Muitas imagens da arquitectura foram «iconoteologia». Many images of ancient and traditional architecture were «iconotheological». This blog is to explain its origin.
18.6.20

30.6.2017-Portalegre-B.jpg

 

HOJE, a propósito de círculos, e de imagens emblemáticas, estamos a encontrar materiais de 2003, que, só em parte puderam entrar no trabalho dedicado a Monserrate.
Já que, na Faculdade de Letras investiga-se Arte, mas não é suposto poder apoiar as ideias com desenhos...


Menos ainda, com desenhos de origem geométrica! Abstractos...?


Ora a tonta:
Que é lá isso*?
Vê-se logo que é arquitecta! Saber ler imagens como se fosse uma língua**?

 

Porém - e agora vem a história mais longa -, acontece que o post que está no facebook {em https://www.facebook.com/gloria.azevedocoutinho.7/posts/875393426299924}, começou por aqui:

na sequência das imagens seguintes

 

caminhosDeUmaIdeia.jpg

Porque, ao olharmos a sobreposição de círculos sobre a fachada de Monserrate, começámos a pensar na «elegância» que é - visualmente -, esta intersecção dos círculos: já não toda, mas principalmente na sua parte inferior... Quando se eleva e também parece um cálice.

 

Foi quando nos lembrámos que esta mesma imagem (e sabemos disto desde 2003) está no Palácio da Vila, em Sintra, num remate azulejar:

 

Image0068-aSINTRA-PAL.DA.VILA-F.jpg

 

Naturalmente, da imagem mental - já há mais de 15 anos prontinha, na cabeça - daí, à possibilidade de fazer a experimentação/verificação (como tem sido sempre a nossa metodologia de trabalho); obviamente que esse passo - hoje, com algum tempo -, se resolveu num instante.

 

Porque, como os arquitectos podem verificar nas imagens seguintes, algumas intersecções estão «levemente alargadas»: o que não tira, minimamente, a validade às teorias que defendemos.

Apenas mostra, e valoriza, o imenso rigor geométrico com que os antigos trabalhavam

SINTRA-PAL.DA.VILA-AZULEJOS-BASE-GEOMÉTRICA.jpg

SINTRA-PAL.DA.VILA-SCALA&IPPAR.jpg

 

Por fim, e dado que não é a primeira vez que expomos esta questão (até porque rende mais fazer este tipo de análises no Facebook, do que em qualquer Universidade portuguesa...), na imagem seguinte está a sobreposição do esquema geométrico (rigoroso e anicónico), posto sobre as imagens icónicas. Ou, será que devemos dizer naturalistas (?). Imagens que permitem à maioria*** ler, e assim compreender, que se trata de uma representação da Trindade.

 

Filioque-SobreposiçãoIcónico+Anicónico.png

 

 

Por fim, as conclusões?, são para quem as quiser tirar...

 

~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~


*Isso, é a necessidade de proteger o que nos pertence:
A prova de que muitas obras são/foram ICONOTEOLOGIA


**Outra «tontice absoluta», só pode ser: defender que as Neurociências e a Linguística têm alguma coisa a ver com ARTE!

 

***E, acrescentemos a essa maioria, os PROFs doutores do IHA da FLUL, que são os grandes especialistas de História da Arte, quem melhor lê, sobretudo imagens concretas e explicítas. Já que, ... abstracções? Não, isso não é com eles...

 

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26.5.20

Temo-la referido várias vezes, porque o que já escreveu e as suas ideias, estão repletas de informações que não se devem descartar, para quem quiser compreender por um novo prisma, a História da Arte, e em particular a da Arquitectura.

 

No post de hoje - já a seguir - um excerto de uma apreciação do seu trabalho The Craft of Thought: Meditation, Rhetoric and the Making of Images, 400-1200, de 1998. Livro que temos em francês, intitulado Machina Memorialis, da Gallimard, Paris 2002, e de onde temos retirado informações verdadeiramente inovadoras, que temos publicado.

