Muitas imagens da arquitectura foram «iconoteologia». Many images of ancient and traditional architecture were «iconotheological». This blog is to explain its origin.
8.11.19

É este o post  onde a fotografia seguinte de Jorge Maio fez toda a diferença.

Igreja-ConvtºJesus-Aveiro-Jorge-Maio.jpg

 

Ou, melhor dizendo, mais do que alguma diferença, o nosso post nasceu num ímpeto, causado pela visão de uma fotografia fantástica: 

 

Já que conhecemos iconografia semelhante em tumulária, em livros (Grammar of Ornament, de Owen Jones), e agora também em grades/guardas de uma ponte em Londres

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14.10.19

Já que, pareceu-nos, mas há que ler melhor, porque este artigo sobre museologia também tem muito do que foi a transição desde um tempo de ideias antigas e mais tradicionais relativas à Religião (e sua Arte), até aos dias de hoje:

 

Como de 1917 se foi chegando a 2019. Cerca de 102 anos da história de Fátima, que neste contexto muito específico, também nos dão uma imagem do país; concretamente do ponto de vista artístico.

 

Aliás, é uma das frases que se pode ler nesse artigo: “...inesperadas ligações entre diferentes estéticas.”   Pois, também não admira! - dizemos nós - , porque foi o que mais aconteceu nestes últimos 102 anos.

E sim, alterações estéticas, que se podem pôr em sequência, sendo interessantíssimo vê-las a evoluir. Concretamente a simplificação das imagens, o passar a um híbrido em que algumas partes ainda se lêem (e outras se tornam quase ilegíveis...)

 

E isto, ou este assunto posto assim (quase como se a História tivesse sido um work in progress) toca-nos muito especialmente, lembrando o que era o plano da nossa tese de doutoramento, e o respectivo desenvolvimento que ainda não esquecemos.

 

Ou seja, como por um caminho  de 2000 anos – ou melhor, desde 325 d. C à época actual - em sucessivas transformações da História, se tornou notório o modo como foram «secando» as fontes* da Iconografia Cristã.

 

A ponto de alguém – neste caso Alain Besançon  (e concretamente em 1994, por isso a imagem abaixo, que é aqui associada) – se referir a uma proibição da imagem** (L'image interdite ).

Besançon-ImageInterdite.jpg

E aqui faríamos ainda uma outra nota de rodapé - mas há que economizar, e avançar mais depressa - dizendo simplesmente que (é a nossa opinião), em geral, e retirando casos específicos, mais conhecidos, as imagens não foram proibidas, censuradas ou afastadas.

Segundo cremos - e na aproximação temporal àquilo a que se chama Arte Contemporânea, foi «a evolução do mundo», e das ideias, que prescindiu do seu emprego.

 

Não as quis mais, pois em grande parte a Cultura Ocidental - onde essas imagens nasceram (por terem sido necessárias) - ; a nossa cultura laicizou-se. E nesse processo (de laicização) muitas das referidas imagens morreram. 

 

Mais, abreviadamente, considera o autor (Alain Besançon), que inclusivamente se tratou de uma evolução/progressão em direcção a um iconoclasmo crescente.

 

Claro que aqui continuamos no simples Parecer (deixado logo na primeira linha), porque, simultaneamente, também nos parece que o dito Iconoclasmo, tantas vezes, é só (ou sobretudo) aparente:

 

Insiste-se: É que por muitos esquecimentos e desconhecimentos, também ainda há imagens que, para a maioria de nós, os seus referentes, são, simplesmente, insignificantes e abstractos.

 

Isto é, os supostos referentes – ou o significado de cada palavra (se se tratassem de textos escritos) – nas alusões que essas imagens fazem; elas, as referidas alusões, por não serem tão directas, nem tão eficazes, quanto conseguem sê-lo as imagens a que chamamos naturalistas, realistas (ou até designamos por icónicas); por isso são supostas insignificantes. O que pode não ter acontecido... (i. e., não ter havido vontade de abstracção)

 

Concluindo, e desta exposição em Fátima que não fomos ver, relativa a um arco de tempo em que muito mudou (concretamente na Arte); sobre o que se passou nessa evolução, claro que continuamos sem respostas definitivas: cheios de dúvidas...

