Muitas imagens da arquitectura foram «iconoteologia». Many images of ancient and traditional architecture were «iconotheological». This blog is to explain its origin.
22.3.14

Onde está um texto intitulado - A PROPÓSITO DE "RAPAZES”..., por Francisco Moraes Sarmento, que termina assim:

Neste aspecto, António Quadros não deixou de estar também atento ao preceito alvarino segundo o qual não há filosofia sem teologia e, assim, também pensou os modos da ideia de Deus na história portuguesa.”

 

Quando em 2002 começámos a perceber que estávamos a encontrar vários materiais que A. Quadros tinha procurado, virámo-nos logo para alguns dos seus livros (que A. Ferro nos oferecera); mas, apesar de serem «óptimas portas» para entrar numa temática que é muito difícil, as informações também eram insuficientes (e não exactamente o que queríamos). Pelo que nos pareceu essencial ir procurar noutros livros. Tanto mais que, também estávamos a perceber que várias Ideias (como as últimas palavras que constam na citação acima) tinham sido traduzidas por Imagens.

Depois (de 2006-2008), desde que encontrámos na biblioteca da UCPBUJPII - um intitulado Estudio Iconoteológico*, a partir dessa data nunca mais largámos a palavra Iconoteologia (criada por Eugenio Marino O.P.); porque é muito explícita: ao conseguir exprimir o essencial daquilo que se passou na Arte, e como Deus está/ficou na história (e também na portuguesa). Concretamente no que hoje se chama História da Arte.

É que mesmo que a Europa não tenha querido integrar no Preâmbulo da sua Constituição uma referência à génese cristã, todos temos acesso e podemos conhecer a História da Europa, e a dos povos e nações que a formam: como quiseram chegar («invadir»?) ao antigo Império Romano, e como contribuíram para aquilo que é actualmente.

Mas também para o que foi, e está muito esquecido, nos contributos de Clóvis (séc.V) e sua conversão ao Catolicismo; ou sobretudo com o contributo de Carlos Magno (séc. IX) que se rodeou de teólogos, querendo renovar o antigo império romano que decidiu «designar» para um futuro duradouro: Sacro Império Romano-Germânico. Perdurou até à Revolução Francesa.

Assim parece que se deve conhecer a História, mas também a Filosofia, e perceber como esta se transformou em Teologia: exactamente quando quis conhecer Deus**.

E ainda (porque não?) - fazemos uma sugestão aos leitores: que visitem os Cadernos de Filosofia Extravagante onde se fala de Pinharanda Gomes e as suas buscas. Feitas, não no sentido da foz (de um ribeiro ou rio), mas “na direcção da nascente”. Alguém de quem também foi escrito: “não precisou de Faculdade porque já é dotado dela. Num tempo em que a Universidade se opõe à Cultura – segundo a acepção de Álvaro Ribeiro de que só é cultura aquilo que pressupõe um culto...”***

(clic para legenda)

Acima a capa de um livro de uma autora citada por A. Quadros - em Portugal Razão e Mistério, Guimarães Editores, 2ª edição, 1987. Ver vol. II, p. 33.

Note-se que refere os Profs. Lenone Tondelli e Marjorie Reeves, como tendo identificado "...o autor até aqui obscuro, do códice 'Liber Figurarum': o Abade de Flora." No nosso trabalho dedicado ao Palácio de Monserrate, como é sabido (e explicámos), logo de início muito mudou: exactamente quando compreendemos a Mandorla e o Arco Quebrado - formas iconográficas geradas por dois círculos que se intersectam (ou entrelaçam). Formas que, se as contássemos (?), poderíamos verificar como estão presentes dezenas de milhares de vezes, naquilo que agora são obras de arte. 

Sobre a exegese da figura acima e dos 3 círculos (trinitários) que a formam, considera-se que é um tema próprio da Teologia e dos Teólogos. Embora nos interessem (e temos muito trabalho feito sobre esta questão), as representações iconográfico-geométricas consideradas abstractas: as quais foram ideogramas (e depois ornamentos), e a que Antónios Quadros se refere, repetidamente, nas referências infindáveis que conseguiu cruzar.

