Muitas imagens da arquitectura foram «iconoteologia». Many images of ancient and traditional architecture were «iconotheological». This blog is to explain its origin.
6.7.17

Cada vez que penso que sou professora (há 40 anos!) numa escola de Design que fez questão de esconder os meus temas de mestrado, e depois de doutoramento – incrivelmente inovadores - , por versarem a relação intima e directa que existiu entre a Teologia e algumas imagens (a que chamamos Ideogramas); naturalmente que sempre que isso acontece, logo toda esta problemática me faz pensar no mundo de cegueira dos responsáveis, no Ensino Superior (nível de doutoramento!) pela situação em que estamos.

E estamos todos, sim, no plural que Umberto Eco aconselhou a quem escreve uma tese.

Não «estamos» porque se entenda como extrapolação (majestática), mas porque nos auto-limitamos, todos: i. e., colectivamente. Pois quando se perdem (ou destroem) valores individuais é também o colectivo, toda a sociedade que os perde. Seja quem for o autor (individual) das ideias destruídas...

Mas adiante:

Este ano celebram-se os 500 anos do que foi  o início da Reforma (luterana), e há muito boa gente - também negociantes, muitos publicitários e marketeers (imagine-se, até designers que conceberam para a Playmobil uma suposta miniatura da figura de Martinho Lutero!); portanto, pessoas que não ficaram indiferentes à questão

 

Playmobil-500anos-teses-Lutero.jpg

(legenda)

 

Enfim, há muito boa gente que não se melindra com a existência de uma relação Teologia <-> Imagem, e portanto também não faz questão de esconder o assunto. Antes pelo contrário, sabendo da sua importância, exploram-no (em vários sentidos) que não sendo só e apenas culturais, são também rentáveis.

Não se posicionaram para estar de um ou de outro lado, e preferiram optar por atitudes inclusivas: ou seja, celebrando!