 

Parecendo embora, ser este mais um exemplo, da transição de um tempo em que a Arte se fazia de imagens com «referentes de tradução directa»; para um outro tempo em que a imagem só aparentemente é que é abstracta***.

 

~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~

 

*Quer as motivações para fazer as obras, quer os motivos (desenhos, ornamentos) para pôr nas mesmas.

 

**E claro que escrevemos isto por pensarmos que A. Besançon não viu, em muitos exemplos,  imagens que de facto existem, mas que para ele não têm significado; e portanto, como se não existissem, não conta com elas e não as analisa. Mas, casos há, em que por vezes os autores se referem a imagens geométricas. Servindo este epíteto apenas para dizer que há superfícies preenchidas; embora isso, ou o nada, fosse quase o mesmo, para o autor que escreveu.   

 

Do que lemos, A. Besançon supõe-as completamente abstractas, por não saber de certas correspondências, que até já no século V-VI tinham sido mencionadas pelo designado Dionísio, o Pseudo-Areopagita . Mais um, ou outro sub-tema desta enorme e complexa questão, de que já escrevemos, várias vezes.

 

*** Como se fossem arbitrárias as significações que lhes atribuem; houvesse uma total abertura na exegése (por não haver correspondências únicas), ou, por fim, como se nunca tivesse havido alguma correspondência entre imagem e ideia.

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12.10.19

... isso é um problema das mesmas ou do MINISTÉRIO DA CIÊNCIA e do ENSINO SUPERIOR?

 

E também ainda do MINISTÉRIO DA CULTURA?

 

Que responda quem quiser... 

 

Se a autonomia científica serve para destruir as investigações e a aquisição de graus académicos - por quem investiga e chega a resultados; para a pretexto da referida autonomia científica se poderem perpetuar à frente dos Institutos de História da Arte (IHA) os mais medíocres? Obviamente que se é assim...? Então o assunto deixa de ser de cada uma das instituições, passando, hierarquicamente, a quem está acima das mesmas.

 

Portanto, cabe aos Governos, e em última analise aos responsáveis dos mesmos, avaliarem da honestidade dos que estão à frente de Instituições, a quem concedem a referida autonomia científica e pedagógica  

 

imagem vinda de: Filioque.jpghttps://fr.wikipedia.org/wiki/Querelle_du_Filioque#/media/Fichier:Filioque.JPG

 

Tendo esta imagem a imensa qualidade (como várias outras que se podem ver numa obra dirigida por Jacques Dalarun) de exprimir iconicamente (transparente e com toda a clareza), aquilo que em geral ninguém tem visto na Intersecção de Dois Círculos, na Mandorla, no Símbolo do Infinito. E ainda no Arco quebrado caracteristico do Estilo Gótico, como desde 2002 estamos a defender*.

 

O que aliás nos permitiu fazer um trabalho que nos deu a imensa gratificação de uma pesquisa honesta e bem feita. E onde a IDEIA do FILIOQUE (expressa na imagem acima) foi explicada, na sua tradução geométrica, e como frequentemente apareceu nas obras (exemplo do túmulo de Egas Moniz)