No entanto, as que nos interessam não são todas: mas apenas aquelas que «chegamos a ler» (ou a descortinar o respectivo sentido). O qual nos parece ser, sempre, mais directo e bastante mais simples do que António Quadros supôs, por serem imagens baseadas na Teologia. Isto é, num conjunto de conhecimentos que, munidos de toda a objectividade (e máximo «enquadramento histórico» ), podemos conhecer e colocar em paralelo.

Ou seja, olhando as ideias teológicas de cada época, e as imagens que simultaneamente foram criadas, para visual e ideograficamente as traduzirem. Por isto também se pode acrescentar - inclusive para as pinturas pré-históricas a que Quadros também se referiu (como "representações pictográficas") - que a Imagem precedeu a Palavra. E, clara e obviamente, também o alfabeto!   

Na obra que estamos a citar - agora o vol. I, pp. 97 e 145 - António Quadros realça a sua perplexidade face ao que encontrou: enfatizando sempre a ideia, no que segue outros autores, de que estas linguagens (visuais) a que chama escritas podem ter sido especificamente ibéricas. E, enfim, na p. 149 registou a seguinte citação (que em nossa opinião, é marcada por um empolamento, excessivo, do papel de uma região - a Ibéria, para aquilo que é comum a toda a Europa!):

"A escrita ibérica espera ainda o seu Champollion,...".

A imagem acima vem de: http://www.amazon.com/Joachim-Prophetic-Future-Marjorie-Reeves/dp/0061319244%3FSubscriptionId%3DAKIAILSHYYTFIVPWUY6Q%26tag%3Dduckduckgo-d-20%26linkCode%3Dxm2%26camp%3D2025%26creative%3D165953%26creativeASIN%3D0061319244

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*Cujo título completo é: Culture religiosa en la Granada renascentista y barroca: estudio iconoteológico, por Francisco Javier Martínez Medina. Granada: Facultad de Teologia, 1928.

**Como escreveram alguns autores, e registámos nas nossas investigações. Por exemplo :  "…quand les connaisseurs de Dieu célèbrent par des noms multiples la cause universelle de tout effet en partant de tous ses effets, comme Bonté, Beauté, Sagesse, comme [596 B] Digne d’amour, Dieu des dieux, … ".  Ver Maurice GANDILLAC, Œuvres Complètes du Pseudo-Denys, l’Aréopagite. Traduction, Préface et Notes, Éditions Montaigne, Paris 1943: pp. 74 e 75. E ainda sobre a expressão "conhecimento de Deus", note-se que já a deixámos em Monserrate, uma nova história. Ler nota nº 92, op. cit., p. 167. Podem parecer questões antiquíssimas e desinteressantes, mas são o nosso inconsciente (colectivo).

***Ver em: http://filosofia-extravagante.blogspot.pt/2009/07/extravagancias-23.html

Voltar aonde se continua a «marcar a agenda»...

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15.3.14

O título é nosso vindo de Alain Besançon, porque nos parece servir "que nem uma luva" aos autores acima referidos (mas também a mais alguns), nas suas demandas infindáveis, relativamente a algo que detectavam e cuja história, origem contornos, eles não conseguiam definir...

Como se tivessem apenas radares - e não olhos para ver de perto -, sentiriam talvez, «num fundo» e subjacente, a origem de muitas das formas que estão nas Obras de Arte?

Mas, alguns escritos de Lima de Freitas - e por nós temos que o lamentar relativamente a temas da Teologia Cristã (pois esses seus escritos são interessantes e apelativos) -, porém, também são «um pouco» desprovidos de rigor: aquele que hoje nas universidades se incute para quando se fazem pesquisas.

É certo que poderão ter existido (inúmeros) desvios e interpretações na(s) doutrina(s) da Igreja e do Catolicismo. É sabido, e Lima de Freitas pode ter recebido «informações corrompidas»... 

No entanto, e insiste-se, isto custa a escrever, mas a maneira como Mestre Lima de Freitas se referiu a determinadas questões - sobretudo porque não cita as fontes, - também nos faz supor que não investigou devidamente.

Que escreveu sobre vários assuntos de diferentes temas, simplesmente a partir da sua vasta cultura: recebida formal ou informalmente (?), mas talvez não actualizada? Talvez sem confrontar as ideias que foi formando ao longo da vida, com o que ocorreu de facto: e com o que muitos investigadores estavam então (exactamente nessa época) a registar... Enfim, escreveu sem confirmar...?

