Muitas imagens da arquitectura foram «iconoteologia». Many images of ancient and traditional architecture were «iconotheological». This blog is to explain its origin.
14.4.17

De há uns tempos...*, habituámo-nos a constatar que não há coincidências. Menos ainda meras (ou únicas) coincidências.

É que na verdade, quando se vai à procura - e em geral logo se encontra (é o que se tem passado connosco, quando questionamos e tentamos averiguar); em geral verificamos que há, sim, origens comuns, para imagens que se nos apresentam com semelhanças visuais, totalmente inesperadas.

Ou seja, não é acaso, como podem parecer as duas imagens seguintes (a que se acrescenta, depois, ainda um detalhe da primeira). Reparem:

l. sullivan-chicago.jpg

(legenda)

ChaletBarros-Tamariz.jpg

 (legenda)

l. sullivan-chicago-detalhe.jpg

 (detalhe)

E tendo observado, inclusivamente, esta última imagem, verifica-se que para além dos skyscrapers de que Louis Henry Sullivan foi importantíssimo adepto, tendo contribuído para uma imensa mudança, não só da História da Arquitectura, mas da história, do clima e da ecologia das cidades. Verifica-se também que a inserção de elementos antigos, para si, não teria que consistir apenas em inserções (ou integrações) de ordem superficial...

Sabe-se que integrou esses elementos, antigos e ornamentais, pois para si, as grandes superfícies - que ao longe aparentam ser lisas, afinal receberam (imprimiu-lhes) decorações variadíssimas (que se vêem de perto); e, aconteceu, que agora - pelo menos para nós - algumas outras informações, «fizeram faísca»:

I. e., «a questão dos esoterismos», ou alguns segredos que para muitos estão/ficaram plasmados nas obras arquitectónicas, pela primeira vez aconteceu-nos tê-la encontrado.Deixaram de ser palavras e expressões que eram atiradas, sem mais; mas que agora já passamos a poder ir investigar, agarrando-nos a alguma coisa...

Assim, as temáticas de um doutoramento (o nosso!) que têm estado entre «encalhadas e repudiadas» - já que quem nos orientou, quando percebeu ao que estávamos a chegar "meteu o rabinho entre as pernas..." Ou, dito mais bonito, "deu às de Vila-Diogo". Portanto, e agora ainda com mais infos de Henry David Thoreau, talvez consigamos fechar o ciclo que «um certo orientador» tanto temeu: A História da Arte (ou da Arquitectura), que ele  tanto receou que pudesse um dia surgir!

Para nós o ciclo fica completo: o que vinha desde uma Kalokagatia, que, parece, poderia ser homérica na sua origem (?)**; e que depois, em sucessivas transformações ocorridas durante mais de dois milénios, se foi esbater (findar ou perder a maior força), no contexto de um cristianismo protestante, colonial, nos EUA.   

