Muitas imagens da arquitectura foram «iconoteologia». Many images of ancient and traditional architecture were «iconotheological». This blog is to explain its origin.
21.5.22

O Desenho a seguir foi obtido por sucessivas transformações de uma fotografia (que não é nossa[1]), para a partir desses elementos se poder compreender melhor o padrão do que foram (e são ainda) aparentemente, círculos entrelaçados.

Desenhados como nervuras no tecto, para fazerem o suporte da cobertura, da que foi pensada como “Grande Arca[2] que é a igreja do Mosteiro de Belém.

tecto-jerónimos.jpg

As cores escolhidas relacionam-se com as que também se colocaram em plantas deste tecto (a apresentar em breve), desenhadas por Albrecht Haupt [3]).

Claro que falar de círculos entrelaçados quando se vêem, tão bem, outras formas como quadrados e octógonos, pode parecer contradição...

Mas, essa contradição não nos preocupa, por sabermos o valor da necessidade das concordâncias formais e geométricas; as quais, por sua vez, têm sempre na sua origem a necessidade de acerto, ou concordância, com a palavra escrita. E com ideias antigas, ou de sempre (?), que há muito tinham sido expressas:

Eram analogias e alegorias - ou a contrução considerada como um tropo. Ideias vindas de S. Paulo, e que se podem encontrar na Epístola aos Coríntios (III, 10-17). Razão para nos lembrarmos de textos já lidos - e nalguns casos até já comentados -, citados, etc.

Como é o caso de algumas características típicas da Geometria e da qual Mary Carruthers escreveu, citando uma ideia de Hugues de Saint-Victor:  

