Muitas imagens da arquitectura foram «iconoteologia». Many images of ancient and traditional architecture were «iconotheological». This blog is to explain its origin.
13.1.20

Em nossa opinião estas arcarias são «altamente falantes», e portanto ICONOTEOLÓGICAS.

E se por uns são atribuídas à Cultura Islâmica, outros referem tratar-se de uma obra românica.

Para nós faz mais sentido, já que este tipo de arcos entrecruzados em geral é associado ao Romanesque; que é o equivalente do nosso estilo Românico, embora em Portugal não tenhamos conhecimento da existência de arcarias com este desenho/configuração.

 

Como defendemos, desde 2001 - e perante as informações que o estudo do Palácio de Monserrate nos «deu» -, alguns povos, em geral os designados bárbaros, que quiseram entrar e fixarem-se no antigo Império Romano; esses povos serviram-se de sinais visuais, tradutores das ideias teológicas em que acreditavam, tendo originado assim iconografias muito próprias*, que usavam para marcarem as suas obras.

 

Tratavam-se de sinais que os identificavam enquanto povo(s), com um património cultural próprio, mas simultaneamente na sua vontade, que é notória, de pertença e integração numa região geográfica.

 

A região que, depois das decisões dos chefes políticos (o Imperador Constantino), se estava a cristianizar, cada vez mais (como se sabe, e veio a acontecer).

 

Todas as fotografias seguintes vêm da wikimedia commons, pertencem a Diego Delso**, e foram extraídas da primeira sendo todas adaptadas para este post:

SanJUanDeDuero-0.jpg

License CC-BY-SA

SanJUanDeDuero-1.jpgSanJUanDeDuero-3.jpgSanJUanDeDuero-4.jpg

Acima, no rectângulo assinalado é claríssima a vontade de leitura de uma sobreposição. Para fazer passar (e portanto para se ler) - sublinhadíssima pela incisão de um sulco na pedra - a ideia do cruzamento de círculos. 

 

Cruzamento que numa escrita ideográfica, permitia traduzir a ideia da proveniência do Espírito Santo, em simultâneo, do Pai e do Filho. Ideia que ficou registada para a História como FILIOQUE***.

 

Por hoje, e para acabar - como se Arquitectura não tivesse sido no passado, mais do que é agora, uma ARTE VISUAL - repare-se na simbiose (falante, pois claro) emtre um arco ultrapassado e um arco quebrado

SanJUanDeDuero-8.jpg

E enfim, sendo tanta a informação que se pode retirar de uma única fotografia, de uma série de arcos,...

o melhor será continuar depois!

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*Como é o caso das chamadas Bandas Lombardas; e neste exemplo trata-se do que também é conhecido como Normando-Gothico

**Autor original: "Credit me as the original author and use the same license. To do so add "Diego Delso, delso.photo, License CC-BY-SA" legibly next to the image."

***De tudo isto já escrevemos, e não foi pouco, no nosso livro dedicado a Monserrate - Monserrate, Uma Nova História - como se pode ver no Cap. I, pp.27-49, no Cap. II, pp. 60-74, no Cap. III, pp. 106-123, e na Sintese Final pp. 156 em diante. 

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22.12.19

Estou a pensar (sim, para ver como hei-de expôr este tema complicado...) e é na última VISITA GUIADA {https://www.rtp.pt/play/p5656/e443819/visita-guiada}, dedicada às abóbadas algarvias de Fuzeta, e aos seus desenhos.


Sendo altamente curioso, que seja mesmo no fim do programa, que se diga o que todas essas abóbadas têm em comum, apesar dos materiais diferentes e até das tecnologias construtivas também diferentes... (algo de celestial!)

Tecto FUZETA.bmp

Por isso, na nossa posição (teórica, diferente da que foi exposta no dito programa, pela arquitecta Mafalda Pacheco), o que vemos e defendemos, é que aconteceu exactamente ao contrário:


É logo no início, que se percebe o facto de ter existido uma ICONOTEOLOGIA, que desenhou todas essas abóbadas.


Válido mesmo para as abóbadas chamadas "de Vela", ou as "de Barrete de Clérigo" (ou até para as mais simples, quer sejam apenas esféricas ou cilíndricas).


