Muitas imagens da arquitectura foram «iconoteologia». Many images of ancient and traditional architecture were «iconotheological». This blog is to explain its origin.
5.11.17

Iconografia que corresponde à verdadeira Iconoteologia

A ver aqui, e embora sendo bonito nada tem a ver com o que foi no passado...

No exemplo seguinte imagem vinda de um túmulo do Mosteiro de Alcobaça, originalmente (antes de ser digitalizado) desenhado por nós, à mão, na tampa de uma caixa de madeira.

Image0325c.jpg

sem nome.bmp

Posteriormente com todas as variantes que se queiram criar, com ou sem simetrias...

actualizar-medievalart.jpg

PIECESOFMEDIEVAL.jpg

Fascinante para quem como nós se habituou a reconhecer o vocabulário visual antigo, e tradicional, mesmo que esses desenhos e essas formas estejam noutros contextos, e sobretudo com cores garridas, gritantes, «divertidas»: i. e., pleno de diversidade, a enriquecer os espaços em que entram.

Só que - e esta é uma expressão que já usámos muitas vezes - essas "imagens nasceram, porque postas ao serviço do sagrado" (cristão). Só que hoje perderam o seu sentido inicial - ou a razão porque foram criadas como A.W.N. Pugin (m. 1852) explicou.

Embora, ainda no século XVIII William Chambers tenha falado de "vagas reminiscências...".  No entanto, ainda mais tarde (em 1858) os Arquitectos James T. Knowles, usaram essa mesma base - que foi ICONOTEOLOGIA (pura) - e influenciados pelo Palazzo dos Doges de Veneza, desenharam uma nova fachada para a Casa de Monserrate, em Sintra. 

E por aqui vejam os percursos de uma artista, que é também jornalista

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23.10.17

Pesquisa 1 - A resposta da Google veio repleta de imagens, e de entre as primeiras, a grande maioria fomos nós que as produzimos ou as «postámos».

 

Pesquisa 2Feita pelo Sapo em que um dos primeiros links encaminha os leitores para os trabalhos do Pe. Eugenio Marino, inventor da palavra - Iconoteologia - que decidimos imediatamente adoptar.

Por ser fantástica ao traduzir - com tão poucos ingredientes - o que foi a Arte do Ocidente Europeu. 

 

Pesquisa 3 - Feita pelo Yahoo, com a palavra em inglês : ICONOTHEOLOGY. Mais uma vez são nossas quase todas as imagens.

 

Pode-se perguntar qual é (ou foi) a razão para esta insistência? Porquê querer elevar, o mais alto possível, a palavra inventada por Eugenio Marino?

Mas a resposta é tão fácil e simples:

Desde que lemos um texto seu, ou de alguém que alertava para o uso desta noção, percebemos que a palavra seria a melhor forma de resumir a característica essencial que está na base da Cultura e depois da Arte Ocidental. Tendo inclusivamente sido exportada para os «novos mundos» e hoje aparece com a designação de Arte Colonial

Enfim, se um dos documentos que surge na resposta à pesquisa já refere uma Leitura Iconoteológica , é porque sem dúvida a palavra e o sentido que lhe está associado já vingou.

claustro-SÉ-PORTALEGRE-7.jpg

 

 Porque queremos divulgar, neste caso o emprego da Elipse na Arquitectura, acima Cartaz afixado num porta, da R. do Comércio em Portalegre.

Note-se que a imagem do cartaz usa a fotografia de um óculo elíptico (do Claustro da Sé), dentro do qual se vêem 3 tramos do referido Claustro. 

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28.9.17

 

Era a pergunta do post anterior, a qual faz sentido continuar a colocar

 

Claro que as respostas são para os doutos que não somos: e aqui ficam apenas as perguntas, acompanhadas da imagem de colunas torsas, tripartidas, que todos aprendemos a associar ao Manuelino, aos Descobrimentos e às Cordas (cabos de amarração) - que eram equipamentos essenciais das caravelas e outros barcos.   

