Muitas imagens da arquitectura foram «iconoteologia». Many images of ancient and traditional architecture were «iconotheological». This blog is to explain its origin.
19.9.17

 

Referimo-nos ao Pensar do Pensamento, algo por que passou Rudolph Arnheim. Passou, "en passant", simplesmente - sem se deter, e não como objecto central dos seus estudos -, num livro seu, que lemos em francês La Pensée Visuelle.

O assunto parece ser de grande importância, sobretudo se estivermos num meio em que a Inovação e o Conhecimento sejam um objectivo verdadeiro, como normalmente se espera aconteça nas instituições de ensino superior...

Por isso - “Les bases neurales de l’imagination”, será este um tema importante numa Escola de Design*?

“ (…) Concernant l’imagerie mentale et l’imagerie motrice, je vais vous livrer quelques découvertes des neurosciences modernes sur les bases neurales de l’imagerie. L’imagerie mentale utilise en partie certains des mécanismes de la perception. Ce sont les mêmes réseaux qui sont impliqués lors d’une perception visuelle et lorsque l’on ferme les yeux et que l’on commence à imaginer un paysage. L’imagerie mentale et la perception partagent les mêmes structures. Ce sujet fait l’objet d’une littérature abondante et de progrès constants.
L’imagerie et l’émulation mentale peuvent induire des modifications du cerveau au même titre que l’expérience. Je travaille avec le mathématicien Daniel Belkin sur les géométries du cerveau. Chez les mathématiciens, le volume de matière grise augmente avec l’ancienneté. Les chauffeurs de taxis londoniens ont un hippocampe plus développé que le nôtre parce qu’ils l’utilisent pour se représenter l’espace. Il y a donc une plasticité cérébrale importante même lorsque nous ne faisons que penser et utiliser l’imagerie mentale.
Cette plasticité est utilisée dans un grand nombre de domaines. L’entrainement par l’imagerie mentale des sportifs de haut niveau entraine même des modifications neurochimiques (de la dopamine corticale).
L’imaginaire ne consiste pas simplement à créer des images. Il sert à mettre en relation le passé et le futur puisque nous devons plonger dans nos mémoires pour créer des scénarios futurs. Les neurosciences parlent de voyage mental dans le temps. L’imaginaire en tant qu’aller-retour permanent entre le passé et le futur est lié à l’identité (cf. les notions phénoménologique de rétention/propension proposées par Husserl). Imaginer c’est passer son temps à faire cet aller-retour mental entre le passé et le futur entre lesquels se trouve l’identité. 
(…) »

Este texto vem de: http://www.ihest.fr/la-mediatheque/collections/seances-publiques/ouverture-officielle-du-cycle-278/le-cerveau-createur-de-mondes

Só que, pensando agora no excerto que escolhemos (e está acima), há muitas imagens e entre elas estão as geométricas: muito mais «inteligentes» do que todas as outras (e inteligentes dizemos nós..., com base nas nossas razões).

Porque as imagens ou figuras geométricas são abstractas e não representativas (ou directamente icónicas); i. e., não ligando a mente, imediata e directamente, a uma qualquer realidade concreta do mundo natural: uma árvore, uma casa, um rio, etc.

Imagens em que o fenómeno/acto de abstracção é também uma idealização. Pois saindo do concreto «traduz» generalizações, e desse modo usa as imagens geométricas para ajudar a pensar, traduzir conceitos ou ideias, etc., etc., etc.

E não se pense que os “etc., etc., etc.” acima são como uma “bengalinha do discurso”, ou a forma de fazer parecer que se trata de um “big amount of information” (como na tese do outro – aquele honestíssimo, quem todos sabemos...!).