«source des perceptions et origine des dires »[4]

~~~~~~~~~~~~~~

[1] Imagem que nos serviu de base, e foi trabalhada como está a seguir. Vinda de http://patrimoniocultural.gov.pt/pt/patrimonio/patrimonio-imovel/pesquisa-do-patrimonio/classificado-ou-em-vias-de-classificacao/geral/view/70631

tecto-jerónimos3.jpg

tecto-jerónimos2.jpg

[2] Grande Arca - tumular” – como é, absolutamente preciso, sublinhar. Já que, em vários túmulos medievais se encontram os círculos entrelaçados  

[3] Ver em A Arquitectura do Renascimento em Portugal, por Albrecht Haupt, Editorial Presença, 1ª Edição Lisboa 1986. Sobre as ilustrações que usámos, e oportunamente serão aqui apresentadas (trabalhadas a partir da fig.68 ) ver o que escreveu sobre elas (p. III e p. V) M. C. Mendes Atanásio, na Introdução Crítica ao estudo de A. Haupt, em 1986.

[4] Ver em Machina Memorialis, Gallimard, Paris 2002, p. 38. Ou ainda em Para ideias e pensamentos bem mais elevados, e próprios da Época Natalícia, voltemos à Geringonça, Caranguejola, Traquitana: ou, neste caso, é mais «Maquineta»... - Primaluce: Nova História da Arquitectura (sapo.pt)

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10.5.22

Mesmo que, mais indirectamente, do que de maneira directa, continuo a pensar neste tema, e a andar à roda dele.

PORQUE, muitas igrejas - sobretudo depois de Hugo de São Victor e dos seus Tratados da Arca de Noé - foram vistas como Arcas.

Mas, acontece que o nosso tempo é sempre muito limitado, por isso aqui (com pouco texto e mais imagens) fica um tecto - lindo - que há dias apanhámos num post de Vítor Serrão.  O «nosso» Mestre da desconfiança e da incredulidade...*

Alguém que mexendo muito, por isso passa por materiais fantásticos, como é mais esta prova da existência de motivos e de padrões significantes; e como tal muito convenientes para algumas superfícies e paramentos - os de maior valor (sagrado) - dentro das igrejas.

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Já agora vai acompanhado de outros motivos: concretamente, de um outro, que tem a mesma geometria, visto há dias na Internet, num filme sobre a Catedral de Santa Cecília de Albi **    

Malhas-CatedralSantaCecíliaAlbi-3.jpg

E por fim, vindo de Alcobaça - mas não directamente -, de duas arcas tumulares a que nos referimos no nosso trabalho sobre Monserrate (ver na p. 264), este outro padrão que temos vindo a trabalhar - por estar ligado à "Grande Arca de Belém"

MALHA-E-CAIXA.jpg

Concluindo:

É fortemente provavel que D. Manuel I tivesse visto com alguma atenção essas arcas de Alcobaça, e soubesse do seu valor significante e decorativo.

Do seu sentido antigo, que era o da conveniência, e não apenas no sentido actual da palavra decorativo, que parece ser apenas o de "encher os olhos". SIM, a noção antiga da palavra décor, era mais a de encher a cabeça de valores e de ideias. E era menos a de agradar aos olhos...

~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~

*Incredulidade relativa à capacidade falante de muitas das fórmulas visuais empregues na Arte, e concretamente na Arquitectura. Alguém que não leu o «Tratado de Vitrúvio», e o que sobre ele escreveu Justino Maciel, ao explicar o sentido da palavra Décor

**Que também está no Porto, na igreja de S. Nicolau (se quiserem a procurar nos nossos posts)

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2.5.22

MALHA-D-CAIXA.jpg

AMOR, ARTE, INSURREIÇÃO. A criação artística apela sempre à insurreição que, por definição, existe no seu interior (ou não seria arte). Trata-se desse "puro mistério que nós balbuciamos, que a música canta, que os pintores evocam... e que remete sempre para o indisível -- e isso é o que faz a respiração de toda a arte"... Sim ! Belíssima, esta entrevista com Frei Bento Domingues no Público de hoje.”

Começamos com o texto acima, lindo (e muito empolgado) de um post de Vítor Serrão, que se pode ler na sua página de hoje  

E lindo mesmo, sem dúvida, mas seria ainda mais bonito (e coerente) se não viesse de alguém que, pura e simplesmente «expulsa» uma aluna – a quem publicamente tinha/tinham acabado de fazer elogios (e depois um dia mais tarde, até plagiado trabalhos...). E isto pela razão simples, de a aluna ter tido, e ter formado ideias próprias, sobre a arte antiga, religiosa e tradicional.

Em vez de, como «deveria» - se tivesse seguido as lógicas de um louvaminheiro profissional - e se se tivesse mantido submissa, ao que há muito estava (e ainda está) instituído.

Ou em vez de, e como é regra (regra que o louvaminheiro adora), ter repetido até à náusea, a «ciência da história da arte»; tal como foi inventada há cerca de dois séculos, quando ainda as neurociências e a linguística não existiam...   

Só que, prometemos a esse profissional de LOUVAMINHAS [1] que ainda hoje um texto de G. K. Chesterton, dedicado exactamente ao assunto que o levou a expulsar-nos da FLUL, iria ficar nos nossos posts. E por isso aqui está. Para não dizer que desconhece e nunca ouviu falar...

Mas, simultaneamente, também serve outro objectivo. Já que o mesmo texto (a seguir)  se prende, como defendemos, com os diagramas - vistos como abstractos -, no tecto da Arca de Belém, de que estamos a escrever:

