Muitas imagens da arquitectura foram «iconoteologia». Many images of ancient and traditional architecture were «iconotheological». This blog is to explain its origin.
4.4.24

RE: Para nós foi!

Porém, não percebeu que, esquematicamente, a Geometria permitiu/ajudou a que não fosse utilizada (com enorme frequência) a imagem da Pomba. Isto é, a imagem icónica (sublinhe-se) que é, de entre todas, a mais divulgada.

E que para André Grabar, era também, no cômputo geral, a mais arcaica (como se lê adiante).

Neste excerto de que é autor - e admitindo que está completamente correcto -, dir-se-ía que não foram tentadas outras traduções visuais do Credo (sem a inclusão da Pomba), e que fossem capazes, só por si, de traduzir o Filioque. Mas não é verdade! dizemos nós, por conhecermos inúmeras imagens e sinais que foram criados (propositadamente) para aludir ao Espírito Santo;

(a começar pela chamada Amêndoa Mística. que está na origem do escudo português).

“...Le cas de la troisième personne de La Trinité est intéressant. A la période qui nous concerne, il y avait je pense, un seul symbole du Saint-Esprit, la colombe. Elle apparaît comme nous l’avons vu, au Ve siècle, au moins dans une scène du baptême du Christ (sur une mosaïque du baptistère des Ortodoxes à Ravenne), et dès le début du Ve siècle,  sur le trône de Dieu (mosaïque de Santa Prisca, à Capua Vetere). A part quelques rares répresentations de la Trinité, les imagiers de la fin de l’Antiquité ne paraissent pas s’être posé le problème d’une image du Saint-Esprit qui tiendrait compte de tout ce qui, selon les théologiens, définit sa nature, et en particulier ses relations avec le Père et le Fils. Cette partie du Credo du premier Concile Œcuménique n’a pas trouvé d’écho dans l’art contemporain, et cela devait être souligné, car cette lacune est significative de la distance qui séparait la grande théologie de l’époque de l’iconographie contemporaine. Mais ce qui advint de l’unique schéma iconographique alors utilisé (la colombe) est aussi curieux : Cette allégorie provient bien sûr du texte évangélique qui décrit le baptême du Christ ; il faut cependant reconnaître qu’elle est archaïque, surtout si on la compare aux autres images théologiques, et qu’elle est plus proche des tout premiers symboles chrétiens, comme l’ancre et l’agneau. Ces allégories anciennes se trouvèrent en général remplacées par des figures humaines à partir du quatrième siècle ; mais la colombe du Saint-Esprit resta, et sert encore aujourd’hui à désigner la troisième personne de la Trinité. Les imagiers ont du tacitement reconnaître que le sujet allait au-delà des moyens dont ils disposaient. Néanmoins, même en conservant la colombe symbolique, les artistes auraient pu montrer la procéssion du Saint-Esprit, a fin de traduire le Credo. Ce fut fait d’innombrables fois au Moyen Age. Dans combien de cas voit-on la colombe quittant la main de Dieu Père ou placée de façon à exprimer le filioque c’est-à-dire que le Saint-Esprit procède tout à la fois du Père et du Fils! L’Antiquité semble-t-il, n’a jamais effleuré le sujet…"[1].

Quem lê o que temos vindo a escrever, pode confirmar a nossa defesa da ideia do emprego de esquemas e formas geométricas, que foram usadas para explicar o Deus cristão e a Trindade.

Actualmente, e tendo nós em mãos um estudo/projecto de carácter religioso, seria lógico pormos em prática, o que tanto temos defendido por escrito. Só que, o facto de conhecermos as limitações que iriam existir na leitura e interpretação dessas imagens (que somos, e seríamos, normalmente levados a fazer), levam-nos a insistir no emprego da imagem da Pomba. 

Por (quase) absolutamente necessária, para o apoio à leitura e descoberta das (nossas) intenções programáticas; em resumo, aquilo a que Vítor Serrão designa Programa Estético  

EnsaiosPombaES.jpg

[1] Ver em André GRABAR, Les Voies de La Création en Iconographie Chrétienne, Flammarion, Paris 1979, pp.111-2. Excerto já citado neste outro post.