Porque algumas das matérias de que escreveu (e ainda bem que o fez, pois não deixa de ser útil ter registado toda essa «sua demanda»), elas encontram-se hoje em diferentes livros, que são muito mais objectivos do que subjectivos: i. e., e como supomos, a não distorcerem a verdade histórica, que é o normal!

E aqui estamos a pensar no Catecismo Católico, dirigido pelo Cardeal Ratzinger (Out. de 1992). E ainda, concretamente, na Histoire Des Dogmes, obra dirigida por Bernard Sesboüe, editora Desclée 1994. 

São obras que abordam as muitas querelas que houve (e talvez algumas ainda existam?) - em torno do Deus Cristão: da Trindade e do Espírito Santo. Referimo-nos aos desentendimentos ocorridos, principalmente, na Península Ibérica.

Particularmente em Toledo, desde o ano 400, chegando a Carlos Magno e à sua afirmação de um Símbolo da Fé, que de início foi Gótico; até que Roma o «manteve», chegando aos dias de hoje (com mais ou menos vontade da Igreja Romana...?*).    

Que muitas dessas temáticas estão agora mais estudadas (e não votadas a interpretações e «secretismos»); ou seja, que depois do Concílio Vaticano II, e portanto quando Lima de Freitas teria já cerca de 55-60 anos (e as suas certezas já adquiridas!?), esse é um assunto de que não temos dúvidas.

Acontece porém - e a nossa formação de base é a de projectista e não de historiadora (e é com esta lógica de rigor que pensamos), considera-se surpreendente que tenha escrito sem compaginar mais (mas muito mais), as suas ideias que subjectivamente foi formando, com o que o que parece ter acontecido?

Ou só na nossa geração - cerca de 20-30 anos depois -, e dado o afastamento actual ocorrido em relação à Igreja, é que é possível investigar de maneira objectiva? Só agora é que somos (todos) mais dados ao rigor?  

Se é assim, então prova-se que há uma nova História da Arte para escrever? Que não andamos enganados, muito menos a enganar...

 

Passando agora ao «quase silogismo» prometido, em 3 premissas (marcadas com cores diferentes):

 

1. Houve uma geração que em demanda permanente procurou o significado da Mandorla. A Obra de Lima de Freitas prova-o. Como consta na imagem seguinte (tendo produzido muitas mais...)

2. A Sigilografia actual, isolada e alheada de tudo o que é Arte e expressão visual, toca o assunto «com pinças», e chama-lhe "Dupla Ogiva". Será por falta de conhecimentos, medo de infecção, ou são aquelas «capelinhas», que cada orador quer ter a sua? Assunto que podem pesquisar a partir do link**.

3. A autora de Monserrate uma nova história - «demasiado bem» orientada, precisamente há 12 anos, na Faculdade de Letras de Lisboa, encontrou por acaso (será que foi sorte ou azar***?) o significado da Mandorla, e a sua primeira e quase exclusiva referência (alusão ou representação?) ao Espírito Santo.

 

 

(clic para ver as legendas)

*O que já implicou «altos-estudos» da nossa parte, estando alguns (apenas o início) no nosso trabalho feito sobre o Palácio de Monserrate.

**http://indexrerum.com:8080/selo/jsp/view.faces

***Apesar do que vai acontecendo, também temos «radares» que estes blogs completam: quem nos visita, de onde vem e para onde vai! (ficando muito mal nos instantâneos).

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12.3.14

...na Arte: a busca do Sagrado.

 

Bem podemos querer, hoje, compreender a Arte do passado: em estudos sucessivos, feitos com mais ou menos método(s), e com mais ou menos sistematização (?), mas...

Acontece que ela (a ----» Arte) não é bem aquilo que em geral se diz e a maioria supõe!

Porque não estamos equipados - com um «equipamento intelectual» que é bastante específico - para compreender o que em geral os olhos vão «scaneando», ao percorrerem uma Obra de Arte, ou de Arquitectura: como se olhassem um mapa.

A ideia que o texto seguinte exprime - vindo de Peter e Linda Murray - nós tivemos que a captar, porque na actualidade ninguém se «atreve» a ensinar assim.