“First, it must be remembered that the Greek influence continued to flow from the Greek Empire; or at least from the centre of the Roman Empire which was in the Greek city of Byzantium, and no longer in Rome. That influence was Byzantine in every good and bad sense; like Byzantine art, it was severe and mathematical and a little terrible; like Byzantine etiquette, it was Oriental and faintly decadent. We owe to the learning of Mr. Christopher Dawson much enlightenment upon the way in which Byzantium slowly stiffened into a sort of Asiatic theocracy, more like that which served the Sacred Emperor in China. But even the unlearned can see the difference, in the way in which Eastern Christianity flattened everything, as it flattened the faces of the images into icons. It became a thing of patterns rather than pictures; and it made definite and destructive war upon statues. Thus we see, strangely enough, that the East was the land of the Cross and the West was the land of the Crucifix. The Greeks were being dehumanised by a radiant symbol, while the Goths were being humanised by an instrument of torture. Only the West made realistic pictures of the greatest of all the tales out of the East. Hence the Greek element in Christian theology tended more and more to be a sort of dried up Platonism; a thing of diagrams and abstractions; to the last indeed noble abstractions, but not sufficiently touched by that great thing that is by definition almost the opposite of abstraction: Incarnation. Their Logos was the Word; but not the Word made Flesh. In a thousand very subtle ways, often escaping doctrinal definition, this spirit spread over the world of Christendom from the place where the Sacred Emperor sat under his golden mosaics; and the flat pavement of the Roman Empire was at last a sort of smooth pathway for Mahomet. For Islam was the ultimate fulfilment of the Iconoclasts. Long before that, however, there was this tendency to make the Cross merely decorative like the Crescent; to make it a pattern like the Greek key or the Wheel of Buddha. But there is something passive about such a world of patterns, and the Greek Key does not open any door, while the Wheel of Buddha always moves round and never moves on.”

É um excerto que já citámos noutras ocasiões, geralmente sublinhando as mesmas palavras e que podem encontrar em português. Em:  

"...Uma coisa de Diagramas e Abstracções..." - ICONOTEOLOGIA; ICONOTHEOLOGY (sapo.pt) 

Ou ainda:

As mulheres e os lugares na sociedade que os homens, hoje (em 2021), ainda acham que são só, e exclusivamente, seus (deles), é claro - Primaluce: Nova História da Arquitectura (sapo.pt)

E insistimos, ao incluir agora a imagem acima, porque, numa interpretação que é nossa - tal como está nas arcas tumulares alcobacenses - reconhecemos que em ambos os casos se trata de um padrão que terá servido para representar, ou aludir, ao Universo.

Quanto à entrevista no Público, vale mesmo ser lida, já que mostra toda a abertura de Frei Bento Domingues:

Como não parou no tempo, incluindo a sua reflexão sobre o papel das mulheres na sociedade e na igreja; ou ainda - é  original - a ideia que tem sobre as pechas nos comportamentos quotidianos, e fraudesinhas que vão dando jeito aos que as praticam ... (dizemos nós).

"Pecar é estragar. Estragar a vida intelectual, a vida afectiva; estragar a vida uns aos outros. Isso é que é pecar. Pecar, no meu vocabulário é estragar"

~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~

* Prezava-se tanto, que tudo - no Antigo e no Novo Testamento - tinha que ser coerente. O que é dito, frequentemente, da seguinte forma:  "Novo Testamento está latente no Antigo e o Antigo está patente no Novo"

[1] Como podem ver na imagem seguinte

FreiTomás-FreiBento.jpg

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1.5.22

Já escrevemos sobre esta Grande Arca de Paris

e é dela que nasce agora a ideia de chamar à Igreja do Mosteiro dos Jerónimos -----> "A Grande Arca de Belém".

 

Há/houve uma lógica nestas designações, que primeiro é francesa (e foi buscar o tema da Arca de Noé, que as igrejas antigas evocavam).

Tratava-se de uma alegoria, já anterior ao século XII, e baseada nos primeiros textos da Bíblia, mas Hugues de Saint-Victor resolveu sistematizá-la e organizá-la.

Percebemos e captámos esta imensa questão, e por isso se faz a proposta de leitura (ou a releitura) destes posts escritos há algum tempo.

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29.4.22

Vamos escrever sobre A Grande Arca de Belém que é mais conhecida como Mosteiro dos Jerónimos, e dentro deste, a Igreja - que é a peça mais valiosa do conjunto - conhecida como Santa Maria de Belém.

Mas, acontece que em geral a palavra Arche é pouco utilizada (o seu sentido inicial perdeu-se), embora assim não fosse quando pela Europa fora se construiram igrejas e catedrais seguindo os Tratados da Arca de Hugo de São Victor.

Assim, antecipadamente já prevemos a existência de mais do que um post, sobretudo porque, parece-nos vale a pena começar por elencar os vários posts que já dedicámos ao assunto. Ver abaixo a lista* de todos os que escrevemos contendo a palavra Arche.

De entre esses posts, este terá sido o último, e usa-se agora, novamente, a imagem que então foi composta (Março de 2020), já que reúne uma série de informações úteis, tal como se fosse uma ficha de estudo