FilioqueGeométrico.jpg

~~~~~~~~~~~~~~

*Em suma, razão para ser PROSCRITA num país de invejosos, retrógrados e medíocres

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8.10.19

Quando Fernando António B. Pereira nos dizia: "Glória, Não vai fazer uma História da Arte", então estava ainda (tão) longe destas novas trouvailles.

 

Mas, sabíamos que valeria a pena continuar, pois não era só na Iconografia antiga que poderiam surgir informações (e confirmações) do que estivera para trás.

 

Já nos tínhamos apercebido - como se uma parte da História da Arte, ou, com mais rigor da Iconologia - estivesse parcialmente escondida. E a mesma nem sempre fosse visível, em todas as épocas; ou em cada época, nas obras mais acessíveis desse período (e que hoje se conhecem). 

 

Por exemplo o Quadrifolio de que já várias vezes escrevemos, aparece depois da «fase mais intensa» do Gótico, parecendo ser uma imagem emblemática* do Renascimento 

IMG_20190920_152028-d.jpg

IMG_20190920_152137-c.jpg

Os quadrifolios de Matisse, apesar de simplificados (relativamente a este - típico quadrifolio renascentista), têm ainda a ver, e como também (nós**) defendemos, com a origem do arco que ficou conhecido como serliana.

 

* Embora como defendemos seja sobretudo, emblema, ou representação alusiva, da Mãe de Deus. Por isso (talvez de certo modo ligada - como se uma flor? fosse exclusiva) ao feminino. De qualquer modo, sublinhe-se o que escrevemos (e para os que adoram viver na minha peugada)- é uma dedução da arquitecta Glória Azevedo Coutinho. E portanto mais uma daquelas que irritam os típicos retrógrados portugueses, incapazes de aceitarem  uma mentalidade mais livre, com visões próprias ...

 

**Note-se que nunca em nenhum autor encontrámos esta afirmação, embora para nós faça todo o sentido, do ponto de vista «mecânico». O que se descobre (praticamente constante), na passagem das formas a que chamamos IDEOGRAMAS, quando geram ARCOS. Dito de outro modo, na passagem do modelo emblemático ao suporte estrutural.

 

Acontece porém que explicar isto pode não ser muito fácil, o que exigiria aulas (por ser um exercício característico de um arquitecto), ou um contacto «ao vivo», por exemplo em aulas.

 

Por fim, e sobre As sínteses visuais de Henri Matisse, temos mais alguns materiais, quem sabe se para outros posts?

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27.8.19

Quem conhece a nossa vontade de distinção, entre as primeiras ideias e as mais genéricas para o nosso blog  Primaluce, e as mais especificas para o blog  que se intitulou ICONOTEOLOGIA; quem estiver nessa situação, pode perguntar porque é que o último artigo postado em Primaluce não veio para aqui?

 

Se perguntar tem razão, pois nem sempre a pressa de escrever  nos torna mais lúcidos...

 

A luz (que é percepção dos nossos erros) pode vir só depois, como aconteceu neste caso, e assim aqui estamos, a trazer o último escrito para o lugar onde deve estar, e onde devia ter nascido.

 

Mas, algumas reacções - que é mais fácil acontecerem no facebook - também enriquecem as nossas ideias. Por isso decidimos, transpô-las, igualmente:

1º caso, introdução no facebook

 

2º caso, a uma pergunta de uma leitora - Catarina Rosenbusch Erhard - "E a seta nunca indicaria circulação ? Nem possibilidade de se dirigir do Espírito para o Filho ?"   

 

Respondemos assim:

 

"Posso responder que a questão é muitíssimo complexa. Do Espírito para o Filho, e do Filho para o Espírito, tudo foi/é possível. É Teologia Cristã (que está na base da Arte europeia). Quando um sinal posto numa obra de Arte tem várias leituras - diz-se que é polissémico - resulta portanto que a obra de Arte, tal como a Bíblia, é passível de uma exegese (quase bíblica). No nosso caso, bem possível, sou arquitecta não sou teóloga, mas admito ainda vir a estudar teologia, com orientação, para poder ir mais longe. De qualquer forma, na badana do meu livro sobre Monserrate, agradeci a Ana M. Castelo Jorge da UCP o apoio que nessa altura me estava a dar, como co-orientadora, do que iria ser a tese de doutoramento. Essa Professora está agora na direcção da Fac. de Teologia da Univ. Católica, de Lisboa. A sua pergunta é lá que pode ser melhor respondida... Obrigada pelo interesse"

 