Foi de facto muito, imenso o que a Geometria sempre serviu:

Para traduzir ideias, como explica com vários exemplos George Hersey, só que, para além deste (autor) G. Hersey, e bem antes dos seus exemplos (ou dos de Louis Sullivan e de uma Geometria plástica...), para nós já havia – pois lê-mo-lo há bastante mais tempo - o que escreveu Hugues de Saint-Victor sobre a Geometria. A mesma que Villard de Honnecourt chamou de “Jometrie” **

E há também, ainda antes do abade da Universidade de Paris (que viveu no século XII), o que escreveu o Pseudo-Dionísio. Autor que viveu muito antes do século XII - onde agora é a Síria -, no seculo V-VI d.C. A ele, ao Pseudo-Dionísio que ficou conhecido como Areopagita (e a Maurice de Gandillac que traduziu do grego para francês várias das suas obras), deve-se o excerto abaixo (que traduzimos para português e sublinhámos).

Não sendo a primeira vez que se cita, tal a importância que lhe atribuímos (e nunca vimos mencionado, para além dos nossos blogs). É hoje dedicado aos que se mantêm longe e querem abster de toda a compreensão pelo modo como a arquitectura antiga foi falante. Ou, em latim effabilis, embora - o que parece ser uma contradição (mas vem dos prefixos acrescentados à raiz da palavra) - tendo por objectivo traduzir o Inefável:

 

"Uma inteligência perspicaz não ficaria embaraçada por fazer corresponder sinais visíveis às realidades invisíveis" 

 

É um assunto que já várias vezes abordámos, como se pode confirmar aqui (e a ler na totalidade):

E se os « chauffeurs de taxis londoniens » têm zonas do cérebro mais desenvolvidas por precisarem de se auto-representar (mentalmente) o espaço citadino em que podem ter de conduzir, por nós sabemos:      

  1. Como o emprego de certas formas (na sua essência invariantes mas introduzidas diferentemente conforme o estilo - ver imagens) tinham por objectivo a transmissão de uma ideia específica (ou eventualmente de várias, que era usual estarem-lhe associadas).
  2. Que inúmeras obras de Arte são vistas como repositórios de ideias que se pretendiam transmitir. Muitas delas hoje consideradas ilegíveis (e que portanto era necessário transmitir os códigos de leitura); mas que, e como escreveu o Pseudo-Dionísio, Areopagita, algumas dessas obras se mantêm ainda agora legíveis para inteligências mais preparadas e perspicazes***.
  3. Como acontece por exemplo na Igreja do Convento de Jesus (Setúbal - ver fotos das colunas, que sustentam a abóbada,  em que muitos vêem/lêem nessas colunas torsas - que na zona da igreja suportam a parte superior do edifício - a representação de Deus-Trino. Deus que justifica, fortalece e apoia a sua Ecclesia:  i. e., a Assembleia dos que lhe são fieis.

Antes de terminar não esqueçam que este post começou a propósito da forma como o cérebro pensa (em imagens). E para nós, há dias, na audição de “Anticipation et prédiction: une extraordinaire faculté du cerveau humain », que podem ouvir a partir daqui

 

 

Claro que estas duas imagens (acima no Mosteiro da Batalha, e em baixo numa casa em Portalegre), que foram usadas como ornamentos, e se percebe a sua ideia essencial - que foi o interligar de dois anéis, alianças, círculos (ou até de duas esferas). Estas duas imagens também foram, muitas vezes, transformadas e derrogadas. Usando de uma imensa economia de meios (discursiva/visual) - que se caracteriza por ser altamente sintetizadora; em sínteses que são muito típicas das artes visuais 

Notas:

*Podendo perguntar-se algo mais: “O que é preferível? A compreensão do funcionamento  da máquina de pensar humana? Ou a compreensão do funcionamento das maquininhas e todos os gadgets que em cada dia, uns e outros vão inventando?” 

Por nós já respondemos a esta questão há cerca de 25 anos. Quando preferimos ensinar Projectos, do que continuar a ensinar Tecnologia de Materiais. Pois percebemos que as matérias tangíveis iam mudando conforme as modas, por décadas... Enquanto as ideias e as concepções imateriais eram muito mais fixas, dependentes do essencial da mente (e dos conhecimentos). Andando portanto mais próximas do imutável.