Por fim - e está a pergunta no título - claro que toda esta evolução, continua a mostrar-se como uma Iconoteologia...

~~~~~~~~~~~~~~~~~~

*Talvez de há 15 anos até hoje?

**Ver em História da Estética, Raymond Bayer, Estampa, Lisboa 1995, p. 27.

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11.4.17

A imagem seguinte exprime bem, por isso a desenhámos em Janeiro de 2013, aquilo que a UL (e outras entidades igualmente «responsáveis»*), entenderam fazer às descobertas que sucessivamente fomos realizando.

gentinha de punhos de renda(4).jpg

(legenta)

 

Primeiro (2001 a 2005), orientada na Faculdade de Letras, por uma Professora que decidiu que deveríamos conseguir explicar a arquitectura do Palácio de Monserrate a partir das origens do Estilo Gótico. Isto é, a partir das invasões, por povos germânicos, no Império Romano (do Ocidente), ocorridas, principalmente e com maiores fluxos, durante o séc. V d.C. Invasões que ainda agora continuam a ser consideradas uma das causas da queda do Império romano, em 476.

Depois, numa 2ª fase, de 2006 em diante, e estando nós a fazer as necessárias investigações para os estudo do doutoramento que nos propusemos desenvolver; tendo portanto uma maior autonomia, mas ainda assim acompanhada por um outro professor orientador que, felizmente, nos foi dando mais informações [e desse modo nos permitiu que entendêssemos como diferentes e sucessivos ideogramas estiveram na origem de várias das formas geométricas (abstractas) da arquitectura antiga e tradicional]. Aconteceu nessa 2ª fase (em que ainda estamos...), que, crescentemente, várias surpresas - como sucessivos novos conhecimentos, sempre a surgirem (de todos os lados, e a encaixarem bem nos dados objectivos, anteriores, históricos e já conhecidos). Desde então sucedeu que, constantes e consecutivamente imparáveis, muitos novos dados surgissem, obrigando-nos a que passássemos a ter em conta uma nova historiografia.

A qual, na nossa mente, passou ela própria, «a auto-definir-se»**, substituindo, sobretudo ao nível de alguns detalhes e pormenores mais relevantes, as Histórias que nos tinham sido ensinadas. 

Foi então, por coincidência, que começámos a reparar, que o nosso orientador dos estudos de doutoramento, parecia estar cada vez mais mal-disposto, e ainda com comentários repetitivos, que até então não tínhamos ouvido (?!):

"Não vai fazer uma História da Arte...! Não vai fazer uma História da Arte...! Não vai fazer uma História da Arte...!" 

Até que, claro que este discurso deixou de ser som e sensação incomodativa, obrigando "a cair na real":

A atingir a percepção, do que para ele se estava a passar!

Até que, enfim, lá compreendemos o mal-estar, a indisposição, e a indisponibilidade: i.e., a falta de profissionalismo, etc., etc.

A própria FCT, ainda em 2006/07 tinha referido (carimbado!) os estudos como sendo Esotéricos. Provavelmente, e como todos fazem, atirando uma palavra cujo cabal conhecimento, como temos detectado, quase ninguém conhece...

Só que, mais uma vez avançámos e na nossa biblioteca preferida (BAQ) finalmente encontrámos algo mais.

Havemos de escrever sobre o tema - surgido, quiçá no final do século XIX? - já que antes, pelo contrário, o que agora uns chamam, ou insultam (?) de Esotérico, tratou-se de Iconografia que era desejada para estar presente (plasmada/embebida) nas edificações.

Até lá - e para já (ver abaixo) - ficam várias imagens do Tratado de Arquitectura de André Félibien, Sieur des Avaux. Desenhos que, como escreveu, era suposto serem empregues nos vidros - "verreries", dos vãos e janelas dos edifícios.

Levámos muito (demasiado) tempo até chegar aqui***. No entanto, todo este tempo foi de enriquecimento pessoal: solitário, é verdade, porém, um tempo de enorme enriquecimento! Deo gratias...

As Escolas e o Ensino Superior (da UL e do país...) podem querer apodrecer com as suas visões arrogantes, altaneiras e medíocres? Pois que fiquem, assim, por muitas mais décadas!

É o que se deseja ao ensino melhor de todos os tempos, como auto-propagandeiam «essas melhores escolas»...

 

(Imagens e legendas, ver maior dimensão)

 

*Na sua obrigação de acolher e apoiar o nossos estudos de mestrado e depois de doutoramento.

**Isto é, a História passou a ser bastante menos aquilo que nos dizem (ou disseram ao longo do tempo), passando a ser o que estamos a encontrar!

***Mais precisamente até aparecer o adjectivo Esotérico: vindo, ou associado por algum autor/arquitecto, ao (seu) discurso teórico, integrado na arquitectura.

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8.4.17

Inspirada em ideias alheias, muitas e variadas que vão por aí - sem se saber exactamente de onde vêm? -, gostávamos que a nossa presença aqui (redes sociais) fosse semelhante à de uma agência de propaganda.

