Muitas imagens da arquitectura foram «iconoteologia». Many images of ancient and traditional architecture were «iconotheological». This blog is to explain its origin.
15.2.18

É isto, o que se vê a seguir, na procura de informações sobre Círculos, Ovais e Elipses, nas imagens da Arquitectura e da Arte do Ocidente (Europa e EUA) de raiz cristã.

 

  1. ICONOTEOLOGIA; ICONOTHEOLOGY - 304
  2. Círculos, Ovais e Elipses (2) - 102
  3. Saber Matemática para compreender as Obras de Arte: a Fita de Moebius um Símbolo do Infinito? Ou de como a Ignorância não leva a lado nenhum? - 86
  4. Pesquisa - ICONOTEOLOGIA; ICONOTHEOLOGY - 81
  5. Cultura Livresca - 45
  6. Os Diagramas de Villard de Honnecourt - 39
  7. Design e Teologia - 29
  8. Faz hoje 445 anos: uma história horrivel de que a HISTÓRIA também se faz. - 29
  9. "Igreja Barroca de Planta Elíptica" - 24
  10. Será isto importante numa escola de Design? - 20
  11. Ainda em torno da obra de Hugo de S. Victor... - 19
  12. Síntese comparativa - 17
  13. Esconder os materiais encontrados, em sucessivas deduções, e depois designar (ou insultar?) esses materiais como sendo «Esoterismos»: grandes investigadores! - 16
  14. A Questão de Deus: uma só ou várias? - 15
  15. Uma inteligência perspicaz não ficaria embaraçada por fazer corresponder sinais visíveis às realidades invisíveis - 15
  16. A Arca de Noé ou o tema de 'La Grande Arche': um tema de sempre, que o século XX também retomou*? - 14
  17. Correspondências entre imagem e significado: será isso importante numa escola de Design? Ensinar a observar, a ler e compreender imagens (para depois compôr novas obras) - 13
  18. A, W. N. Pugin (1812-1852): as formas arquitectónicas e os ornamentos mais adequados. Num post de Rui'narte - 13
  19. Ontem recebemos: HOMENAGEM A ANTÓNIO QUADROS (NEWSLETTER 067) - 11
  20. Se... - 11

É nossa a culpa, claramente e sem dúvida, pois não temos tido tempo para escrever o que nos vai na mente, e a muita informação que, crescentemente, já passou a estar recolhida.

 

Ou, talvez a culpa seja mais das estruturas do Ensino Superior deste país, em que se escondem temáticas fascinantes, mas sobretudo as que verdadeiramente são essenciais para «nos entendermos».

 

Culpados por não terem criado as equipas de investigação necessárias - e serão muitas (e terão que ser enormes...) - para a reunião de todos os novos conhecimentos que, em cada dia (nós) continuamos a descobrir.

 

Depois, tendo em consideração a língua, claro que é do Brasil que vem um grande número dos nossos visitantes: o que muito nos honra.

Já que, é sabido, e como escreveu Miguel Real, por aqui se tem que assistir (e engolir e aceitar...), de um modo como se fosse óbvio A Morte de Portugal.

É triste. Triste de mais! Mas é este o nível da irresponsabilidade, como se tem mostrado nos tags do nosso blog principal - com destaque para os orientadores e supervisores dos estudos que fizemos. E que agora, ainda mais impunemente, passaram também a plagiar o trabalho!

 

Ora, face à curiosidade dos visitantes, e dada a nossa falta de tempo, decidimos alertar-vos para o facto de que as combinações de círculos, essas imagens muitas vezes foram sido rectificadas, dando depois origem a iconografia (que consideramos) sinónima da anterior, mas menos trabalhosa de materializar. Por exemplo no vidro, na pedra, ou na madeira

Assim, e da mesma forma que esses desenhos estão na Planta (i. e., na implantação) de muitas igrejas, sobretudo em obras do estilo Barroco; também a referida iconografia cristã aparece igualmente nos desenhos associados às janelas e aos cortes dos (pequenos) vidros. 