Não o que alguns podem ver como uma fractura na unidade do Catolicismo, mas como um enriquecimento de toda a Cristandade*.

~~~~~~~~~~~~     

*Se atentarmos a muitas das informações dadas por Joaquim Carreira das Neves no seu trabalho dedicado a Lutero. Ver em http://primaluce.blogs.sapo.pt/padre-joaquim-carreira-das-neves-374433, e sobretudo aconselha-se a ler o livro.

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15.6.17

 

A Quilha da Arca de Noé

 

Assunto que há uns bons anos afligiu, muito, uma orientadora, pois não queria que na nossa tese houvesse algum equívoco relativamente ao que ela já tinha escrito, sobre o que lhe pareceria uma tonteria*, dos viajantes ingleses (?), nas suas demandas, no século XVIII, "Em torno das origens do Gótico".

Assim, e como Maria João Baptista Neto aprecia especialmente a língua inglesa, aqui lhe deixamos um excerto (da autoria de Grover Zinn) sobre a referida, e tão enigmática, "Keel".

 

"The keel of the ark is prominently indicated by a line running from the bow to the stern. Along this line Hugh inscribes the human genealogy of Christ, beginning with Adam, and the spiritual filiation of the Bishops of Rome, beginning with Peter and ending with Honorius II. Christ is represented by the small square which rests in the center of the drawing and consequently at the mid-point of the timeline. Thus the passage of time from the Creation to the present (and into the future to the eschaton) is marked on the keel of the ark.18 The twelve patriarchs and twelve apostles are singled out for special recognition; each group of twelve men is portrayed by a line of twelve small "icons," as Hugh calls them, extended across the width of the ark. Here the focus is clearly eschatological; Hugh describes their appearance as being "like the senate (senatus) of the city of God."19"

 

Também porque (não vá o diabo tecê-las?, já que a dita Professora tende para o plágio, sem a pinga de um sentido de honra que em geral respeitamos), aquilo que nós lemos e portanto deduzimos dos desenhos e dos registos (que incluem palavras) atribuídos a Hugo de S. Victor, integrantes do Libellus de formatione arche, e do Didascalicon - ou, resumidamente, naquilo a que tivemos acesso e podemos compreender -; para nós, e escrito por nós em português, a peça que é a Quilha da Arca de Noé, dá/dava estrutura, consistente, à Igreja**. Mas era/foi, enquanto alegoria, muito mais rica, do que aquilo que Grover Zinn (pelo menos no texto acima) dá a entender.

Por isso, pela nossa ideia que é «mais inclusiva», também devemos deixar aqui registadas várias perguntas:

 

1. Será a nossa fé, ou ainda um imenso entusiasmo que este tema suscita, que nos leva a fazer uma exegése bastante mais ampla?

 

2. A considerar que a Quilha desenhada por Hugo de S, Victor no seu Tratado, e os nomes que integra, pretendeu ser, também, muito ecuménica: i. e., definidora de uma Igreja mais universal, do que a ideia que temos da Fé e dos vários comportamentos a ela associados, que hoje a História ensina como tendo sido caracteristicos da Idade Média?

 

3. Quando Hugo de S. Victor associa a Igreja à Sabedoria (colocando a instituição Igreja primeiro, e os espaços de cada igreja-edifício, ou a assembleia local dos crentes, depois...), não está também a associar a dita Quilha - ou seja o elemento do barco, essencial (que tem que ser resistente para cortar a àgua) - a uma Sagesse? Ao Saber/Conhecimento que preconiza como a base, e a linha essencial por que se deve guiar uma instituição que pretende "levar a humanidade a Deus"?

 

 

As imagens a seguir (reproduções de um Tratado que se supunha ser apenas de Teologia, para contemplar o próprio manuscrito), como defendemos essas imagens tiveram propósitos arquitectónicos: ou seja, foram um desenho para obra (ideia nossa). Como Patrice Sicard estudou, e escreveu, foram repetidas dezenas ou centenas de vezes, constando nos arquivos de muitas catedrais.  Mas, é sempre a mesma, partindo-se do geral - a página de um livro, para o particular, que se assinalou, a amarelo, para os leitores. A linha mais longa, longitudinal, seria a Quilha (visto que toda a Igreja era a Arca de Noé). No seu centro, de acordo com os desenhos - mas que nem sempre terá sido edificado assim (havendo transeptos) - , estaria o cruzeiro.

(legenda)

 