Porque sim! É o que constatamos depois de longas análises*.
É notório que todas têm/tiveram uma génese comum: e na verdade, uma vontade de reprodução do céu, ou, da abóbada celeste. Em duas palavras - INVOCAR DEUS


Assim - e voltando ao Programa da RTP - estamos perante técnicos que são muito estudiosos e muito sábios, talvez a trabalharem para as Câmaras Municipais (?)  mas que, lamentavelmente para eles, a regra é, ainda, a de fazer subordinar o mecânico ao conceptual.


Aliás, também a História da Arte - que é a «grande culpada» de esta visão ainda prevalecer continua a ir atrás disso:


Não vendo que as diferentes «tectónicas» (ou as técnicas construtivas) se adaptaram - seguindo uma máxima de que S. Paulo falou... - para produzir as formas que, por si só, eram já elas significantes.


Claro que esta é uma teimosia ou persistência muito nossa, que havemos de provar..., e já faltou bastante mais tempo, para isso acontecer!

Donde, por aqui, e como em toda a parte - e para todos - SAUDINHA É O QUE DESEJAMOS!

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* Talvez menos gestalt - ou de uma visão geral -, e sobretudo muito mais analíticas. I. e., no sentido da percepção (que cada um apreende para si) que o todo pode induzir a uma leitura diferente daquela que se pode fazer: mais rica, quando lemos as várias partes que constituem esse mesmo todo.

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8.12.19

Senão exactamente hoje, pelo menos foi-o no passado, e quase se pode dizer que o foi durante dois milénios

O culto da Virgem Imaculada, ou Imaculada Conceição  - muito frequentemente representada como uma concha  (mas não só, porque há outras representações) -, começou no Oriente tendo-lhe sido dado o título de Theotokos, o qual é explicado como Mãe de Deus

"Theotokos - Mother of God (used in the Eastern Orthodox Church as a title of the Virgin Mary)."the love poured into the Theotokos to enable her to love so fully in her turn"

 (...) ORIGEMfrom ecclesiastical Greek, from theos‘god’ + -tokos‘bringing forth’. "(*)

Numa enciclopédia on line pode-se ler:

"The title of Mother of God (Greek: Μήτηρ (του) Θεοῦ) or Mother of Incarnate God; abbreviated ΜΡΘΥ, Latin Mater Dei) is most often used in English, largely due to the lack of a satisfactory equivalent of the Greek τόκος / Latin genetrix. For the same reason, the title is often left untranslated, as "Theotokos", in Orthodox liturgical usage of other languages." (**)

Não é muito comum encontrar-se, mas as letras gregas (ΜΡΘΥ) do texto acima, foram algumas vezes usadas - em trabalhos que hoje vemos como arte -, para referir/indicar/tornar presente aquela a que, na nossa cultura, normalmente é designada por "Nossa Senhora".

Este culto nascido no Oriente foi sucessivamente ampliado, sendo que, em 25 de Março de 1646 o rei D. João IV a proclamou Rainha de Portugal.

Mais tarde, com D. João VI, vários reis católicos (da Europa) pediram ao papa que fosse declarada Imaculada Conceição.

No site da Paróquia de S. Miguel de Queijas  encontra-se informação mais completa:

"Em Portugal, a bula Ineffabilis Deus de 1854, com a definição, precisava, para ser publicado oficialmente, de beneplácito régio, que o soberano não podia conceder sem a aprovação das duas Câmaras. O Ministro da Justiça conseguiu-a finalmente, após duas sessões de três horas cada uma na Câmara dos deputados e após uma sessão de duas horas na Câmara dos Pares. Por fim, D. Fernando, regente em nome de quem viria a ser D. Pedro V, pôde conceder o beneplácito a 16 de Março de 1855. Foi publicado a bula no Diário do Governo."

Para além deste, de hoje (e pela sua imensa relevância na história da arte), já lhe dedicámos outros posts, como é possível confirmar***.