~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~

Ontem (29.06.2024) tive oportunidader de ler aqui algumas interpretações dadas a sinais (ditos apotropaicos). Como alguns podem já ter lido nos nossos textos, não concordamos, na maioria dos casos, com essa designação.

Mas adiante, visto haver no referido post e no «Texto publicado no jornal E nº 299, de 10 de Novembro de 2022», por exemplo a alusão a uma imagem cristã designada como os “9 pontos rodeados”. E explicada logo a seguir desta maneira:

"Desses 9 pontos, 1 está no centro da roda central e os outros 8 distribuem-se regularmente ao longo dessa roda. Numa perspectiva cristã, o ponto central corresponde a 1 e representa Deus, o Único, o Princípio de tudo. Os outros 8 pontos correspondem ao oitavo dia, que sucede aos 6 da criação e ao sabat (dia sagrado e de descanso no judaísmo) e é o símbolo da ressurreição, da transfiguração, anúncio da vida eterna. Sintetizando: os “9 pontos rodeados” simbolizam a criação do mundo por Deus, tal como é referida no Genesis e como tal a crença no poder de Deus sobre todas as coisas. A existência de 4 conjuntos de “9 pontos rodeados”, dispostos na decoração apotropaica em quadrangulação em simetria, resulta de o número quatro se comportar na Bíblia Sagrada como aquele que apresenta a criação de Deus e a totalidade das coisas."

Claro que trazemos este texto, bem interessante, para este blog  (Iconoteologia) e anexado a um post recente, sobre uma das representações do Espírito Santo. A mais comum.

Porque, há muito - e com Barbara Obrist - estamos de acordo que o octógono não foi apenas uma alusão ao oitavo dia da Criação, e àquele em que Deus descansou, mas também a representação sumária da Rosa dos Ventos. E esta por sua vez, tendo subjacente a ideia do Espírito de Deus - i. e., o Espírito Santo - tal como já temos escrito {ver em https://iconoteologia.blogs.sapo.pt/os-ventos-e-as-representacoes-do-106414}

E ainda no conjunto das imagens/ideogramas apresentados (a ver aqui) pode acrescentar-se que no centro existe uma cruz latina. Nessa é interessante ver como a cruz se ergue acima de 3 semi-círculos (ou lunulae, como lhes chamou Leonardo Da Vinci - em textos até agora muito insuficientemente estudados). Semi-círculos que, e mais uma vez altamente polissémicos (sincréticos, e naturalmente também enfáticos), estavam, nessa composição,  a fazer alusão à Trindade (santíssima).

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3.4.24

Para quem puder ler francês antigo, hoje, extracto de uma página de um livro de Philibert De L' Orme

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Um post que está ligado a este outro  (a continuar)

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28.2.24

 

Ontem este post de Luís Lobato de Faria fez-nos reagir, lembrando a existência da obra de Jean-Marie Mayeur.

 

Escrevemos: 

 

"Se vir no meu livro dedicado ao Palácio de Monserrate, é feita alusão ao desenho de diferentes arcos. Com o tempo apurei ideias e acho que se deve ler bem o que escreveu Vergílio Correia sobre o arco ultrapassado na cultura visigótica/moçárabe. Isso não é assim "tiro e queda", formulário visual do islamismo. Melhor, é essencial ler ainda Jean-Marie Mayeur na Histoire Du Christianisme, na Antiguidade Tardia. Tenho essa citação num post, vinda do que iria ser o meu doutoramento..."

 

Sabemos (lembramo-nos) que já referimos Jean-Marie Mayeur, assim como um outro autor imprescindível, por ser complementar para estes temas, que é André Grabar.

 

Para já - e dada a permanente falta de tempo (graças às desvalorizações que a UL entendeu impôr aos nossos estudos...) - ficam dois posts em que referimos o autor francês, e a sua importância para o conhecimento da História Religiosa da Peninsula Ibérica

 

1. Em Primaluce ver o post de 11.1.2020: Até à exaustão - como diziam os nossos alunos - aqui vamos tratar "the interlocking arch motif": - Primaluce: Nova História da Arquitectura (sapo.pt)

 

2. Em Iconoteologia ver um post de 31.10.2018: Mértola - e o muito (é imenso!) que vem a propósito... - ICONOTEOLOGIA; ICONOTHEOLOGY (sapo.pt)