*"Tonteria" que alguns estudiosos, teólogos vaticanistas, como por exemplo M.-D. Chenu, Henri De Lubac, e outros, mostram ter sido um gosto especial, ou preferência, que a imensa fé dos Cristãos da Idade Média sentiam por analogias. Por metáforas e alegorias, que criavam umas sobre as outras, levando a que alguns destes teólogos cheguem mesmo a referir (parecer) haver uma certa infantilidade nas muitas analogias e associações que foram estabelecidas.Tantas, dizemos agora nós, que criaram uma imensa polissemia, que, particularmente, nos dificultou a vida, e a necessidade que tínhamos de organizar um Glossário Visual, que seria (depois), um ajudante precioso para se entenderem as obras de Arte (das Artes Visuais), e as ideias que as mesmas pretenderam sintetizar. Glossário que anda connosco, e que, talvez felizmente (?) ainda não se pôs no papel....

**Dava-lhe tempo, antiguidade (ancestral), associava-lhe as qualidades, os méritos, os valores, que até à data em que Hugo escreveu o Libellus - desde Adão, até ao Papa seu contemporâneo - todos esses grandes homens contribuíram para aquilo que a Igreja (a instituição) se tornou. Mais uma alegoria à estrutura, como Mary Carruthers explicou, tendo por base uma frase de S. Paulo.

 

NOTA: Tal como o leitor, gostaríamos de ter uma melhor paginação, a facilitar a leitura. Acontece que a nossa agenda, nem sempre permite chegar a tal desiderato. Façam como nós, não desistam do que um dia se pode vir a concretizar.

Mais importante para já, é mostrar aos que nos visitam o muito que existe e tem sido silenciado. Segundo o sapo statistics são muitas as visitas, até de outros continentes...

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12.6.17

Que nos vem lembrar situações pelas quais já passámos, estudos que silenciaram, ou

...posts que já escrevemos?

 

E será que esse alguém já leu sobre "faith-based styles"...?

Fica uma referência

 

É que nós já lemos, sim, em Robert Adam - o arquitecto nosso contemporâneo. Um autor que teve força (tempo e várias outras condições...) para poder colocar a questão publicamente. Mas, nós sabemos*, que um dia vai-se poder ir bastante mais longe.

Vai se poder distinguir, por regiões (geográficas) - e não com a «universalidade» com que a história da arte ainda hoje o regista -, o como e o porquê do emprego das formas, ou os sinais abstractos que integram as «diferentes variantes» dos referidos ("faith-based") estilos arquitectónicos. Da Europa, Médio Oriente e Oriente, também das colónias, onde o Cristianismo, mas também as suas «divisões», chegaram:

É exemplo (notório) o caso do Arco Ultrapassado, que segundo defendemos nasceu associado ao Per Filium. Informação que se deduz facilmente (?!) de muitos dos vários escritos sobre a Iberia medieval. E, mais concretamente, dos de Vergílio Correia no que registou no Iº vol. da História de Portugal (dita) de Barcelos: Quinta Parte, Arte Visigótica. Quando explica que há/houve arcos diferentes, mais ou menos fechados, segundo a sua projecção no diâmetro do círculo que os originou.

Mas tudo isto são linguagens visuais: provindas directamente do Pensamento ou de Mentes que pensam com base em imagens, assunto em que um dia as Neurociências hão-de querer trabalhar, com a Arte, num qualquer curso de Design - especializadíssimo!

Do qual, uns e outros vão querer tirar muita fama, muito proveito, e, principalmente, fazer a máxima publicidade que lhes for possível. Dizendo-se os melhores dos melhores...

Já que, no oposto, nos tempos em que ainda vivemos, ser mulher é ser «onda» (ou quiçá, tumulto, e dos piores?). Uma ideia muito sui generis que - OBVIAMENTE - não confere competência, a uma qualquer mulher, para poder ser clarividente ou perspicaz!**

 

E repete-se (a seguir) a colocação de uma imagem que é, para nós - que pensamos com desenhos e neles nos apoiamos - para ganhar a vida, ou um salário no fim do mês! -, uma das imagens mais falantes que conhecemos...

Imagem que, de imediato, recorda uma frase de Salomão. É a autêntica mnemónica, capaz de estabelecer uma correspondência directa entre essa asserção e o desenho. Frase que foi uma prece, emocionada, dirigida a Iahweh, ao reconhecer a pequenez do templo que acabava de construir (se comparado com a grandeza de deus). 

PortaeCaeli.jpg

 

 