Sempre para aludir a Deus, e nos vidros das janelas, para a passagem da Luz, porque, como se diz no Símbolo de Niceia-Constantinopla (ou seja no Credo dos cristãos) - Deus é Luz

E porque já várias vezes se abordou esta questão aqui ficam vários links:

http://iconoteologia.blogs.sapo.pt/33587.html

http://iconoteologia.blogs.sapo.pt/35157.html

http://iconoteologia.blogs.sapo.pt/35616.html

http://iconoteologia.blogs.sapo.pt/35412.html

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15.1.18

Há dias, porque em Portalegre adquirimos muitas e boas informações sobre a representação do Espírito Santo, no nosso blog - designado Cas'Amarela (ou simplesmente Casamarela) ficou um registo que dedicado exclusivamente a Portalegre.

 

Como é hábito, nem sempre os nossos títulos vão directinhos ao tema predominante do post, mas como podem confirmar aí tratou-se, incluindo imagens, de algumas alusões ao modo de representação da Terceira Pessoa da Trindade.

Inclusivamente, ficou esta frase que quisemos fosse bastante clara:

"Só que eram os Ventos, ou 'Pneuma' (palavra de origem grega), de uma Rosa dos Ventos a que várias imagens do Espírito Santo, forçosamente, sempre ficaram associadas".

Hoje, dando ainda continuidade a essa clareza, e no âmbito de uma disciplina - a ICONOTEOLOGIA - que defendemos mereceria ser muitíssimo mais aprofundada*, fica um desenho de uma Torre em Atenas, chamada dos Ventos:

TorreOctogonalAtenas-inRobertAdam 001-c.bmp(imagem vinda de Classical Architecture, a Complete Handbook, por Robert Adam com ilustrações de Derek Brentnall. Ed. Viking, London 1992. Ver na pág. 201)

 

É Octogonal, pois em cada uma das suas faces foi representado um Vento.

Torre que terá estado na origem da formulação de uma ideia do cristianismo (provavelmente formulada ainda antes da Antiquidade Tardia, e que depois foi continuada também na Idade Média); i. e., da ideia que a representação do Espírito Santo não tinha que se fazer apenas com recurso a uma imagem naturalista - a Pomba.

Podendo servir-se - já que o Espírito é além da Luz que ilumina, o Ar que permite respirar e estar vivo e portanto desperto, inspirado, e cheio de espírito. Aqui por vezes também sinónimo da mente (Psique). Repete-se, podendo assim usar-se, em alternativa à imagem da Pomba, uma imagem abstracta: isto é o octógono e o número que lhe corresponde, que é o 8 (onde estão as 8 direcções, possíveis dos ventos).

Também interessantíssima é a existência em Roma, próximo do Coliseu, no tecto em abóbada da designada Basílica de Maxêncio e Constantino, de uma série de octógonos. É que os necessários ôcos construtivos, para aligeirar as abóbadas, foram as inspiradoras formas octogonais.

Depois, cerca de um milhar de anos mais tarde, no Mosteiro da Batalha a Capela do Fundador é Octogonal, forma que tem ainda um enorme destaque, por exemplo, na Casa de Monserrate (em Sintra).

Perguntarão alguns se estamos a ler D. Brown ou J. Rodrigues dos Santos? Nada disso, pelo contrário, andamos sim, e cada vez mais perto (do que esses e muitos outros autores) das melhores e das verdadeiras fontes...**

∞∞∞∞∞∞∞∞∞∞∞∞

*Já se escreveu - vezes sem conta, sobre a (ir)responsabilidade da FL-UL, da FBA-Ul e do IADE, para a situação que ficou criada: não se tendo organizado um grupo específico para se dedicar à investigação desta imensa temática. Investigação que as melhores universidades do mundo nunca ousariam desvalorizar, mas que em Lisboa, Portugal, é mandada calar!

**A Polissemia Medieval torna esta temática muito rica, mas também extremamente difícil de abordar, a parecer quase hermética. Matérias em que, por exemplo, o cardeal Henri De Lubac (conhecido vaticanista) investigou e publicou. 