 

Por fim chama-se a atenção para o que está escrito (acima): "Flights of inexhaustible imagination transform the interlockong arch motif into ever more novel forms." (**)

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(*) Mais do que implicar vários conhecimentos, deve-se dizer que implica, ou necessita de imensos conhecimentos, uma sabedoria aparentemente infindável. Porque se é preciso perceber o «mix religioso» (em camadas cronológicas diferentes, mas, talvez também simultâneas) que aconteceu nas áreas que o Luís está agora a querer estudar (com um esforço de qualidade que é notório, merecedor de elogio e respeito), o melhor, essencial, é aprofundar os conhecimentos de História. Concretamente a História religiosa desses territórios. Da mesma maneira que nós percebemos e aceitámos, já há anos, a designação ICONOTEOLOGIA, quando a encontrámos pela primeira vez.

 

E está aqui, tendo sido escrito em 23.11.2011:

 

"Glória Azevedo Coutinho (...) tem avançado no conhecimento e «des-construção» da arquitectura antiga, vista como Gótica. No novo estudo (doutoramento)pretende abordar, à semelhança do que sucede hoje, a síntese multidisciplinar da arquitectura. Como a Teologia e as Artes Liberais estiveram na base da Iconografia Cristã..."   

Um pouco mais tarde encontrámos na Biblioteca da UCP em Lisboa (BUJPII) um pequeno livro intitulado:  Cultura Religiosa en la Granada Renacentista y Barroca. Estudio Iconologico(Excerpta de la Tesis Doctoral); Facultad de Teologia, Granada, 1988, um trabalho de Francisco Javier Martinez Medina.

A partir desse momento não só captámos a ideia do título -Estudos Iconoteológicos- como imediatamente adoptámos e passámos a usar a palavra Iconoteologia. Palavra que, e como tantas vezes acontece, é tão explícita que facilita a comunicação da ideia que se quer transmitir. Por outro lado, não parece que tenha direitos de autor? Embora seja interessante saber quem parece tê-la utilizado primeiro:

Isto é, acontece que ainda antes do título escolhido por Francisco Javier Martinez Medina, já um outro autor (em cujo blog fizemos leituras e deixámos informações) tinha escolhido a tão expressiva e óbvia palavra - ICONOTEOLOGIA:

Foi o Pe. Eugenio Marino († 3.XII.2011)**, umdominicano da Igreja de Santa Maria Novella de Florença, que morreu há cerca de um ano.  

No Boletim Dominicano de Janeiro-Fevereiro de 2012 é-lhe feita uma referência, em que é destacado pelo uso que fez da expressão«Icono-teologia»: “Possiamo dire che nella sua esperienza culturale ebbe quasi una folgorazione quando si avvicinò al mondo dell’arte analizzandolo sotto l’aspetto filosofico-teologico per il quale aveva compilato il vocabolo Icono-teologia."

 

(**) As imagens vêm de Moorish Architecture in Andalusia, por Marianne Barrucand e Achim Bednorz, Taschen, Colónia 1992, ver p. 116.

Note-se ainda que Marianne Barrucand colaborou em Moyen Âge Chrétienté et Islam, dirigido por Christian Heck, Flammarion, Paris 1996.

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Não se devendo esquecer nesta temática - em que a religião é preponderante (pois motivou a maior parte da produção visual hoje chamada Arte) - uma frase de Abby Warburg.

 

Desejando ele que, no futuro, "...a História da Arte e o Estudo da Religião partilhem uma bancada no laboratório da ciência iconológica da civilização".

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10.2.24

O Gótico teve muitas versões, e apesar de se tratar de um tema (variante) da História da Arte e da História da Arquitectura, pelo menos entre nós portugueses é um assunto que está longíssimo de se estudar *.

Mas, nos países Anglo-Saxónicos, e sobretudo nos EUA, é «abundante».

Trata-se de uma tradição de raiz religiosa, que a influência inglesa (durante o século XVIII) - nalgumas cidades do nosso país (e depois também no início do século XIX, nalgumas cidades e obras de arquitectura brasileira) -, deixou bem patentes.

Como escrevemos, há/houve uma raiz religiosa neste movimento e corrente arquitectónica,   que é bastante visível no Norte de Portugal, em especial no Porto e na região duriense.