*Fernando António Baptista Pereira também sabe, aliás disse-nos (mas depois calou-se, será que se arrependeu...?) que na Rússia viajou ao centro do Per Filium. Tinha inclusivamente fotografias que, na altura prometeu, iria disponibilizar para entrarem no nosso trabalho. Só que, também disse depois, que se tinham «esfarrapado», porque foram apagadas e outras lhes foram sobrepostas. "Azarucho nosso"... claro, que temos horror a tudo o que nos parece, ou aparece, demasiado esfarrapado!

**Tema que lembra uma  especialista (mulher) que Grover Zinn tantas vezes cita.

Também o Papa Francisco, e a sua ideia de que a Igreja precisa de teólogos (especificamente mulheres).

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5.6.17

de que acabámos de ler: indo por aqui

 

Por... 1- ser assunto que há uns anos nos passou a interessar

2- porque tudo podia ser mais simples se absorvessemos o conhecimento, sabedoria ou a sageza que a história, cheia de lições, pode dar.

3 - porque o saber não ocupa lugar

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4.6.17

Não foi por acaso que fizemos este blog. 

Já se escreveu, talvez um número incontável de vezes?! Mas há que insistir, tentar enfatizar a importância da escolha da palavra Iconoteologia. Que o Pe. Eugénio Marino (m.03.12.2011) primeiro designou Icono-Teologia, para se referir a uma série de obras cristãs (ou repletas de elementos participantes da Iconografia Cristã).

Palavra que de imediato entendemos e por isso preferimos a contracção ICONOTEOLOGIA. Porque tem tudo: a referência à imagem - que faz/fez as artes visuais; a referência à Teologia, o património imaterial (e material) que sustenta ou justifica, vários séculos ou até 1 milénio da Arte Ocidental 

Para Dana Arnold e a sua preocupação de que a História da Arte não é somatório de biografias já nós chamámos a atenção, aqui e em Primaluce.

Já lhe dedicámos vários posts, e lemos alguns trabalhos, sobretudo este, tão simples, tão claro, tão útil.

HA-compreenderDanaArnold.jpg

(legenda)

É verdade que haverá sempre tradicionalistas e retardatários, presos ao que aprenderam primeiro, e incapazes de se soltarem dessas suas velhas amarras. Mas, no mundo novo em que estamos, ser flexível e capaz de perceber a mudança, é essencial.

Oiçam a própria a explicar (em 4 minutos) o essencial da sua Art History: A Very Short Introduction:

https://www.facebook.com/VeryShortIntroductions/videos/vb.460338483986057/1242388259114405/?type=2&theater

 

 

 

 

 

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29.5.17

Autores e assuntos a continuar a explorar nos próximos posts, visto que, mais do que nunca, estamos perante a História da Arte que Fernando António Baptista Pereira, a partir de meados de 2010-2011, não queria que escrevêssemos...

Isto é, desde Maio de 2006 (início dos estudos de doutoramento) deu-nos informações fantásticas, sobre autores que desconhecíamos, como é o caso de Frances Yates. Informações que nos fizeram progredir, imenso, (e aos referidos estudos).

Porém, pelo meio (ou mais pelo fim?) cerca de 2010-2011, terá achado que já tínhamos informações a mais - que inclusivamente nos estavam a dificultar a vida (por tanta polissemia) - e mudou de ideias? Foi assim? Francamente não sei (?), mas é esta a minha visão e convicção...

Mas, não são formas de supervisionar ou orientar alguém que espera atitudes positivas e coerentes, da parte de quem ensina, como acontece a um qualquer estudante relativamente aos seus professores; seja qual for o nível de ensino, o grau de especialização a adquirir. Ou ainda, as informações cientificamente, assim chamadas paradoxais, que possam surgir pelo caminho!

Isto é, a alguém que sabe o que quer, e não precisa de ser desorientado...

Para isso já bastava o tema escolhido, que aceitou orientar (e aconselhou) tão altamente desafiante e, definitivamente, tão rico.

É que afinal, e apesar de já se conhecer o painel Começar, na Entrada da Fundação Calouste Gulbenkian, ninguém nos sugeriu as obras de Almada Negreiros. Mas está lá tudo ou muito - como piscadelas d'olho (dizemos nós) - oferecidas a quem olha (vê/perscruta, questiona) as suas obras.

 

Começar-640x297.jpg

(legenda)

Só que por coincidência, agora, apareceram à frente dos meus olhos (de quem Deo gratias, consegue ler várias línguas), mais e outras informações de Almada Negreiros; elas apareceram quase ao mesmo tempo, que vários desenhos e outros conhecimentos vindos de Louis Sullivan. Materiais que se tornam preciosos.