SCMS_-_Igreja_de_Jesus._Nave_central_e_Capela-Mor-

(Imagem vinda de https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/c/c7/SCMS_-_Igreja_de_Jesus._Nave_central_e_Capela-Mor.jpg)

  

Ora acontece que a questão da substituição, ou a utilização nas composições, de certos elementos muito mais simples para aludir a ideias complexas, isso vem de há milhares de anos. Como aliás escreveu Otto Pächt - a imagem precedeu o texto (os caracteres alfabéticos), e isto não custa a compreender... 

 

E apesar de ter havido (há cerca de 9-10 séculos atrás) quem tivesse escrito o que se segue e já apresentámos noutros posts:

“ … les équipements de géomètres et d’architectes, leur pouvoir de fonder, d’édifier et d’achever et, en général tout ce qui concerne l’élévation spirituelle et la conversion providentielle de leurs subordonnées. Il arrive aussi parfois  que les instruments avec lesquels on les représente symbolise [333 C] les jugements de Dieu à l’égard des hommes, les uns représentant les corrections disciplinaires ou les châtiments mérités, les autres le secours divin dans les circonstances difficiles, la fin de la discipline ou le retour à l’ancien bonheur, ou encore le don de nouveaux bienfaits, petits ou grands, sensibles ou intellectuelles. En somme une intelligence perspicace ne saurait être embarrassé pour faire correspondre les signes visibles aux réalités invisibles.” 

 

Ou seja, apesar, do «método de alegorização» acima descrito (ou o da substituição de um discurso directo, por outro indirecto, feito muito à base de analogias), no entanto, houve, e ainda há, «épocas» em que as leituras das obras são mais dirigidas para o que simplesmente se vê. Como na imagem acima, a que nos referimos, e se vêem as «cordas» no papel de elementos de suporte do edifício (como se fossem pilares).

 

Sabendo que essas leituras não quiseram - ou os seus autores/leitores não estavam habilitados e não eram perspicazes, suficientemente (para) - irem além daquilo que viam; para compreenderem que nas colunas torsas, de base triangular há uma representação metafórica: na qual esteve a vontade de representar Deus, exactamente como suporte da Igreja.

Igreja que podem escrever com maiúscula por ser a instituição, ou com minúscula, por ser, neste caso particular (e já não universal) uma igreja de Setúbal.    

 

É aliás interessantíssimo percorrer quer textos (escritos) quer obras, e ver que muitas referências, ou alegorias, não são para um caso concreto, mas para a Igreja: num sentido universalista. Ou, verdadeiramente universal, que é o que significa, na origem, a palavra católico.

 

Então, estando «com a ciência» ou  tendo presente essa informação que a etimologia da palavra nos dá (i. e., acrescenta); então podemos extrapolar e fazer leituras mais ricas de todas as colunas torsas e tripartidas que foram associadas às cordas dos descobrimentos.

 

Mas também podemos ir ainda mais longe, percebendo que as cordas, como instrumento auxiliar da navegação; tendo essa forma (e não sendo tecidas em ponto de cadeia como nalguns casos se vê...), por ajudarem a descobrir novas terras que alargavam a oikoumene,  provavelmente, as cordas, por este motivo, receberam a forma que se vê*.

 

E assim, de dedução em dedução, de associação em associação, ou ainda de ampliação em ampliação do sentido das palavras**, então as cordas como instrumento que contribuiu para alargar o mundo conhecido e habitado (há aliás um mapa esquemático da referida oikoumene, que é muitíssimo interessante...) passaram a ser enroladas/entrelaçadas a partir de três elementos.

 

E quando se entra neste tipo de lógica, em que não sabemos (facilmente) o que existiu primeiro - se o ovo ou a galinha? – é então que nos apercebemos que estamos numa zona (na mente ou na consciência...?) que é a raiz do pensamento:

Onde as palavras e as formas se fundem... (de que Freud escreveu).

 

Por fim, e sem ser douto doutor, ou já que isto é tão simples - nada tendo a ver com complexidade (e pode dar direito ao grau de doutor, exactamente nas universidades dos recônditos interiores, serranos); por fim lembra-se mais uma vez que nada disto interessa a uma escola de Design!