 

E, repare-se como é dito, que neste caso a inovação vem de um outro campo, exterior - o da história da literatura - que  assim forneceu materiais e novas informações para história da arte.

 

Inovação que veio colocar, como Mary Carruthers defende,  as imagens e as palavras juntas; mas sem as «priorizar» umas relativamente às outras. Porque as duas fazem parte - e aqui acrescentamos nós, porque usadas em simultâneo -, da actividade mental.

 

Sobre-MachinaMemorialis de MaryCarruthers-4.jpg

 

Já agora, não de uma actividade mental qualquer, mas a da invenção.

 

Embora por outro lado, por exemplo (e esta é uma ideia nossa), quando as «subtilezas» dos teólogos medievais exigiam demasiado à palavra, como concordâncias e rupturas em simultâneo, ou ainda afirmações incrivelmente cautelosas, era nessa altura que as imagens - com o apoio da gramática que nesse caso a própria geometria também é; era então que se socorriam das imagens para melhor expressar algumas concepções teológicas...*

 

Portanto, invenção (ou muitas e diferentes invenções) que depois duraram séculos, fazendo com que tantas dessas imagens (que estão abaixo, como doodles ) - que tinham tido uma origem mental (resultado do trabalho da verdadeira imaginação) - perdurassem e fossem empregues na Arte. 

 

colecção-de-SinaisSignificantes-3.jpg

 

Por isso é muito estranho, estranhíssimo para um arquitecto formado nos anos 70, que muitos dos que chamamos «gatafunhos», da imagem acima, tenham sido Ideogramas de uma língua (a arquitectura) que foi aplicada nas edificações:

Assim se fazendo a distinção entre formas simplesmente tectónicas, destinadas ao suporte; e as formas significantes - colocadas, expressamente, para falarem pelos proprietários dessas mesmas edificações.    

E quando dizemos que foram colocadas nas edificações, note-se que não foram simples ornamentos apostos, e mais superficiais. Mas o décor â maneira vitruviana: i. e.,  alguns desses Ideogramas, muito adequadamente, deram forma à base, que é aquilo a que chamamos planta de um edifício.

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* Como sucedeu com o Quicumque

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9.5.20

  1. ICONOTEOLOGIA; ICONOTHEOLOGY - 27

  2. De Guardi a Canaletto - os chamados «Italianates»: e como a arquitectura do Cristianismo «convinha» à Victorian City (Londres) - 15

  3. A Elipse era já conhecida bem antes do nascimento de Cristo*, no século IV aC. - 13

  4. Círculos, Ovais e Elipses (2) - 12

  5. António Rodrigues, João Pedro Xavier e Domingos Tavares... - 12

  6. Hoje a Planta da Igreja dos Clérigos - 9

  7. A ICONOTEOLOGIA na base da tectónica (defendemos nós) - 8

  8. "Igreja Barroca de Planta Elíptica" - 7

  9. À procura do Arco Moçárabe... (e ainda sobre o Museu dos Concílios de Toledo) - 6

  10. Os Diagramas de Villard de Honnecourt - 6

  11. UMA DAS MELHORES EXPLICAÇÕES SOBRE O 'FILIOQUE' - 4

  12. Pesquisa - ICONOTEOLOGIA; ICONOTHEOLOGY - 4

  13. As Edículas e as Vergas dos Arcos e das Janelas, mais os significados que conferiam às obras arquitectonicas - 4

  14. Um caso muito mais afirmado... - 3

  15. Grades «Neogóticas» de Ferro Fundido - 3

  16. Este último artigo postado em Primaluce, deveria ter vindo para aqui - 3

  17. Intervalo no Carpenter's Gothic... para lembrar o que alguns dizem sobre «uma Idade Média e um Renascimento» (que não existiram*!) - 3

  18. Carpenter's Gothic - 2

  19. Carpenter's Gothic? - 2

  20. Vãos e Vergas: ainda as notas de um artigo. Post dedicado a quem não lê Portais e sua Iconografia; a quem não sabe francês e precisa de tradução...Ou (e idem) a um certo Ensino Superior português que «vive de cabeça enterrada na areia»? - 2

link do postPor primaluce, às 09:00  comentar

16.4.20

Prometemos fazer um post sobre o tema Arco Moçárabe, não está esquecido...  Mas, na verdade, as informações que encontramos sobre os Moçárabes, e o Moçarabismo são bastante escassas.