Todos eles pistas de um caminho que segundo Raymond Bayer se chamou Kalokagatia, e vem desde a Grécia antiga: um amor pelas formas perfeitas, e por isso Belas [ou até elegantes e bondosas - como é frequentemente explicado].
Um amor pelos jogos visuais e pela descoberta das analogias e similitudes, que podem levar a correspondências entre referentes formais e palavras ou ideias.
E isto que escrevemos já não é registado a pensar nalguns trabalhos do autor a que Almada chamou Raimundo Lúlio, mas sim, num outro autor, de época bastante anterior, também ele cristão - e bem «reputado» na História da Igreja (embora quase desconhecido no mundo da arte...).
Enfim, a imagem abaixo e o que depois dela já encontrámos, lembrou-nos, há que o dizer, Raban Maur*.
Um autor que Dame Frances A. Yates (segundo nos parece não terá estudado?) mas que já Umberto Eco registou, com grande visibilidade, na sua obra.
E depois de tudo o que se escreveu (hoje), daqui pergunta-se:
"Então afinal de que se trata, quando se refere a expressão Narratividade Visual?"
 
É que há tantas maneiras de contar histórias: houve tantas formas (não figurativas) para explicar o Deus Cristão, que - e apesar disso -, parece difícil conseguir fazer perceber que a narratividade visual pode ser feita, exclusivamente, a partir da geometria e da matemática.
 
Ou...
 
Será que só numa boa escola de engenharia, e de design, pode haver alguém preparado para compreender isto?
 

ParaICONOTEOLOGIA.jpg

(legenda)

*Autor do século IX, contemporâneo de Carlos Magno, monge beneditino e teólogo germânico. Que se serviu da imagem e da palavra - juntas - para difundir a fé:

Sempre de maneira que hoje diríamos muitíssimo criativa, dado o uso que fez do que alguns designam "caligrammes".

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14.4.17

De há uns tempos...*, habituámo-nos a constatar que não há coincidências. Menos ainda meras (ou únicas) coincidências.

É que na verdade, quando se vai à procura - e em geral logo se encontra (é o que se tem passado connosco, quando questionamos e tentamos averiguar); em geral verificamos que há, sim, origens comuns, para imagens que se nos apresentam com semelhanças visuais, totalmente inesperadas.

Ou seja, não é acaso, como podem parecer as duas imagens seguintes (a que se acrescenta, depois, ainda um detalhe da primeira). Reparem:

l. sullivan-chicago.jpg

(legenda)

ChaletBarros-Tamariz.jpg

 (legenda)

l. sullivan-chicago-detalhe.jpg

 (detalhe)

E tendo observado, inclusivamente, esta última imagem, verifica-se que para além dos skyscrapers de que Louis Henry Sullivan foi importantíssimo adepto, tendo contribuído para uma imensa mudança, não só da História da Arquitectura, mas da história, do clima e da ecologia das cidades. Verifica-se também que a inserção de elementos antigos, para si, não teria que consistir apenas em inserções (ou integrações) de ordem superficial...

Sabe-se que integrou esses elementos, antigos e ornamentais, pois para si, as grandes superfícies - que ao longe aparentam ser lisas, afinal receberam (imprimiu-lhes) decorações variadíssimas (que se vêem de perto); e, aconteceu, que agora - pelo menos para nós - algumas outras informações, «fizeram faísca»:

I. e., «a questão dos esoterismos», ou alguns segredos que para muitos estão/ficaram plasmados nas obras arquitectónicas, pela primeira vez aconteceu-nos tê-la encontrado.Deixaram de ser palavras e expressões que eram atiradas, sem mais; mas que agora já passamos a poder ir investigar, agarrando-nos a alguma coisa...

Assim, as temáticas de um doutoramento (o nosso!) que têm estado entre «encalhadas e repudiadas» - já que quem nos orientou, quando percebeu ao que estávamos a chegar "meteu o rabinho entre as pernas..." Ou, dito mais bonito, "deu às de Vila-Diogo". Portanto, e agora ainda com mais infos de Henry David Thoreau, talvez consigamos fechar o ciclo que «um certo orientador» tanto temeu: A História da Arte (ou da Arquitectura), que ele  tanto receou que pudesse um dia surgir!

Para nós o ciclo fica completo: o que vinha desde uma Kalokagatia, que, parece, poderia ser homérica na sua origem (?)**; e que depois, em sucessivas transformações ocorridas durante mais de dois milénios, se foi esbater (findar ou perder a maior força), no contexto de um cristianismo protestante, colonial, nos EUA.   

Por fim - e está a pergunta no título - claro que toda esta evolução, continua a mostrar-se como uma Iconoteologia...