Menos ainda à que continua a dizer de si própria (tal a arrogância!) que é "a melhor de Portugal"**.

 

*Não se devendo esquecer que Robert Smith, frequentemente usou a expressão "motivos decorativos" (sem dizer que eram símbolos)

**Processo que também originou a Polissemia (infindável, e cansativa!) que existe na Arte Cristã.

***"D'Àquem e d'Além-Mar em África", acrescentamos nós! Já que ninguém duvida de «tanta qualidade»...

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19.9.17

 

Referimo-nos ao Pensar do Pensamento, algo por que passou Rudolph Arnheim.

Mas passou "en passant", simplesmente. Sem se deter, e não como objecto central dos seus estudos, num livro seu que lemos em francês: La Pensée Visuelle.

O assunto parece ser de grande importância, sobretudo se estivermos num meio em que a Inovação e o Conhecimento sejam um objectivo sério e verdadeiro, como normalmente se espera aconteça nas instituições de ensino superior...

Por isso a pergunta:

 

“Les bases neurales de l’imagination”, será um tema importante numa Escola de Design*?

 

“ (…) Concernant l’imagerie mentale et l’imagerie motrice, je vais vous livrer quelques découvertes des neurosciences modernes sur les bases neurales de l’imagerie. L’imagerie mentale utilise en partie certains des mécanismes de la perception. Ce sont les mêmes réseaux qui sont impliqués lors d’une perception visuelle et lorsque l’on ferme les yeux et que l’on commence à imaginer un paysage. L’imagerie mentale et la perception partagent les mêmes structures. Ce sujet fait l’objet d’une littérature abondante et de progrès constants.
L’imagerie et l’émulation mentale peuvent induire des modifications du cerveau au même titre que l’expérience. Je travaille avec le mathématicien Daniel Belkin sur les géométries du cerveau. Chez les mathématiciens, le volume de matière grise augmente avec l’ancienneté. Les chauffeurs de taxis londoniens ont un hippocampe plus développé que le nôtre parce qu’ils l’utilisent pour se représenter l’espace. Il y a donc une plasticité cérébrale importante même lorsque nous ne faisons que penser et utiliser l’imagerie mentale.
Cette plasticité est utilisée dans un grand nombre de domaines. L’entrainement par l’imagerie mentale des sportifs de haut niveau entraine même des modifications neurochimiques (de la dopamine corticale).
L’imaginaire ne consiste pas simplement à créer des images. Il sert à mettre en relation le passé et le futur puisque nous devons plonger dans nos mémoires pour créer des scénarios futurs. Les neurosciences parlent de voyage mental dans le temps. L’imaginaire en tant qu’aller-retour permanent entre le passé et le futur est lié à l’identité (cf. les notions phénoménologique de rétention/propension proposées par Husserl). Imaginer c’est passer son temps à faire cet aller-retour mental entre le passé et le futur entre lesquels se trouve l’identité. 
(…) »

Este texto vem de: http://www.ihest.fr/la-mediatheque/collections/seances-publiques/ouverture-officielle-du-cycle-278/le-cerveau-createur-de-mondes

 

Só que, pensando agora no excerto que escolhemos, há que lembrer que há muitas imagens e entre elas estão as geométricas: muito mais «inteligentes» do que todas as outras (e inteligentes dizemos nós..., com base nas nossas razões).

 

Porque as imagens ou figuras geométricas são abstractas e não representativas (ou directamente icónicas); i. e., não ligando a mente, imediata e directamente, a uma qualquer realidade concreta do mundo natural: uma árvore, uma casa, um rio, etc.

Imagens em que o fenómeno/acto de abstracção é também uma idealização. Pois ao sair do concreto pretende «traduzir» generalizações, e desse modo usa as imagens geométricas para ajudar a pensar, traduzindo conceitos ou ideias, etc., etc., etc.

E não se pense que os “etc., etc., etc.” acima são como uma “bengalinha do discurso”, ou a forma de fazer parecer que se trata de um “big amount of information” (como na tese do outro – aquele honestíssimo, quem todos sabemos!).