~~~~~~~~~~~~~~~~

*Os nossos posts onde consta  a palavra «Arche»:

  1. https://primaluce.blogs.sapo.pt/120471.html
  2. https://primaluce.blogs.sapo.pt/fernando-saxe-coburgo-fecit-371612
  3. https://primaluce.blogs.sapo.pt/tecnicas-laboratoriais-ao-servico-de-396759
  4. https://primaluce.blogs.sapo.pt/mais-uma-vez-os-telhados-altos-mas-404623
  5. https://primaluce.blogs.sapo.pt/para-monserrate-409028
  6. https://primaluce.blogs.sapo.pt/porem-428485
  7. https://primaluce.blogs.sapo.pt/porem-428485
  8. https://iconoteologia.blogs.sapo.pt/vindo-de-primaluce-43991
  9. https://iconoteologia.blogs.sapo.pt/42447.html
  10. https://iconoteologia.blogs.sapo.pt/alvener-ou-pedreiro-massa-ou-bloco-de-71465
  11. https://iconoteologia.blogs.sapo.pt/relendo-o-post-anterior-parece-nos-que-72516
  12. https://iconoteologia.blogs.sapo.pt/a-arca-de-noe-ou-o-tema-de-la-grande-86505
  13. https://iconoteologia.blogs.sapo.pt/os-tratados-da-arca-de-noe-de-hugo-de-87506
  14. https://iconoteologia.blogs.sapo.pt/e-depois-de-um-quem-e-quem-e-101483
  15. https://iconoteologia.blogs.sapo.pt/o-que-a-palavra-arquitectura-significa-115976
  16. https://iconoteologia.blogs.sapo.pt/igrejas-e-catedrais-edificios-das-117892
  17. https://iconoteologia.blogs.sapo.pt/os-tratados-da-arca-de-hugues-de-126391
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22.4.22

Visitas em Iconoteologia em 21.04.2022

  1. Hoje a Planta da Igreja dos Clérigos - 1
  2. Monserrate - Uma Nova História... porque sim. Pois é mesmo uma nova história, que se apreende se os sentidos estão normalmente despertos - 1
  3. ICONOTEOLOGIA; ICONOTHEOLOGY - 1
  4. Ainda "Os Diagramas de Villard de Honnecourt" - 1
  5. Saúl António Gomes e um texto muito oportuno (e óptimo) intitulado A Littera Pythagorae... 

E em Primaluce (idem 21.04.2022)

  1. Onde as janelas do Palácio de Monserrate foram buscar o seu "design" - 13
  2. Uma elipse não é uma oval, mesmo que muitas destas formas pareçam iguais - 2
  3. SOBRE «JANELAS À SIZA» - e como é incomodativo contrariar as expressões que em geral estão aceites e os conhecimentos que têm (apesar de errados)... - 1
  4. Primaluce: Nova História da Arquitectura - 1
  5. Carta a Vítor Serrão... - 1
  6. Cascais: Casas de Veraneio e um envidraçado (lindo) cujo padrão nasceu no que designamos Ideogramas Medievais - 1

O que nos permite, sem qualquer dúvida, concluir que, apesar de não termos publicado, para além do trabalho intitulado Monserrate uma Nova História (Livros Horizonte, Lisboa 2008*), se queremos ser lidos as redes sociais são uma óptima maneira de concretizar esse objectivo.