Mas, feita em prol da verdadeira cultura: i. e., dedicada a um conhecimento mais rigoroso da arte antiga e tradicional. De um conhecimento como não se pratica em várias instituições de Ensino Superior; ou seja, não comprometido com os discursos oficiais do politicamente correcto:

Aparentemente, os únicos (discursos) aceites hoje em várias das Faculdades da UL, ou pelos painéis de avaliadores da FCT...

Interessa-nos portanto conhecer, mais aprofundadamente, a arquitectura antiga e tradicional da Europa (cristã); a arquitectura e a arte portuguesa, assim como várias das suas expressões que migraram mundo fora, e que hoje se encontram nas chamadas versões coloniais. Por exemplo nas Américas, seja no Norte (EUA), ou no Sul (Brasil).

Nas imagens seguintes, para reforçar e comprovar posts anteriores, dois extractos do Túmulo de Alcobaça a que nos temos referido.

 

arca-alcobaça.jpg

(legenda)

 

AlcobaçaTúmulo-Amêndoas.bmp

 

(legenda)

 

Fotografias vindas do estudo de J. Custódio Vieira da Silva, intitulado: O Panteão Régio do Mosteiro de Alcobaça, edição do Ministério da Cultura e IPPAR, Lisboa 2003. Ver páginas. 45-50.

Ver também em

 

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3.4.17

A propósito da ideia de mais dinheiro para a Ciência, antes disso claro que nos ocorre a ideia de mais LIBERDADE para a Ciência. Para se conhecer a si mesma, delimitar áreas ou campos científicos...

Será que tem que estar confinada às visões redutoras de quem se fez doutor sem sequer ter frequentado uma universidade? De quem vedou aos que a frequentaram, quiçá por alguma «superioridade de género» (ou qualquer outra «visão superior»...) o completo acesso aos estudos pós-graduados, como eles se devem fazer: Na plenitude que permite atingir os objectivos do chamado Ensino Superior. Já que, caso contrário, então o nome desse grau passa a ser o de ensino inferior...

É que ter dinheiro para se fazerem os estudos e as investigações, será uma etapa seguinte.

Se a primeira é uma necessidade: haver temas ainda não investigados, ou sequer detectados, como sendo assuntos que é preciso esclarecer (para depois os divulgar a toda a sociedade); há depois várias outras primeiras etapas - será a seguinte/segunda, a terceira, a quarta, ou são concomitantes?

Mas é também exigir (será a 1ª ou a 5ª etapa do processo?) que os designados «painéis de avaliadores da FCT» sejam forçosamente competentes para os cargos de que se (auto)incumbiram!

∞∞∞∞∞

Enfim : «Mourons pour des idées*, d'accord, mais de mort lente… »

E talvez valha a pena lerem a letra, em vez de apenas ouvirem as palavras:

É que aqui a IDEIA pela qual vale a pena viver (e assim todos os dias morrendo de «morte lenta»), é uma ICONOTEOLOGIA que alguns (caso de Hans Belting) já detectaram e defendem: IDEIA que ultrapassando as diferenças entre ICONOLOGIA e ICONOGRAFIA, como há décadas foi explicado por Erwin Panofsky, visa agora várias outras noções muito inovadoras que o Pe. Eugenio Marino também defendeu

 

∞∞∞∞∞

*Idées que hoje são como um Nó Górdio (vários, muitos, “mais precisamente” uma infinitude de nós...) que foi levado para a Universidade, e ai estacionou: pela força da qualidade dos docentes, que também eles vivem estacionados, abstendo-se de fazer esforços de verdadeira progressão científica.

Para quê? Se o que interessa mais é apenas adquirir cargos de chefia, poderes nas direcções das escolas...

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30.3.17

Surgiu Primaluce, porque Fiatlux já existia: era essa primeira designação a pretendida. Fazer luz sobre um assunto que tem sido visto como Esotérico, embora quem assim o viu também não tenha todos os elementos que justifiquem essa designação, ou epíteto atribuído.

Assim adaptámo-nos ao nome com a maior facilidade, e depois disso temos avançado, sempre a querer ensinar e a querer ajudar a que se faça luz - as Primeiras Luzes - sobre um assunto que tem estado tão obscurecido.

Foi no Dicionário de Arquitectura de James S. Curl que pela primeira vez encontrámos os dois círculos (completos) que se intersectavam e formavam a Mandorla.

Essa imagem correspondia ao que a nossa Orientadora nos tinha referido (há 15 anos), mas apenas pela metade. Maria João Baptista Neto, desconhecedora de Geometria, não lhe podia ocorrer que um meio-círculo em geometria é apenas um extracto do círculo todo que assim é, automaticamente, aludido.

É que basta um pequeno arco (de círculo) para automaticamente se estar a mencionar a imagem toda: Pois são as suas propriedades que importam e não apenas aquilo que se vê...      Logo depois, mera sorte e coincidência, apareceu-nos um desenho do túmulo de Egas Moniz, com muito mais destaque e precisão do que a fotografia seguinte.