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9.1.18

..., e nós temos que nos dividir, e distribuir, há assuntos que vão parar a outros blogs. Embora na raiz (a fazer lembrar o Simbolismo) , sejam os mesmos temas que nos interessam, embora por outras perspectivas.

Por vezes predominantes, a sobreporem-se a outros valores, como é neste caso. Cheguem lá, poderão gostar!?

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29.12.17

É este o link - https://zap.aeiou.pt/um-algoritmo-leu-a-biblia-e-deu-lhe-interpretacoes-infinitas-185652

 

E porquê?

Re: Talvez por aquilo que lemos na obra do Cardeal Henri De Lubac?

Ou ainda, quem sabe (?), também pela Obra Aberta de Umberto Eco...

Porque é muito curioso..., vai valer a pena reler esta ideia de uma Abertura Ampla que o referido Algoritmo - leitor da Bíblia, concluiu.

 

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13.12.17

 

A estrutura e a ruptura da Cultura

http://ruinarte.blogspot.pt/2012/04/estrutura-da-cultura.html

 

Há quem o perceba, e há quem enterre a cabeça na areia, porque definitivamente (na escola em que estou, no centro de estudos a que pertenço...) não quer que isto se perceba:

Que cada obra, e em cada obra cada desenho, cada planta, cada alçado - em especial o frontal se incluir um portal (fachada); que cada uma dessas peças, a que hoje se chamam «peças desenhadas», elas são (foram no tempo em que se produziram) o resultado de mapeamentos muito específicos."

Por isso o titulo acima -  "A estrutura (…) da Cultura" – está certíssimo!

Porque o conhecimento (da natureza, de Deus, sobre os mecanismos de funcionamento do mundo) que sempre se procurou na natureza e nas suas leis; num Deus de que os homens não se podiam libertar (instantaneamente como sabemos ter acontecido), e a quem permanentemente prestavam culto. E esse culto, fosse o litúrgico em torno do altar, ou o que perpassava do altar para toda a Arca -  que era a Ecclesia Matris (isto é a catedral ou igreja).

Esse culto, dizemos (nós), implicava a aposição de inúmeros ideogramas – vários e alguns muito diferentes - tradutores e caracterizadores desse Deus que os homens queriam conhecer melhor.

E é importante registar esta ideia de progressão: uma demanda constante, com o intuito de ir mais longe.

Por isso no século XIX, várias frases de A. W. N. Pugin, de quem sabia como foram criados os ornamentos, e as razões decorativas - por isso serem "motivos" (decorativos), para serem aplicados nas obras.

Pugin estava verdadeiramente imbuído da fé católica a que se tinha convertido e cuja paixão (repleta de emoção) o fez querer recuar a tempos em que Deus era tudo na vida dos homens*. E estando imbuído desses conhecimentos escreveu:

Pugin-ornamentos 001.b.jpg

Frase que traduzimos e explicamos (para compreenderem o título do post de hoje):

1. A frase: "Os estilos são agora adoptados, em vez de gerados, e os ornamentos e o design adaptado a, em vez de originado por, os próprios edifícios."

2. A explicação: Há uma espécie de queixume/remoque na afirmação de Pugin: Para ele a arquitectura deixou (ou estava a deixar) de ser criadora de novas formas ornamentais, porque os autores das obras passaram a ir buscar «frases arquitectónicas» inteiras a outras obras. geralmente mais antigas

A estas ideias poderíamos acrescentar outras - vindas de William Morris (e é só lê-lo) - igualmente muitíssimo informativas sobre a génese dos estilos arquitectónicos

Mas, retomando as ideias que estão em Ruin'arte podemos acrescentar que a Cultura também dificilmente se separa da Ciência: e André Grabar explicou-o neste livro

_Grabar-Les voies... 000.jpg

Obra, mais do que conhecida, por ser essencial para se poderem compreender, hoje, muitas das imagens ainda actualmente empregues**.