Os dois exemplos de vãos Georgian, estão relativamente distantes (no espaço geográfico), e no entanto, são praticamente iguais:

Uma enorme curiosidade!

No nosso estudo dedicado a Monserrate é referido o filósofo David Hume, que, entre outros, no século XVIII (ligados a um Comitee of Taste, e envolvidos na construção da casa de Horace Walpole - Strawberry Hill), tentaram compreender o porquê da «atractividade de algumas formas», mais relacionadas com o Bom Gosto, reconhecendo poder existir nelas, provavelmente, uma certa SIMPATIA. 

Terá sido portanto essa simpatia, que quiseram compreender, e estudar, a responsável - ideia que vários autores defendem - a responsável, dizemos, por uma certa beleza que em geral se reconhece no estilo georgian ** (de que temos alguns apontamentos já escritos, sobretudo no estudo dedicado a Monserrate).

CompararVãosGeorgian-300ppp-b.jpg

(ampliar)

* Sendo aliás mais fácil desvalorizar o trabalho dos que se interessam pela questão, cujas sequências e consequências ainda chegam aos nossos dias. Mais fácil expulsar alunos das Faculdades, do que os professores responsáveis formarem equipas para aprofundar questões, que têm, inclusivamente, interesse internacional

** E em Monserrate uma Nova História deixámos:

"Depois foram as ideias de David Hume expostas em - Of the standard of Taste que contrariavam definitivamente as teorias de “rigor matemático”, em que todas as mentes eram iguais, e avançando a subjectividade do gosto, influenciaram a criação intelectual do seu tempo. Concretamente (como pensamos) também a de Horace Walpole. A propósito de Hume e sua obra, Mark Gelernter escreveu:

 

“...He noted the inevitable Empiricist conclusion that «beauty is no quality in things themselves. It exists merely in the mind which contemplates them, and each mind perceives a different beauty». None the less, Hume went on, common sense and the demands of practical  action cause us to «seek a Standard of Taste; a rule by which the various sentiments of men may be reconciled; at least a decision afforded confirming one sentiment, and condemning another»...”

Vindo de Mark GELERNTER, Sources of architectural form. A critical history of western design theory, University Press, Manchester 1995, p. 147

E em Monserrate uma Nova História, Livros Horizonte, Lisboa  2008, ver p. 49.

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Ver também: Letter Concerning the Art, or Science of Design

 

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8.2.24

Desde muito cedo nestes estudos percebemos a importância do desenho das Coroas, das Auras, das Mitras.

O que ficou escrito (sobre este assunto) em Monserrate uma nova história é muito pouco (ver na p. 41), mas, a nossa insistência sobre a questão dos geometrismos, e da importância de algumas formas muito especificas - tratadas "en passant" no trabalho dedicado a Monserrate* - essas referências foram mais abundantes na apresentação feita na Fac. de Letras, na defesa da tese que aconteceu em 31.01.2005. 

O «power point» então apresentado, que se mantém inalterado, regista o que nesse dia foi percorrido em defesa das nossas ideias.

E apesar de na altura ter sido reservado muito material para data posterior (talvez para o doutoramento? - mas então também estávamos longe de colocar essa hipótese...); a verdade é que a partir das ideas que formámos, depois disso também passámos a direccionar as nossas explorações de acordo com o que já eram muito mais do que meros feelings.

A partir dessa via apreendemos ainda mais, adquirindo informações que - recuando agora, já não a 2005 mas a 2001 - nunca poderíamos pensar que existissem, ou que, sequer, viessem a estar alguma vez ao nosso alcance?

Como por exemplo, um dia passar a contestar (e a discordar totalmente) de algumas ideias de um Professor de História da Arte de Oxford**?

Porque, ao termos visto um desenho do túmulo de Egas Moniz, pudemos compreender que as argolas e arcarias entrelaçadas - que pareciam apenas desenhos «feitos para ser bonito» - eram, antes de tudo, a ênfase fortíssima de uma afirmação que se pretendia fazer sobre a correcção do «Aio» de D. Afonso Henriques***.

Como mais tarde compreendemos, serem formas falantes e significantes (específicas), que também se encontram nos motivos e figuras escolhidas para colocar à volta das cabeças, como sucede nas Auras.

