Por hoje, e para acabar - como se Arquitectura não tivesse sido no passado, mais do que é agora, uma ARTE VISUAL - repare-se na simbiose (falante, pois claro) emtre um arco ultrapassado e um arco quebrado

SanJUanDeDuero-8.jpg

E enfim, sendo tanta a informação que se pode retirar de uma única fotografia, de uma série de arcos,...

o melhor será continuar depois!

~~~~~~~~~~~~~~~~~~

*Como é o caso das chamadas Bandas Lombardas; e neste exemplo trata-se do que também é conhecido como Normando-Gothico

**Autor original: "Credit me as the original author and use the same license. To do so add "Diego Delso, delso.photo, License CC-BY-SA" legibly next to the image."

***De tudo isto já escrevemos, e não foi pouco, no nosso livro dedicado a Monserrate - Monserrate, Uma Nova História - como se pode ver no Cap. I, pp.27-49, no Cap. II, pp. 60-74, no Cap. III, pp. 106-123, e na Sintese Final pp. 156 em diante. 

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22.12.19

Estou a pensar (sim, para ver como hei-de expôr este tema complicado...) e é na última VISITA GUIADA {https://www.rtp.pt/play/p5656/e443819/visita-guiada}, dedicada às abóbadas algarvias de Fuzeta, e aos seus desenhos.


Sendo altamente curioso, que seja mesmo no fim do programa, que se diga o que todas essas abóbadas têm em comum, apesar dos materiais diferentes e até das tecnologias construtivas também diferentes... (algo de celestial!)

Tecto FUZETA.bmp

Por isso, na nossa posição (teórica, diferente da que foi exposta no dito programa, pela arquitecta Mafalda Pacheco), o que vemos e defendemos, é que aconteceu exactamente ao contrário:


É logo no início, que se percebe o facto de ter existido uma ICONOTEOLOGIA, que desenhou todas essas abóbadas.


Válido mesmo para as abóbadas chamadas "de Vela", ou as "de Barrete de Clérigo" (ou até para as mais simples, quer sejam apenas esféricas ou cilíndricas).


Porque sim! É o que constatamos depois de longas análises*.
É notório que todas têm/tiveram uma génese comum: e na verdade, uma vontade de reprodução do céu, ou, da abóbada celeste. Em duas palavras - INVOCAR DEUS


Assim - e voltando ao Programa da RTP - estamos perante técnicos que são muito estudiosos e muito sábios, talvez a trabalharem para as Câmaras Municipais (?)  mas que, lamentavelmente para eles, a regra é, ainda, a de fazer subordinar o mecânico ao conceptual.


Aliás, também a História da Arte - que é a «grande culpada» de esta visão ainda prevalecer continua a ir atrás disso:


Não vendo que as diferentes «tectónicas» (ou as técnicas construtivas) se adaptaram - seguindo uma máxima de que S. Paulo falou... - para produzir as formas que, por si só, eram já elas significantes.


Claro que esta é uma teimosia ou persistência muito nossa, que havemos de provar..., e já faltou bastante mais tempo, para isso acontecer!

Donde, por aqui, e como em toda a parte - e para todos - SAUDINHA É O QUE DESEJAMOS!

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* Talvez menos gestalt - ou de uma visão geral -, e sobretudo muito mais analíticas. I. e., no sentido da percepção (que cada um apreende para si) que o todo pode induzir a uma leitura diferente daquela que se pode fazer: mais rica, quando lemos as várias partes que constituem esse mesmo todo.

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8.12.19

Senão exactamente hoje, pelo menos foi-o no passado, e quase se pode dizer que o foi durante dois milénios

O culto da Virgem Imaculada, ou Imaculada Conceição  - muito frequentemente representada como uma concha  (mas não só, porque há outras representações) -, começou no Oriente tendo-lhe sido dado o título de Theotokos, o qual é explicado como Mãe de Deus

"Theotokos - Mother of God (used in the Eastern Orthodox Church as a title of the Virgin Mary)."the love poured into the Theotokos to enable her to love so fully in her turn"

 (...) ORIGEMfrom ecclesiastical Greek, from theos‘god’ + -tokos‘bringing forth’. "(*)

Numa enciclopédia on line pode-se ler:

"The title of Mother of God (Greek: Μήτηρ (του) Θεοῦ) or Mother of Incarnate God; abbreviated ΜΡΘΥ, Latin Mater Dei) is most often used in English, largely due to the lack of a satisfactory equivalent of the Greek τόκος / Latin genetrix. For the same reason, the title is often left untranslated, as "Theotokos", in Orthodox liturgical usage of other languages." (**)

Não é muito comum encontrar-se, mas as letras gregas (ΜΡΘΥ) do texto acima, foram algumas vezes usadas - em trabalhos que hoje vemos como arte -, para referir/indicar/tornar presente aquela a que, na nossa cultura, normalmente é designada por "Nossa Senhora".