 

No entanto, e porque todas as nossas pesquisas são sempre altamente - que é como quem diz, utilíssimas; assim, depois de feito este post. e dada a falta de espaço (nos comentários do Facebook), passámos para aqui, onde se completam uma série de informações:

santa-leocádia-2.jpg

A imagem acima representa o IIIº Concílio de Toledo, e é um quadro a óleo (século XIX) de José Marti y Monso*.

 

Ainda deste quadro - e porque as questões que nos interessam são iconográficas - chama-se a atenção para o pormenor do desenho do pavimento, ampliado na imagem seguinte. Mais: sublinhe-se que o pintor não esteve lá; não assistiu à cena, e portanto fez o que se pode chamar uma reconstituição histórica: como no cinema ou no teatro.

 

E aqui, não sabemos, apenas supomos, terá sido com pesquisa (ou sem ela?), que decidiu, como se vê abaixo, o padrão para o pavimento. Exactamente para contextualizar (e enfatizar) - pela conveniência, e pela boa adequação (como os antigos, desde Homero, sempre viram estas questões das imagens que se deviam empregar) - a reconstituição histórica que, certamente, quereria ele, fosse tão verosímil quanto possível.

 

santa-leocádia-4.jpg

(padrão que é o mesmo - vamos ser redundantes - igual ao que foi aplicado há anos na fachada da Birmingham Library - como já acima mencionado)

 

Mas, voltando à História - às ideias, e aos factos da época em que estas imagens nasceram - , sabemos que para alguns, como Pinharanda Gomes, foi em Toledo, no ano 400, e no Iº Concílio, que pela primeira vez foi proclamado o Filioque. Já para outros autores, nesse Concílio (do ano 400) a decisão mais importante foi a condenação do Priscilianismo, não sendo referida a questão do Filioque.

 

Depois - e como já está no nosso trabalho sobre Monserrate** -, sabe-se que foi em 589 (é a reconstituição histórica que está no quadro) que Recaredo fez o mesmo que Clóvis (m. 511). Quando quase um século antes o Rei dos Francos se tinha convertido ao Catolicismo: abandonando assim o Arianismo. 

 

Recaredo, dizem (vários autores), precisava de unir o seu povo que vivia em guerras constantes; mas fê-lo - ao contrário do que era esperado -, não no sentido da "identidade Goda",  tendo preferido repetir o gesto de Clóvis, que Roma já tinha (naturalmente e entretanto) aprovado. Aprovação que tinha o apoio de vários Padres da Igreja, entre os quais se conta Santo Agostinho (m. 430) que escreveu Sobre a Trindade, de acordo com o que ficara estipulado em Niceia (325) e em Constantinopla (381)

 

O que é interessante verificar - à medida que vamos ampliando as nossas informações sobre este assunto (desde 2002 até 2020) - é o enorme desconhecimento que entretanto também se abateu, desde o início do século XX, sobre as instituições de ensino (que é dito ser)  superior, relativamente a estas questões. E aonde, estranhamente, os vários professores, de tão especializados que são, deixaram de saber o que antes todos sabiam, e que eram generalidades.

 

Como se pode ver já abaixo, nesta página (e em todo o Guia) de onde retirámos as imagens deste post, aí há bastante mais informações: pois foi na Basílica de Santa Leocádia que decorreram mais de uma dezena de Concílios (ibéricos). Ficando a saber-se, inclusivamente, que há em Toledo um Museu dedicado a esses mesmos concílios...

santa-leocádia-5.jpg

santa-leocádia-6.jpg

 

Ou seja, concretamente, confirma-se essa proliferação de reuniões ou conselhos (daí a origem da designação concílio), onde nem tudo o que se debatia eram exclusivamente assuntos religiosos; isto é, não se limitavam às discussões sobre as duas fés - a fides romana e a fides gotica - que, especialmente em Toledo, se afrontavam.