Theotokos-JDalarun-c.jpg

Por fim, e voltando à designação Thetokos que também está na imagem acima (excerto vindo de Jacques Dalarun), é importante dizer que esta designação - e a ideia da Virgem como sendo Mãe de Deus - por ser «ideia complexa» também gerou as maiores controvérsias. As quais levaram, inevitavelmente, a  diferentes «noções» sobre Cristo (ou o seu conhecimento - como em geral preferimos dizer).

O mesmo "conhecimento de Deus", e de Cristo - que esteve na raiz de algumas heresias e depois de alguns dogmas; todo um conjunto de ideias que por ser difícil de traduzir  em palavras frequentemente foi posto em esquemas e imagens de raiz geométricos

O texto seguinte que seleccionámos - a abrir um sub-capitulo de La Vierge Marie, por Jean Guitton (Éditions Montaigne, Paris 1957, ver p. 105) - e que apesar de ser um excerto muito curto já prova a complexidade e as subtilezas a que nos referimos:

Image0134-c.jpg

  *Como se pode ler aqui

** Em https://en.wikipedia.org/wiki/Theotokos

*** O último em Maio de 2019; e um dos primeiros posts (embora algumas destas referências já estejam publicadas no nosso livro, dedicado ao Palácio de Monserrate) foi em 2014. Ver ainda o post de Fev. de 2017

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8.11.19

É este o post  onde a fotografia seguinte de Jorge Maio fez toda a diferença.

Igreja-ConvtºJesus-Aveiro-Jorge-Maio.jpg

 

Ou, melhor dizendo, mais do que alguma diferença, o nosso post nasceu num ímpeto, causado pela visão de uma fotografia fantástica: 

 

Já que conhecemos iconografia semelhante em tumulária, em livros (Grammar of Ornament, de Owen Jones), e agora também em grades/guardas de uma ponte em Londres

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14.10.19

Já que, pareceu-nos, mas há que ler melhor, porque este artigo sobre museologia também tem muito do que foi a transição desde um tempo de ideias antigas e mais tradicionais relativas à Religião (e sua Arte), até aos dias de hoje:

 

Como de 1917 se foi chegando a 2019. Cerca de 102 anos da história de Fátima, que neste contexto muito específico, também nos dão uma imagem do país; concretamente do ponto de vista artístico.

 

Aliás, é uma das frases que se pode ler nesse artigo: “...inesperadas ligações entre diferentes estéticas.”   Pois, também não admira! - dizemos nós - , porque foi o que mais aconteceu nestes últimos 102 anos.

E sim, alterações estéticas, que se podem pôr em sequência, sendo interessantíssimo vê-las a evoluir. Concretamente a simplificação das imagens, o passar a um híbrido em que algumas partes ainda se lêem (e outras se tornam quase ilegíveis...)

 

E isto, ou este assunto posto assim (quase como se a História tivesse sido um work in progress) toca-nos muito especialmente, lembrando o que era o plano da nossa tese de doutoramento, e o respectivo desenvolvimento que ainda não esquecemos.

 

Ou seja, como por um caminho  de 2000 anos – ou melhor, desde 325 d. C à época actual - em sucessivas transformações da História, se tornou notório o modo como foram «secando» as fontes* da Iconografia Cristã.

 

A ponto de alguém – neste caso Alain Besançon  (e concretamente em 1994, por isso a imagem abaixo, que é aqui associada) – se referir a uma proibição da imagem** (L'image interdite ).

Besançon-ImageInterdite.jpg

E aqui faríamos ainda uma outra nota de rodapé - mas há que economizar, e avançar mais depressa - dizendo simplesmente que (é a nossa opinião), em geral, e retirando casos específicos, mais conhecidos, as imagens não foram proibidas, censuradas ou afastadas.

Segundo cremos - e na aproximação temporal àquilo a que se chama Arte Contemporânea, foi «a evolução do mundo», e das ideias, que prescindiu do seu emprego.

 

Não as quis mais, pois em grande parte a Cultura Ocidental - onde essas imagens nasceram (por terem sido necessárias) - ; a nossa cultura laicizou-se. E nesse processo (de laicização) muitas das referidas imagens morreram. 