Este culto nascido no Oriente foi sucessivamente ampliado, sendo que, em 25 de Março de 1646 o rei D. João IV a proclamou Rainha de Portugal.

Mais tarde, com D. João VI, vários reis católicos (da Europa) pediram ao papa que fosse declarada Imaculada Conceição.

No site da Paróquia de S. Miguel de Queijas  encontra-se informação mais completa:

"Em Portugal, a bula Ineffabilis Deus de 1854, com a definição, precisava, para ser publicado oficialmente, de beneplácito régio, que o soberano não podia conceder sem a aprovação das duas Câmaras. O Ministro da Justiça conseguiu-a finalmente, após duas sessões de três horas cada uma na Câmara dos deputados e após uma sessão de duas horas na Câmara dos Pares. Por fim, D. Fernando, regente em nome de quem viria a ser D. Pedro V, pôde conceder o beneplácito a 16 de Março de 1855. Foi publicado a bula no Diário do Governo."

Para além deste, de hoje (e pela sua imensa relevância na história da arte), já lhe dedicámos outros posts, como é possível confirmar***.

Theotokos-JDalarun-c.jpg

Por fim, e voltando à designação Thetokos que também está na imagem acima (excerto vindo de Jacques Dalarun), é importante dizer que esta designação - e a ideia da Virgem como sendo Mãe de Deus - por ser «ideia complexa» também gerou as maiores controvérsias. As quais levaram, inevitavelmente, a  diferentes «noções» sobre Cristo (ou o seu conhecimento - como em geral preferimos dizer).

O mesmo "conhecimento de Deus", e de Cristo - que esteve na raiz de algumas heresias e depois de alguns dogmas; todo um conjunto de ideias que por ser difícil de traduzir  em palavras frequentemente foi posto em esquemas e imagens de raiz geométricos

O texto seguinte que seleccionámos - a abrir um sub-capitulo de La Vierge Marie, por Jean Guitton (Éditions Montaigne, Paris 1957, ver p. 105) - e que apesar de ser um excerto muito curto já prova a complexidade e as subtilezas a que nos referimos:

Image0134-c.jpg

  *Como se pode ler aqui

** Em https://en.wikipedia.org/wiki/Theotokos

*** O último em Maio de 2019; e um dos primeiros posts (embora algumas destas referências já estejam publicadas no nosso livro, dedicado ao Palácio de Monserrate) foi em 2014. Ver ainda o post de Fev. de 2017

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8.11.19

É este o post  onde a fotografia seguinte de Jorge Maio fez toda a diferença.

Igreja-ConvtºJesus-Aveiro-Jorge-Maio.jpg

 

Ou, melhor dizendo, mais do que alguma diferença, o nosso post nasceu num ímpeto, causado pela visão de uma fotografia fantástica: 

 

Já que conhecemos iconografia semelhante em tumulária, em livros (Grammar of Ornament, de Owen Jones), e agora também em grades/guardas de uma ponte em Londres

link do postPor primaluce, às 15:00  comentar

14.10.19

Já que, pareceu-nos, mas há que ler melhor, porque este artigo sobre museologia também tem muito do que foi a transição desde um tempo de ideias antigas e mais tradicionais relativas à Religião (e sua Arte), até aos dias de hoje:

 

Como de 1917 se foi chegando a 2019. Cerca de 102 anos da história de Fátima, que neste contexto muito específico, também nos dão uma imagem do país; concretamente do ponto de vista artístico.

 

Aliás, é uma das frases que se pode ler nesse artigo: “...inesperadas ligações entre diferentes estéticas.”   Pois, também não admira! - dizemos nós - , porque foi o que mais aconteceu nestes últimos 102 anos.