No entanto, quando se procura mais e melhor - enfim (a prova está já aqui no texto abaixo) - a ideia de que a Arte antiga do Ocidente é uma Iconoteologia, ela confirma-se. Já que isto até se encontra nos livros:

 

 

Por isso a questão agora é outra, e a alguns ela deve recordar - temos que supor (pois é um mínimo...) - o nome de Émile Mâle?

A dita questão, que surge logo no imediato, está em compreender como é que imagens geométricas, nem sempre naturalistas ou icónicas, conseguiram traduzir, e exprimir, o mais essencial da Bíblia.

Ora aqui - sem ser Jean-François Champollion, ou até o seu irmão Jacques-Joseph (Champollion) - esta é a nossa descoberta!

Está a incomodar? Pois... "thanks god", isso faz parte intrínseca do processo! Quanto mais incomoda, mais se percebe o valor daquilo que se encontrou. É directamente proporcional ao incómodo geral.

Aliás, a maior prova da sua enorme valia é o agendamento do tema. E embora seja grande (muito grande - e esta autora é modesta, sabendo qual é o seu verdadeiro lugar*), a distância que a separa das descodificações protagonizadas pelos dois irmãos franceses que, tão proficuamente, trabalharam sobre «textos legíveis», trata-se de uma descoberta de enorme importância, internacional. 

Dizemos textos legíveis, sim, porém de uma leitura feita a partir de pictogramas ou ideogramas. E não (exclusivamente) a partir de textos silábicos, como é a escrita por fonemas, que estão nas palavras. Aquela escrita que, em geral, nos permite a todos nós fazer (porque aprendemos a sua técnica) as leituras mais comuns.