No entanto, ao ter a noção que se podia ir mais longe na responta, acrescentou-se:

 

"E ainda acrescento, que a melhor forma (na minha opinião) de traduzir visualmente a relação íntima entre o Pai e Filho, e como dos dois procede o Espírito [ver no Evangelho de S. João 15, 26, e ainda S. João 16, 13-15], é a do esquema que durou séculos: a intersecção de 2 círculos. Esquema que por sua vez originou a MANDORLA (que está no «estilo» protogótico), e depois o ARCO QUEBRADO que é característico do estilo gótico".

 

Por outro lado, o mesmo post tinha passado da página pessoal para a de um Grupo - Arte, Museus e Património - o que nos levou a comentar «probleminhas» que temos tido nalguns dos nossos posts:

 

"Agradeço à Dália que aprovou este nosso post, para publicação. Caso continuasse suspenso, como há dias sucedeu com um outro (sem que tenha sabido se acabou publicado ou não?), seria caso para pensar que o bullying e os «métodos-para-excluir» da Universidade de Lisboa se tinham mudado para aqui. Métodos de Profs que julgam que esconder e não divulgar (depois de terem aprovado ou dado a nota máxima...) são solução válida para conservar o conhecimento, em caixas herméticas, e impedirem assim que haja evoluções. Este post que escrevi ontem, quase 17 anos depois de ter percebido como anda errada a História da Arte; "trouvaille" obtida a investigar a Arquitectura do Palácio de MONSERRATE (Sintra): este post, digo, é mais uma das provas daquilo que o conhecimento artístico tem que se desenvolver e evoluir, em investigação e conhecimento. Mais, há dias fui contactada por alguém, que se apercebeu, pelos meus blogs e posts (a sorte de haver internet), ter defendido uma tese cujos temas - na relação entre Arte e Filosofia - se aproximam muito das ideias que venho a defender. Só que, se me tenho mantido - mas felizmente, não com a ferocidade arrogante dos doutores profs, da UL! - se tenho sido resistente, é porque 'thanks GOD' as minhas convicções têm lógica e bases científicas. Serão muito interdisciplinares? Sim, são. Como a Arquitectura sempre o foi. Leiam Vitrúvio..."

Terminamos com o que se considera extremamente simpático - porque vale a pena estar nas redes sociais com uma temática cultural  que sabemos ser razoavelmente inovadora - vindo da mesma leitora:

"Do interesse da circulação e da intersecção dos saberes :)
Grata pelas seus esclarecimentos."

 

Claro que também nós estamos extremamente agradecidos

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30.7.19

Como parece poder concluir-se de um livro que nos chegou às mãos. Ou, sobretudo do Programa Visita Guiada da RTP2, como aqui podem ver. 

 

Sabemos que não são muitos os que aqui vêm, e embora tenhamos criado este blogue para divulgar a noção de que muitas imagens da Arte são de origem religiosa cristã - e por isso adoptámos esta designação (ICONOTEOLOGIA) inventada pelo Pe. Eugenio Marino. No entanto, o nosso primeiro blog que foi PRIMALUCE, esse continua a ser mais conhecido e mais visitado.

 

De qualquer forma este blog já existe desde 2012, com o propósito de divulgar Iconografia que é empregue na Arte, e cuja génese temos vindo a encontrar, directamente relacionada com textos da Teologia Cristã.

 

Podem ser textos bíblicos, ou excertos da Patrologia (ver este exemplo do século V-VIº), mas também orações  (o Pai Nosso, o Credo) cujas palavras desenharam não apenas o imaginário mental  - dentro da "caixa negra" que é o cérebro de cada um -, mas que também foram adaptados, e se podem ver em inúmeras obras realizadas. Pois foram transpostos para as mais variadas matérias e suportes, e nalguns casos com essas imagens a funcionarem como verdadeiras legendas.

 

Assim hoje temos centenas de imagens (algumas postas on line, várias fotografias, mas também muitas que as desenhámos); em resumo, inúmeras imagens difíceis de organizar por categorias.

 

Isto é, difíceis de separar segundo as categorias, hiper-delimitadas e a corresponderem às áreas cientificas que estão definidas pela Agência A3ES. Ou, como também pretendia, muito «metodologicamente», o nosso orientador do doutoramento!

 