TumEgasMoniz-FotoBol. DGEMN.JPG

Vinda do Boletim da DGEMN onde a questão do túmulo e a história das alterações da Igreja de Paço de Sousa foi abordada.  

 

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23.3.17

Será que no Domingo passado alguém se lembrou deste Fado de Coimbra?

 

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7.3.17

"Un je ne sais quoi" como diziam os eruditos franceses, nos séculos XVIII ou XIX, certamente antes de Freud!

Antes de muitos males, serem conhecidos e expressos, como hoje fazemos; com ou sem diálogos, cada um consigo mesmo.

Assim, o tal quê de dificuldade é ultrapassado, pois hoje procuramos exprimir os males e as nossas dificuldades, e muitas vezes conseguimos: Thanks God, pela capacidade de introspecção e auto-clarificação, que lá atrás no tempo alguém ajudou a conhecer, deu nome (conceptualizou), e transformou em ferramenta intelectual que alguns podem usar.

Por isso, voltamos agora ao título, e a tudo o que nos guerrearam (aos nossos estudos), vindo das mais variadas instâncias. Sem apoio do orientador, e ainda da instituição a que pertencemos, era impossível: não havia doutoramento que soçobrasse!

As ditas instâncias*, de imediato viram nele - nas nossas investigações e respectivos resultados - um perigo para si próprios. Por eles virem clarificar muita coisa que está mais do que obscurecida, em torno da Arte.

Particularmente em torno da Iconografia Cristã, mas também, sobre a própria Geometria**, que em geral está na base de todas as Artes Visuais e portanto da Arquitectura.
E aqui note-se que, quando estivemos na FLUL assistimos a algumas provas de mestrado e de doutoramento, em que alguns membros dos júris, com imensa frequência, perdiam um tempo infindo a mostrar quão grande, tão enorme era a sua sapiência! É que impressionava...

Pois até sabiam diferenciar, como Panofsky referiu, a Iconologia da Iconografia...  Como quem distingue - veja-se só o valor disto - , etnografia de etnologia; como quem clama/mostra: ora vejam todos! Como são vastíssimos os nossos conhecimentos!

............................. Ah!

Era (e é) o silêncio... Sepulcral, esmagados por tanta ciência!

Pois assim, e calando todos, também nós tivemos a nossa parte (de silenciamento):

É que por tudo e por nada, os nossos estudos - de clareza e transparência (por isso mesmo, por serem logo compreendidos) - , de imediato foram chamados de Esotéricos. Para assustar...

Pois seja lá o que isso for (?), é um palavrão que ainda assusta alguns (mais assustadiços). E que leva a maior parte das pessoas, que não sabem de nada a terem receio! (do fantasma!)

É que estamos perante pessoas - não, não, é melhor chamar-lhes já gentinha*** - , que deitam atoardas para o ar - , mas que também elas próprias não sabem distinguir graça, de grassa...

Os Reitores, Professores, Doutorados; os autores das Agendas Semanais e de Newsletters, para quem palavras homófonas são como homónimas; é tudo o mesmo!

Para quem, para lançar insultos sobre os outros, ou querer fazer calar fundo, para essa gentinha ignóbil - que tudo quer ver numa mesma amálgama de ignorância; para esses dizer Exóticos, Exotéricos e Esotéricos é tudo o mesmo! Lancem-se os sons, pois como a «malta» é cada vez mais inculta (viva o acordo ortográfico), os resultados também serão muito eficazes e rápidos!

Acontece que há diferenças - a explicar em breve: e bem para dentro das Instituições que se dizem universidades! Já que de universal têm nada. Apenas comparam com os verdadeiros becos bacocos, incrivelmente exíguos, que são as mentes daqueles que as dirigem...

Gentinha que não sabe que tudo se conhece e pode aprofundar, desde que as pessoas não tenham bloqueios mentais.

Investigar-HSV.JPG

 (legenda - uma página de Hugo de S. Victor, sobre o aprofundar do Saber)

*Malta «que sabe tudo» de símbolos e os vê como ameaça secreta, permanente; sim, malta que, contrariamente ao nosso agir, que é (ou tentamos seja) coerente, se quiserem holístico e simbólico (no sentido de convergência); pois essa malta estava feliz a ver as nossas dificuldades, as vertigens, o sedentarismo cada vez mais perigoso com as suas consequências, etc., etc., etc.

**Como se o domínio deste Saber fosse o próprio DIABO!

***Pois as pessoas para nós têm outro nível; sobretudo têm outra dignidade

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25.2.17

Mais, podemos até demonstrar que é praticamente infindável.

Neste caso, numa obra de pintura.

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23.2.17

Já citámos (talvez mais do que uma vez?) esta frase de Copérnico, na carta que dirigiu ao Papa Paulo III:

 