**De que também já escrevemos: http://primaluce.blogs.sapo.pt/so-pode-deus-e-lavoisier-218667

***A Arte da Memória que Frances Yates estudou e a que Mary Carruthers (entre outros estudiosos e investigadores, para a área das Artes) tem dado uma continuidade relevante, muito inovadora.

link do postPor primaluce, às 00:00  comentar

15.9.17

"Just don´t forget to look up" - leu-se por aí e logo nos lembrámos desta página num guia sobre Toledo*. 

 

tectostoledanos-d.jpg

 

São da cidade  de Espanha os tectos que a imagem reúne.

E a expressão em inglês que consta no legenda da imagem "A sky of vaulted ceilings" (e se traduz para "Um céu de tectos abobadados") sintetiza uma ideia quase natural (ou naturalista): pois na natureza quando se olha para cima é para o céu.

O mesmo céu que é azul, camada gasosa, frequentemente designada abóbada celeste: porque em cada lugar parece ser uma abóbada que está acima de nós.

Foi por aqui (certamente) que começou todo um caminho de sucessivas analogias, entre o céu, o universo e o divino, assim como a sua representação, presente na Arte e na Arquitectura Ocidental (cristã).

Muitas outras analogias foram feitas e André Grabar o grande (enorme! - dizemos nós) especialista de Iconografia refere a Ciência antiga como fornecedora de imagens que constam na Arte Cristã. Tendo chegado a referir-se aos “traçados circulares” da Cosmologia, ou órbitas dos planetas.

Os seus trabalhos são verdadeiramente admiráveis pelo rigor e forma exaustiva como percorreu, analisando, um sem número de imagens.  