Deste modo temos que dizer que a palavra Heráldica podendo parecer uma solução simples, para designar/nomear essas mesmas categorias, é em simultâneo demasiado redutora. Porque irá afastar (atirando para o lixo, ou para que outra área?) muitos materiais iconográficos que continuam livres. E que continuarão a circular e a serem aplicados, nas mais variadas áreas da «comunicação visual» (sem limites, e sendo ao mesmo tempo muitíssimo polissémicos...).

 

Isto é, da comunicação visual que se vai fazendo através de sinais que não correspondem a sons ou a fonemas.

 

Como lhes chamamos desde 2002, muitos desses sinais postos na Arte - e principalmente na Arquitectura, em que este tema nos interessa (sublinhe-se) - esses sinais eram como IDEOGRAMAS. Ou seja, tinham alguma correspondência a ideias - e não a sons - como acontece com as palavras.

 

E já agora, acrescente-se, mesmo que esses ideogramas estivessem em obras gráficas, com dimensões da ordem dos 2-3 milímetros, ou até menos, desde que fossem visíveis; mas podendo, em alternativa, ir até aos mais de 60 metros, como têm os arcos quebrados do Aqueduto das Águas Livres, no Vale de Alcântara. 

 

Assim no fim deste post poderão perguntar-nos - e é possível, pois talvez já se tenha dito assim...? - se os Arcos do Aqueduto verdadeiramente, são mais "estruturais" ou mais "heráldicos" ? E na verdade (para mim) essa resposta fica dificílima...

 

Porque D. João V fez o Aqueduto*, numa época em que já se conhecia o sistema de vasos comunicantes. Será que o fez sobretudo por uma questão de visibilidade, que quis dar, ao Arco Quebrado, e às formas da arquitectura gótica? Formas que passaram a empregar-se, com enorme frequência, na Inglaterra protestante (e é chamado Revivalismo do Gótico).

O que, como supomos, não aconteceu por uma razão de moda, e à semelhança dos fenómenos da actualidade  - qual cansaço em relação aos estilos anteriores... -, mas sim por razões de identificação religiosa** (separando os países que seguiram as ideias de Lutero, para a necessidade de Igreja se "reformar", dos países que seguiram Roma na designada Contra-Reforma).  

 

Voltamos à pergunta do título:

Será tudo Heráldica? Ou estamos perante Sistemas de Sinais que devem ser mais estudados e  conhecidos, já que existem em diferentes contextos, ou «linguagens»?

Depois de estudados, e se for necessário (?), podem então ser arrumados em classes e categorias...

 

SISTEMAdeSINAIS-170ppp.jpg

*Só que os referidos Arcos, e pela menor agressividade (sísmica) que o terramoto de 1755 teve no Vale de Alcântara; o Aqueduto por ter ficado quase incólume, veio assim a contribuir para se reforçar, ainda mais, a noção da capacidade de resistência estrutural do arco quebrado.

 

**Mas tornando-se, nalguns casos, posteriormente, num fenómeno de moda. E de tal modo, que ainda agora a Historiografia da Arte considera (e referimo-nos em especial ao Revivalismo Gótico), um típico fenómeno de moda. Não tendo (ainda) colocado a questão, ou a hipótese, de alguns revivalismos se relacionarem com "expressões nacionais"...

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24.7.19

... uma nova arquitectura.

 

De que já escrevemos várias vezes, como podem ler:

 

Esta última no FB, mas também em Primaluce em 26 de Fevereiro de 2011

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16.7.19

Depois de duas, lembrámo-nos de uma outra, terceira razão, para pensar hoje na lua

 

Acontece que sobre INFRA-LUNARES e SUPRA-LUNARES já escrevemos várias vezes como podem confirmar*.

 

E escrevemos não apenas por ser um assunto antiquíssimo, que vem desde o tempo de Aristóteles (pelo menos!); mas, sobretudo porque nos diverte esta persistência muito humana: Uma imensa curiosidade, que levou os antigos, face aos gaps de conhecimento e de informação, a ficcionarem, em doses razoáveis «de invenção»!

Assim sendo, temos agora que acrescentar um pouco mais ao que já apresentámos sobre este tema que achamos tão curioso, e que - também ele - se articula com a nossa profissão:

 