E sim, alterações estéticas, que se podem pôr em sequência, sendo interessantíssimo vê-las a evoluir. Concretamente a simplificação das imagens, o passar a um híbrido em que algumas partes ainda se lêem (e outras se tornam quase ilegíveis...)

 

E isto, ou este assunto posto assim (quase como se a História tivesse sido um work in progress) toca-nos muito especialmente, lembrando o que era o plano da nossa tese de doutoramento, e o respectivo desenvolvimento que ainda não esquecemos.

 

Ou seja, como por um caminho  de 2000 anos – ou melhor, desde 325 d. C à época actual - em sucessivas transformações da História, se tornou notório o modo como foram «secando» as fontes* da Iconografia Cristã.

 

A ponto de alguém – neste caso Alain Besançon  (e concretamente em 1994, por isso a imagem abaixo, que é aqui associada) – se referir a uma proibição da imagem** (L'image interdite ).

Besançon-ImageInterdite.jpg

E aqui faríamos ainda uma outra nota de rodapé - mas há que economizar, e avançar mais depressa - dizendo simplesmente que (é a nossa opinião), em geral, e retirando casos específicos, mais conhecidos, as imagens não foram proibidas, censuradas ou afastadas.

Segundo cremos - e na aproximação temporal àquilo a que se chama Arte Contemporânea, foi «a evolução do mundo», e das ideias, que prescindiu do seu emprego.

 

Não as quis mais, pois em grande parte a Cultura Ocidental - onde essas imagens nasceram (por terem sido necessárias) - ; a nossa cultura laicizou-se. E nesse processo (de laicização) muitas das referidas imagens morreram. 

 

Mais, abreviadamente, considera o autor (Alain Besançon), que inclusivamente se tratou de uma evolução/progressão em direcção a um iconoclasmo crescente.

 

Claro que aqui continuamos no simples Parecer (deixado logo na primeira linha), porque, simultaneamente, também nos parece que o dito Iconoclasmo, tantas vezes, é só (ou sobretudo) aparente:

 

Insiste-se: É que por muitos esquecimentos e desconhecimentos, também ainda há imagens que, para a maioria de nós, os seus referentes, são, simplesmente, insignificantes e abstractos.

 

Isto é, os supostos referentes – ou o significado de cada palavra (se se tratassem de textos escritos) – nas alusões que essas imagens fazem; elas, as referidas alusões, por não serem tão directas, nem tão eficazes, quanto conseguem sê-lo as imagens a que chamamos naturalistas, realistas (ou até designamos por icónicas); por isso são supostas insignificantes. O que pode não ter acontecido... (i. e., não ter havido vontade de abstracção)

 

Concluindo, e desta exposição em Fátima que não fomos ver, relativa a um arco de tempo em que muito mudou (concretamente na Arte); sobre o que se passou nessa evolução, claro que continuamos sem respostas definitivas: cheios de dúvidas...

 

Parecendo embora, ser este mais um exemplo, da transição de um tempo em que a Arte se fazia de imagens com «referentes de tradução directa»; para um outro tempo em que a imagem só aparentemente é que é abstracta***.

 

~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~

 

*Quer as motivações para fazer as obras, quer os motivos (desenhos, ornamentos) para pôr nas mesmas.

 

**E claro que escrevemos isto por pensarmos que A. Besançon não viu, em muitos exemplos,  imagens que de facto existem, mas que para ele não têm significado; e portanto, como se não existissem, não conta com elas e não as analisa. Mas, casos há, em que por vezes os autores se referem a imagens geométricas. Servindo este epíteto apenas para dizer que há superfícies preenchidas; embora isso, ou o nada, fosse quase o mesmo, para o autor que escreveu.   

 

Do que lemos, A. Besançon supõe-as completamente abstractas, por não saber de certas correspondências, que até já no século V-VI tinham sido mencionadas pelo designado Dionísio, o Pseudo-Areopagita . Mais um, ou outro sub-tema desta enorme e complexa questão, de que já escrevemos, várias vezes.

 

*** Como se fossem arbitrárias as significações que lhes atribuem; houvesse uma total abertura na exegése (por não haver correspondências únicas), ou, por fim, como se nunca tivesse havido alguma correspondência entre imagem e ideia.

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Primaluce: Uma Nova História da Arquitectura
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