Muitas imagens da arquitectura foram «iconoteologia». Many images of ancient and traditional architecture were «iconotheological». This blog is to explain its origin.
12.2.15

A página abaixo foi escrita no século XII por Mestre Hugo da Abadia de S. Victor em Paris.

O mesmo autor que escreveu os Tratados da Arca de Noé que originaram a igreja românica, a qual evoluiu e se tornou depois na arquitectura Gótica: a das Catedrais que proliferam por essa Europa fora.

Como também foram disseminados - é a palavra da moda - os Tratados que mencionámos. Quem os estudou refere algumas centenas (embora não se tenha presente, neste instante, o número exacto).

Mestre Hugo é conhecido por inúmeras obras, mas, normalmente não se lhe atribui - com toda a precisão, e sim ao Abade Suger - o início da Arquitectura Gótica.

O que também não admira, pois a maioria dos autores não conhece, i. e., alguns até propositadamente desconhecem a  evolução que houve do chamado estilo Românico para o Gótico*.

O Símbolo de que decidimos escrever, é normalmente conhecido como Credo, ou ainda como Símbolo de Niceia, que mais tarde em Constantinopla foi completado.

No sublinhado do texto (a amarelo) diz-se que os Santos Padres convocados para o Concilio de Niceia, em 325 - o Iº Conc. Ecuménico da História da Igreja; chamados por Constantino, o imperador romano que concedeu liberdade de culto, como se lê esses "Santos Padres ensinaram um Símbolo"... 

Do Didascalicon.jpg

(clic na imagem)

Mas, queremos acrescentar - um Símbolo constituído por palavras, para definirem uma ideia específica sobre o Deus-Cristão. Vários séculos mais tarde, a própria Igreja defendeu que, para os que não sabiam ler, eram necessárias imagens que dissessem o mesmo que as palavras.

Como escreveu E.H. Gombrich na sua História da Arte: "Pope Gregory the Great, who lived at the end of the sixth century  AD, took this line (...) these images were as useful as the pictures in a picture-book are for children. 'Painting can do for the illiterate what writing does for those who can read', he said."**

Claro que depois deste conselho, numa carta ao bispo Serenus de Marselha, houve centenas de anos de evoluções; e quando no séc. XII Hugo de S. Victor optou por um conjunto de formas para estarem nas igrejas/templos e serem contempladas, esse conjunto de formas, tal como as palavras do Símbolo da Fé (católica) deveriam ser lidas de tal modo que mentalmente «reconstruíssem» (como fazem as palavras) esse mesmo Símbolo da Fé.

(este post será seguido de outro, também sobre um Símbolo redigido noutros concílios e sínodos. Ainda está em execução, não desistam para passarem a compreender a origem da vulgarização actual desta palavra - símbolo...)

 

*Note-se que Françoise Choay mostra num dos seus livros que tudo (a arquitectura cristã) era visto como Gótico, desde muito antes de ter surgido o Estilo a que hoje se chama Gótico. Mas mostra-o de uma forma «quase confrangedora», porque não admite que aqueles que a precederam (há séculos) se tenham enganado a nomear e a classificar os Estilos da Arquitectura Cristã. Chega a fazer parecer-nos (a nós todos que estamos no século XXI, e que começámos a saber disto nos finais do século XX), que acha que os autores do século XIX (ou de vários séculos antes...), que esses ainda não saberiam que no século XX, se iria «trabalhar» com as classificações e nomenclaturas como agora são e estão em vigor!

Em suma, muitas vezes é até perturbante estar a ler este tipo de textos, com as afirmações que contêm, em autores que todos nós consideramos «consagrados» (!?)

**Ver E.H. Gombrich,The Story of Art, Phaidon, Pocket Edition 2006, pp. 104-5

 

 

 

link do postPor primaluce, às 16:00  comentar

 
Primaluce: Uma Nova História da Arquitectura
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