O que desde lá atrás, de há milhares e centenas de anos, fez com que os círculos  e todo um formulário visual fosse considerado celeste, e passasse depois às Artes e à Arquitectura, em especial na Idade Média.

 

Porque foram desenhados, a partir «dele» - desse formulário visual - arcos e mais arcos, ou a três dimensões - abóbadas umas sobre as outras, com superfícies esféricas ou cilíndricas. Elementos que primeiro foram gráficos e depois tridimensionais, e também serviram para, por vezes, e em função das diferentes localizações na construção, serem os mais variados suportes. Inclusive, sendo alguns mais importantes (ou mais valorizados) do que outros.

 

Elementos que agora constituem "detalhes visuais", e também "peças técnicas", que foram suportes.

Sempre eficientes, mas também sempre falantes! Por isso muitos lhes chamam (e os consideram) - simbólicos.

Começamos então por referir o Saber, e os conhecimentos - que, forçosamente, sempre foram a base de todas as Artes**.

Image0041-c.jpg

E, de acordo com Michel Lemoine, optando pelo Didascalicon de Hugo de S. Victor como primeira enciclopédia moderna (mas não das Artes); porque no século XII essa palavra tinha outro sentido, diferente do actual.

 

Significava Saber/Arte/Técnica - tudo unido -, já que foi num contexto de Artes Liberais*** que Hugo de S. Victor escreveu o Didascalicon.

Vejamos portanto o desenvolvimento que veio a imprimir a este seu trabalho.

Image0042-c.jpgComo é legível, está-se perante o que é agora um índice, ou um plano de trabalho, onde, aparentemente, o que pode ser a Psicologia (Sagesse), a Filosofia (Lógica), e os saberes práticos  (como as mecânicas), tudo isso, parece ter sido misturado.

É pois por aqui que os Cientistas (de hoje), altaneiramente, olham para o passado e acham que se confundia tudo!

 

E se o que está acima é razão para a sua presunção e soberba (?), também são capazes de dizer a alguns - por exemplo aos pobres dos estudantes de doutoramento... -, que "não se aceitam as suas metodologias de investigação e de trabalho..."

 

Isto é, eles não aceitam o «bolo interdisciplinar» sobre o qual os seus alunos têm que trabalhar, porque (e desconhecem-no!!!) é constituído por várias disciplinas diferentes das actuais; como, por exemplo, era/foi no tempo de Hugo de S. Victor.

Disciplinas diferentes, e diferentemente relacionadas entre elas, as quais, para as cabeças dos orientadores  dos estudos pós-graduados - os sapientíssimos que habitam as nossas universidades (e estacionaram sobre as hiper-especializadas disciplinas dos séculos XX e do XXI), eles não conseguem vislumbrar de outro modo, diferente do que aprenderam!

 

Mostrando-se assim completamente incapazes de retrocederem; ou totalmente «des-imaginativos», não conseguindo viajar mentalmente até (i. e.,  imaginar) ao passado.

 

Por isto - e no desenvolvimento do plano de intenções que Hugo de S. Victor elaborou para o Didascalicon -, é verdadeiramente curioso o que escreveu e nos apresenta à volta da Lua:

Como o satélite da Terra lhe serviu - mas isso já vinha de trás (não esquecer) -, para estabelecer níveis diferentes, aplicáveis ao mundo (agora diríamos universo), e às suas criaturas, obra de Deus.

Image0043-c.jpg

E ao ler vemos que o mundo supra-lunar - que é a Natureza  (como está a seguir) -,  é também chamada Tempo.

 

Mas é ainda, em simultâneo, o Céu. Sendo este oposto ao mundo inferior, que é o Inferno. Visto como (ou sinónimo de) mundo da instabilidade e da confusão. Pelo que aqui se aproveita para lembrar, que na origem etimológica, a palavra diabólico é o oposto de simbólico.

Image0044-c.jpg

Por fim, e acabada esta escrita difícil que se quer resumir (mas é impossível...), vamos ver a LUA:

A do eclipse, e aquela a que os homens chegaram há 50 anos; depois de milhares de anos de  suposições, de ficções e de invenções, que apetece perguntar, se já terão estabilizado? Ou se, a Ciência ainda um dia terá bastante mais para acrescentar, àquilo que agora se sabe?

 

Ou será que, ainda um dia, se vai confirmar que todos temos os tais "orifícios invisíveis", como "poros para a infusão", por onde cada um recebe o "espírito vital" ? Espírito que nos alimenta desde a nascença, mas que depois se amplia para subsistirmos enquanto crescemos? 

