Muitas imagens da arquitectura foram «iconoteologia». Many images of ancient and traditional architecture were «iconotheological». This blog is to explain its origin.
22.3.14

Onde está um texto intitulado - A PROPÓSITO DE "RAPAZES”..., por Francisco Moraes Sarmento, que termina assim:

Neste aspecto, António Quadros não deixou de estar também atento ao preceito alvarino segundo o qual não há filosofia sem teologia e, assim, também pensou os modos da ideia de Deus na história portuguesa.”

 

Quando em 2002 começámos a perceber que estávamos a encontrar vários materiais que A. Quadros tinha procurado, virámo-nos logo para alguns dos seus livros (que A. Ferro nos oferecera); mas, apesar de serem «óptimas portas» para entrar numa temática que é muito difícil, as informações também eram insuficientes (e não exactamente o que queríamos). Pelo que nos pareceu essencial ir procurar noutros livros. Tanto mais que, também estávamos a perceber que várias Ideias (como as últimas palavras que constam na citação acima) tinham sido traduzidas por Imagens.

Depois (de 2006-2008), desde que encontrámos na biblioteca da UCPBUJPII - um intitulado Estudio Iconoteológico*, a partir dessa data nunca mais largámos a palavra Iconoteologia (criada por Eugenio Marino O.P.); porque é muito explícita: ao conseguir exprimir o essencial daquilo que se passou na Arte, e como Deus está/ficou na história (e também na portuguesa). Concretamente no que hoje se chama História da Arte.

É que mesmo que a Europa não tenha querido integrar no Preâmbulo da sua Constituição uma referência à génese cristã, todos temos acesso e podemos conhecer a História da Europa, e a dos povos e nações que a formam: como quiseram chegar («invadir»?) ao antigo Império Romano, e como contribuíram para aquilo que é actualmente.

Mas também para o que foi, e está muito esquecido, nos contributos de Clóvis (séc.V) e sua conversão ao Catolicismo; ou sobretudo com o contributo de Carlos Magno (séc. IX) que se rodeou de teólogos, querendo renovar o antigo império romano que decidiu «designar» para um futuro duradouro: Sacro Império Romano-Germânico. Perdurou até à Revolução Francesa.

Assim parece que se deve conhecer a História, mas também a Filosofia, e perceber como esta se transformou em Teologia: exactamente quando quis conhecer Deus**.

E ainda (porque não?) - fazemos uma sugestão aos leitores: que visitem os Cadernos de Filosofia Extravagante onde se fala de Pinharanda Gomes e as suas buscas. Feitas, não no sentido da foz (de um ribeiro ou rio), mas “na direcção da nascente”. Alguém de quem também foi escrito: “não precisou de Faculdade porque já é dotado dela. Num tempo em que a Universidade se opõe à Cultura – segundo a acepção de Álvaro Ribeiro de que só é cultura aquilo que pressupõe um culto...”***

(clic para legenda)

Acima a capa de um livro de uma autora citada por A. Quadros - em Portugal Razão e Mistério, Guimarães Editores, 2ª edição, 1987. Ver vol. II, p. 33.

Note-se que refere os Profs. Lenone Tondelli e Marjorie Reeves, como tendo identificado "...o autor até aqui obscuro, do códice 'Liber Figurarum': o Abade de Flora." No nosso trabalho dedicado ao Palácio de Monserrate, como é sabido (e explicámos), logo de início muito mudou: exactamente quando compreendemos a Mandorla e o Arco Quebrado - formas iconográficas geradas por dois círculos que se intersectam (ou entrelaçam). Formas que, se as contássemos (?), poderíamos verificar como estão presentes dezenas de milhares de vezes, naquilo que agora são obras de arte. 

Sobre a exegese da figura acima e dos 3 círculos (trinitários) que a formam, considera-se que é um tema próprio da Teologia e dos Teólogos. Embora nos interessem (e temos muito trabalho feito sobre esta questão), as representações iconográfico-geométricas consideradas abstractas: as quais foram ideogramas (e depois ornamentos), e a que Antónios Quadros se refere, repetidamente, nas referências infindáveis que conseguiu cruzar.