 

E pelas informações obtidas, percebe-se que era muito diferente daquilo que a palavra Concílio hoje nos faz pensar. Visto que nos Concílios de Toledo se discutiram temas que hoje são da política, e da organização de toda a sociedade, dividida por países, cabendo aos respectivos governos as tomadas de decisão (e não à religião)

 

Foi por vários autores que ficámos a saber, bastante mais, acerca desta imensa temática***. Sendo portanto de estranhar, muitíssimo, que nos tivessem «sugerido» que era absolutamente necessário encontrar as "Origens do Gótico" para podermos perceber Monserrate; e que, depois de desvendado esse enigma, antiquíssimo, os (supostos) interessados nada mais quisessem saber do assunto.

 

Ficando os ditos orientadores e autores das sugestões de pesquisa, reféns da sua tacanhez e enorme fechamento, relativamente às questões que eles próprios levantaram. Ou seja, não sabiam e não imaginavam, minimamente, o imenso alcance das questões que eles mesmos colocaram.

 

Melhor, são todos os sinónimos de tacanho - que um qualquer dicionário nos dá -, como é por exemplo a ideia de acanhado e de pequeno... Não precisando nós, nos tempos que correm, de mais sinónimos ou epítetos, para adjectivar tanta parvoeira.  Sobretudo quando se podem ler outros autores, esses sim interessantes e fantásticos, como Frances Yates, Mary Carruthers, ou ainda António Damásio.

 

E isto num tempo em que é tanto o que nos é dado, e em que podemos pôr (sem barreiras ridículas entre disciplinas),  todas as nossas melhores informações, ao serviço do conhecimento do passado, e das ideias que foram materializadas nas obras.

 

Assim como podemos saber das imagens, que eram frequentemente usadas, para traduzir essas mesmas ideias.

Mais: Historiadores de Arte que não acreditam na capacidade falante das imagens, pior que tacanhos são verdadeiros empatas; e é isto, que está na Universidade de Lisboa!

 

Mas adiante: a nossa curiosidade já nos poderia ter levado a Toledo? Sim e não. Porque se fossemos a todos os lugares que estão citados em Monserrate, na sua Arquitectura e Iconografia, então a volta seria enorme.

 

Depois, por outro lado, mais do que os lugares, ou os cenários e os contextos paisagísticos em que todos estes factos ocorreram - como se não tivéssemos imaginação, e fossemos nós fazer a nossa própria reconstituição histórica - mais interessante de facto (para nós, e se temos que escolher) são as problemáticas que ficaram:

Neste caso a tradução de ideias da fé, que em tempos eram chamados dogmas, em imagens esquemáticas - resumidíssimas - que ainda agora se usam como temos mostrado.

 

Por fim, e para quem tinha decidido ir a Toledo este ano, pelo menos para já valeu a pena voltar a olhar para o Guia. Afinal conseguimos ainda agora uma nova informação, das  mais relevantes: tanto quanto se diz terem sido importantes e históricos os concílios de Toledo. Por isso, foi em 1969 que se decidiu a criação de um Museu, para os divulgar.

 

O mesmo abriu em 1971, mas, pelos vistos, os que nos orientaram e em 2001 mandaram à procura das "Origens do Gótico", dá para ver, ainda não terão tido tempo, no mínimo, de saber da sua existência...?

Pois se soubessem, parece-nos, também estariam a par do contributo dos Concílios de Toledo, no moldar da cristandade a que pertencemos.

 

Enfim, talvez o Museu numa visita de uma a duas horas, permita no mínimo um conhecimento superficial daquilo que, especificamente, se passou na Iberia. 