~~~~~~~~~~~~~~~~~~

* VER EM:

1ª- https://primaluce.blogs.sapo.pt/2013/09/14/;

2ª- https://primaluce.blogs.sapo.pt/2015/01/;

3ª - https://iconoteologia.blogs.sapo.pt/2014/03/

**Neste caso não excluindo a Arquitectura, ainda agora vista como sendo uma Arte, completamente, transdisciplinar

***As Artes Liberais eram um conjunto de saberes, o correspondente ao que hoje se chamam disciplinas

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30.6.19

No ultimo post que aqui escrevi, na capa de um livro de Mark Gelernter são notórios os Losangos nas faces da Pirâmide do Louvre.

 

Obra que é da autoria de Pei, na qual não vislumbramos alguma razão. relevante, para esse emprego... A não ser a resultante de alguma tradição europeia, principalmente a inglesa (?), em que, frequentemente, os losangos são empregues, talvez por razões visuais/estruturais; ou só pelo hábito e pela tradição? Sem que os respectivos autores tenham algum dia aprofundado os seus "motivos". Isto é as razões originais, que depois levaram a um uso repetido*? (perguntamos) 

 

Um emprego, quiçá, ao nível «das reminiscências» como se lhe referiu no século XVIII William Kent. pressentindo um sentido antigo que teria existido, mas que ele não saberia concretizar.

 

E escrevemos isto no condicional, admitindo ter razão, mas sem certezas. Já que não conversámos com William Kent - o sábio e versátil arquitecto inglês que (à distancia) muito admiramos!

 

Mas enfim, voltando ao título, temos que explicar ter encontrado uma fotografia muito bonita (de 2016, pertencente a Jorge Maio) do Palácio dos Condes de Basto em Évora. Imagem que nos levou a escrever o texto que agora se transcreve:

 