 

~~~~~~~~~~~~~~

*Ver em Toledo - The Magic of Three Cultures, ed. Limite Visual guide books, Badajoz 1997.

 

 

 

 

link do postPor primaluce, às 13:00  comentar

8.9.17

Cá por mim (e para mim) tenho uma teoria - que a Beleza é o máximo da sintonia.

Como sucede quando se sintoniza um posto de rádio: i. e., quando se consegue acertar em cheio no centro espectral da onda de transmissão.

O que nem sempre em fácil...

Mas hoje a sintonia é talvez mais um uníssono. Nos blogs em que escrevemos (por várias razões*), nesta data está tudo virado para o mesmo lado, tema ou assunto.

 Então sintonizem-se, e não percam as evoluções do que se vai registando em locais que nem sempre são o mesmo

 Fotos de casa conhecida como Casa das Bolas (PORTALEGRE). As referidas esferas, que saibamos, aparecem pelo menos num Tratado (que também foi) de Arquitectura

 

DSCN9157.JPG

DSCN9158.JPG

DSCN9160.JPG

 

*E se escrevemos em 3 blogs, é por exemplo porque este - ICONOTEOLOGIA - nos serviu para registar esta palavra.

Não a inventámos, mas concordamos, em absoluto, com Eugenio Marino que a criou

link do postPor primaluce, às 12:00  comentar

31.8.17

Talvez a designação não seja muito importante...

Ou será que é e foi?

O que sei/sabemos é que muitas destas imagens foram como Símbolos, e deram forma/moldaram extensíssimas superfícies e elementos arquitectónicos.

Certo e que este e um dos nossos posts mais lidos.

Além de que certo e tambem o facto do computador que estou a usar na BM de Portalegre - Espaço Iternet - nao colocar acentos! E alguem se incomoda...?

 

NoVãoDaEscada.JPG

Acima um hall de entrada - que muito nos faz lembrar William Morris.  E onde, para além da luz colorida pelos vidros de uma porta neogótica (claro que sim!), há ainda um hexafólio em "bois découpé" e ao fundo uma janela elíptica.

Tudo "effable shapes" como convêm - segundo Vitrúvio (referindo-se a conveniência e décor) - a um espaço que de raiz  tem mais de 250-300 anos. E, claro, muitas campanhas de obras pelo meio...

link do postPor primaluce, às 12:00  comentar

30.8.17

... é sempre difícil separar temas e assuntos, hoje está tudo ligado

link do postPor primaluce, às 16:30  comentar

24.8.17

Neste caso fez...

 

Nos estudos sobre Monserrate* e depois sobre aquilo a que passei a chamar uma Iconoteologia, encontrei este episódio, nada bonito, pelo contrário, verdadeiramente muito feio. Horrendo:

Aconteceu na noite de 23 para 24 de Agosto de 1572, portanto há 445 anos, tendo ficado para a História com a designação de Noite de S. Bartolomeu.

Como podem perceber pelos vários links que aqui se deixam (1.,    2., e    3.), o referido episódio foi altamente preparado; uma enorme armadilha** (engendrada na corte...). Está relacionado com o posicionamento (mais definitivo) de França, enquanto nação, face à cisão criada entre Católicos e Protestantes.

Claro que em História (não há só uma via única de especializações, como nos «doutoramentos portugas»...) há que articular diferentes tempos – ou factos e datas. Para nos colocarmos (talvez se conseguir?) no passado que queremos compreender e julgar. Em suma, tentando contextualizar e conhecer o que se terá passado.

Assim, lembre-se que tinha decorrido então - ainda não havia uma década -, o Concílio de Trento, que se distribuiu por 3 longas sessões (desde 1545-63). E a última dessas sessões teve a ver (muitíssimo) com a imagética habitualmente colocada nos lugares de culto. Mas, acrescentamos, não apenas para esses lugares de culto, pois «definir e regular a imagética» isso incluía toda a Arte (Cristã***). Abaixo uma página proveniente da Introduction à obra de Jean Molanus, Traité des Saintes Images, Les Éditions Du Cerf, Paris 1996.

Molanus-Introduction,p.11

 (ver maior)

Imagética que, como é sabido, se começou então a diferenciar, propositadamente, entre Arte e Cultura Católica e Arte e Cultura da Igreja Reformada. Uma diferenciação que se fez também por países, tendo surgido os seus respectivos mentores. Como por exemplo foi o citado Johanus Molanus - que tentou responder, em prol do catolicismo, de uma forma muito empenhada e detalhada, às necessidades da sua época. Ou, mais tarde, e nesse caso em prol da Arte, ou Ciência do Design, próprios para a Inglaterra protestante, do Conde de Shaftesbury (third Earl of Shaftesbury - Anthony Ashley Cooper, autor de The Letter Concerning the Art, or Science of Design, como há 6 anos já se abordou). Ver em: http://primaluce.blogs.sapo.pt/28577.html

Já agora lembra-se que há alguns dias fizemos um post a lembrar Martinho Lutero e a comemoração na Alemanha dos 500 anos (em 31 de Outubro de 1517), do que se considera ter sido a afixação das suas 95 teses.