E não apenas no FB (usando os nossos blogs), porque há sempre alguns tímidos, e outros, que gostam de o fazer de modo discreto, sem deixar rasto.

Só que, entretanto, vai havendo uma grande dose de censura aos nossos escritos, e que consegue ser eficaz. E este post, deixado no FB - em Arte, museus e património - no dia 10 ou 11 de Abril (?), ao ter sido retido e apenas publicado ontem, é um dos responsáveis do numero de leitores de ontem...

Portanto, pode-se deduzir que os nossos posts até têm leitores, podendo difundir bastante mais aquilo que estamos convictos aconteceu no mundo das imagens, desde há mais de mil anos. Mas que, apesar disso, há quem queira escondê-los. Sendo que, por acaso, até acho que o Vítor Serrão e a FLUL, não estarão atrás dos administradores desse Grupo do Facebook. Acho, mas sabe-se lá?

~~~~~~~~~~~~~~ 

*E aqui,  hoje, deixando esse rasto propositadamente, fica um vão interior de Monserrate.  

O qual como podem ver, essa edícula (o vão em primeiro plano, e depois os vãos de madeira dos caixilhos da janela) segue o padrão que está no Palazzo Vechio de Florença, em palácios de Veneza, mas também no Mosteiro da Batalha. E que anos antes (podem procurar nos nossos posts) já tinha sido empregue no túmulo da Rainha Santa.

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15.4.22

Quando vemos e lemos textos dos autores que são adeptos (ou, alguns verdadeiramente fascinados...) pela Iconografia naturalista, normalmente patente na Arte Cristã, é quase impossível não nos arrepiarmos de dôr.

Acontece com frequência, e depende até da qualidade das obras. Porque é a dor e o sofrimento que mais sobressaem nessas peças, a que hoje chamamos Arte.

[E com esta designação a englobar versões muito diferentes daquilo que é/foi, ou que na actualidade se entende por Arte]

Talvez uma das mais incríveis, e sobretudo uma das obras melhor conseguidas, seja esta Pietá de Miguel Ângelo? Onde o sofrimento a que nos referimos, na expressão da Virgem, parece já estar apaziguado e aquietado...

É uma imagem que não nos traz (tanto) sofrimento quanto sucede com outras, e que, pelo contrário, até nos atrai pela sua beleza.

Talvez até o contraponto entre idealismo - patente na Virgem, e o realismo - expressão de sofrimento e dor fixado no corpo morto de Cristo (?), seja, quase inconsciente (para quem vê).

Mas, agora que reparámos neste contraste, talvez este seja um dos aspectos mais marcantes, e mais eficazes - mostrando o sentido de Arte (e da habilidade que caracteriza os artistas) -, que o autor conseguiu deixar plasmado nesta obra fantástica?

Pietá-2.jpg

Enfim, cada um vive a religião como quer (e pode1); mas, se se quiser, no nosso caso – e estamos ainda a pensar no que escreveu Frederico Lourenço – na nossa situação, em grande parte, o que mais valorizamos em toda esta história (que é a do cristianismo, acontecida desde há mais de dois mil anos), é a dádiva de Cristo ao mundo:

O dar a sua vida, e depois o sofrimento na cruz, é o que melhor exprime o seu amor à Humanidade.

Assim, entre as «posturas» (artísticas) de platónicos e de aristotélicos – que se podem ler no texto seguinte -, também entre Idealismo e Naturalismo, seria impossível que a beleza contida nessas abstracções platónicas (que são os Diagramas), assim como o seu Idealismo não nos tocasse 2.

O excerto que agora se publica está mais desenvolvido aqui, onde também poderão lê-lo. Vem de São Tomás de Aquino, de G. K. Chesterton