Como acontece inclusive nas que estão no nosso post anterior: pois apesar de terem sido coloridas, tracejadas, transformadas, e derrogadas (por nós), ainda a lembrar a "festa do cone iluminado"; na verdade a maior parte daquilo que gerações consecutivas se habituaram a ver nas fachadas, nas ruas das cidades, ou no interior dos melhores edificios, essa Iconografia tinha nascido associada a uma vontade de conhecer o Universo.

Que nos primeiros tempos do Cristianismo também se confundia com Deus. Como o texto seguinte refere (vindo da p.305 do livro acima de A. Grabar)

_Grabar-Les voies... 0150-c.jpg

*Felizmente estamos a ser cada vez mais lidos por pessoas de outros países, o que permite ir ampliando os objectivos do nosso trabalho e dos nossos textos. Pois não faz sentido que muitos se continuem a perguntar, ao seu e ao nosso inconsciente (colectivo) pela origem de imagens que, se muitas delas nunca saberemos de onde vieram, para outras até já temos respostas. Mais do possíveis, muito verosímeis e portanto permanecem silenciadas...

**E sobre isto, nunca esquecerei, no IADE, talvez numa das últimas turmas que leccionei, uma aluna fascinada com os desenhos das grades das varandas. Ainda lhe dei algumas pistas sobre uma génese antiquíssima desses desenhos, mas as pessoas em geral (ela também) estão todas muito mais formatadas para o simples e para o imediato. nada de complexidades excessivas... Ela queria aplicar esses grafismos num qualquer projecto, não tendo a menor ideia da sua proveniência e origem há centenas ou milhares de anos.

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5.11.17

Iconografia que corresponde à verdadeira Iconoteologia

A ver aqui, e embora sendo bonito nada tem a ver com o que foi no passado...

No exemplo seguinte imagem vinda de um túmulo do Mosteiro de Alcobaça, originalmente (antes de ser digitalizado) desenhado por nós, à mão, na tampa de uma caixa de madeira.

Image0325c.jpg

sem nome.bmp

Posteriormente com todas as variantes que se queiram criar, com ou sem simetrias...

actualizar-medievalart.jpg

PIECESOFMEDIEVAL.jpg

Fascinante para quem como nós se habituou a reconhecer o vocabulário visual antigo, e tradicional, mesmo que esses desenhos e essas formas estejam noutros contextos, e sobretudo com cores garridas, gritantes, «divertidas»: i. e., pleno de diversidade, a enriquecer os espaços em que entram.

Só que - e esta é uma expressão que já usámos muitas vezes - essas "imagens nasceram, porque postas ao serviço do sagrado" (cristão). Só que hoje perderam o seu sentido inicial - ou a razão porque foram criadas como A.W.N. Pugin (m. 1852) explicou.

Embora, ainda no século XVIII William Chambers tenha falado de "vagas reminiscências...".  No entanto, ainda mais tarde (em 1858) os Arquitectos James T. Knowles, usaram essa mesma base - que foi ICONOTEOLOGIA (pura) - e influenciados pelo Palazzo dos Doges de Veneza, desenharam uma nova fachada para a Casa de Monserrate, em Sintra. 

E por aqui vejam os percursos de uma artista, que é também jornalista

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23.10.17

Pesquisa 1 - A resposta da Google veio repleta de imagens, e de entre as primeiras, a grande maioria fomos nós que as produzimos ou as «postámos».

 

Pesquisa 2Feita pelo Sapo em que um dos primeiros links encaminha os leitores para os trabalhos do Pe. Eugenio Marino, inventor da palavra - Iconoteologia - que decidimos imediatamente adoptar.

Por ser fantástica ao traduzir - com tão poucos ingredientes - o que foi a Arte do Ocidente Europeu. 

 

Pesquisa 3 - Feita pelo Yahoo, com a palavra em inglês : ICONOTHEOLOGY. Mais uma vez são nossas quase todas as imagens.

 

Pode-se perguntar qual é (ou foi) a razão para esta insistência? Porquê querer elevar, o mais alto possível, a palavra inventada por Eugenio Marino?