 

Mais, abreviadamente, considera o autor (Alain Besançon), que inclusivamente se tratou de uma evolução/progressão em direcção a um iconoclasmo crescente.

 

Claro que aqui continuamos no simples Parecer (deixado logo na primeira linha), porque, simultaneamente, também nos parece que o dito Iconoclasmo, tantas vezes, é só (ou sobretudo) aparente:

 

Insiste-se: É que por muitos esquecimentos e desconhecimentos, também ainda há imagens que, para a maioria de nós, os seus referentes, são, simplesmente, insignificantes e abstractos.

 

Isto é, os supostos referentes – ou o significado de cada palavra (se se tratassem de textos escritos) – nas alusões que essas imagens fazem; elas, as referidas alusões, por não serem tão directas, nem tão eficazes, quanto conseguem sê-lo as imagens a que chamamos naturalistas, realistas (ou até designamos por icónicas); por isso são supostas insignificantes. O que pode não ter acontecido... (i. e., não ter havido vontade de abstracção)

 

Concluindo, e desta exposição em Fátima que não fomos ver, relativa a um arco de tempo em que muito mudou (concretamente na Arte); sobre o que se passou nessa evolução, claro que continuamos sem respostas definitivas: cheios de dúvidas...

 

Parecendo embora, ser este mais um exemplo, da transição de um tempo em que a Arte se fazia de imagens com «referentes de tradução directa»; para um outro tempo em que a imagem só aparentemente é que é abstracta***.

 

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*Quer as motivações para fazer as obras, quer os motivos (desenhos, ornamentos) para pôr nas mesmas.

 

**E claro que escrevemos isto por pensarmos que A. Besançon não viu, em muitos exemplos,  imagens que de facto existem, mas que para ele não têm significado; e portanto, como se não existissem, não conta com elas e não as analisa. Mas, casos há, em que por vezes os autores se referem a imagens geométricas. Servindo este epíteto apenas para dizer que há superfícies preenchidas; embora isso, ou o nada, fosse quase o mesmo, para o autor que escreveu.   

 

Do que lemos, A. Besançon supõe-as completamente abstractas, por não saber de certas correspondências, que até já no século V-VI tinham sido mencionadas pelo designado Dionísio, o Pseudo-Areopagita . Mais um, ou outro sub-tema desta enorme e complexa questão, de que já escrevemos, várias vezes.

 

*** Como se fossem arbitrárias as significações que lhes atribuem; houvesse uma total abertura na exegése (por não haver correspondências únicas), ou, por fim, como se nunca tivesse havido alguma correspondência entre imagem e ideia.

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12.10.19

... isso é um problema das mesmas ou do MINISTÉRIO DA CIÊNCIA e do ENSINO SUPERIOR?

 

E também ainda do MINISTÉRIO DA CULTURA?

 

Que responda quem quiser... 

 

Se a autonomia científica serve para destruir as investigações e a aquisição de graus académicos - por quem investiga e chega a resultados; para a pretexto da referida autonomia científica se poderem perpetuar à frente dos Institutos de História da Arte (IHA) os mais medíocres? Obviamente que se é assim...? Então o assunto deixa de ser de cada uma das instituições, passando, hierarquicamente, a quem está acima das mesmas.

 

Portanto, cabe aos Governos, e em última analise aos responsáveis dos mesmos, avaliarem da honestidade dos que estão à frente de Instituições, a quem concedem a referida autonomia científica e pedagógica  

 

imagem vinda de: Filioque.jpghttps://fr.wikipedia.org/wiki/Querelle_du_Filioque#/media/Fichier:Filioque.JPG

 

Tendo esta imagem a imensa qualidade (como várias outras que se podem ver numa obra dirigida por Jacques Dalarun) de exprimir iconicamente (transparente e com toda a clareza), aquilo que em geral ninguém tem visto na Intersecção de Dois Círculos, na Mandorla, no Símbolo do Infinito. E ainda no Arco quebrado caracteristico do Estilo Gótico, como desde 2002 estamos a defender*.