Voltando a Catarina de Médici (protagonista da maior importância em todo este assunto) e ao Concílio de Trento, foi ela que exigiu que nas últimas sessões (de 1563), que se «legislasse», o que é mencionado no texto acima, relativamente às imagens e ao seu culto. Como se sabe, essas decisões tridentinas, tal como já tinha sucedido depois de Niceia-II, influenciaram, profundamente, a Arte e a Cultura.

E na Europa, também nas suas colónias, a que é hoje chamada Arte do Ocidente, ficou profundamente marcada pelas várias divisões ocorridas e respectivas sequelas. Por exemplo, Martin Kemp - coordenador da História da Arte no Ocidente (em português edição Verbo 2006) não parece atribuir à religião, expressamente, um papel essencial na evolução artística que aconteceu. No entanto - pelo menos implicitamente – pressentiu uma «autonomização» (mais tarde foram correntes/tendências nacionalistas) das diferentes regiões europeias. É  nesse seu trabalho que à Parte 3 foi dada a seguinte designação:

“A Arte das Nações: Regimes Visuais Europeus 1527-1770”.  

Naturalmente conhecer episódios como este pode dar azo a repulsa, e até uma imensa vontade de negação (muito politicamente correcta). Porém, parece positivo conhecê-los, pois é muito claro que hoje vivemos tempos tendencialmente Ecuménicos.

E é o que se deseja, e faz sentido!

~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~

*Gérard De Visme - o criador do Monserrate Neogótico (a que chamámos no nosso trabalho, e por influência de Regina Anacleto, “Monserrate-I”) – era de ascendência huguenote.

**Para quem possa estar a seguir a História dos Medicis no Canal 1, aos Sábados https://www.rtp.pt/programa/tv/p34508 , pode ver a violência que aí é retratada: pouco ou nada a ver, com a história mais romanceada (ou até intelectualizada) que muitas vezes temos em mente. Como é o nosso caso (há que o confessar), sobretudo quando se pensa em Pierre Magnard e o que conta de Cosimo Médici: como, com Marsílio Ficino, fez reviver - em Florença -, a Academia de Platão.

***Não esqueçamos que o Poder, a Justiça, exercidas pela realeza e alguns nobres, esse seu direito emanava de Deus, o que em geral (quase sem excepções) se plasmava nas obras da arquitectura. Concretamente nas suas casas como fez Gérard De Visme...

link do postPor primaluce, às 10:30  comentar

9.8.17

Já aqui escrevemos, muitas vezes, sobre uma iconologia específica - ou, entenda-se, de vários sinais da iconografia cristã (aplicados na arquitectura), - que eram sinais de nobreza, marcantes da(s) Domus (ou arquitectura doméstica nobre).

Mas para a frase em latim que está no titulo de hoje a explicação pode (re)ler-se indo por aqui.

É que nas sociedades europeias, antigas e tradicionais, apesar da estarem em diferentes regiões geográficas, e de ter havido várias fracturas religiosas marcantes, no entanto tudo esteve ligado, sob uma lógica divina: é que a não-existência de Deus, que para muitos (ou quase todos?) hoje é banal, era então inconcebível.

E os nobres pertenciam a um grupo, ou categoria/classe, que era como que sagrada:

A nobreza existia (ou vinha de) em Deus;

O Direito (de julgar) que os Reis exerciam provinha de Deus;

Era portanto através de sinais específicos que a nobreza de uma Casa (ou família/linhagem) ficava assinalada na Arquitectura (*).

E se houvesse dúvidas, havia/houve quem o lembrasse. Concretamente Sebastiano Serlio escreveu-o com toda a clareza (como aliás já citámos em Iconoteologia):

“... and through them the nobility of that house was expressed. The man who had no statues, not being of the nobility, was called ‘a son of the soil, born from himself’. After that instead of statues they began to use coats of arms, which were similarly awarded to the captains of armies and princes, as had once been done with the statues.” ()   

Por fim, e porque Serlio (se lerem com atenção percebem-no) também se referiu a um German work; esse trabalho de cariz mais marcado, germânico - de que S. Serlio escreveu (e note-se estamos a fazer uma citação de um trabalho que foi publicado em Paris em 1547, 30 anos depois de Lutero ter postado as suas 95 teses em 1517 - ver post anterior).

Enfim, essa característica mais germânica (que alguns «sentem» desde Carlos Magno, fundador do Sacro Império) foi depois instilada, propositadamente, na Arquitectura que até agora tem sido chamada Revivalista. Em geral também a do Norte da Europa: dos países que aderiram ao Protestantismo, e à Reforma que Lutero desencadeou.     