Mas a resposta é tão fácil e simples:

Desde que lemos um texto seu, ou de alguém que alertava para o uso desta noção, percebemos que a palavra seria a melhor forma de resumir a característica essencial que está na base da Cultura e depois da Arte Ocidental. Tendo inclusivamente sido exportada para os «novos mundos» e hoje aparece com a designação de Arte Colonial

Enfim, se um dos documentos que surge na resposta à pesquisa já refere uma Leitura Iconoteológica , é porque sem dúvida a palavra e o sentido que lhe está associado já vingou.

claustro-SÉ-PORTALEGRE-7.jpg

 

 Porque queremos divulgar, neste caso o emprego da Elipse na Arquitectura, acima Cartaz afixado num porta, da R. do Comércio em Portalegre.

Note-se que a imagem do cartaz usa a fotografia de um óculo elíptico (do Claustro da Sé), dentro do qual se vêem 3 tramos do referido Claustro. 

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28.9.17

 

Era a pergunta do post anterior, a qual faz sentido continuar a colocar

 

Claro que as respostas são para os doutos que não somos: e aqui ficam apenas as perguntas, acompanhadas da imagem de colunas torsas, tripartidas, que todos aprendemos a associar ao Manuelino, aos Descobrimentos e às Cordas (cabos de amarração) - que eram equipamentos essenciais das caravelas e outros barcos.   

SCMS_-_Igreja_de_Jesus._Nave_central_e_Capela-Mor-

(Imagem vinda de https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/c/c7/SCMS_-_Igreja_de_Jesus._Nave_central_e_Capela-Mor.jpg)

  

Ora acontece que a questão da substituição, ou a utilização nas composições, de certos elementos muito mais simples para aludir a ideias complexas, isso vem de há milhares de anos. Como aliás escreveu Otto Pächt - a imagem precedeu o texto (os caracteres alfabéticos), e isto não custa a compreender... 

 

E apesar de ter havido (há cerca de 9-10 séculos atrás) quem tivesse escrito o que se segue e já apresentámos noutros posts:

“ … les équipements de géomètres et d’architectes, leur pouvoir de fonder, d’édifier et d’achever et, en général tout ce qui concerne l’élévation spirituelle et la conversion providentielle de leurs subordonnées. Il arrive aussi parfois  que les instruments avec lesquels on les représente symbolise [333 C] les jugements de Dieu à l’égard des hommes, les uns représentant les corrections disciplinaires ou les châtiments mérités, les autres le secours divin dans les circonstances difficiles, la fin de la discipline ou le retour à l’ancien bonheur, ou encore le don de nouveaux bienfaits, petits ou grands, sensibles ou intellectuelles. En somme une intelligence perspicace ne saurait être embarrassé pour faire correspondre les signes visibles aux réalités invisibles.” 

 

Ou seja, apesar, do «método de alegorização» acima descrito (ou o da substituição de um discurso directo, por outro indirecto, feito muito à base de analogias), no entanto, houve, e ainda há, «épocas» em que as leituras das obras são mais dirigidas para o que simplesmente se vê. Como na imagem acima, a que nos referimos, e se vêem as «cordas» no papel de elementos de suporte do edifício (como se fossem pilares).

 

Sabendo que essas leituras não quiseram - ou os seus autores/leitores não estavam habilitados e não eram perspicazes, suficientemente (para) - irem além daquilo que viam; para compreenderem que nas colunas torsas, de base triangular há uma representação metafórica: na qual esteve a vontade de representar Deus, exactamente como suporte da Igreja.

Igreja que podem escrever com maiúscula por ser a instituição, ou com minúscula, por ser, neste caso particular (e já não universal) uma igreja de Setúbal.    

 

É aliás interessantíssimo percorrer quer textos (escritos) quer obras, e ver que muitas referências, ou alegorias, não são para um caso concreto, mas para a Igreja: num sentido universalista. Ou, verdadeiramente universal, que é o que significa, na origem, a palavra católico.