~~~~~~~~~~~~~~~~~~

*Talvez de há 15 anos até hoje?

**Ver em História da Estética, Raymond Bayer, Estampa, Lisboa 1995, p. 27.

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11.4.17

A imagem seguinte exprime bem, por isso a desenhámos em Janeiro de 2013, aquilo que a UL (e outras entidades igualmente «responsáveis»*), entenderam fazer às descobertas que sucessivamente fomos realizando.

gentinha de punhos de renda(4).jpg

(legenta)

 

Primeiro (2001 a 2005), orientada na Faculdade de Letras, por uma Professora que decidiu que deveríamos conseguir explicar a arquitectura do Palácio de Monserrate a partir das origens do Estilo Gótico. Isto é, a partir das invasões, por povos germânicos, no Império Romano (do Ocidente), ocorridas, principalmente e com maiores fluxos, durante o séc. V d.C. Invasões que ainda agora continuam a ser consideradas uma das causas da queda do Império romano, em 476.

Depois, numa 2ª fase, de 2006 em diante, e estando nós a fazer as necessárias investigações para os estudo do doutoramento que nos propusemos desenvolver; tendo portanto uma maior autonomia, mas ainda assim acompanhada por um outro professor orientador que, felizmente, nos foi dando mais informações [e desse modo nos permitiu que entendêssemos como diferentes e sucessivos ideogramas estiveram na origem de várias das formas geométricas (abstractas) da arquitectura antiga e tradicional]. Aconteceu nessa 2ª fase (em que ainda estamos...), que, crescentemente, várias surpresas - como sucessivos novos conhecimentos, sempre a surgirem (de todos os lados, e a encaixarem bem nos dados objectivos, anteriores, históricos e já conhecidos). Desde então sucedeu que, constantes e consecutivamente imparáveis, muitos novos dados surgissem, obrigando-nos a que passássemos a ter em conta uma nova historiografia.

A qual, na nossa mente, passou ela própria, «a auto-definir-se»**, substituindo, sobretudo ao nível de alguns detalhes e pormenores mais relevantes, as Histórias que nos tinham sido ensinadas. 

Foi então, por coincidência, que começámos a reparar, que o nosso orientador dos estudos de doutoramento, parecia estar cada vez mais mal-disposto, e ainda com comentários repetitivos, que até então não tínhamos ouvido (?!):

"Não vai fazer uma História da Arte...! Não vai fazer uma História da Arte...! Não vai fazer uma História da Arte...!" 

Até que, claro que este discurso deixou de ser som e sensação incomodativa, obrigando "a cair na real":

A atingir a percepção, do que para ele se estava a passar!

Até que, enfim, lá compreendemos o mal-estar, a indisposição, e a indisponibilidade: i.e., a falta de profissionalismo, etc., etc.

A própria FCT, ainda em 2006/07 tinha referido (carimbado!) os estudos como sendo Esotéricos. Provavelmente, e como todos fazem, atirando uma palavra cujo cabal conhecimento, como temos detectado, quase ninguém conhece...

Só que, mais uma vez avançámos e na nossa biblioteca preferida (BAQ) finalmente encontrámos algo mais.

Havemos de escrever sobre o tema - surgido, quiçá no final do século XIX? - já que antes, pelo contrário, o que agora uns chamam, ou insultam (?) de Esotérico, tratou-se de Iconografia que era desejada para estar presente (plasmada/embebida) nas edificações.

Até lá - e para já (ver abaixo) - ficam várias imagens do Tratado de Arquitectura de André Félibien, Sieur des Avaux. Desenhos que, como escreveu, era suposto serem empregues nos vidros - "verreries", dos vãos e janelas dos edifícios.

Levámos muito (demasiado) tempo até chegar aqui***. No entanto, todo este tempo foi de enriquecimento pessoal: solitário, é verdade, porém, um tempo de enorme enriquecimento! Deo gratias...

As Escolas e o Ensino Superior (da UL e do país...) podem querer apodrecer com as suas visões arrogantes, altaneiras e medíocres? Pois que fiquem, assim, por muitas mais décadas!

É o que se deseja ao ensino melhor de todos os tempos, como auto-propagandeiam «essas melhores escolas»...

 

(Imagens e legendas, ver maior dimensão)

 

*Na sua obrigação de acolher e apoiar o nossos estudos de mestrado e depois de doutoramento.

**Isto é, a História passou a ser bastante menos aquilo que nos dizem (ou disseram ao longo do tempo), passando a ser o que estamos a encontrar!

