Muitas imagens da arquitectura foram «iconoteologia». Many images of ancient and traditional architecture were «iconotheological». This blog is to explain its origin.
10.9.15

Já escrevemos sobre este assunto: i. e., sobre ICONOGRAFIA que entre milhares de outras obras está também no Portal Sul do Mosteiro da Batalha.

E, inclusive, já se publicou a imagem Trinitária seguinte (que também nos serviu para outros propósitos), imagem que é composta a partir de 3 círculos e que esteve na origem do desenho desse portal.

Comparem portanto as duas imagens seguintes:

Sendo que esta primeira foi desenhada em Fev. 2015

 

trifoil-fev.2015.jpg

 

E a seguinte que se refere aos Círculos de Venn terá sido feita no século passado: é da autoria de uma designer que assim homenageou John Venn, e terá respondido a uma encomenda para um vitral (ler em https://pt.wikipedia.org/wiki/John_Venn e na fotografia reparar no texto), aludindo ao autor - matemático - que (erroneamente) se considera o criador dos referidos círculos.

Porém, esses 3 círculos que são muito característicos da Arte Cristã são normalmente arrumados de outra forma, porque a sua posição relativa deveria traduzir o melhor possível duas (ou 3?) ideias:

1ª - A ideia da Dupla procedência do Espírito Santo, e a existência de uma Homousios*

2ª - A maior ênfase dada por S. Tomás de Aquino relativa às três pessoas - ou Hipostases - que deviam ser unas e distintas (e assim não apenas dois círculos como acontece no Ideograma que deu origem ao Arco Quebrado)

(e ainda)

Na 3ª ideia - a Circum-Insessão**, que é a semelhança com Três Sóis que se interpenetram, e que por vezes aparece designada como Pericorese (ou, para alguns, aquilo a que chamam a «dança de Deus»). Esta noção de circuminsession (ver Concise Dictionary of the Christian Church, por E. A. Livingstone, ed. Oxford, 2006) é atribuída a S. Tomás de Aquino.

 

Venn-stainedglass-gonville-caius.jpg

 

 Acontece que se se olhar -  «com olhos de ver à distância»- a História da Arquitectura e da Iconografia Cristã, percebe-se que já vêm de longe (mesmo de muito longe***), os referidos círculos:

Euler usou-os antes de Venn, mas o mesmo tinha feito, por exemplo - e há provas disso (como é o caso do Liber Figurarum) - Joachim de Fiora (m. 1202): nesse caso usou-os para explicar a sua «teoria» sobre um tempo do Pai, um tempo do Filho e um tempo do Espírito Santo.

Em nossa opinião, e na defesa que fazemos da História da Arte dever ser considerada como uma Iconoteologia, nesta perspectiva por várias vezes já aqui referimos as mudanças ocorridas na Teologia com os contributos de S. Tomas de Aquino. E sobretudo como a passagem da Idade Média para o Renascimento não é um corte absolutamente notório (como a historiografia da arte tem pretendido desde Jacob Burckhardt), mas várias pequenas transições de raiz teológico-filosófica:

E na transição final ocorrida, verifica-se a passagem de uma mentalidade mais platónica, para uma outra mentalidade - que apesar de se manter ainda imbuída de muito platonismo - passou a ser consideravelmente mais aristotélica.

A Arquitectura Gótica cuja sistematização (por escrito) foi feita por Hugo de S. Victor e que, supomos, deve a Suger um dos maiores impulsos, foi influenciada - como sempre tinha sido, pelo evoluir das ideias: Vincent de Beauvais, Sto. Alberto Magno e S. Tomás de Aquino. Mas sobretudo, por fim, com a força das ideias (de S. Tomás) que ficaram estabelecidas na última sessão do Concílio de Trento: i.e., já depois de várias alterações de fundo que as ideias de Lutero desencadearam.

Tudo isto estará por detrás daquilo que se vê ir mudando nas formas dos Ideogramas que a arquitectura usou como ornamentos, como peças de suporte estrutural, ou nas edículas (janelas e portais) que se construíram. Tudo isto está por detrás do perdurar do estilo Gótico, e sobretudo da utilização deste estilo nos países do norte da Europa, que, por coincidência, em geral correspondem aos países protestantes, e aos países onde até mais tarde existiu ou se fez sentir o Império (sacro) que Carlos Magno fundou.

Entre nós, bem antes do Portal Sul do Mosteiro da Batalha - e, com mais rigor, pode haver outros casos, não sabemos? - mas, as referidas edículas aparecem já (ainda antes de serem «arquitectura») no túmulo da Rainha Santa, e logo depois nos dos seus filhos Pedro e Inês, onde aí, muita criatividade - geométrica-teológica?-  também gerou várias outras edículas (diferentes).

 

Assim, continuamos cientes da dificuldade da nossa posição, mas absolutamente convictos nas nossas ideias. Razão para entendermos que várias instituições de Ensino Superior deveriam ter colaborado entre si para que o nosso doutoramento se concretizasse.

Obviamente, também houve quem achasse que isso «não dava jeito nenhum», visto que, capturado o poder - por alguns grupos que entretanto se introduziram numa dessas instituições - havia que o manter...

Mas, no entanto, e como se vê, o verdadeiro conhecimento consegue assustar o dito Poder

 

Referências (outras serão apresentadas mais tarde):


http://primaluce.blogs.sapo.pt/atendendo-a-que-este-e-o-ano-232457


http://iconoteologia.blogs.sapo.pt/46487.html


http://iconoteologia.blogs.sapo.pt/dedicado-a-nuno-crato-ministro-da-62774

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*Mas, para explicar esta ideia também se usaram triangulos, ou, imenso, o "Y": que está em ogivas, paramentos, representações pictóricas... Forma que é das mais ricas em termos de mapas mentais, colocados depois em qualquer tipo de sinalização visual ou gráfica, como acontece também no trânsito. Forma que é ainda letra, uma inicial possível do nome de Jesus, e portanto hiper-polissémica.

**Noção definida/explicada também por S. Tomás de Aquino.

***Santo Agostinho referiu e comparou Deus a uma Esfera; o Pseudo-Dionísio Areopagita também usou a Geometria e a imagem do Círculo para se referir a Deus. É bem possível que Boécio a tenha usado igualmente (?); e, muito concretamente Joachim de Flora usou 3 círculos - muito imaginativamente - para traduzir da forma que lhe pareceu mais eficaz (e real) sobre três diferentes fases da história da relação de Deus com a Humanidade.

 

Deveria acrescentar-se que figuras como os Círculos de Venn nos apareceram centenas de vezes nos projectos dos alunos, para traduzirem/resumirem ideias que associavam às diferentes zonas dos espaços a criar?

link do postPor primaluce, às 20:00  comentar

 
Primaluce: Uma Nova História da Arquitectura
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