~~~~~~~~~~~~~~~~

(*) O que é incrivelmente visível, e muito notório, na parte mais antiga da cidade de Portalegre:

A cidade dos 6 ou 7 conventos (?), mas também a que é das Pedras d'Armas e dos Portais Armoriados.

link do postPor primaluce, às 11:00  comentar

6.7.17

Cada vez que penso que sou professora (há 40 anos!) numa escola de Design que fez questão de esconder os meus temas de mestrado, e depois de doutoramento – incrivelmente inovadores - , por versarem a relação intima e directa que existiu entre a Teologia e algumas imagens (a que chamamos Ideogramas); naturalmente que sempre que isso acontece, logo toda esta problemática me faz pensar no mundo de cegueira dos responsáveis, no Ensino Superior (nível de doutoramento!) pela situação em que estamos.

E estamos todos, sim, no plural que Umberto Eco aconselhou a quem escreve uma tese.

Não «estamos» porque se entenda como extrapolação (majestática), mas porque nos auto-limitamos, todos: i. e., colectivamente. Pois quando se perdem (ou destroem) valores individuais é também o colectivo, toda a sociedade que os perde. Seja quem for o autor (individual) das ideias destruídas...

Mas adiante:

Este ano celebram-se os 500 anos do que foi  o início da Reforma (luterana), e há muito boa gente - também negociantes, muitos publicitários e marketeers (imagine-se, até designers que conceberam para a Playmobil uma suposta miniatura da figura de Martinho Lutero!); portanto, pessoas que não ficaram indiferentes à questão

 

Playmobil-500anos-teses-Lutero.jpg

(legenda)

 

Enfim, há muito boa gente que não se melindra com a existência de uma relação Teologia <-> Imagem, e portanto também não faz questão de esconder o assunto. Antes pelo contrário, sabendo da sua importância, exploram-no (em vários sentidos) que não sendo só e apenas culturais, são também rentáveis.

Não se posicionaram para estar de um ou de outro lado, e preferiram optar por atitudes inclusivas: ou seja, celebrando!