 

O que aliás nos permitiu fazer um trabalho que nos deu a imensa gratificação de uma pesquisa honesta e bem feita. E onde a IDEIA do FILIOQUE (expressa na imagem acima) foi explicada, na sua tradução geométrica, e como frequentemente apareceu nas obras (exemplo do túmulo de Egas Moniz)

FilioqueGeométrico.jpg

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*Em suma, razão para ser PROSCRITA num país de invejosos, retrógrados e medíocres

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8.10.19

Quando Fernando António B. Pereira nos dizia: "Glória, Não vai fazer uma História da Arte", então estava ainda (tão) longe destas novas trouvailles.

 

Mas, sabíamos que valeria a pena continuar, pois não era só na Iconografia antiga que poderiam surgir informações (e confirmações) do que estivera para trás.

 

Já nos tínhamos apercebido - como se uma parte da História da Arte, ou, com mais rigor da Iconologia - estivesse parcialmente escondida. E a mesma nem sempre fosse visível, em todas as épocas; ou em cada época, nas obras mais acessíveis desse período (e que hoje se conhecem). 

 

Por exemplo o Quadrifolio de que já várias vezes escrevemos, aparece depois da «fase mais intensa» do Gótico, parecendo ser uma imagem emblemática* do Renascimento 

IMG_20190920_152028-d.jpg

IMG_20190920_152137-c.jpg

Os quadrifolios de Matisse, apesar de simplificados (relativamente a este - típico quadrifolio renascentista), têm ainda a ver, e como também (nós**) defendemos, com a origem do arco que ficou conhecido como serliana.

 

* Embora como defendemos seja sobretudo, emblema, ou representação alusiva, da Mãe de Deus. Por isso (talvez de certo modo ligada - como se uma flor? fosse exclusiva) ao feminino. De qualquer modo, sublinhe-se o que escrevemos (e para os que adoram viver na minha peugada)- é uma dedução da arquitecta Glória Azevedo Coutinho. E portanto mais uma daquelas que irritam os típicos retrógrados portugueses, incapazes de aceitarem  uma mentalidade mais livre, com visões próprias ...

 

**Note-se que nunca em nenhum autor encontrámos esta afirmação, embora para nós faça todo o sentido, do ponto de vista «mecânico». O que se descobre (praticamente constante), na passagem das formas a que chamamos IDEOGRAMAS, quando geram ARCOS. Dito de outro modo, na passagem do modelo emblemático ao suporte estrutural.

 

Acontece porém que explicar isto pode não ser muito fácil, o que exigiria aulas (por ser um exercício característico de um arquitecto), ou um contacto «ao vivo», por exemplo em aulas.

 

Por fim, e sobre As sínteses visuais de Henri Matisse, temos mais alguns materiais, quem sabe se para outros posts?

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27.8.19

Quem conhece a nossa vontade de distinção, entre as primeiras ideias e as mais genéricas para o nosso blog  Primaluce, e as mais especificas para o blog  que se intitulou ICONOTEOLOGIA; quem estiver nessa situação, pode perguntar porque é que o último artigo postado em Primaluce não veio para aqui?

 

Se perguntar tem razão, pois nem sempre a pressa de escrever  nos torna mais lúcidos...

 

A luz (que é percepção dos nossos erros) pode vir só depois, como aconteceu neste caso, e assim aqui estamos, a trazer o último escrito para o lugar onde deve estar, e onde devia ter nascido.

 

Mas, algumas reacções - que é mais fácil acontecerem no facebook - também enriquecem as nossas ideias. Por isso decidimos, transpô-las, igualmente:

1º caso, introdução no facebook

 

2º caso, a uma pergunta de uma leitora - Catarina Rosenbusch Erhard - "E a seta nunca indicaria circulação ? Nem possibilidade de se dirigir do Espírito para o Filho ?"   