No entanto, as que nos interessam não são todas: mas apenas aquelas que «chegamos a ler» (ou a descortinar o respectivo sentido). O qual nos parece ser, sempre, mais directo e bastante mais simples do que António Quadros supôs, por serem imagens baseadas na Teologia. Isto é, num conjunto de conhecimentos que, munidos de toda a objectividade (e máximo «enquadramento histórico» ), podemos conhecer e colocar em paralelo.

Ou seja, olhando as ideias teológicas de cada época, e as imagens que simultaneamente foram criadas, para visual e ideograficamente as traduzirem. Por isto também se pode acrescentar - inclusive para as pinturas pré-históricas a que Quadros também se referiu (como "representações pictográficas") - que a Imagem precedeu a Palavra. E, clara e obviamente, também o alfabeto!   

Na obra que estamos a citar - agora o vol. I, pp. 97 e 145 - António Quadros realça a sua perplexidade face ao que encontrou: enfatizando sempre a ideia, no que segue outros autores, de que estas linguagens (visuais) a que chama escritas podem ter sido especificamente ibéricas. E, enfim, na p. 149 registou a seguinte citação (que em nossa opinião, é marcada por um empolamento, excessivo, do papel de uma região - a Ibéria, para aquilo que é comum a toda a Europa!):

"A escrita ibérica espera ainda o seu Champollion,...".

A imagem acima vem de: http://www.amazon.com/Joachim-Prophetic-Future-Marjorie-Reeves/dp/0061319244%3FSubscriptionId%3DAKIAILSHYYTFIVPWUY6Q%26tag%3Dduckduckgo-d-20%26linkCode%3Dxm2%26camp%3D2025%26creative%3D165953%26creativeASIN%3D0061319244

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*Cujo título completo é: Culture religiosa en la Granada renascentista y barroca: estudio iconoteológico, por Francisco Javier Martínez Medina. Granada: Facultad de Teologia, 1928.

**Como escreveram alguns autores, e registámos nas nossas investigações. Por exemplo :  "…quand les connaisseurs de Dieu célèbrent par des noms multiples la cause universelle de tout effet en partant de tous ses effets, comme Bonté, Beauté, Sagesse, comme [596 B] Digne d’amour, Dieu des dieux, … ".  Ver Maurice GANDILLAC, Œuvres Complètes du Pseudo-Denys, l’Aréopagite. Traduction, Préface et Notes, Éditions Montaigne, Paris 1943: pp. 74 e 75. E ainda sobre a expressão "conhecimento de Deus", note-se que já a deixámos em Monserrate, uma nova história. Ler nota nº 92, op. cit., p. 167. Podem parecer questões antiquíssimas e desinteressantes, mas são o nosso inconsciente (colectivo).

***Ver em: http://filosofia-extravagante.blogspot.pt/2009/07/extravagancias-23.html

Voltar aonde se continua a «marcar a agenda»...

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15.3.14

O título é nosso vindo de Alain Besançon, porque nos parece servir "que nem uma luva" aos autores acima referidos (mas também a mais alguns), nas suas demandas infindáveis, relativamente a algo que detectavam e cuja história, origem contornos, eles não conseguiam definir...

Como se tivessem apenas radares - e não olhos para ver de perto -, sentiriam talvez, «num fundo» e subjacente, a origem de muitas das formas que estão nas Obras de Arte?

Mas, alguns escritos de Lima de Freitas - e por nós temos que o lamentar relativamente a temas da Teologia Cristã (pois esses seus escritos são interessantes e apelativos) -, porém, também são «um pouco» desprovidos de rigor: aquele que hoje nas universidades se incute para quando se fazem pesquisas.

É certo que poderão ter existido (inúmeros) desvios e interpretações na(s) doutrina(s) da Igreja e do Catolicismo. É sabido, e Lima de Freitas pode ter recebido «informações corrompidas»... 

No entanto, e insiste-se, isto custa a escrever, mas a maneira como Mestre Lima de Freitas se referiu a determinadas questões - sobretudo porque não cita as fontes, - também nos faz supor que não investigou devidamente.