Desenhos de Estudos

 

Depois percebemos que o mesmo aconteceu para os Halos que incluíam o corpo inteiro, e ainda, seguindo exactamente esta mesma lógica, percebeu-se que nas formas escolhidas para as paredes das edificações, estão figuras que também poderiam ser (e foram) as das Auras e Halos.

Resta acrescentar que quando se encontram textos de autores como Henri De Lubac, ou M.-D. Chenu, que se referem a sucessivas alegorias, nas representações empregues nas obras e na arte medieval - algumas com lógicas muito inesperadas, quase infantis - deduzimos que devem ter sido, possivelmente, este tipo de lógicas: que os surpreenderam, a esses e muitos outros autores?

 ~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~

*Ler Raymond Bayer, na tradução de José Saramago.

**http://www.martinjkemp.com/

***Hoje dizemos que uma informação - dada com uma certa beleza visual, a partir de um motivo que se repete e torna padrão, isso é um ornamento: uma imagem decorativa. Ou seja o decorativo foi falante, por isso se insistia, e repetia a sua utilização, a ponto de levar alguns a criarem a expressão (errónea) - de haver um "horror ao vazio"... Era ao contrário, era uma insistência, a repetir, como que a gritar (crescentemente). O que ainda hoje se pode dizer como sendo gritante e muito chamativo. 

http://primaluce.blogs.sapo.pt/

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5.2.24

O facebook insiste - e assim fazendo a Agenda das nossas publicações -, em relembrar memórias.

As de hoje 5 de Fevereiro de 2023 vinda daqui

E uma outra de 5 Fevereiro de 2019, vinda daqui

 

A primeira de certo modo remete para a Tetractys, e a segunda para a Elipse.

Mais uma vez sabemos que os Historiadores de Arte e de Arquitectura, pouco sabem destas figuras. Mas as duas estiveram presentes, e estão subjacentes, na configuração de (várias) obras arquitectónicas. De enorme importância, no contexto da História da Arquitectura, já que, em geral são casos ainda meio-enigmáticos... 

Talvez alguns que as conheçam (Tetractys e Elipsese lhes refiram como Símbolos: mas nós preferimos, como sempre vamos dizendo, chamar-lhes Ideogramas.

Tetractys,Elipse serão talvez o que aparece em Raymond Bayer, na sua História da Estética como KALA SCHEMATA? Talvez sim...