Porque foi de facto muito, imenso, o que a Geometria sempre serviu:

Para traduzir ideias, como explica com vários exemplos George Hersey, só que, para além deste autor (G. Hersey), e bem antes dos seus exemplos, ou dos de Louis Sullivan que refere uma Geometria plástica, já havia - para nós já havia (pois lê-mo-lo há bastante mais tempo)  - o que escreveu Hugues de Saint-Victor sobre a Geometria. A mesma que Villard de Honnecourt chamou “Jometrie” **

E houve também, ainda antes do abade da Universidade de Paris (que viveu no século XII), o que escreveu o Pseudo-Dionísio. Autor muito anterior ao século XII - nascido onde agora é a Síria, no seculo V-VI d.C. A ele, ao Pseudo-Dionísio que ficou conhecido como Areopagita (e a Maurice de Gandillac que traduziu do grego para francês várias das suas obras), deve-se o excerto abaixo (que nós traduzimos para português e sublinhámos).

Não sendo a primeira vez que se cita, tal a importância que lhe atribuímos (mas apesar disto nunca o vimos mencionado, para além dos nossos blogs), é hoje dedicado aos que se mantêm longe, e querem abster, de toda a compreensão pelo modo como a arquitectura antiga foi falante. Ou, em latim effabilis.

E embora possa parecer que estamos «a alinhar» numa contradição, isso resulta dos prefixos acrescentados à raiz da palavra. O Inefável, Deus - o Indizível, ou Impronunciável, foi muitas vezes «esquematizado» (como fez Joaquim de Flora) a partir de imagens e figuras geométricas. Por isso a frase do Pseudo-Dionísio, Areopagita:

 

"Uma inteligência perspicaz não ficaria embaraçada por fazer corresponder sinais visíveis às realidades invisíveis" 

 

É um assunto que já várias vezes abordámos, como se pode confirmar aqui (a ler na totalidade):

E se os « chauffeurs de taxis londoniens » têm zonas do cérebro mais desenvolvidas por precisarem de se auto-representar (mentalmente) o espaço citadino em que podem ter de conduzir, por nós sabemos:      

  1. Como o emprego de certas formas (na sua essência invariantes mas introduzidas diferentemente conforme o estilo - ver imagens) tinham por objectivo a transmissão de uma ideia específica (ou eventualmente de várias, que era usual estarem-lhe associadas).
  2. Que inúmeras obras de Arte são vistas como repositórios de ideias que se pretendiam transmitir. Muitas delas hoje consideradas ilegíveis (e que portanto era necessário transmitir os códigos de leitura); mas que, e como escreveu o Pseudo-Dionísio, Areopagita, algumas dessas obras se mantêm ainda agora legíveis para inteligências mais preparadas e perspicazes***.
  3. Como acontece por exemplo na Igreja do Convento de Jesus (Setúbal - ver fotos das colunas, que sustentam a abóbada,  em que muitos vêem/lêem nessas colunas torsas - que na zona da igreja suportam a parte superior do edifício - a representação de Deus-Trino. Deus que justifica, fortalece e apoia a sua Ecclesia:  i. e., a Assembleia dos que lhe são fieis.

Antes de terminar não esqueçam que este post começou a propósito da forma como o cérebro pensa (em imagens). E para nós, há dias, na audição de “Anticipation et prédiction: une extraordinaire faculté du cerveau humain », que podem ouvir a partir daqui

 

 

Claro que estas duas imagens (acima no Mosteiro da Batalha, e em baixo numa casa em Portalegre), que foram usadas como ornamentos, e se percebe a sua ideia essencial - que foi o interligar de dois anéis, alianças, círculos (ou até de duas esferas). Estas duas imagens também foram, muitas vezes, transformadas e derrogadas. Usando de uma imensa economia de meios (discursiva/visual) - que se caracteriza por ser altamente sintetizadora; em sínteses que são muito típicas das artes visuais 

Notas:

*Podendo perguntar-se algo mais: “O que é preferível? A compreensão do funcionamento  da máquina de pensar humana? Ou a compreensão do funcionamento das maquininhas e todos os gadgets que em cada dia, uns e outros vão inventando?” 