Não o que alguns podem ver como uma fractura na unidade do Catolicismo, mas como um enriquecimento de toda a Cristandade*.

~~~~~~~~~~~~     

*Se atentarmos a muitas das informações dadas por Joaquim Carreira das Neves no seu trabalho dedicado a Lutero. Ver em http://primaluce.blogs.sapo.pt/padre-joaquim-carreira-das-neves-374433, e sobretudo aconselha-se a ler o livro.

link do postPor primaluce, às 00:00  comentar

15.6.17

 

A Quilha da Arca de Noé

 

Assunto que há uns bons anos afligiu, muito, uma orientadora, pois não queria que na nossa tese houvesse algum equívoco relativamente ao que ela já tinha escrito, sobre o que lhe pareceria uma tonteria*, dos viajantes ingleses (?), nas suas demandas, no século XVIII, "Em torno das origens do Gótico".

Assim, e como Maria João Baptista Neto aprecia especialmente a língua inglesa, aqui lhe deixamos um excerto (da autoria de Grover Zinn) sobre a referida, e tão enigmática, "Keel".

 

"The keel of the ark is prominently indicated by a line running from the bow to the stern. Along this line Hugh inscribes the human genealogy of Christ, beginning with Adam, and the spiritual filiation of the Bishops of Rome, beginning with Peter and ending with Honorius II. Christ is represented by the small square which rests in the center of the drawing and consequently at the mid-point of the timeline. Thus the passage of time from the Creation to the present (and into the future to the eschaton) is marked on the keel of the ark.18 The twelve patriarchs and twelve apostles are singled out for special recognition; each group of twelve men is portrayed by a line of twelve small "icons," as Hugh calls them, extended across the width of the ark. Here the focus is clearly eschatological; Hugh describes their appearance as being "like the senate (senatus) of the city of God."19"

 

Também porque (não vá o diabo tecê-las?, já que a dita Professora tende para o plágio, sem a pinga de um sentido de honra que em geral respeitamos), aquilo que nós lemos e portanto deduzimos dos desenhos e dos registos (que incluem palavras) atribuídos a Hugo de S. Victor, integrantes do Libellus de formatione arche, e do Didascalicon - ou, resumidamente, naquilo a que tivemos acesso e podemos compreender -; para nós, e escrito por nós em português, a peça que é a Quilha da Arca de Noé, dá/dava estrutura, consistente, à Igreja**. Mas era/foi, enquanto alegoria, muito mais rica, do que aquilo que Grover Zinn (pelo menos no texto acima) dá a entender.

Por isso, pela nossa ideia que é «mais inclusiva», também devemos deixar aqui registadas várias perguntas:

 

1. Será a nossa fé, ou ainda um imenso entusiasmo que este tema suscita, que nos leva a fazer uma exegése bastante mais ampla?

 

2. A considerar que a Quilha desenhada por Hugo de S, Victor no seu Tratado, e os nomes que integra, pretendeu ser, também, muito ecuménica: i. e., definidora de uma Igreja mais universal, do que a ideia que temos da Fé e dos vários comportamentos a ela associados, que hoje a História ensina como tendo sido caracteristicos da Idade Média?

 

3. Quando Hugo de S. Victor associa a Igreja à Sabedoria (colocando a instituição Igreja primeiro, e os espaços de cada igreja-edifício, ou a assembleia local dos crentes, depois...), não está também a associar a dita Quilha - ou seja o elemento do barco, essencial (que tem que ser resistente para cortar a àgua) - a uma Sagesse? Ao Saber/Conhecimento que preconiza como a base, e a linha essencial por que se deve guiar uma instituição que pretende "levar a humanidade a Deus"?

 

 

As imagens a seguir (reproduções de um Tratado que se supunha ser apenas de Teologia, para contemplar o próprio manuscrito), como defendemos essas imagens tiveram propósitos arquitectónicos: ou seja, foram um desenho para obra (ideia nossa). Como Patrice Sicard estudou, e escreveu, foram repetidas dezenas ou centenas de vezes, constando nos arquivos de muitas catedrais.  Mas, é sempre a mesma, partindo-se do geral - a página de um livro, para o particular, que se assinalou, a amarelo, para os leitores. A linha mais longa, longitudinal, seria a Quilha (visto que toda a Igreja era a Arca de Noé). No seu centro, de acordo com os desenhos - mas que nem sempre terá sido edificado assim (havendo transeptos) - , estaria o cruzeiro.

(legenda)

 

*"Tonteria" que alguns estudiosos, teólogos vaticanistas, como por exemplo M.-D. Chenu, Henri De Lubac, e outros, mostram ter sido um gosto especial, ou preferência, que a imensa fé dos Cristãos da Idade Média sentiam por analogias. Por metáforas e alegorias, que criavam umas sobre as outras, levando a que alguns destes teólogos cheguem mesmo a referir (parecer) haver uma certa infantilidade nas muitas analogias e associações que foram estabelecidas.Tantas, dizemos agora nós, que criaram uma imensa polissemia, que, particularmente, nos dificultou a vida, e a necessidade que tínhamos de organizar um Glossário Visual, que seria (depois), um ajudante precioso para se entenderem as obras de Arte (das Artes Visuais), e as ideias que as mesmas pretenderam sintetizar. Glossário que anda connosco, e que, talvez felizmente (?) ainda não se pôs no papel....