“…nevertheless I knew that others before me had been granted the freedom to imagine any circles whatever for the purpose of explaining the heavenly phenomena…”

 

Ora os “any circles” a que se refere seriam as órbitas dos planetas como consta no trabalho que escreveu De revolutionibus orbium coelestium* feito – como é sabido - para demonstrar que era o Sol e não a Terra que estava no Centro do Universo.

 

Depois, acrescenta “whatever for the purpose”, que traduzimos como: para qualquer que fosse o propósito; e por fim – “explaining the heavenly phenomena.” E esses fenómenos dos Céus a que Copérnico se refere, de acordo com uma mentalidade antiga, e depois medieval (o que se pode ver na Hierarquia Celeste do designado Pseudo Dionísio, o Areopagita), era Deus, ou o Divino, como alguns diziam.

 

Acontece que este extracto de Copérnico nos serve para introduzir o que, mais uma vez se explica sobre a representação de Deus – que é a Trindade (Cristã) - com recurso a círculos. 

Mas aqui, desta vez vamos preceder a nossa explicação de uma analogia, como é aliás muitíssimo comum fazer quando se pretende ensinar.

Servimo-nos «da estrutura»** de vários esquemas apresentados há dias no jornal Expresso (4.02.2017), feitos para sintetizar o que pode vir a ser a evolução da solução governativa actualmente vigente em Portugal.

Estes esquemas (visuais) feitos à base de círculos, partiram da consideração da existência de 3 entidades, as quais são mais distintas (ou independentes e separáveis) dentro da Assembleia da República, do que no Governo. Já que aí se fundem nos seus propósitos (para darem todo o apoio às soluções governativas). Como sabemos as referidas entidades são os partidos políticos (que foram representados, ou substituídos por círculos):

  1. Partido Socialista (PS) – círculo maior
  2. Partido Comunista (PCP) - círculo menor
  3. Bloco de Esquerda (BE) - círculo menor

Segundo os «prognósticos» do Expresso, as tais 3 entidades (acima), de acordo com os seus verdadeiros interesses, no futuro podem vir a conseguir equilibrarem-se, ou a desentenderem-se, segundo 4 maneiras diferentes:

1ª - “Esquerda (que são os 3 partidos) estica mas não parte… “. É a ideia contida no esquema seguinte:

esquemas-circulos1.jpg

2ª “O Diabo mata a geringonça”, e continuam a ser palavras do jornal Expresso (ideia que se traduz nos círculos separados…):

 

esquemas-circulos2.jpg

Na 3ª hipótese: “Costa para Marcelo estou bloqueado” – e idem, continuamos a citar o Expresso do dia 4 de Fev. de 2017, e a repetir os esquemas aí usados:

 

esquemas-circulos3.jpg

Por fim, na 4ª hipótese: “Um parceiro descola num OE”. Idem aspas,  é uma opção do autor do artigo, que o ilustrador ao serviço do jornal entendeu representar na versão visual seguinte:

esquemas-circulos4.jpg

Ora tudo isto estava na página 10, como já se disse, do jornal Expresso do passado dia 4 de Fevereiro. Há 2/3 semanas!

Poderíamos começar por perguntar se os reitores, os presidentes ou os directores de alguma escola de design terão visto estes esquemas?

 

E se os viram, se repararam na respectiva expressividade?

E ainda, se terão eventualmente reparado que se tratam de círculos a colaborar numa mais clara transmissão de ideias? [Como fazem os caracteres alfabéticos, da escrita, que lemos e ouvimos, num processo que é primeiro fonético, e só depois se transforma em ideias].  

 

Ou será que os reitores, presidentes e directores dessas escolas, criticaram a escolha dessa forma (os círculos das «órbitas ptolemaicas»), e em alternativa terão achado que uns quadrados, elipses, ou triângulos seriam bem mais convenientes *** e adequados, para transmitir as ditas ideias? Já que os governos são ou podem ser quadrados; os governantes também, pois sentam-se em cadeiras rectangulares e trapezoidais. Vêem ecrãs quadrados e rectangulares, e como todos escrevem em folhas A4. Estão ainda em gabinetes rectangulares, ou, no suposto semicírculo (e este será rigoroso?) que é a Sala da Assembleia da República em S. Bento.

esquemas-circulos5.bmp

Deixando a ironia avança-se na analogia.

Pode parecer demasiado prosaica, mas na verdade para explicar «as coisas do Céu», e de Deus, foram sempre muitas as metáforas e as analogias (como por exemplo até as asas e as nuvens, eram usadas antes dos círculos).

Em geral, na Arte chamam-lhes alusões, alegorias, símbolos, imagens, etc., etc. Que substituem, ou se correspondem, nem sempre univocamente (como a matemática e a filosofia ensinam o que isso é), a outras realidades que se querem designar. Pior, a Arte está repleta de Polissemias, que muitas vezes dificultam o seu entendimento, e levaram até, a que muitos estudiosos e investigadores achem que se tratam de segredos! Mas esse seria um tema quase infindável (pano para mangas, e muitas outras ocasiões)...

 