"O que tornou a revolução aristotélica profundamente revolucionária foi o facto de ser religiosa. É ponto tão fundamental, que julguei conveniente apresentá-lo nas primeiras páginas deste livro: que a revolta foi em grande parte uma revolta dos elementos mais cristãos da cristandade. São Tomás, exactamente como São Francisco, sentiu no subconsciente que a massa da sua gente ia deixando a sólida doutrina e disciplina católica, gasta lentamente por mais de mil anos de rotina, e que a fé precisava de ser apresentada a uma nova luz e encarada por um ângulo diferente. Não tinha outro motivo senão o de desejar torná-la popular para a salvação do povo. Dum modo geral, é verdade que durante algum tempo ela fora demasiado platónica para ser popular. Precisava de algo como o toque sagaz e familiar de Aristóteles, para a transformar de novo em religião de senso comum. Quer o motivo, quer o método se manifestam na controvérsia de Tomás de Aquino com os agostinianos.

Primeiro devemos recordar que a influência grega continuou a fazer-se sentir, desde o império grego, ou, pelo menos, desde o centro do império romano que estava na cidade grega de Bizâncio e já não em Roma. Essa influência era bizantina em todos os sentidos, no bom e no mau. Como a arte bizantina, era severa, matemática e um pouco terrível; como a etiqueta bizantina, era oriental e levemente decadente. Devemos ao saber do Sr. Christopher Dawson muita luz sobre o modo como Bizâncio lentamente se cristalizou numa espécie de teocracia asiática, mais semelhante à do sagrado imperador na China. Mas até as pessoas incultas podem ver a diferença no modo como o cristianismo oriental simplificava tudo, do mesmo modo que reduzia as imagens a ícones que melhor se poderiam chamar figurinos do que verdadeiros quadros com variedade e arte; e isso fez uma guerra decidida e destrutiva às estátuas.

Assim vemos esta coisa estranha, que o Oriente era a terra da cruz e o Ocidente a terra do crucifixo. Os gregos estavam a ser desumanizados por um símbolo radiante, ao passo que os godos iam sendo humanizados por um instrumento de tortura. Só o Ocidente fez quadros realistas da maior de todas as histórias originárias do Oriente.

Eis porque o elemento grego na teologia cristã tendeu cada vez mais para se converter numa espécie de platonismo seco, uma coisa de diagramas e de abstracções, todas elas muitíssimo nobres, sem dúvida, mas que não eram suficientemente tocadas por essa coisa imensa que, por definição, é quase o contrário das abstracções: a Incarnação. O seu Logos era o Verbo, mas não o Verbo feito carne."

É esta frase final do texto, que hoje - Sexta-Feira Santa - pode passar nas nossas mentes: os Diagramas, e «as abstracções» que com o apoio da geometria tentaram traduzir, são generalistas. Porque a maior realidade (essência) do cristianismo é a Incarnação [da qual depois decorre o resto da história, em que um dia Cristo foi julgado, torturado e morto... nesse dia que hoje se evoca]

~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~

1 Lembramo-nos dos que dizem, que gostavam de acreditar.

2 Como resumo/síntese das ideias do Cristianismo; ideias gerais, que não vão ao particular, nem ao detalhe; e portanto muito menos ainda a imagens como são cicatrizes e feridas provocadas por tortura.   

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31.3.22

Ontem, numa página de FB deparámo-nos com esta fotografia

ExegeseVisual-2.jpg

Nela introduzimos as setas, para sublinhar a faixa - que é tão bonita e tão bem conseguida - a qual, de imediato nos tinha fascinado.

Por isso, deixou-se um comentário, relativo ao que conseguimos ler e interpretar na referida peça.

ExegeseVisual-3.jpg

ler aqui

Naturalmente - e porque muitas vezes as ideias se encadeiam... - a seguir, foi de Patrice Sicard e de um título que escolheu para um livro (publicado ainda no século XX), que logo nos lembrámos. É em francês mas diz tudo:

Diagramas Medievais e Exegese Visual

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8.2.22

 

