Muitas imagens da arquitectura foram «iconoteologia». Many images of ancient and traditional architecture were «iconotheological». This blog is to explain its origin.
3.12.16

.Encarnação.jpg

Como escreveu Jacques Le Goff, sobre a Encarnação:

O acontecimento maior da História. O encontro de Deus e do homem (...)*.

A imagem acima é nossa, de um Presépio Iconoteológico, para o Natal de 2016.

Neste caso, e à semelhança do que é mais comum nas representações alemãs, nas protestantes ou luteranas; e ainda nas de todos os que se afirmam «descendentes» de Carlos Magno, o Menino-Deus está envolto em faixas que propositada e enfaticamente se cruzam, como proclamação da ideia do Filioque. 

E a mesma afirmação, tão veemente e notória - o máximo que fosse possível - fazia-se nos restantes elementos (visuais), que lhe estivessem mais próximos. Seria o caso da manjedoura, ou, por exemplo de um cesto de vime que deveria ser, muito nitidamente, entrelaçado.

Resumidamente o mesmo que está na cruz, ortogonal ou «em aspa», o mesmo que passou para os cruzamentos ou intersecções que as ogivas também são... E, etc., etc., etc., já que se tratou de algo absolutamente imparável. Que hoje ninguém vê ou quer ver, apesar de uma imensa disseminação, quer em qualidade (pois são imensas as formas simbólicas adoptadas para traduzir esta ideia), quer em quantidade...

Quando autores como Henri-Irinée Marrou, ao escrever sobre a Antiguidade Tardia alertam para o surgir dos Entrelacs - em toda a Bacia Mediterrânica (mas também a chegar à Irlanda); num fenómeno cuja origem exacta não nos parece que este autor tenha conseguido definir**; era então (no século IV) já esta a questão, de ordem teológica: a afirmação, e a fé, de que o Espírito Santo procede do Pai e do Filho. Numa afirmação que, assim, definia a Trindade:

A definição que tinha ficado ligada a Clóvis, e na qual Carlos Magno interviu (para ficar até hoje).

Definição que por exemplo também vemos inscrita - de um modo muito diferente, embora seja o mesmo - em tapetes de mosaicos (ou desenhados com tesselas) como estão na Casa do Infante no Porto.

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*Como se pode ler em A Civilização do Ocidente Medieval, Volume II, Editorial Estampa, Lisboa 1995, p. 289.

**É a questão amplíssima que descobrimos ao estudar Monserrate, quando, como dizemos, Maria João Neto morria se não a tivéssemos abordado!

É a questão das Origens do Gótico, são marcas visuais que atravessam toda a Arte do Ocidente Europeu, desde as datas mais remotas. É a justificação para todos os cruzamentos e entrelaçados que infestam as obras de Arte. Apesar de, por exemplo, um autor chamado Jean-Claude Bonne do CRAL (Centre de Recherches sur les Arts el le Langage), ir directo ao assunto "ornamento como forma falante" para apenas o negar. Enfim, registando numa frase que contraria, por exemplo, toda a importância que Mirceia Eliade também ele deu aos entrelaçados.

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Primaluce: Uma Nova História da Arquitectura
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