 

Respondemos assim:

 

"Posso responder que a questão é muitíssimo complexa. Do Espírito para o Filho, e do Filho para o Espírito, tudo foi/é possível. É Teologia Cristã (que está na base da Arte europeia). Quando um sinal posto numa obra de Arte tem várias leituras - diz-se que é polissémico - resulta portanto que a obra de Arte, tal como a Bíblia, é passível de uma exegese (quase bíblica). No nosso caso, bem possível, sou arquitecta não sou teóloga, mas admito ainda vir a estudar teologia, com orientação, para poder ir mais longe. De qualquer forma, na badana do meu livro sobre Monserrate, agradeci a Ana M. Castelo Jorge da UCP o apoio que nessa altura me estava a dar, como co-orientadora, do que iria ser a tese de doutoramento. Essa Professora está agora na direcção da Fac. de Teologia da Univ. Católica, de Lisboa. A sua pergunta é lá que pode ser melhor respondida... Obrigada pelo interesse"

 

No entanto, ao ter a noção que se podia ir mais longe na responta, acrescentou-se:

 

"E ainda acrescento, que a melhor forma (na minha opinião) de traduzir visualmente a relação íntima entre o Pai e Filho, e como dos dois procede o Espírito [ver no Evangelho de S. João 15, 26, e ainda S. João 16, 13-15], é a do esquema que durou séculos: a intersecção de 2 círculos. Esquema que por sua vez originou a MANDORLA (que está no «estilo» protogótico), e depois o ARCO QUEBRADO que é característico do estilo gótico".

 

Por outro lado, o mesmo post tinha passado da página pessoal para a de um Grupo - Arte, Museus e Património - o que nos levou a comentar «probleminhas» que temos tido nalguns dos nossos posts:

 

"Agradeço à Dália que aprovou este nosso post, para publicação. Caso continuasse suspenso, como há dias sucedeu com um outro (sem que tenha sabido se acabou publicado ou não?), seria caso para pensar que o bullying e os «métodos-para-excluir» da Universidade de Lisboa se tinham mudado para aqui. Métodos de Profs que julgam que esconder e não divulgar (depois de terem aprovado ou dado a nota máxima...) são solução válida para conservar o conhecimento, em caixas herméticas, e impedirem assim que haja evoluções. Este post que escrevi ontem, quase 17 anos depois de ter percebido como anda errada a História da Arte; "trouvaille" obtida a investigar a Arquitectura do Palácio de MONSERRATE (Sintra): este post, digo, é mais uma das provas daquilo que o conhecimento artístico tem que se desenvolver e evoluir, em investigação e conhecimento. Mais, há dias fui contactada por alguém, que se apercebeu, pelos meus blogs e posts (a sorte de haver internet), ter defendido uma tese cujos temas - na relação entre Arte e Filosofia - se aproximam muito das ideias que venho a defender. Só que, se me tenho mantido - mas felizmente, não com a ferocidade arrogante dos doutores profs, da UL! - se tenho sido resistente, é porque 'thanks GOD' as minhas convicções têm lógica e bases científicas. Serão muito interdisciplinares? Sim, são. Como a Arquitectura sempre o foi. Leiam Vitrúvio..."

Terminamos com o que se considera extremamente simpático - porque vale a pena estar nas redes sociais com uma temática cultural  que sabemos ser razoavelmente inovadora - vindo da mesma leitora:

"Do interesse da circulação e da intersecção dos saberes :)
Grata pelas seus esclarecimentos."

 

Claro que também nós estamos extremamente agradecidos

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30.7.19

Como parece poder concluir-se de um livro que nos chegou às mãos. Ou, sobretudo do Programa Visita Guiada da RTP2, como aqui podem ver. 

 

Sabemos que não são muitos os que aqui vêm, e embora tenhamos criado este blogue para divulgar a noção de que muitas imagens da Arte são de origem religiosa cristã - e por isso adoptámos esta designação (ICONOTEOLOGIA) inventada pelo Pe. Eugenio Marino. No entanto, o nosso primeiro blog que foi PRIMALUCE, esse continua a ser mais conhecido e mais visitado.

 

De qualquer forma este blog já existe desde 2012, com o propósito de divulgar Iconografia que é empregue na Arte, e cuja génese temos vindo a encontrar, directamente relacionada com textos da Teologia Cristã.

 

Podem ser textos bíblicos, ou excertos da Patrologia (ver este exemplo do século V-VIº), mas também orações  (o Pai Nosso, o Credo) cujas palavras desenharam não apenas o imaginário mental  - dentro da "caixa negra" que é o cérebro de cada um -, mas que também foram adaptados, e se podem ver em inúmeras obras realizadas. Pois foram transpostos para as mais variadas matérias e suportes, e nalguns casos com essas imagens a funcionarem como verdadeiras legendas.