Uma escrita tipo hieroglífica (utilíssima para a arte e o design) exige outras técnicas - muito diferentes; mas cuja aprendizagem é igualmente exigente: porque nos dias de hoje é uma temática que se tornou incompreensível. Já que, em geral, as pessoas deixaram de saber «lidar com a imagem»: principalmente com a Geometria (e a Matemática/Aritmética) que a fabricou.

~~~~~~~~~~~~~~~~

*E a autora também sabe da importância de não ter deixado cair estas questões! Não sendo antes, e não havendo doutoramento - pelo que se tem revelado aos poucos, é o que será...? - logo que estiver reformada, não só se completam as referidas revelações, assim como muitas das «histórinhas»: que agora ainda não nos convêm. Só que ninguém perde pela demora...

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9.3.14

Até ver, estas são imagens sem legendas:

Por não sabermos definir, ou delimitar (?) a que "conjunto de informações" - que se pudessem contar (de uma "Quantidade de Informação", específica, e qualificada) - pertencem estes três vãos.

A que alguns chamam "vãos gémeos", e outros usam a designação "agimezes"; mas que seguindo Nikolaus Pevsner nós preferimos chamar "bifora windows" - como já deixámos no trabalho dedicado a Monserrate.       

 

 

 

 

Igualmente muito interessante, é o facto de serem tratadas por um autor nosso contemporâneo (cuja bibliografia aliás se usa imenso na disciplina de Design de Ambientes); é mesmo deveras interessante, repetimos, que esse estudioso empregue a palavra «bolha» - na verdade é a expressão "bubble diagrams"* - para mencionar os "esquemas" e os "diagramas de funções e actividades" que qualquer projectista emprega, normalmente**. No seu esforço, laboral, em que tem como objectivo a «desmultiplicação» e a divisão em pequenas partes - mais facilmente trabalháveis - do problema maior (projectual) que tem pela frente.

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*Há séculos e milhares de anos essas "bolhas", e as formas específicas, e diferentes, como eram associadas, traduziam ideias. Chegando (como se pode admitir?) a ser designadas, também, pela palavra hieroglífica.

**Na nota nº 87 do nosso estudo dedicado a Monserrate, ler: "Foi o que nos sucedeu: Fortuitamente usámos organigramas - isto é “instrumentos” que são usuais na nossa profissão (...) ao referir as dificuldades inerentes ao abstraccionismo e complexidade do tema, isso fez-nos olhar para os nossos esquemas e organigramas. Neles estavam mal desenhadas, formas da Arte Medieval."

A terminar, uma ideia que já alguém notou: a Arquitectura, e sobretudo os edifícios contemporâneos que habitamos, são esquemas construídos, tridimensionais.

E a «geração angustiada» de que escrevemos anteriormente - usando a expressão de um autor francês -, geração que a nós nos lembra A. Quadros, mas antes dele outros, como Lima de Freitas e sobretudo Almada Negreiros (com o painel "Começar") estava mais do que fascinada, dir-se-ia obcecada, em sucessivas tentativas para compreender esta questão; e com ela as formas dos Estilos Arquitectónicos.

Uma problemática que, como se vê aqui, e mais uma vez, precisa explicações, ou «um equipamento intelectual de base», para depois se poder desenvolver. E assim são sempre muitas mais as notas (justificativas escritas): Porque o verdadeiro «texto» que é o cerne da informação - destinada a ser lida -, são as próprias imagens que a maioria não sabe ler, por não compreender...

O tema é vastíssimo, com muito para aprender (daqui ficam apenas alguns links):

 

http://iconoteologia.blogs.sapo.pt/60458.html, http://iconoteologia.blogs.sapo.pt/39090.html, http://iconoteologia.blogs.sapo.pt/24390.html

http://iconoteologia.blogs.sapo.pt/16997.html, http://iconoteologia.blogs.sapo.pt/23890.html, http://iconoteologia.blogs.sapo.pt/14547.html

http://primaluce.blogs.sapo.pt/98283.html, http://primaluce.blogs.sapo.pt/56478.html

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4.3.14

Sim! Tanto mais que vem na continuidade do post anterior, lembrando o que todos sabemos: I. e., as aparências iludem!

Umas mais outras menos, as aparências são quase sempre isso: só verniz, muito superficial. 

Ontem, hoje, amanhã, no futuro, tudo o que vemos nem sempre é verdadeiro! Porque, como no deserto uma simples miragem pode ser ilusão: mera imagem especular! 

E pensando em água, há que o dizer, não é de todo bonito o espectáculo de "roupa suja" que temos aqui trazido.

Só que, contraditoriamente, é de gente que se coloca na situação de hiper-doutores: pouco humildes, amantes de «Galas-&-Vernissages», frequentadores assíduos de todos os  "Glamours". Gente que nunca se priva de nada que não tenha brilhos, pois eles odeiam o despolido e os acabamentos naturais - que talvez não vejam (?), e por isso não valorizam... - mas é desses que estamos a escrever.