Image0009-b.jpg

É neste tom que terminamos: desejando que os professores de História da Arte saibam, um mínimo, daquilo em que metem os seus alunos.

 

Nesta temática em que nós não esquecemos duas frases da maior importância:

Uma está na New Advent Catholic Encyclopedia, e a outra é de André Grabar. Na primeira questiona-se a abstracção que os Godos tanto discutiram (da qual já se escreveu); na segunda é André Grabar que se refere à ousadia dos Godos - "hardiesse" - palavra lembrada no mesmo post.

 

Para nós é espantoso, que um conjunto de ideias (nossas), alicerçadas em factos cuja imensa relevância, por exemplo, até deram origem a um museu, que os professores-orientadores do ensino superior português os desconheçam totalmente!

~~~~~~~~~~~~~~~~~~

*Ver no Guia da cidade de Toledo: Toledo, The Magic of Three Cultures, Limite Visual Guide Books, Merida 1997. Ver pp. 34-35, 216.

** Em  Monserrate uma Nova História, Livros Horizonte 2008, sobre a conversão de Recaredo, em 589, ver nas p. 18 e 48.

*** E entre muitas obras tivemos a sorte de contactar L'épiscopat de Lusitanie pendant l'Antiquité tardive (IIIe-VIIe siècles), por Ana Maria C. M. Jorge, Edição do IPA, Lisboa 2002, onde se recolhem importantes informações.

 

Quanto ao Moçarabismo e respectivo Arco - nascido na "fides gotica" - talvez em breve haja outro post

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24.3.20

Já escrevemos sobre eles, e é tanto, muitíssimo mais, que um dia poderemos dizer, relativamente a esses Tratados da Arca:

 

Que haja condições para isso, uma equipa, ou um qualquer outro «milagre», que amplie as nossas capacidades de trabalho;  e ainda que multiplique as horas em que podemos ficar sentados...!*

 

Assim hoje lembra-se um post nosso que tem oito anos , e em que DLA com o seu endofarchitecture também colaborou**. Mostrando-se aquilo que Philibert De L'Orme sabia, relativamente à iconografia de uma casa nobre: como o Chateau francês - e não esquecer que estudámos Monserrate, le petit chateau de Monsieur De Visme à Sintra... - devia ainda seguir, tal como as igrejas, algumas das prescrições dadas a Deus por Noé, para construir a sua (Arca-)Barca.

 

Mas também se lembra e mostra, um post de hoje, que nos lembra que os dias difíceis, e os de vida confinada, muitos ficaram para a História: há que não o esquecer! ***

 

Fluerus-Livros&LIvros.jpg

Claro que a imagem acima é uma adaptação que fizemos da capa do Dicionário por Imagens da Bíblia. Éditions Fleurus, Paris 1998. Título original: L'Imagerie de la Bible. Versão Portuguesa de Março de 2000.

 

Mas, o mais importante, e aquilo que nos fez trazer para aqui esta imagem, é o facto de sabermos da existência dos Tratados de Hugues de Saint-Victor que, em geral se pensa serem de Teologia, mas que (e como defendemos) deram origem à Arquitectura da igreja românico-gótica:

 

Porque esta quis ser a Arca de Noé, que se supunha ser uma Arca-Barca salvífica. Como está registado numa parede da igreja de Fátima em Lisboa, obra de Almada Negreiros. Um autor que a este propósito se cita, por sabermos que não entregava a outros, nem deixava por mãos alheias, o que devia ser o mais significante - ou o mais impactante - nos seus trabalhos e obras. 

 

Como mostra a imagem acima, sempre gostámos da expressividade e da simplicidade do que vem das crianças, ou é para as crianças. Porém, quem quiser abordar cientificamente este assunto, que nada tem de simples, e pode até ser muitíssimo árduo, então que não deixe de consultar a Patrologia Latina de Migne, o que pode ser feito indo pelo link.