 

Assim hoje temos centenas de imagens (algumas postas on line, várias fotografias, mas também muitas que as desenhámos); em resumo, inúmeras imagens difíceis de organizar por categorias.

 

Isto é, difíceis de separar segundo as categorias, hiper-delimitadas e a corresponderem às áreas cientificas que estão definidas pela Agência A3ES. Ou, como também pretendia, muito «metodologicamente», o nosso orientador do doutoramento!

 

Deste modo temos que dizer que a palavra Heráldica podendo parecer uma solução simples, para designar/nomear essas mesmas categorias, é em simultâneo demasiado redutora. Porque irá afastar (atirando para o lixo, ou para que outra área?) muitos materiais iconográficos que continuam livres. E que continuarão a circular e a serem aplicados, nas mais variadas áreas da «comunicação visual» (sem limites, e sendo ao mesmo tempo muitíssimo polissémicos...).

 

Isto é, da comunicação visual que se vai fazendo através de sinais que não correspondem a sons ou a fonemas.

 

Como lhes chamamos desde 2002, muitos desses sinais postos na Arte - e principalmente na Arquitectura, em que este tema nos interessa (sublinhe-se) - esses sinais eram como IDEOGRAMAS. Ou seja, tinham alguma correspondência a ideias - e não a sons - como acontece com as palavras.

 

E já agora, acrescente-se, mesmo que esses ideogramas estivessem em obras gráficas, com dimensões da ordem dos 2-3 milímetros, ou até menos, desde que fossem visíveis; mas podendo, em alternativa, ir até aos mais de 60 metros, como têm os arcos quebrados do Aqueduto das Águas Livres, no Vale de Alcântara. 

 

Assim no fim deste post poderão perguntar-nos - e é possível, pois talvez já se tenha dito assim...? - se os Arcos do Aqueduto verdadeiramente, são mais "estruturais" ou mais "heráldicos" ? E na verdade (para mim) essa resposta fica dificílima...

 

Porque D. João V fez o Aqueduto*, numa época em que já se conhecia o sistema de vasos comunicantes. Será que o fez sobretudo por uma questão de visibilidade, que quis dar, ao Arco Quebrado, e às formas da arquitectura gótica? Formas que passaram a empregar-se, com enorme frequência, na Inglaterra protestante (e é chamado Revivalismo do Gótico).

O que, como supomos, não aconteceu por uma razão de moda, e à semelhança dos fenómenos da actualidade  - qual cansaço em relação aos estilos anteriores... -, mas sim por razões de identificação religiosa** (separando os países que seguiram as ideias de Lutero, para a necessidade de Igreja se "reformar", dos países que seguiram Roma na designada Contra-Reforma).  

 

Voltamos à pergunta do título:

Será tudo Heráldica? Ou estamos perante Sistemas de Sinais que devem ser mais estudados e  conhecidos, já que existem em diferentes contextos, ou «linguagens»?

Depois de estudados, e se for necessário (?), podem então ser arrumados em classes e categorias...

 

SISTEMAdeSINAIS-170ppp.jpg

*Só que os referidos Arcos, e pela menor agressividade (sísmica) que o terramoto de 1755 teve no Vale de Alcântara; o Aqueduto por ter ficado quase incólume, veio assim a contribuir para se reforçar, ainda mais, a noção da capacidade de resistência estrutural do arco quebrado.

 

**Mas tornando-se, nalguns casos, posteriormente, num fenómeno de moda. E de tal modo, que ainda agora a Historiografia da Arte considera (e referimo-nos em especial ao Revivalismo Gótico), um típico fenómeno de moda. Não tendo (ainda) colocado a questão, ou a hipótese, de alguns revivalismos se relacionarem com "expressões nacionais"...

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24.7.19

... uma nova arquitectura.

 

De que já escrevemos várias vezes, como podem ler:

 

Esta última no FB, mas também em Primaluce em 26 de Fevereiro de 2011

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