Registem: as sua «públicas virtudes» são as de uns «polidos-muitos-vítreos», como aqueles materiais para Ambientes Interiores (cujo Design evito...). A não ser que devam ser isto mesmo: destinados, especificamente, a lavagens quotidianas? Uma função para a qual os Agregados Artificiais, muito polidos, são exactamente o melhor de tudo! 

Claro que nos referimos a pessoas concretas, que se apresentam assim: carregadas de Virtudes Públicas, certamente com o objectivo de cobrir "suas vergonhas". Aquelas de que, perdida a ingenuidade primitiva (de bons selvagens), obviamente hoje têm a completa noção*(do que são)!

Pelo que se pergunta: pode este nosso «escrevinhar» ser impróprio? Ou a melhor designação que se lhe deve dar é a de que é cru e verdadeiro? 

O relatar típico de quem tem razões de queixa, farto de arrelias? E portanto, os relatos têm que exprimir e denunciar as incorrecções graves: já que a Justiça não funciona, e o MEC se faz MOUCO...

Felizmente, olhando para trás (8-5 anos), percebemos que o nosso estatuto também nos tem preservado dos «conselhos e magnas reuniões» científicas, onde - é vox populi (não inventamos) - o linguajar é geralmente, muitíssimo mais impróprio que o nosso: de caserna e com bastante mais do que meros resquícios de comportamentos adolescentes, de modos dos colégios masculinos; ou das «tropas fandangas», por onde sabe-se lá (?) andaram os autores das malfeitorias que nos gastam a paciência e o tempo...**

São maus-hábitos que não largam ou prescindem: «jeitos», certamente definitivos, que adquiriram.

Mas serão assim genuínos, ou quiçá, é muita vontade de imitarem os seus paradigmas? Vindos de quem? Onde é que o Ensino Superior é assim? Onde viram ou ouviram tais exemplos? Pergunta-se.

Já que, por exemplo, se estamos no que começou por ser uma Escola Técnica Secundária, para uma elite de artistas e criadores (inspirada em modelo espanhol, ainda existente, que nasceu no Palácio Quintela?), os seus modos e comportamentos estão agora longíssimo do que foi: é que não vieram de António Quadros!***

As nossas desculpas pelo que parece muito mau gosto, mas é o retrato da sociedade em que estamos (e, a ter emigrado, se o tivéssemos feito, era há séculos!)

Quando  «as obras» de Primaluce acabarem voltaremos aos ideogramas, o lixo será retirado - se os vírus (e hackers?) permiterem.

No fim fica um aforismo útil e aplicável: em Portugal a única lei que se cumpre - é a Lei da Gravidade

E algum Ensino Superior Privado com a legislação que o regulamenta, é uma das melhores provas de tal máxima!


(clic para legenda)

*Não fora o embelezamento e discursos publicitários da propaganda - à moda do século XXI - julgaríamos serem verdadeiros "Índios de 1500". Com uma diferença: os "selvagens" que Pêro Vaz de Caminha descreveu - descobertos e desconhecedores da sua situação - “…com suas vergonhas tão nuas, e com tanta inocência assim descobertas, que não havia nisso desvergonha nenhuma…” - ignoravam o que era a nudez!!! 

http://pt.wikipedia.org/wiki/Carta_a_El-Rei_D._Manuel#Conte.C3.BAdo_da_Carta

Que pensem na analogia quem anda a perseguir pessoas, que, normalmente estariam reformadas... se não fosse o esforço para desenvolver uma investigação original. Que interessa à História e às Ciências Humanas, pois através da Arte (da imagem e do não verbal) pode-se chegar à compreensão do Pensamento, e a sua articulação - expressa em exemplos visuais, de há vários séculos atrás. Como os que hoje se chamam Patrimónios Intangíveis, que originaram o Património material (muito tangível) da Humanidade. Como é exemplo:

http://www.fba.ul.pt/santuarios-cultura-arte-romarias-peregrinacoes-e-paisagens/

**Por um lado gastamos demasiado tempo, mas por outro, e face às «leis-inexistentes», esta Justiça feita pelas próprias mãos - a dedilhar nas teclas do computador - além de sublimação, com a maior dignidade, está ao nosso alcance...

***Confirmem, lendo na pág. 105 o que se diz sobre A. Quadros - em:

http://repositorio.ul.pt/bitstream/10451/2485/1/ulsd059654_td_Anexos_Victor_Almeida.pdf

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1.3.14

Há 40 anos, precisamente por estes meses - e sobretudo por estes dias antes do 25 de Abril - havia dois tipos de notícias: as do boato e as dos jornais.

Nenhumas eram fiáveis!

Em Portugal, mas também na Europa, sobretudo ao mais alto-nível, vive-se agora, tal e qual, e exactamente (é espantoso?!), o mesmo tipo de ambiente.

Com uma diferença - o boato é a propaganda e a mentira dos Órgãos Oficiais, e oficiosos, dos Governos. Mas também das Empresas, suas Agendas e Newsletters: sobretudo das que são «presididas» por invertebrados ou insectos, onde se incluem bichos-de-conta, e os de «faz-de-conta»...Mais do que óbvios!

Assim não vale a pena escrever sobre Iconoteologia, ou sobre o valor da Iconografia que foi composta por sinais alusivos à realeza, ou quaisquer outros, quando não é possível transmitir, para uma percepção correcta (porque tudo está infectado), nem sequer uma ideia sobre a realidade actual: i. e., o conhecimento e «o-que-é-o-hoje», para a partir desse ponto, por exemplo, fazer um projecto. 