Por nós já respondemos a esta questão há cerca de 25 anos. Quando preferimos ensinar Projectos, do que continuar a ensinar Tecnologia de Materiais. Pois percebemos que as matérias tangíveis iam mudando conforme as modas, por décadas...

Enquanto as ideias e as concepções imateriais eram muito mais fixas, dependentes do essencial da mente (e dos conhecimentos). Andando portanto mais próximas do imutável.

**De que também já escrevemos: http://primaluce.blogs.sapo.pt/so-pode-deus-e-lavoisier-218667

***A Arte da Memória que Frances Yates estudou e a que Mary Carruthers (entre outros estudiosos e investigadores, para a área das Artes) tem dado uma continuidade relevante, muito inovadora.

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15.9.17

"Just don´t forget to look up" - leu-se por aí e logo nos lembrámos desta página num guia sobre Toledo*. 

 

tectostoledanos-d.jpg

 

São da cidade  de Espanha os tectos que a imagem reúne.

E a expressão em inglês que consta no legenda da imagem "A sky of vaulted ceilings" (e se traduz para "Um céu de tectos abobadados") sintetiza uma ideia quase natural (ou naturalista): pois na natureza quando se olha para cima é para o céu.

O mesmo céu que é azul, camada gasosa, frequentemente designada abóbada celeste: porque em cada lugar parece ser uma abóbada que está acima de nós.

Foi por aqui (certamente) que começou todo um caminho de sucessivas analogias, entre o céu, o universo e o divino, assim como a sua representação, presente na Arte e na Arquitectura Ocidental (cristã).

Muitas outras analogias foram feitas e André Grabar o grande (enorme! - dizemos nós) especialista de Iconografia refere a Ciência antiga como fornecedora de imagens que constam na Arte Cristã. Tendo chegado a referir-se aos “traçados circulares” da Cosmologia, ou órbitas dos planetas.

Os seus trabalhos são verdadeiramente admiráveis pelo rigor e forma exaustiva como percorreu, analisando, um sem número de imagens.  