Percebe-se, razões para isso não faltam. E estas formas, seguindo uma espécie de regra da Arquitectura Barroca*, ganharam tridimensionalidade

~~~~~~~~~~~~~~~~~~

* Fazendo reviver os minúsculos IDEOGRAMAS (da Antiguidade Tardia e medievais), já que lhes deram valor e volume. Por vezes em dimensões gigantescas. Se comparado com as dimensões desses sinais, enquanto caligrafias

 

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1.2.24

Ver o que consta em Millénarisme, no Dictionnaire Critique D'Iconographie Ooccidentale

Porque, acontece que Joachim de Flore e a título de exemplo - é razoavelmente referido, e citado nessa entrada. Onde se pode ler isto: 

"Un aspect singulier de la méthode exégtique de Joachim est la traduction de sa construction historique en images et schémas visuels présents dans ses trois oeuvres principales (...) recueillis et elaborés ensuite dans le 'Liber Figurarum' . Il affirme de façon explicite que les mystères du divin peuvent être compris mieux en figurae qu'en paroles (...)

Parfois, des images diverses sont associées pour exprimer de nouvelles idées  (...)

Le trait plus original est l'usage des formes géometriques (cercle, triangle, spirale) pour symboliser la doctrine de la Trinité (...) *

TrindadeJoaquimDeFlora-300ppp.png

* Continuar a ler  nas pp. 566 e 567, de Dictionnaire Critique D'Iconographie Ooccidentale, dir. Xavier Barral i Altet, Presses Universitaires de Rennes, 2003.

Ver também sobre Joaquim de Flora, e noutros posts em que referimos as suas "figurae":

O tempo que passa e o mundo que evolui - SENTE-SE - e encontra-se na Internet... - ICONOTEOLOGIA; ICONOTHEOLOGY (sapo.pt)

Claro que, sabemos (todos) que a Quantidade de Informação importa menos do que a sua Qualidade - ICONOTEOLOGIA; ICONOTHEOLOGY (sapo.pt)

Novas explicações sobre o Pensamento Visual que gerou as formas arquitectónicas consideradas abstractas - ICONOTEOLOGIA; ICONOTHEOLOGY (sapo.pt)

A noção de pertença a um grupo - ICONOTEOLOGIA; ICONOTHEOLOGY (sapo.pt)

Bem antes dos Círculos serem «de Venn», e até dos do Mosteiro da Batalha: - ICONOTEOLOGIA; ICONOTHEOLOGY (sapo.pt)

Ontem recebemos: HOMENAGEM A ANTÓNIO QUADROS (NEWSLETTER 067) - ICONOTEOLOGIA; ICONOTHEOLOGY (sapo.pt)

Quando Fernando António Baptista Pereira esteve empenhado nos nossos estudos... - ICONOTEOLOGIA; ICONOTHEOLOGY (sapo.pt)

No Mausoléu de Santa Costanza:  O Mundo da Arte, e as suas curiosidades... - Primaluce: Nova História da Arquitectura (sapo.pt)

E ainda (relacionado com o anterior): Círculos e mais círculos (que ninguém quer entender) - Primaluce: Nova História da Arquitectura (sapo.pt)

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31.1.24

... and how they shaped Architecture

 

Talvez a melhor associação de círculos, a mais eficaz, ou a mais conhecida para explicar a Trindade (cristã) no tempo, seja a de Joaquim de Flora? 

O tempo do Pai, o tempo do Filho, e o tempo do Espírito Santo: como esquematizado na primeira das imagens seguintes:

Desenho-Arcos-formulesStereochimiques-e.jpg

Já as duas outras imagens a seguir (agrupadas para explicar a origem do arco ultrapassado, e a do arco quebrado), referem-se a interpretações diferentes, da organização da Trindade: esquematizada, dizemos na sequência do que André Grabar escreveu, como se fora uma molécula, de uma substância química.

Mas estes dois posts de Abril de 2012 -e - contam a história de como pode ter sucedido. 

Não apenas em francês, mas como houve outras alternativas, e em que se associaram os círculos de modos diferentes, para esquematizar as ideias - o que se julgava ser Deus, e como se conhecia - vindas da teologia cristã. 

Enfim, as concepções que se discutiam sobre Deus, e como os teólogos medievais as iam propondo, ou interpretando, para os crentes *.

A dar continuidade a milhares de posts anteriores **, como é este último, vamos mostrando o que tem sido a nossa investigação, o conhecimento e a sua produção - verdadeiramente amordaçada por catedráticos da Universidade de Lisboa.

Os que em nada quiseram contribuir para o país, e para o desenvolvimento de disciplinas, que, normalmente, noutros países, são essenciais ao turismo, à cultura, e também à evolução das mentalidades.

~~~~~~~~~~~~~~

* Não sem disputas, como aliás aconteceu a muitos seguidores de Joaquim de Flora, que foram considerados hereges.

** Como dizemos, já se escreveram centenas de posts, milhares, dedicados aos nossos temas que a FBAUL e FLUL continuam a esconder: Como se fossem Senhores do Saber, impedindo as instituições onde estão/estiveram de progredirem e de atraírem estudantes...

Com a Iconografia Cristã - - Primaluce: Nova História da Arquitectura (sapo.pt)

De uma arca tumular de Alcobaça... - Primaluce: Nova História da Arquitectura (sapo.pt)

VAI SER NATAL ... (com as "lunulae" de Leonardo da Vinci) - Primaluce: Nova História da Arquitectura (sapo.pt)

Motivos decorativos, falantes, inseridos nas obras ? Ou ... serão segredos escondidos? - Primaluce: Nova História da Arquitectura (sapo.pt)

Ele tem dias (IIº) .................................hoje uma esfera armilar diferente das manuelinas, que são as mais «comuns» (das existentes por aí) - Primaluce: Nova História da Arquitectura (sapo.pt)

Com as informações que temos recolhido - e não são poucas... - Primaluce: Nova História da Arquitectura (sapo.pt)

A Mandorla - a forma que esteve na origem do Arco Quebrado (considerado «marca« do estilo gótico)... - Primaluce: Nova História da Arquitectura (sapo.pt)