E é tão verdade isto que se constata, que é preciso ser premiado - ou ter passado a barreira que há milénios separava os infra-lunares dos supra-lunares - (ou seja, é preciso ser herói ou semideus) para o poder dizer e ser ouvido.

Como no exemplo seguinte:

"O que devem fazer os líderes europeus? Consegue responder em três palavras?
Dizer a verdade!"*

Mas outro exemplo, análogo, está hoje no jornal Público. É sobre a situação das Mulheres no mundo do trabalho**.

De tudo isto temos experiência a mais, e se houver excepções (?) elas servem para confirmar uma regra que passou a ser a nossa:

No mundinho de Marketeers em que vivemos, o que enche páginas e páginas; todo o blablablá, ou a tal quantidade de informação*** (máxima), só corresponde à mentira! Já que a sua construção é exigente, precisando de várias, e ricas, narrativas.  

Por outro lado, o pouco ou nada que se diga, sobretudo o que estiver mais escondido, provavelmente, são essas as grandes verdades!

A. Quadros - as suas dúvidas humanistas e generosidade, até impulsiva e genuína, que algumas vezes presenciámos; a sua figura - também em desenho como se vê - ocupou o nosso post anterior: pois pusemo-lo a falar (ou a pensar alto?), como eram algumas das suas várias e longas elucubrações. Recheadas de perguntas e «soluções», típicas de quem, muitas vezes, andava a sonhar acordado.

Acontece que, foi alguém que hoje, e de imediato, nos lembra Alain Besançon e o que escreveu sobre «uma geração angustiada». Este é por isso...

 

...um assunto que em tempos de muitas ondas e mar altíssimo,

não vamos querer largar.  E a que se acrescentam, já, muitas notas!

  

 

*http://economico.sapo.pt/noticias/os-decisores-politicos-europeus-mentiramnos_188229.html

**Uma verdade espantosa, que não silencio, é que quando entrei no IADE, já o ano lectivo 76-77 estava iniciado, no entanto, dias depois, em cima do Natal, A. Quadros fez questão de informar, com uma espécie de orgulho - a mostrar ser essa uma «marca da casa» - que com certeza receberia o subsídio de Natal. Claro que depois «este espírito» mudou, mas foi um gesto inesquecível... Sobretudo visto hoje!

Uma outra imensa verdade desse tempo, é que as mulheres - talvez muito mais pelas suas especificidades (e habilidades), do que pelo «desvalor» que hoje temos que sentir na pele, no tempo do pai (António Quadros) eram talvez mesmo, dentro do IADE, as mais respeitadas e valorizadas?

Algo que também mudou imenso, percebendo-se assim, facilmente, que a degradação de que também nos queixamos, seja directamente proporcional ao que foi «uma certa invasão e tomada de poder», pelos elementos masculinos. Aliás, dadas as características desse ambiente, o «chegar impositivo» que geralmente é uma marca do Homem, foi para eles facílimo! Uma tarefa que (de caretas) ficou logo pronta. No meio de gente que era simpática e sensível - mulheres e homens, artistas motivados pelo fazer bem - claro que todos recebiam bem. E depois ninguém competia (entre si) doentiamente, como hoje: gananciosamente, como se nunca tivessem tido nada...  

Enfim, saudades de um tempo que foi de Senhores!

Constatando-se o que agora estamos longe desse tipo de sensibilidade (por vezes uma «quase doçura», nobreza?) que parecia habitar pessoas como Mestre Lapa, Lima de Freitas, o próprio A. Quadros? E ainda hoje se mantém assim o hiper-prestável Carlos Barbosa (daqui vai um olá!). Era assim o superfeliz, sorridente, e por isso inesquecível, Roberto Barbosa: um enorme senhor, hiper-simpático. 

Hoje? Existem os Hiper-Doutores de quem em geral é bom guardar todas as distâncias; e também os Hiper-fixes, que - felizmente - lembram os senhores do antes...

Digno ainda de ser mencionado, mas não pelas melhores razões, há o ambiente característico de um imenso Panopticon: como se Bentham - que o inventou, e A. Pugin - que o adaptou, tivessem vindo concretizá-lo, expressamente, dando asas à imaginação que, como se sabe, pode ser perigosa. Porque, como fazem as crianças e os rapazolas aos brinquedos, pode-se perverter um bom invento:

Um edifício centralizado, para melhor cumprir a sua função 

http://www.publico.pt/sociedade/noticia/mulheres-europeias-trabalham-mais-59-dias-para-ganharem-o-mesmo-que-os-homens-1626584

***O Tema e essência de um doutoramento alusivo ao que poderia ser a compreensão dos ornamentos e estilos artísticos; aqui, parece-nos, não concordam (?) a expressão aplica-se perfeitamente: por resumir o tsunami de palavras que são necessárias, para fazer aderir a alguma realidade, as mentiras que se pregam.

Não são só partidas de Carnaval. Para nós - algumas muito específicas que em 2001 nos fizeram rumar à Faculdade de Letras -, será que vão completar duas décadas; sem serem desmascaradas?

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Primaluce: Uma Nova História da Arquitectura
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