Assim, e para encurtar, que nos lembremos, de todas as metáforas a mais poderosa, talvez também a mais «realista»?, para explicar e dar a conhecer Deus - e portanto a que nunca foi ainda abandonada - tem sido a LUZ. Tornada imagem de Deus, e muitas vezes ainda agora associada ao BIG-BANG que se admite, e questiona, se esteve na origem do Universo?

 

Alguns sabem que a Luz se refere no Credo (cristão), que é Símbolo (e proclamação) da Fé, nestes termos: “… Deus de Deus, Luz de Luz, Deus verdadeiro, de Deus verdadeiro… etc.”

Assim, partindo agora destes (já longos) pressupostos - que para cada um de nós são tão simples e inatos, sempre que desenhamos esquemas, com figuras para dar explicações; mas que, apesar desse nível geralmente inconsciente, note-se que quando abordados directa, e especulativamente, eles se tornam muitíssimo complexos.

Assim, partindo das bases acima enunciadas, e tendo alguns conhecimentos da História da Igreja: primeiro da Igreja fundada pelos Apóstolos (de Cristo), e depois das várias outras que por cisões veio a originar. Sabendo inclusivamente das muitas ideias diferentes (algumas consideradas heresias), surgidas em torno da Trindade; ou, como dizemos, até da sua organicidade interna, que alguns chamam Pericorese, e a que S. Tomás chamou Circuminsessão (em inglês circumincession ou circuminsession). Estando nós mais ou menos alertados para esta temática (amplíssima), no nosso caso aconteceu-nos, a partir de 2002 (e dos estudos de um mestrado dedicado ao palácio de Monserrate), apercebermo-nos da imensa importância do Pensamento Visual (e da Geometria - que é a sua base) para a formulação de toda uma série de ideias sobre Deus e a Trindade. Enfim, para explicitar o Deus Uno e Trino do Cristianismo.

 

E do ponto de vista das necessárias provas (históricas) de que isto aconteceu, para nós, uma dessas melhores provas - ou a evidência deste modo de pensar (já chamado Visual Thinking, por Rudolph Arnheim); claro que agora já não é o jornal Expresso de há 15 dias, mas sim os Círculos Trinitários - que Joaquín de Fiore chamou Figurae, e os incluiu no seu trabalho que designou Liber Figurarum

 

Esse Cisterciense da Calábria, que hoje a Igreja venera como Beato, teve, no entanto, vários seguidores, que ao longo dos tempos têm sido considerados bem menos heterodoxos. É que eles acrescentaram muita confusão, num tema que além de abstracto é passível das mais variadas interpretações. E a Igreja de hoje, talvez mais ecuménica e muito menos dogmática (?), pode chamar-lhes exegeses, sentindo-se enriquecida por essas leituras e interpretações diferentes...  

 

Como já se apresentou (noutros posts), o dito abade cisterciense serviu-se de uma figura que terá elaborado cuidadosamente (a ver aqui) – onde é nítida a preocupação de fazer entrelaçados entre os (3) diferentes círculos, para conseguir traduzir a unidade e a comunidade, entre o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Embora ainda, e como mostra essa figura, com alguma margem de distinção (entre cada uma das pessoas trinitárias).

 

Assim, continuamos – e continuaremos a afirmar (e a fazer todos os possíveis) – para que se perceba que foi destes esquemas que nasceram muitas (ou talvez a maioria?) das formas abstractas da arquitectura antiga e tradicional. Desde a forma das plantas das edificações – i. e., o desenho da implantação de muitos edifícios, sobretudo o das igrejas, mas também alguns detalhes dos alçados e dos ornamentos.

 

E se isto – todo este tema que é absolutamente apaixonante, relativo à comunicação visual e à sua passagem à tridimensionalidade (na arquitectura) - não interessa à que se auto-afirma como a melhor Escola de Design em Portugal. E se nem interessa, também, ao Departamento de História da Arte da Faculdade de Letras de Lisboa. Se, definitivamente, estas instituições a que estamos vinculados (também a FBAUL), se elas continuam na sua teimosia ignorante, então, sobre Ciência, qualidade da investigação e Progresso Científico, estamos todos conversados:

 

É esta a nossa maior pobreza …

 

E atenção que não se está aqui a discutir a existência de Deus, já que isso é do foro de cada um, e do que lhe foi revelado (Tomás de Aquino). O que temos vindo a tratar é de HISTÓRIA:

 

A do pensamento e das ideias dos homens. As que os humanos reverteram para imagens que se podem ver, quer «ao virar da esquina» (como Thanks God fez o jornal Expresso, facilitando-nos a vida), quer em manuscritos antigos: que quando se procuram eles logo aparecem.

Liber_Figurarum_Libro_de_las_Figuras_Tabla_XIb_Có

Note-se - para quem o conheceu e se possa interessar por um tema que é extremamente difícil - o Dr. António Quadros escreveu sobre isto.