 

Então, estando «com a ciência» ou  tendo presente essa informação que a etimologia da palavra nos dá (i. e., acrescenta); então podemos extrapolar e fazer leituras mais ricas de todas as colunas torsas e tripartidas que foram associadas às cordas dos descobrimentos.

 

Mas também podemos ir ainda mais longe, percebendo que as cordas, como instrumento auxiliar da navegação; tendo essa forma (e não sendo tecidas em ponto de cadeia como nalguns casos se vê...), por ajudarem a descobrir novas terras que alargavam a oikoumene,  provavelmente, as cordas, por este motivo, receberam a forma que se vê*.

 

E assim, de dedução em dedução, de associação em associação, ou ainda de ampliação em ampliação do sentido das palavras**, então as cordas como instrumento que contribuiu para alargar o mundo conhecido e habitado (há aliás um mapa esquemático da referida oikoumene, que é muitíssimo interessante...) passaram a ser enroladas/entrelaçadas a partir de três elementos.

 

E quando se entra neste tipo de lógica, em que não sabemos (facilmente) o que existiu primeiro - se o ovo ou a galinha? – é então que nos apercebemos que estamos numa zona (na mente ou na consciência...?) que é a raiz do pensamento:

Onde as palavras e as formas se fundem... (de que Freud escreveu).

 

Por fim, e sem ser douto doutor, ou já que isto é tão simples - nada tendo a ver com complexidade (e pode dar direito ao grau de doutor, exactamente nas universidades dos recônditos interiores, serranos); por fim lembra-se mais uma vez que nada disto interessa a uma escola de Design!

Menos ainda à que continua a dizer de si própria (tal a arrogância!) que é "a melhor de Portugal"**.

 

*Não se devendo esquecer que Robert Smith, frequentemente usou a expressão "motivos decorativos" (sem dizer que eram símbolos)

**Processo que também originou a Polissemia (infindável, e cansativa!) que existe na Arte Cristã.

***"D'Àquem e d'Além-Mar em África", acrescentamos nós! Já que ninguém duvida de «tanta qualidade»...

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19.9.17

 

Referimo-nos ao Pensar do Pensamento, algo por que passou Rudolph Arnheim.

Mas passou "en passant", simplesmente. Sem se deter, e não como objecto central dos seus estudos, num livro seu que lemos em francês: La Pensée Visuelle.

O assunto parece ser de grande importância, sobretudo se estivermos num meio em que a Inovação e o Conhecimento sejam um objectivo sério e verdadeiro, como normalmente se espera aconteça nas instituições de ensino superior...

Por isso a pergunta:

 

“Les bases neurales de l’imagination”, será um tema importante numa Escola de Design*?

 

“ (…) Concernant l’imagerie mentale et l’imagerie motrice, je vais vous livrer quelques découvertes des neurosciences modernes sur les bases neurales de l’imagerie. L’imagerie mentale utilise en partie certains des mécanismes de la perception. Ce sont les mêmes réseaux qui sont impliqués lors d’une perception visuelle et lorsque l’on ferme les yeux et que l’on commence à imaginer un paysage. L’imagerie mentale et la perception partagent les mêmes structures. Ce sujet fait l’objet d’une littérature abondante et de progrès constants.
L’imagerie et l’émulation mentale peuvent induire des modifications du cerveau au même titre que l’expérience. Je travaille avec le mathématicien Daniel Belkin sur les géométries du cerveau. Chez les mathématiciens, le volume de matière grise augmente avec l’ancienneté. Les chauffeurs de taxis londoniens ont un hippocampe plus développé que le nôtre parce qu’ils l’utilisent pour se représenter l’espace. Il y a donc une plasticité cérébrale importante même lorsque nous ne faisons que penser et utiliser l’imagerie mentale.
Cette plasticité est utilisée dans un grand nombre de domaines. L’entrainement par l’imagerie mentale des sportifs de haut niveau entraine même des modifications neurochimiques (de la dopamine corticale).
L’imaginaire ne consiste pas simplement à créer des images. Il sert à mettre en relation le passé et le futur puisque nous devons plonger dans nos mémoires pour créer des scénarios futurs. Les neurosciences parlent de voyage mental dans le temps. L’imaginaire en tant qu’aller-retour permanent entre le passé et le futur est lié à l’identité (cf. les notions phénoménologique de rétention/propension proposées par Husserl). Imaginer c’est passer son temps à faire cet aller-retour mental entre le passé et le futur entre lesquels se trouve l’identité. 
(…) »