 

~~~~~~~~~~~~~~

*Ver em Toledo - The Magic of Three Cultures, ed. Limite Visual guide books, Badajoz 1997.

 

 

 

 

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8.9.17

Cá por mim (e para mim) tenho uma teoria - que a Beleza é o máximo da sintonia.

Como sucede quando se sintoniza um posto de rádio: i. e., quando se consegue acertar em cheio no centro espectral da onda de transmissão.

O que nem sempre em fácil...

Mas hoje a sintonia é talvez mais um uníssono. Nos blogs em que escrevemos (por várias razões*), nesta data está tudo virado para o mesmo lado, tema ou assunto.

 Então sintonizem-se, e não percam as evoluções do que se vai registando em locais que nem sempre são o mesmo

 Fotos de casa conhecida como Casa das Bolas (PORTALEGRE). As referidas esferas, que saibamos, aparecem pelo menos num Tratado (que também foi) de Arquitectura

 

DSCN9157.JPG

DSCN9158.JPG

DSCN9160.JPG

 

*E se escrevemos em 3 blogs, é por exemplo porque este - ICONOTEOLOGIA - nos serviu para registar esta palavra.

Não a inventámos, mas concordamos, em absoluto, com Eugenio Marino que a criou

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31.8.17

Talvez a designação não seja muito importante...

Ou será que é e foi?

O que sei/sabemos é que muitas destas imagens foram como Símbolos, e deram forma/moldaram extensíssimas superfícies e elementos arquitectónicos.

Certo e que este e um dos nossos posts mais lidos.

Além de que certo e tambem o facto do computador que estou a usar na BM de Portalegre - Espaço Iternet - nao colocar acentos! E alguem se incomoda...?

 

NoVãoDaEscada.JPG

Acima um hall de entrada - que muito nos faz lembrar William Morris.  E onde, para além da luz colorida pelos vidros de uma porta neogótica (claro que sim!), há ainda um hexafólio em "bois découpé" e ao fundo uma janela elíptica.

Tudo "effable shapes" como convêm - segundo Vitrúvio (referindo-se a conveniência e décor) - a um espaço que de raiz  tem mais de 250-300 anos. E, claro, muitas campanhas de obras pelo meio...

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30.8.17

... é sempre difícil separar temas e assuntos, hoje está tudo ligado

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24.8.17

Neste caso fez...

 

Nos estudos sobre Monserrate* e depois sobre aquilo a que passei a chamar uma Iconoteologia, encontrei este episódio, nada bonito, pelo contrário, verdadeiramente muito feio. Horrendo:

Aconteceu na noite de 23 para 24 de Agosto de 1572, portanto há 445 anos, tendo ficado para a História com a designação de Noite de S. Bartolomeu.

Como podem perceber pelos vários links que aqui se deixam (1.,    2., e    3.), o referido episódio foi altamente preparado; uma enorme armadilha** (engendrada na corte...). Está relacionado com o posicionamento (mais definitivo) de França, enquanto nação, face à cisão criada entre Católicos e Protestantes.

Claro que em História (não há só uma via única de especializações, como nos «doutoramentos portugas»...) há que articular diferentes tempos – ou factos e datas. Para nos colocarmos (talvez se conseguir?) no passado que queremos compreender e julgar. Em suma, tentando contextualizar e conhecer o que se terá passado.

Assim, lembre-se que tinha decorrido então - ainda não havia uma década -, o Concílio de Trento, que se distribuiu por 3 longas sessões (desde 1545-63). E a última dessas sessões teve a ver (muitíssimo) com a imagética habitualmente colocada nos lugares de culto. Mas, acrescentamos, não apenas para esses lugares de culto, pois «definir e regular a imagética» isso incluía toda a Arte (Cristã***). Abaixo uma página proveniente da Introduction à obra de Jean Molanus, Traité des Saintes Images, Les Éditions Du Cerf, Paris 1996.

Molanus-Introduction,p.11

 (ver maior)

Imagética que, como é sabido, se começou então a diferenciar, propositadamente, entre Arte e Cultura Católica e Arte e Cultura da Igreja Reformada. Uma diferenciação que se fez também por países, tendo surgido os seus respectivos mentores. Como por exemplo foi o citado Johanus Molanus - que tentou responder, em prol do catolicismo, de uma forma muito empenhada e detalhada, às necessidades da sua época. Ou, mais tarde, e nesse caso em prol da Arte, ou Ciência do Design, próprios para a Inglaterra protestante, do Conde de Shaftesbury (third Earl of Shaftesbury - Anthony Ashley Cooper, autor de The Letter Concerning the Art, or Science of Design, como há 6 anos já se abordou). Ver em: http://primaluce.blogs.sapo.pt/28577.html

Já agora lembra-se que há alguns dias fizemos um post a lembrar Martinho Lutero e a comemoração na Alemanha dos 500 anos (em 31 de Outubro de 1517), do que se considera ter sido a afixação das suas 95 teses.