"É verdade acabei de (re)publicar agora mesmo um post que é de alguém certamente inspirado e sensível, mas desconhecedor de informações a que cheguei nas minhas investigações, primeiro de um mestrado e depois daquilo que seria um doutoramento...
Seria mas não é, porque encontrei informações boas (de mais) para um Ensino Superior que se despromove em cada dia que passa.
Enfim, nunca fui ao palácio dos Condes de Basto, em Évora, mas sempre que encontro fotografias deste tecto fico, verdadeiramente, fascinada:
Porque é uma das óptimas provas de que as ogivas foram/eram sinal de Deus e depois sinal nobreza; i. e., «a história» do direito divino, de uma categoria social ou de uma classe que se sentia sagrada... Prosaicamente, aquilo que veio a ser dito, já nos nossos tempos, como característica das «pessoas de sangue azul».
Claro que a sociedade evoluiu imenso, e hoje estas categorias perderam-se/esqueceram-se e já não têm o valor que outrora tiveram.
No entanto, só sabendo da sua existência, no passado, e como há séculos foram muito relevantes, podemos agora compreender aquilo que foi - aprendi com o Vitor S. esta designação - um PROGRAMA ESTÉTICO:
Claramente diferente do que é um programa funcional, esse programa estético geralmente estava na base e presidia à feitura de composições como esta (1).
No ínicio do século XX o engenheiro-arquitecto italiano Pier Luigi Nervi reutilizou esta iconografia (porque na base é disso que se trata) criando estruturas de betão-armado de enorme interesse visual.
~~~~~~~~~~~~
(1) Como é também exemplo o tecto da igreja do Senhor Jesus de Barcelos de João Antunes, que domina toda a geometria dessa composição arquitectónica."

 

Tudo isto podem encontrar aqui,  mas também podem procurar com as tags losango. primaluce, iconoteologia. Ou indo directos a este exemplo.  As escolhas são várias, visto que o losango e o quadrado, por razões diferentes, não deixaram de ser empregues

 

* "Motivos" como lhes chamava Robert Smith, e não ornamentos como a maioria escreve, ou ainda elementos decorativos; sendo que ideogramas é como nós preferimos designar. Constatando que Kubler - segundo Horta Correia - designava estes elementos que se vêem com tanta frequência como invariantes. Palavra que faz bastante sentido (pensamos nós), por conter a ideia de que o estilo poderia variar, mas que algumas formas se mantinham sem mudanças.

 

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20.5.19

Este livro, da autoria de Mark Gelernter - Arquitecto, Professor da Universidade do Colorado (Denver USA) - é talvez o melhor que conheço dedicado à História da Arquitectura *.

 

Mas, pergunto-me:

 

Quem o lê não ficará convencido que se trata de uma História da Filosofia, muito resumida?

 

Não, não é piada! Compreenderá como em cada época, as principais ideias - traduzidas em Ideogramas de base geométrica - influenciaram as obras?

 

A razão para termos percebido e adoptado a palavra, já que, frequentemente, a Arte (e também a Arquitectura), foi uma verdadeira ICONOTEOLOGIA**? 

 

E apesar de não ter lido o livro todo, ou de nem sempre estar de acordo com o seu autor, é no entanto forçoso reconhecermos a sua imensa qualidade. Razão porque o citámos, e nos apoiámos, nas suas explicações***:

 

Para abrir, desenvolver - e depois passar a defender -, as novas ideias que formámos sobre Monserrate. Assim como relativamente a outras obras, muitíssimo mais recentes...

 M.Gelertner.jpg

 

*Ver  https://www.architectmagazine.com/aia-architect/aiavoices/denvers-dean_o:

Onde Mark Gelernter exemplifica alguns dos desafios que serão colocados aos futuros profissionais:  "(...) area, which I’m really excited about, is “enduring places.” It’s the logical extension of sustainability, in encouraging the adaptive reuse of existing buildings. This brings together our historic preservation programs with our sustainability initiatives, and it encourages a renewed look at traditional languages of design. We now partner with the Institute of Classical Architecture and Art to provide a certificate in classical architecture."

 

**Palavra que foi inventada por Eugenio Marino, OP. Ler também sobre a existência de uma Histiconologia , seguindo uma concepção de Laurent Gervereau.

 

***Concretamente a sua ideia de uma "estrutura divina" (ou Deus) que em geral deveria ficar plasmada nas edificações.

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Primaluce: Uma Nova História da Arquitectura
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