Este texto vem de: http://www.ihest.fr/la-mediatheque/collections/seances-publiques/ouverture-officielle-du-cycle-278/le-cerveau-createur-de-mondes

 

Só que, pensando agora no excerto que escolhemos, há que lembrer que há muitas imagens e entre elas estão as geométricas: muito mais «inteligentes» do que todas as outras (e inteligentes dizemos nós..., com base nas nossas razões).

 

Porque as imagens ou figuras geométricas são abstractas e não representativas (ou directamente icónicas); i. e., não ligando a mente, imediata e directamente, a uma qualquer realidade concreta do mundo natural: uma árvore, uma casa, um rio, etc.

Imagens em que o fenómeno/acto de abstracção é também uma idealização. Pois ao sair do concreto pretende «traduzir» generalizações, e desse modo usa as imagens geométricas para ajudar a pensar, traduzindo conceitos ou ideias, etc., etc., etc.

E não se pense que os “etc., etc., etc.” acima são como uma “bengalinha do discurso”, ou a forma de fazer parecer que se trata de um “big amount of information” (como na tese do outro – aquele honestíssimo, quem todos sabemos!).

Porque foi de facto muito, imenso, o que a Geometria sempre serviu:

Para traduzir ideias, como explica com vários exemplos George Hersey, só que, para além deste autor (G. Hersey), e bem antes dos seus exemplos, ou dos de Louis Sullivan que refere uma Geometria plástica, já havia - para nós já havia (pois lê-mo-lo há bastante mais tempo)  - o que escreveu Hugues de Saint-Victor sobre a Geometria. A mesma que Villard de Honnecourt chamou “Jometrie” **

E houve também, ainda antes do abade da Universidade de Paris (que viveu no século XII), o que escreveu o Pseudo-Dionísio. Autor muito anterior ao século XII - nascido onde agora é a Síria, no seculo V-VI d.C. A ele, ao Pseudo-Dionísio que ficou conhecido como Areopagita (e a Maurice de Gandillac que traduziu do grego para francês várias das suas obras), deve-se o excerto abaixo (que nós traduzimos para português e sublinhámos).

Não sendo a primeira vez que se cita, tal a importância que lhe atribuímos (mas apesar disto nunca o vimos mencionado, para além dos nossos blogs), é hoje dedicado aos que se mantêm longe, e querem abster, de toda a compreensão pelo modo como a arquitectura antiga foi falante. Ou, em latim effabilis.

E embora possa parecer que estamos «a alinhar» numa contradição, isso resulta dos prefixos acrescentados à raiz da palavra. O Inefável, Deus - o Indizível, ou Impronunciável, foi muitas vezes «esquematizado» (como fez Joaquim de Flora) a partir de imagens e figuras geométricas. Por isso a frase do Pseudo-Dionísio, Areopagita:

 

"Uma inteligência perspicaz não ficaria embaraçada por fazer corresponder sinais visíveis às realidades invisíveis" 

 

É um assunto que já várias vezes abordámos, como se pode confirmar aqui (a ler na totalidade):

E se os « chauffeurs de taxis londoniens » têm zonas do cérebro mais desenvolvidas por precisarem de se auto-representar (mentalmente) o espaço citadino em que podem ter de conduzir, por nós sabemos:      