Voltando a Catarina de Médici (protagonista da maior importância em todo este assunto) e ao Concílio de Trento, foi ela que exigiu que nas últimas sessões (de 1563), que se «legislasse», o que é mencionado no texto acima, relativamente às imagens e ao seu culto. Como se sabe, essas decisões tridentinas, tal como já tinha sucedido depois de Niceia-II, influenciaram, profundamente, a Arte e a Cultura.

E na Europa, também nas suas colónias, a que é hoje chamada Arte do Ocidente, ficou profundamente marcada pelas várias divisões ocorridas e respectivas sequelas. Por exemplo, Martin Kemp - coordenador da História da Arte no Ocidente (em português edição Verbo 2006) não parece atribuir à religião, expressamente, um papel essencial na evolução artística que aconteceu. No entanto - pelo menos implicitamente – pressentiu uma «autonomização» (mais tarde foram correntes/tendências nacionalistas) das diferentes regiões europeias. É  nesse seu trabalho que à Parte 3 foi dada a seguinte designação:

“A Arte das Nações: Regimes Visuais Europeus 1527-1770”.  

Naturalmente conhecer episódios como este pode dar azo a repulsa, e até uma imensa vontade de negação (muito politicamente correcta). Porém, parece positivo conhecê-los, pois é muito claro que hoje vivemos tempos tendencialmente Ecuménicos.

E é o que se deseja, e faz sentido!

~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~

*Gérard De Visme - o criador do Monserrate Neogótico (a que chamámos no nosso trabalho, e por influência de Regina Anacleto, “Monserrate-I”) – era de ascendência huguenote.

**Para quem possa estar a seguir a História dos Medicis no Canal 1, aos Sábados https://www.rtp.pt/programa/tv/p34508 , pode ver a violência que aí é retratada: pouco ou nada a ver, com a história mais romanceada (ou até intelectualizada) que muitas vezes temos em mente. Como é o nosso caso (há que o confessar), sobretudo quando se pensa em Pierre Magnard e o que conta de Cosimo Médici: como, com Marsílio Ficino, fez reviver - em Florença -, a Academia de Platão.

***Não esqueçamos que o Poder, a Justiça, exercidas pela realeza e alguns nobres, esse seu direito emanava de Deus, o que em geral (quase sem excepções) se plasmava nas obras da arquitectura. Concretamente nas suas casas como fez Gérard De Visme...

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9.8.17

Já aqui escrevemos, muitas vezes, sobre uma iconologia específica - ou, entenda-se, de vários sinais da iconografia cristã (aplicados na arquitectura), - que eram sinais de nobreza, marcantes da(s) Domus (ou arquitectura doméstica nobre).

Mas para a frase em latim que está no titulo de hoje a explicação pode (re)ler-se indo por aqui.

É que nas sociedades europeias, antigas e tradicionais, apesar da estarem em diferentes regiões geográficas, e de ter havido várias fracturas religiosas marcantes, no entanto tudo esteve ligado, sob uma lógica divina: é que a não-existência de Deus, que para muitos (ou quase todos?) hoje é banal, era então inconcebível.

E os nobres pertenciam a um grupo, ou categoria/classe, que era como que sagrada:

A nobreza existia (ou vinha de) em Deus;

O Direito (de julgar) que os Reis exerciam provinha de Deus;

Era portanto através de sinais específicos que a nobreza de uma Casa (ou família/linhagem) ficava assinalada na Arquitectura (*).

E se houvesse dúvidas, havia/houve quem o lembrasse. Concretamente Sebastiano Serlio escreveu-o com toda a clareza (como aliás já citámos em Iconoteologia):

“... and through them the nobility of that house was expressed. The man who had no statues, not being of the nobility, was called ‘a son of the soil, born from himself’. After that instead of statues they began to use coats of arms, which were similarly awarded to the captains of armies and princes, as had once been done with the statues.” ()   

Por fim, e porque Serlio (se lerem com atenção percebem-no) também se referiu a um German work; esse trabalho de cariz mais marcado, germânico - de que S. Serlio escreveu (e note-se estamos a fazer uma citação de um trabalho que foi publicado em Paris em 1547, 30 anos depois de Lutero ter postado as suas 95 teses em 1517 - ver post anterior).

Enfim, essa característica mais germânica (que alguns «sentem» desde Carlos Magno, fundador do Sacro Império) foi depois instilada, propositadamente, na Arquitectura que até agora tem sido chamada Revivalista. Em geral também a do Norte da Europa: dos países que aderiram ao Protestantismo, e à Reforma que Lutero desencadeou.     

~~~~~~~~~~~~~~~~

(*) O que é incrivelmente visível, e muito notório, na parte mais antiga da cidade de Portalegre:

A cidade dos 6 ou 7 conventos (?), mas também a que é das Pedras d'Armas e dos Portais Armoriados.

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Primaluce: Uma Nova História da Arquitectura
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