Que escreveu sobre vários assuntos de diferentes temas, simplesmente a partir da sua vasta cultura: recebida formal ou informalmente (?), mas talvez não actualizada? Talvez sem confrontar as ideias que foi formando ao longo da vida, com o que ocorreu de facto: e com o que muitos investigadores estavam então (exactamente nessa época) a registar... Enfim, escreveu sem confirmar...?

Porque algumas das matérias de que escreveu (e ainda bem que o fez, pois não deixa de ser útil ter registado toda essa «sua demanda»), elas encontram-se hoje em diferentes livros, que são muito mais objectivos do que subjectivos: i. e., e como supomos, a não distorcerem a verdade histórica, que é o normal!

E aqui estamos a pensar no Catecismo Católico, dirigido pelo Cardeal Ratzinger (Out. de 1992). E ainda, concretamente, na Histoire Des Dogmes, obra dirigida por Bernard Sesboüe, editora Desclée 1994. 

São obras que abordam as muitas querelas que houve (e talvez algumas ainda existam?) - em torno do Deus Cristão: da Trindade e do Espírito Santo. Referimo-nos aos desentendimentos ocorridos, principalmente, na Península Ibérica.

Particularmente em Toledo, desde o ano 400, chegando a Carlos Magno e à sua afirmação de um Símbolo da Fé, que de início foi Gótico; até que Roma o «manteve», chegando aos dias de hoje (com mais ou menos vontade da Igreja Romana...?*).    

Que muitas dessas temáticas estão agora mais estudadas (e não votadas a interpretações e «secretismos»); ou seja, que depois do Concílio Vaticano II, e portanto quando Lima de Freitas teria já cerca de 55-60 anos (e as suas certezas já adquiridas!?), esse é um assunto de que não temos dúvidas.

Acontece porém - e a nossa formação de base é a de projectista e não de historiadora (e é com esta lógica de rigor que pensamos), considera-se surpreendente que tenha escrito sem compaginar mais (mas muito mais), as suas ideias que subjectivamente foi formando, com o que o que parece ter acontecido?

Ou só na nossa geração - cerca de 20-30 anos depois -, e dado o afastamento actual ocorrido em relação à Igreja, é que é possível investigar de maneira objectiva? Só agora é que somos (todos) mais dados ao rigor?  

Se é assim, então prova-se que há uma nova História da Arte para escrever? Que não andamos enganados, muito menos a enganar...

 

Passando agora ao «quase silogismo» prometido, em 3 premissas (marcadas com cores diferentes):

 

1. Houve uma geração que em demanda permanente procurou o significado da Mandorla. A Obra de Lima de Freitas prova-o. Como consta na imagem seguinte (tendo produzido muitas mais...)

2. A Sigilografia actual, isolada e alheada de tudo o que é Arte e expressão visual, toca o assunto «com pinças», e chama-lhe "Dupla Ogiva". Será por falta de conhecimentos, medo de infecção, ou são aquelas «capelinhas», que cada orador quer ter a sua? Assunto que podem pesquisar a partir do link**.

3. A autora de Monserrate uma nova história - «demasiado bem» orientada, precisamente há 12 anos, na Faculdade de Letras de Lisboa, encontrou por acaso (será que foi sorte ou azar***?) o significado da Mandorla, e a sua primeira e quase exclusiva referência (alusão ou representação?) ao Espírito Santo.

 

 

(clic para ver as legendas)

*O que já implicou «altos-estudos» da nossa parte, estando alguns (apenas o início) no nosso trabalho feito sobre o Palácio de Monserrate.

**http://indexrerum.com:8080/selo/jsp/view.faces

***Apesar do que vai acontecendo, também temos «radares» que estes blogs completam: quem nos visita, de onde vem e para onde vai! (ficando muito mal nos instantâneos).

Voltar a: http://primaluce.blogs.sapo.pt/

 

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25.2.14

Por nós, quando em 1976 entrámos para o IADE e nos preparámos para a actividade docente que iríamos passar a exercer, então não só o Design era algo comparável a uma ideologia - como a salvaguarda e preservação do Património, frequentemente também é (hoje); mas, o Design era até considerado salvador, ou mesmo «quase redentor»... 

Pode supor-se (nós admitimos que sim) que estas duas «actividades redentoras» terão sido influenciadas e baseadas, provavelmente, nos escritos de Ruskin e Pugin, a que William Morris deu mais força e continuidade?