**Dava-lhe tempo, antiguidade (ancestral), associava-lhe as qualidades, os méritos, os valores, que até à data em que Hugo escreveu o Libellus - desde Adão, até ao Papa seu contemporâneo - todos esses grandes homens contribuíram para aquilo que a Igreja (a instituição) se tornou. Mais uma alegoria à estrutura, como Mary Carruthers explicou, tendo por base uma frase de S. Paulo.

 

NOTA: Tal como o leitor, gostaríamos de ter uma melhor paginação, a facilitar a leitura. Acontece que a nossa agenda, nem sempre permite chegar a tal desiderato. Façam como nós, não desistam do que um dia se pode vir a concretizar.

Mais importante para já, é mostrar aos que nos visitam o muito que existe e tem sido silenciado. Segundo o sapo statistics são muitas as visitas, até de outros continentes...

link do postPor primaluce, às 00:00  comentar

12.6.17

Que nos vem lembrar situações pelas quais já passámos, estudos que silenciaram, ou

...posts que já escrevemos?

 

E será que esse alguém já leu sobre "faith-based styles"...?

Fica uma referência

 

É que nós já lemos, sim, em Robert Adam - o arquitecto nosso contemporâneo. Um autor que teve força (tempo e várias outras condições...) para poder colocar a questão publicamente. Mas, nós sabemos*, que um dia vai-se poder ir bastante mais longe.

Vai se poder distinguir, por regiões (geográficas) - e não com a «universalidade» com que a história da arte ainda hoje o regista -, o como e o porquê do emprego das formas, ou os sinais abstractos que integram as «diferentes variantes» dos referidos ("faith-based") estilos arquitectónicos. Da Europa, Médio Oriente e Oriente, também das colónias, onde o Cristianismo, mas também as suas «divisões», chegaram:

É exemplo (notório) o caso do Arco Ultrapassado, que segundo defendemos nasceu associado ao Per Filium. Informação que se deduz facilmente (?!) de muitos dos vários escritos sobre a Iberia medieval. E, mais concretamente, dos de Vergílio Correia no que registou no Iº vol. da História de Portugal (dita) de Barcelos: Quinta Parte, Arte Visigótica. Quando explica que há/houve arcos diferentes, mais ou menos fechados, segundo a sua projecção no diâmetro do círculo que os originou.

Mas tudo isto são linguagens visuais: provindas directamente do Pensamento ou de Mentes que pensam com base em imagens, assunto em que um dia as Neurociências hão-de querer trabalhar, com a Arte, num qualquer curso de Design - especializadíssimo!

Do qual, uns e outros vão querer tirar muita fama, muito proveito, e, principalmente, fazer a máxima publicidade que lhes for possível. Dizendo-se os melhores dos melhores...

Já que, no oposto, nos tempos em que ainda vivemos, ser mulher é ser «onda» (ou quiçá, tumulto, e dos piores?). Uma ideia muito sui generis que - OBVIAMENTE - não confere competência, a uma qualquer mulher, para poder ser clarividente ou perspicaz!**

 

E repete-se (a seguir) a colocação de uma imagem que é, para nós - que pensamos com desenhos e neles nos apoiamos - para ganhar a vida, ou um salário no fim do mês! -, uma das imagens mais falantes que conhecemos...

Imagem que, de imediato, recorda uma frase de Salomão. É a autêntica mnemónica, capaz de estabelecer uma correspondência directa entre essa asserção e o desenho. Frase que foi uma prece, emocionada, dirigida a Iahweh, ao reconhecer a pequenez do templo que acabava de construir (se comparado com a grandeza de deus). 

PortaeCaeli.jpg

 

 

*Fernando António Baptista Pereira também sabe, aliás disse-nos (mas depois calou-se, será que se arrependeu...?) que na Rússia viajou ao centro do Per Filium. Tinha inclusivamente fotografias que, na altura prometeu, iria disponibilizar para entrarem no nosso trabalho. Só que, também disse depois, que se tinham «esfarrapado», porque foram apagadas e outras lhes foram sobrepostas. "Azarucho nosso"... claro, que temos horror a tudo o que nos parece, ou aparece, demasiado esfarrapado!

**Tema que lembra uma  especialista (mulher) que Grover Zinn tantas vezes cita.

Também o Papa Francisco, e a sua ideia de que a Igreja precisa de teólogos (especificamente mulheres).

Guardar

link do postPor primaluce, às 12:00  comentar


 
Primaluce: Uma Nova História da Arquitectura
Setembro 2017
D
S
T
Q
Q
S
S

1
2

3
4
5
6
7
8
9

10
11
12
13
14
16

17
18
20
21
22
23

24
25
26
27
28
29
30


tags

todas as tags

subscrever feeds
blogs SAPO