Sobretudo, que não falhe os trabalhos de Patrice Sicard - que foi cónego de Notre Dame (Paris). Um autor cujas investigações dedicadas a este tema, primeiro nos surpreendem imenso; e que depois nos obrigam a admirá-lo pelo trabalho, vastíssimo e extraordinário, a que se entregou.

 

Depois, no fim estão os títulos em latim, os que Hugues de Saint-Victor (autor do século XII com uma obra vastíssima) lhes deu. Concretamente:

DE ARCHA NOE PRO ARCHA SAPIENTIE CVM ARCHA ECCLESIE ET ARCHA MATRIS GRATIE

LIBELLUS DE FORMATIONE ARCHE

Sendo que o primeiro, como gosto de dizer, é toda a construção da alegoria em torno da Igreja , como Arca-Barca que há-de salvar a Humanidade. Acrescentando sempre, que é algo equivalente, ao que hoje é a Memória Justificativa de um projecto de arquitectura.

E o segundo livro - LIBELLUS DE FORMATIONE ARCHE - é o livrinho, cujo titulo nasce do facto de ser de muito menor dimensão; sendo neste que se ensina a construir a referida Arca.

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*E horas em que não estejam professores «verdadeiros patetas-desorientadores» a impedir os nossos trabalhos...

**Embora o mesmo esteja agora inacessível

*** Admitindo que não sabemos se a história de Noé, do primeiro livro da Bíblia, é verdadeira ou lenda...? Certo mesmo é que o Arco - considerado sinal de Deus - a partir de determinada data, foi inserido no que era a Verga Recta (sinal de rectidão, na antiga arquitectura grega). E também, porque ficou escrito assim:

"Disse Deus: (...) Quando eu reunir as nuvens sobre a terra e o arco aparecer na nuvem, eu me lembrarei da aliança que há entre mim e vós e todos os seres vivos..." (Génesis 9 , 12-16)

 

E este é o início de uma outra história, a que a tradução da Bíblia (judaica) para a língua grega - no século IIIº a. C. - veio a dar um muito maior relevo...

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11.3.20

... num quadro de Álvaro Pires de Évora.

 

Claro que logo que os vimos (os arcos entrelaçados) ficámos fascinados. Por se perceber a preocupação do autor em comunicar algo mais; concretamente o contexto teológico. Se quisermos, foi como uma adjectivação que se entendeu dever fazer, relativamente à sua própria fé. Ou, concretamente, ao contexto da Fé Cristã*, em que esta obra se posicionava.

 

Depois, pelo nosso método experimental, desenhámos por cima de uma cópia que se tinha impresso. Mas, claro, não é a mesma coisa... (e era só experiência como nalguns escritos/desenhos exploratórios de Leonardo da Vinci)

AURA-VirgemAPdeÉVORA-sobreposição.jpg

Já que no desenho descoberto (abaixo) - i. e., sem o papel vegetal (como acontece acima) - os arcos quebrados, menores e resultantes das intersecções dos círculos, ainda esses têm mais detalhes, que eram igualmente, falantes**.

APdeÉVORA-FilmeMNAA.jpg

Dentro de cada «meia mandorla», que rectificada seria um triângulo equilátero, ainda estão desenhados, aquilo que - para os referidos triângulos - os geómetras chamam apótemas.

 

E desse modo, ao encontrarem-se no centro do dito triângulo, desenham um Y, que também foi representativo da Trindade, e de Cristo.

 

Pode parecer árido, ao ser explicado desta maneira, mas em desenho tratam-se de formas que enriquecem imenso as composições, e que, por seguirem regras da geometria,  acrescentam sempre um rigor visual que é também harmonia formal. Ou - aquilo que verdadeiramente são - concordâncias geométricas.

 

Estas imagens são materiais, ou se quiserem «ingredientes visuais», também altamente polissémicos. Que, para os antigos (e disto não temos dúvidas, referimo-nos ao clero) seriam certamente falantes.