Pára... parou! Estagnou! - Primaluce: Nova História da Arquitectura (sapo.pt)

Une Arche à la Philibert de l'Orme - Primaluce: Nova História da Arquitectura (sapo.pt)

Haverá melhor exemplo - em quantidade e em qualidade - do emprego da Mandorla? - ICONOTEOLOGIA; ICONOTHEOLOGY (sapo.pt)

Ainda a Iconografia cristã (a continuar no próximo ano) - ICONOTEOLOGIA; ICONOTHEOLOGY (sapo.pt)

Lembrando Almada Negreiros, e ainda ---------------------------------------------------» o uso da Geometria - enquanto matéria de que é feita a obra de Arte - ICONOTEOLOGIA; ICONOTHEOLOGY (sapo.pt)

Tenho acompanhado algumas publicações e inclusive as evoluções feitas por Luís Lobato de Faria - ICONOTEOLOGIA; ICONOTHEOLOGY (sapo.pt)

Das Contas dos Rosários - e dos Terços - às Pedras das Ogivas - ICONOTEOLOGIA; ICONOTHEOLOGY (sapo.pt)

E a terminar, a Cruz em Aspa, feita colar simbólico-honorífico de D. Manuel I: Vários significados presentes nas Ogivas (e suas pedras). Não secretos ou escondidos, mas exuberantemente visíveis... - ICONOTEOLOGIA; ICONOTHEOLOGY (sapo.pt)

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20.1.24

As imagens de Deus sempre presentes, e neste caso de magna importância. Por ser um documento - Carta dirigida ao Papa -  pelo não menos importante Henrique VIII.

Queria obter a anulação do casamento com a sua primeira mulher, para se casar com Ana Bolena - que foi depois a mãe da rainha Elizabeth I da Inglaterra.

Na minha interpretação, ou os selos suspensos e cosidos ao documento são todos «relativos» e do próprio rei, como sinal do seu Poder?

Ou, aparentemente, e o mais provável, os selos seriam dos 81 nobres que com ele assinam a Carta? Para assim reforçarem o pedido e a vontade, que corroboram, do seu rei?

Sigilografia-200ppp.jpg

Segundo a autora do post - que imediatamente nos fez reagir - trata-se de:

"Imagem da carta assinada por 81 nobres ingleses, enviada em 1530 Papa Clemente VII, com pedido de cancelar o casamento anterior do rei Henrique VIII, para que o mesmo pudesse casar com Ana Bolena."

E ao ver a proliferação de sêlos, em forma de Mandorla. escrevemos isto:

"Não sei de onde a fotografia vem, e a quem pertence. Em termos de sigilografia, os sêlos pendentes do documento são chamados «dupla ogiva» (*).

Eu chamo-lhes mandorlas. A forma presente em muitos tímpanos de igrejas romano-góticas, e mais tarde transformada em arco quebrado.

Sabemos que a designação vinda da área científica da sigilografia é a de quem não conhece a mandorla, nem as transformações que esta forma foi sofrendo: quer de ordem linguística, quer com base geométrica.

Assim como a sua presença em várias (inumeras, incontáveis) obras de arte, incluindo a arquitectura."

Portanto imagem e texto vêm daqui

~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~

(*) Designação que se considera bastante ignorante, provando a dificuldade de haver interdisciplinaridade nas investigações cientificas de áreas que são tão próximas. Que obviamente, ninguém se preocupa em coordenar.

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6.1.24

Enquanto uns nos expulsaram da Universidade de Lisboa (*), outros - em pleno Alentejo, ao ar livre - estão a recolher imagens fantásticas, semelhantes às que temos guardado e coleccionado, vindas de livros. 

Imagens que foram iconoteológicas, como se tem explicado

Tudo isto se deveria vir a juntar um dia, porém, contando com a nossa falta de disponibilidade, por termos que estar noutras tarefas (consideradas prioritárias), é importante, já, fazer chegar esta informação ao Luís Lobato de Faria

Image0049-3.jpg

(*) Na FLUL - Vítor Serrão, na FBAUL - Fernando António Baptista Pereira. Os dois a fazerem-nos lembrar uma frase de J. P. Sartre: "vítimas e cúmplices"...

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