 ~~~~~~~~~~~~~~

*Traduzido para inglês como On the Revolutions of the Heavenly Spheres, o que se pode ler aqui

**Dizemos estrutura porque os desenhos que se apresentam agora são nossos: usando as mesmas imagens com meios mais simples e menos tempo.

***Conveniente (no sentido de decoro, decoroso) como Vitrúvio escreveu e M. Justino Maciel explica (a todos os quiserem compreender!).

O post de hoje completa os anteriores que, tristemente, estavam sem imagens. De futuro (logo que possível) vamos recolher plantas de igrejas que nascem de círculos e alçados com rosáceas, janelas, guardas, grades, torres sineiras, que prolongam ad aeternum, sempre, essa mesma escrita, feita com os mesmos vocábulos e as suas «reuniões» que tiveram significados mais específicos!

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18.2.17

Sobre esta frase de Copérnico na carta que dirigiu ao Papa Paulo III - “…nevertheless I knew that others before me had been granted the freedom to imagine any circles whatever for the purpose of explaining the heavenly phenomena…”, vamos continuar a expor as nossas teorias sobre a génese de várias formas arquitectónicas.

Será um post longo, está prometido, mas com a máxima qualidade que vamos tentar imprimir-lhe.

E a terminar com uma das mais célebres Figurae de Joachim de Fiore

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Primaluce: Uma Nova História da Arquitectura
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