... thanks God!

 

Por isso começamos com uma imagem fantástica (vinda daqui) 

tri-unitas.jpg

Acrescida logo de seguida desta outra, não menos fantástica:

Imagem, criada por Joaquim de Flora (note-se que a esta e outras imagens chamou-lhes figurae), também desenhada para traduzir a Trindade Cristã e a sua Unicidade.

Está num post que podem - e se quiserem devem - reler (foi escrito há menos de um ano )

Claro que aqui os leitores também podem perguntar-se sobre a nossa insistência e a razão de ser destas duas imagens?

RE: Acontece que ambas foram feitas, ou, melhor dizendo, cuidadosamente desenhadas, para explicitar DEUS. «Uma ideia abstracta»/ «Uma entidade invisível» (que nunca ninguém viu), cuja compreensão é difícil.

Mas ainda - e este é o ponto que mais nos interessa na imagem superior - ao usar cada um dos círculos para representar cada uma das Pessoas Divinas (Hipostases), os dois autores, para melhor poderem exprimir as suas ideias, num processo que é linguístico-visual, ambos necessitaram de sublinhar/enfatizar as intersecções desses mesmos círculos.

O que nos lembra um reputado autor francês - Jean-Claude Bonne - que, algures, afirma que as intersecções tiveram apenas carácter decorativo. Bem diferente, por exemplo,  de Mircea Eliade, que escreveu sobre "un Dieu lieur ".

Por tudo isso já passámos, incluindo ainda a Sacristia do Palácio de Santos, onde, numa de parede de azulejos ficou registado - para o descobrirmos - o valor significante das intersecções ...

E para concluir, fica ainda registado o post onde podem encontrar esta  imagem, que também nos lembra M.C. Escher. Com ele a ideia de haver códigos e conhecimentos secretos inscritos nas obras de Arte. Mas alguém acredita nisso? 

Ou, o Inconsciente Colectivo de C. G. Yung pode ter outro nome, e chamar-se Esquecimento Colectivo...

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1.2.22

Só sei é que se trata de um Curso bem interessante, e sobretudo necessário: logo o importante é sempre ir!

Pois como defendemos, na Arte Ocidental, cristã, muitas das imagens e a sua base - chamemos-lhes ICONOTEOLOGIA (ou Ideogramas nascidos no Cristianismo) -  já estavam presentes em obras anteriores:

Quer em inúmeros artefactos e suas decorações, quer em pavimentos que os Arqueólogos foram pondo à vista. 

Talvez não à vista de todos, mas à vista de alguns. Embora, ainda, e como verificamos, não tenham conseguido trazer as referidas imagens (que foram falantes, e por isso muito decorativas) - retirando-as dos contextos em que estão - trazendo-as para os conteúdos da História da Arte.

São vários os exemplos, quer os que apenas temos fotografado, e ainda não desenhámos... (podem dar imenso trabalho como no caso a seguir)

Pavimentos_Romanos4.jpg

Quer os padrões que já captámos e conseguimos desenhar a sua unidade base.

Podendo mesmo, usando-os, ir experimentando, e nessas experiências ir encontrando, quiçá?, arranjos e desenhos que foram bastante comuns e se vêem com enorme frequência...

Como se passa com a imagem seguinte (que é notória em muitos pavimentos), muito característica do românico, do gótico (com ou sem transformações) e depois também dos revivalismos e ecletismos*, característicos do século XIX e início do século XX.

Pavimentos_Romanos2.jpg

Pavimentos_Romanos7.jpg

Pavimentos_Romanos8.jpg

Pavimentos_Romanos9.jpg

Se..., de acordo com pergunta do título viesse a ensinar, então mostraria como a imagem acima era significante. Coisa que não se passa com a que foi «criada» para apresentar o curso e está a seguir

cursoArqueologia.jpg

~~~~~~~~~~~~

* Caso do Claustro da Casa que foi dos Condes de Castro Guimarães, hoje museu, em Cascais

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