***Mais precisamente até aparecer o adjectivo Esotérico: vindo, ou associado por algum autor/arquitecto, ao (seu) discurso teórico, integrado na arquitectura.

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8.4.17

Inspirada em ideias alheias, muitas e variadas que vão por aí - sem se saber exactamente de onde vêm? -, gostávamos que a nossa presença aqui (redes sociais) fosse semelhante à de uma agência de propaganda.

Mas, feita em prol da verdadeira cultura: i. e., dedicada a um conhecimento mais rigoroso da arte antiga e tradicional. De um conhecimento como não se pratica em várias instituições de Ensino Superior; ou seja, não comprometido com os discursos oficiais do politicamente correcto:

Aparentemente, os únicos (discursos) aceites hoje em várias das Faculdades da UL, ou pelos painéis de avaliadores da FCT...

Interessa-nos portanto conhecer, mais aprofundadamente, a arquitectura antiga e tradicional da Europa (cristã); a arquitectura e a arte portuguesa, assim como várias das suas expressões que migraram mundo fora, e que hoje se encontram nas chamadas versões coloniais. Por exemplo nas Américas, seja no Norte (EUA), ou no Sul (Brasil).

Nas imagens seguintes, para reforçar e comprovar posts anteriores, dois extractos do Túmulo de Alcobaça a que nos temos referido.

 

arca-alcobaça.jpg

(legenda)

 

AlcobaçaTúmulo-Amêndoas.bmp

 

(legenda)

 

Fotografias vindas do estudo de J. Custódio Vieira da Silva, intitulado: O Panteão Régio do Mosteiro de Alcobaça, edição do Ministério da Cultura e IPPAR, Lisboa 2003. Ver páginas. 45-50.

Ver também em

 

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3.4.17

A propósito da ideia de mais dinheiro para a Ciência, antes disso claro que nos ocorre a ideia de mais LIBERDADE para a Ciência. Para se conhecer a si mesma, delimitar áreas ou campos científicos...

Será que tem que estar confinada às visões redutoras de quem se fez doutor sem sequer ter frequentado uma universidade? De quem vedou aos que a frequentaram, quiçá por alguma «superioridade de género» (ou qualquer outra «visão superior»...) o completo acesso aos estudos pós-graduados, como eles se devem fazer: Na plenitude que permite atingir os objectivos do chamado Ensino Superior. Já que, caso contrário, então o nome desse grau passa a ser o de ensino inferior...

É que ter dinheiro para se fazerem os estudos e as investigações, será uma etapa seguinte.

Se a primeira é uma necessidade: haver temas ainda não investigados, ou sequer detectados, como sendo assuntos que é preciso esclarecer (para depois os divulgar a toda a sociedade); há depois várias outras primeiras etapas - será a seguinte/segunda, a terceira, a quarta, ou são concomitantes?

Mas é também exigir (será a 1ª ou a 5ª etapa do processo?) que os designados «painéis de avaliadores da FCT» sejam forçosamente competentes para os cargos de que se (auto)incumbiram!

∞∞∞∞∞

Enfim : «Mourons pour des idées*, d'accord, mais de mort lente… »

E talvez valha a pena lerem a letra, em vez de apenas ouvirem as palavras:

É que aqui a IDEIA pela qual vale a pena viver (e assim todos os dias morrendo de «morte lenta»), é uma ICONOTEOLOGIA que alguns (caso de Hans Belting) já detectaram e defendem: IDEIA que ultrapassando as diferenças entre ICONOLOGIA e ICONOGRAFIA, como há décadas foi explicado por Erwin Panofsky, visa agora várias outras noções muito inovadoras que o Pe. Eugenio Marino também defendeu

 

∞∞∞∞∞

*Idées que hoje são como um Nó Górdio (vários, muitos, “mais precisamente” uma infinitude de nós...) que foi levado para a Universidade, e ai estacionou: pela força da qualidade dos docentes, que também eles vivem estacionados, abstendo-se de fazer esforços de verdadeira progressão científica.

Para quê? Se o que interessa mais é apenas adquirir cargos de chefia, poderes nas direcções das escolas...

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Primaluce: Uma Nova História da Arquitectura
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