  1. Como o emprego de certas formas (na sua essência invariantes mas introduzidas diferentemente conforme o estilo - ver imagens) tinham por objectivo a transmissão de uma ideia específica (ou eventualmente de várias, que era usual estarem-lhe associadas).
  2. Que inúmeras obras de Arte são vistas como repositórios de ideias que se pretendiam transmitir. Muitas delas hoje consideradas ilegíveis (e que portanto era necessário transmitir os códigos de leitura); mas que, e como escreveu o Pseudo-Dionísio, Areopagita, algumas dessas obras se mantêm ainda agora legíveis para inteligências mais preparadas e perspicazes***.
  3. Como acontece por exemplo na Igreja do Convento de Jesus (Setúbal - ver fotos das colunas, que sustentam a abóbada,  em que muitos vêem/lêem nessas colunas torsas - que na zona da igreja suportam a parte superior do edifício - a representação de Deus-Trino. Deus que justifica, fortalece e apoia a sua Ecclesia:  i. e., a Assembleia dos que lhe são fieis.

Antes de terminar não esqueçam que este post começou a propósito da forma como o cérebro pensa (em imagens). E para nós, há dias, na audição de “Anticipation et prédiction: une extraordinaire faculté du cerveau humain », que podem ouvir a partir daqui

 

 

Claro que estas duas imagens (acima no Mosteiro da Batalha, e em baixo numa casa em Portalegre), que foram usadas como ornamentos, e se percebe a sua ideia essencial - que foi o interligar de dois anéis, alianças, círculos (ou até de duas esferas). Estas duas imagens também foram, muitas vezes, transformadas e derrogadas. Usando de uma imensa economia de meios (discursiva/visual) - que se caracteriza por ser altamente sintetizadora; em sínteses que são muito típicas das artes visuais 

Notas:

*Podendo perguntar-se algo mais: “O que é preferível? A compreensão do funcionamento  da máquina de pensar humana? Ou a compreensão do funcionamento das maquininhas e todos os gadgets que em cada dia, uns e outros vão inventando?” 

Por nós já respondemos a esta questão há cerca de 25 anos. Quando preferimos ensinar Projectos, do que continuar a ensinar Tecnologia de Materiais. Pois percebemos que as matérias tangíveis iam mudando conforme as modas, por décadas...

Enquanto as ideias e as concepções imateriais eram muito mais fixas, dependentes do essencial da mente (e dos conhecimentos). Andando portanto mais próximas do imutável.

**De que também já escrevemos: http://primaluce.blogs.sapo.pt/so-pode-deus-e-lavoisier-218667

***A Arte da Memória que Frances Yates estudou e a que Mary Carruthers (entre outros estudiosos e investigadores, para a área das Artes) tem dado uma continuidade relevante, muito inovadora.

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15.9.17

"Just don´t forget to look up" - leu-se por aí e logo nos lembrámos desta página num guia sobre Toledo*. 

 

tectostoledanos-d.jpg

 

São da cidade  de Espanha os tectos que a imagem reúne.

E a expressão em inglês que consta no legenda da imagem "A sky of vaulted ceilings" (e se traduz para "Um céu de tectos abobadados") sintetiza uma ideia quase natural (ou naturalista): pois na natureza quando se olha para cima é para o céu.

O mesmo céu que é azul, camada gasosa, frequentemente designada abóbada celeste: porque em cada lugar parece ser uma abóbada que está acima de nós.

Foi por aqui (certamente) que começou todo um caminho de sucessivas analogias, entre o céu, o universo e o divino, assim como a sua representação, presente na Arte e na Arquitectura Ocidental (cristã).

Muitas outras analogias foram feitas e André Grabar o grande (enorme! - dizemos nós) especialista de Iconografia refere a Ciência antiga como fornecedora de imagens que constam na Arte Cristã. Tendo chegado a referir-se aos “traçados circulares” da Cosmologia, ou órbitas dos planetas.

Os seus trabalhos são verdadeiramente admiráveis pelo rigor e forma exaustiva como percorreu, analisando, um sem número de imagens.  

 

~~~~~~~~~~~~~~

*Ver em Toledo - The Magic of Three Cultures, ed. Limite Visual guide books, Badajoz 1997.

 

 

 

 

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Primaluce: Uma Nova História da Arquitectura
Fevereiro 2018
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