Embora, em alternativa e complementarmente, também se deva ter em consideração que a Construção sempre foi um tropo (moral/moralizante), daí a existência do adjectivo "Edificante". 

Assim, na 2ª metade do século XX, e depois no pós-25.04, observa-se em Portugal, nalguma mentalidade mais lúcida da época**, o reconhecimento de que o Design era essencial: uma base que deveria estar aliada ao desenvolvimento da Indústria. Aliás, provam-no bem as designações das várias Secretarias de Estado do Min. da Economia - se é que alguma vez existiu um Min. da Indústria (de que não nos lembramos?) ...

Mas, como desde então muito mudou - para o péssimo de hoje, actualmente, salvo honrosas excepções de quem conhece e está preparado para «fazer bem» (e acrescentar qualidade em tudo aquilo que faz), em geral fica-se pela rama. 

No Design, como se essa fosse a regra, observam-se meros estilismos - completamente superficiais, sem haver qualquer preocupação com a essência das coisas!

Parece-nos que apenas a imagem final, como um invólucro, e embrulho, é a única preocupação e a razão justificadora, do que é (ou pelo menos devia ser, caso funcionasse bem!) um sector amplíssimo, das actividades económicas de um normal país europeu? 

(clic para legenda)

Quem explica agora que a imagem de um verdadeiro Design (o de ideólogos) - se houver projecto sério e coerente - é a verdadeira? Enquanto a imagem que é criada pela propaganda é a falsa, e não existe? Porque é, e será sempre, meramente virtual.

Isto é, não materializada e inexistente - já que, se existisse, isso seria um bem verdadeiro; deixando de ser necessário haver a publicidade enganadora.

Quem explica - aos Josés, aos Antónios e Manéis; às Marias, Ritas e Martas, pessoas normais, «simples e descomplicadas», que a verdade pode ser difícil de captar:

Sobretudo quando a Pantomina, apesar de realmente tosca, está demasiado bem montada? Quem lhes mostra que estão a ser enganados?

Se cores berrantes e gritantes já não servem para aviso, como no trânsito?

Se tudo grita minha gente, pois todos os sons e sinais sonoros são audíveis,... Se é assim? Se não distinguem os sons dos avisos? Se não a vêem, que essa onda não vos leve pela calada da noite...

Deseja-se que possam conhecer a Lâmpada da Verdade de John Ruskin - pois sem luz não há visão***!

~~~~~~~~~~~~~~

*Equívocos de tradução, a lembrar a palavra SAUDADE, que essa é sim muito mais complexa, e de maior dificuldade para explicar e traduzir... Design é:

http://fotos.sapo.pt/g_azevedocoutinho/fotos/tempovoltapatr-mostraossonhosquetinham/?uid=Z6VAzgO63MeiDnFEqyrR

http://fotos.sapo.pt/g_azevedocoutinho/fotos/quepensardartistasecriadores/?uid=qsuDqijFlL1zRZvcSneo

**É importante conhecer o que consta em alguns estudos sobre os «pioneiros da postura em causa», e que, apesar das imensas vicissitudes, há que reconhecer a visão de A. Quadros. E nesse seu acerto, lembre-se, houve depois uma outra vertente que recordamos bem, pelo entusiasmo com que durante uns meses falava nela. Supomos ter sido grande (ou essencial?) o seu contributo para uma nova visão do valor e importância dessas actividades: na FIL o que foi o primeiro Salão das Indústrias da Cultura (terá sido esta a designação?), teve um grande empenho seu. Porque escrevemos de memória, espera-se que haja registos do que foi, e sobre quem verdadeiramente idealizou esse evento?

http://repositorio.ul.pt/bitstream/10451/2485/1/ulsd059654_td_Anexos_Victor_Almeida.pdf

http://repositorio.ul.pt/bitstream/10451/2485/2/ulsd059655_td_Tese_Victor_Almeida

Que não sobrem apenas vagas memórias: http://industrias-culturais.blogspot.pt/

***http://primaluce.blogs.sapo.pt/1330.html

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Primaluce: Uma Nova História da Arquitectura
Novembro 2017
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