Já que os saberes ou as ciências, desde Martianus Capella, Alcuíno (de York) e depois ainda desde Hugo de S. Victor, funcionavam muito mais unidos do que hoje; isto é, não eram disciplinas avulsas

E mais ainda: não é por acaso, de todo, que a Enciclopédia Verbo Luso-Brasileira de Cultura, no volume 2, sobre as Artes Liberais, a dada altura especifica (algo que desde 2002 nunca mais esquecemos):

"Durante a escolástica, as artes, o septívio, não foram estudadas por si  mesmas: eram vias de acesso à Sagrada Escritura"***

Para concluir, como no Credo, onde Carlos Magno obrigou à inserção da partícula FILIOQUE, é isso que se pode ler nesta Aura de Nossa Senhora, atribuída a Álvaro Pirez

~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~

*Que Cristianismo, que religião, ou, em que região da Europa, o encomendador se posicionava.

**Quem saiba geometria, ou tenha uma boa memória visual, pode reconhecer nestes arcos a mesma organização, ou a mesma estrutural visual, igual ao que se passa na fachada do Palácio dos Doges de Veneza: ou até noutros edifícios desta mesma cidade.

*** A frase acima é uma afirmação essencial, impossível de esquecer. E que por isso obriga a rever, várias ideias, demasiado feitas, da historiografia da arte. Ver op. cit., coluna 1417.

link do postPor primaluce, às 20:00  comentar

22.2.20

Where is the original, painted by Hans Holbein?

 

What happened to «my circles», with its iconotheological meaning?

 

Que s’est-il passé : Où est l’original, peint par Hans Holbein ? Qu’est-il arrivé à « mes cercles », avec son sens iconothéologique ?

ONDE-está-o ORIGINAL.png

detalheTapete HansHolbein-qualAVerdadeira-3.jpg

Bem podemos perguntar - "urbi et orbi" - pois parece que sim, que os círculos são só nossos...

 

Se a National Gallery não sabe de nada!? Pode-se dizer que pelo menos foram nossos, talvez só em Setembro de 2007? E que entretanto desapareceram...

 

Embora, garantimos, deixaram vários rastos da sua existência.

Alguns, escritos entre 2 e 14 de Fevereiro estão aqui, mas temos mais

(thanks God !)

link do postPor primaluce, às 13:00  comentar

7.2.20

 

Foi feita há anos para explicar como os Ideogramas desenharam alguns dos Arcos da Arquitectura Cristã, e assim substituindo o que eram VERGAS e LINTÉIS

Vergas-Ideogramáticas.jpg

 

E se há dias a pusemos aqui,  é porque faz sentido ensinar alguma coisinha,

mesmo que pouca...

 

Aproveitando agora para lembrar um post nosso, mais antigo, que foi dedicado aos Vãos e às Vergas, e ao que delas  escreveu, no século V, o Pseudo Dionísio, dito o Areopagita :

 

§ 5. – [333 B] “Les verges indiquent le pouvoir royal, la souveraineté, la rectitude avec laquelle elles mènent toutes choses à leur achèvement (…) les équipements de géomètres et d’architectes, leur pouvoir de fonder, d’édifier et d’achever et, en général tout ce qui concerne l’élévation spirituelle et la conversion providentielle de leurs subordonnées. Il arrive aussi parfois  que les instruments avec lesquels on les représente symbolise [333 C] les jugements de Dieu à l’égard des hommes, les uns représentant les corrections disciplinaires ou les châtiments mérités, les autres le secours divin dans les circonstances difficiles, la fin de la discipline ou le retour à l’ancien bonheur, ou encore le don de nouveaux bienfaits, petits ou grands, sensibles ou intellectuelles. En somme une intelligence perspicace ne saurait être embarrassé pour faire correspondre les signes visibles aux réalités invisibles.”      

 

Excerto proveniente de Oeuvres Complètes du Pseudo-Denys L’Aréopagite. Trad. Maurice de Gandillac, Éditions Montaigne, Paris 1943, p. 240.

 

Sobre este asasunto temos mais posts, que podem procurar ler, começando por este.

Igualmente muito interessante, sem dúvida - e ainda sobre a imagem acima - o facto de em Aix-la-Chapelle, na Capela Palatina de Carlos Magno, existirem alguns destes  Arcos ;

Ou vãos, com o mesmo desenho tripartido.

link do postPor primaluce, às 14:00  comentar

1.2.20

"... Não venero a matéria, mas o criador da matéria, que por mim se fez matéria."

JoãoMansur.png

(imagem vinda daqui)

A ler ,  com passagens pelos 500 anos de Leonardo e como essa efeméride (à semelhança de outras anteriores) trouxe à luz trabalhos que fez e documentos pouco conhecidos. Sobre este (primeiro) defensor das imagens ler também:

www.newadvent.org/cathen/08459b.htm

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13.1.20

Em nossa opinião estas arcarias são «altamente falantes», e portanto ICONOTEOLÓGICAS.

E se por uns são atribuídas à Cultura Islâmica, outros referem tratar-se de uma obra românica.

Para nós faz mais sentido, já que este tipo de arcos entrecruzados em geral é associado ao Romanesque; que é o equivalente do nosso estilo Românico, embora em Portugal não tenhamos conhecimento da existência de arcarias com este desenho/configuração.

 

Como defendemos, desde 2001 - e perante as informações que o estudo do Palácio de Monserrate nos «deu» -, alguns povos, em geral os designados bárbaros, que quiseram entrar e fixarem-se no antigo Império Romano; esses povos serviram-se de sinais visuais, tradutores das ideias teológicas em que acreditavam, tendo originado assim iconografias muito próprias*, que usavam para marcarem as suas obras.

 

Tratavam-se de sinais que os identificavam enquanto povo(s), com um património cultural próprio, mas simultaneamente na sua vontade, que é notória, de pertença e integração numa região geográfica.

 

A região que, depois das decisões dos chefes políticos (o Imperador Constantino), se estava a cristianizar, cada vez mais (como se sabe, e veio a acontecer).

 

Todas as fotografias seguintes vêm da wikimedia commons, pertencem a Diego Delso**, e foram extraídas da primeira sendo todas adaptadas para este post:

SanJUanDeDuero-0.jpg

License CC-BY-SA

SanJUanDeDuero-1.jpgSanJUanDeDuero-3.jpgSanJUanDeDuero-4.jpg

Acima, no rectângulo assinalado é claríssima a vontade de leitura de uma sobreposição. Para fazer passar (e portanto para se ler) - sublinhadíssima pela incisão de um sulco na pedra - a ideia do cruzamento de círculos. 

 

Cruzamento que numa escrita ideográfica, permitia traduzir a ideia da proveniência do Espírito Santo, em simultâneo, do Pai e do Filho. Ideia que ficou registada para a História como FILIOQUE***.

 

Por hoje, e para acabar - como se Arquitectura não tivesse sido no passado, mais do que é agora, uma ARTE VISUAL - repare-se na simbiose (falante, pois claro) emtre um arco ultrapassado e um arco quebrado

SanJUanDeDuero-8.jpg

E enfim, sendo tanta a informação que se pode retirar de uma única fotografia, de uma série de arcos,...

o melhor será continuar depois!

~~~~~~~~~~~~~~~~~~

*Como é o caso das chamadas Bandas Lombardas; e neste exemplo trata-se do que também é conhecido como Normando-Gothico

**Autor original: "Credit me as the original author and use the same license. To do so add "Diego Delso, delso.photo, License CC-BY-SA" legibly next to the image."

***De tudo isto já escrevemos, e não foi pouco, no nosso livro dedicado a Monserrate - Monserrate, Uma Nova História - como se pode ver no Cap. I, pp.27-49, no Cap. II, pp. 60-74, no Cap. III, pp. 106-123, e na Sintese Final pp. 156 em diante. 

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Primaluce: Uma Nova História da Arquitectura
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